Lula inaugura conjunto popular e diz que Paraisópolis está ‘chique’

SÃO PAULO – Durante a entrega de apartamentos populares para moradores da favela de Paraisópolis, na capital paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira elogios à qualidade das unidades habitacionais entregues pelo governo federal, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. A favela é vizinha a um dos bairros mais nobres de São Paulo, o Morumbi.

“Certamente, aqueles que moram em prédios com cobertura não terão mais vergonha quando olharem para baixo porque agora vão ver que vocês estão morando em apartamentos dignos, de pessoas que trabalham e querem construir a cidadania, convivendo dignamente com a sua família”, disse Lula, em discurso aos moradores da comunidade. “Isto aqui agora não é mais uma favela, é um bairro. É mais chique”, acrescentou Lula.

O petista fez um discurso de 12 minutos, breve para seus padrões, e informou desde o início que sua passagem pela região seria rápida, uma vez que iria visitar o neto Pedro, que acabara de nascer no Hospital São Luiz, na capital paulista. O presidente antecipou ainda que iria participar hoje das comemorações do centenário do Corinthians, seu time do coração.

Após visitar os apartamentos, Lula disse ter ficado satisfeito ao vê-los com azulejos e lajotas. “Fiquei orgulhoso de ver a qualidade do prédio”, afirmou. “Todo mundo gosta de ter azulejo em sua cozinha e lajota em sua casa”, afirmou. “Não é possível imaginar que nós não gostamos de coisa boa”, disse o presidente. O total de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Paraisópolis soma R$ 318,8 milhões.

Ao lembrar de seu passado, Lula citou que sua primeira casa tinha apenas 33 metros quadrados e que foi aumentada por meio de “puxadinho, aos trancos e barrancos, como é a vida de todos nós”. O presidente lembrou ter doado o terno que usou no dia que tomou posse na Presidência da República, em 1.º de janeiro de 2003, para um leilão beneficente que arrecadou recursos para a comunidade de Paraisópolis. O traje foi arrematado por R$ 500 mil pelo empresário Eike Batista. “Eu só dei o terno para leiloar. A meia já estava gasta e a gravata desapareceu”, brincou o presidente.

Lula foi ovacionado pelas pessoas que aguardavam sua chegada, com uma hora de atraso. Ele foi recebido com gritos de “Lula, guerreiro, do povo brasileiro”, “Lula, cadê você? eu vim aqui só para te ver” e “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”. Já o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e o governador do Estado, Alberto Goldman (PSDB), foram recebidos por vaias, logo encerradas durante os discursos dos governantes.

Durante a cerimônia, Goldman assinou um contrato com a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, de expansão do metrô. A nova Linha 17-Ouro, cujo valor previsto é de R$ 3,17 bilhões, terá R$ 1,5 bilhão do governo estadual, R$ 1,33 bilhão da Caixa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 334 milhões da Prefeitura. No total, a linha terá 21,6 quilômetros de extensão, 20 estações, 2 pátios e 28 trens. Além disso, haverá um monotrilho que fará a ligação entre o aeroporto de Congonhas e a Estação Jabaquara, da Linha 1-azul.

Ao fim de seu discurso, Lula passou o microfone para moradores da região, que fizeram um poema e uma canção para o presidente. O primeiro foi declamado da seguinte forma: “Presidente que nem o Lula/ Na história eu nunca vi/ Ele trabalha com muita competência/ Ele não escolheu nem esse nem aquele/ Ele é presidente de todos os brasileiros.”

A canção, na cadência de um repente, foi cantada assim: “Lula é muito gentil/ Hoje se acha presente/ Caetés mandou para aqui/ Tu és muito competente/ Dilma vai ser lá na frente/ E você vem novamente.” O nome da candidata do PT à sucessão presidencial foi dito apenas na canção durante todo o evento. Lula deixou o local sem conceder entrevista.
estadão
Rizzolo: A política de inclusão social do governo federal em parceria com a Prefeitura de São Paulo foi uma ótima iniciativa. Não podemos mais conviver com as disparidades sociais. A favela de Paraisópolis sempre foi cercada de apartamentos de alta classe, portanto essa disparidade social geográfica é uma verdadeira afronta ao bom senso social. Iniciativas de inclusão social, educação, bem estar, fazem parte da política de formação dos jovens prevenindo-os da marginalidade e do crime organizado. Como sempre digo, a questão da segurança, passa pela inclusão dos jovens das comunidades pobres, esse é o caminho do avanço e da participação fazendo do Brasil um país mais justo.

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