Ossário com vítimas da ditadura será aberto até o fim do mês

No dia da Proclamação da República, uma notícia alentadora ao avanço democrático: o grupo de trabalho que procura restos mortais de presos políticos que teriam sido enterrados no Cemitério da Vila Formosa, na capital paulista, deve abrir o ossário clandestino existente no local no próximo dia 29. Investigações preliminares indicam que as ossadas de oito presos políticos mortos durante o regime militar podem estar guardadas no local.

A previsão para a abertura foi feita na sexta-feira (12) pelo procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, que acompanha o trabalho da equipe no cemitério. Segundo ele, a chegada ao ossário é prioridade da equipe formada para a localização de ossadas de dez mortos.

De acordo com Weichert, as ossadas procuradas na Vila Formosa são de: Antônio Lucena, Joelson Crispin, Antônio dos Três Reis Oliveira, Alceri Gomes da Silva, José Ferreira de Araújo, Edson Quaresma, Roberto Macarin, Devanir José de Carvalho, Sérgio Corrêa e Virgílio Gomes da Silva.

Dos dez, só os restos mortais de Sérgio Corrêa e Virgílio Gomes da Silva não estariam no ossário clandestino. O Ministério Público Federal (MPF), a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) e parentes de Corrêa e Silva acreditam que eles estejam enterrados em outra área do cemitério, como pessoas não identificadas.

Ilda Martins da Silva, viúva de Virgílio, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, que ela mesmo localizou o corpo de seu marido no Cemitério da Vila Formosa, em 2004, 35 anos após a morte dele. Ela própria procurou por documentos no Instituto Médico Legal (IML) para encontrar o túmulo de Virgílio, que está hoje, segundo ela, em uma área completamente modificada do cemitério.

Hoje com 79 anos, Ilda tinha 41 quando seu marido foi morto por agentes da Operação Bandeirantes (Oban). Na época conhecido como Jonas, Virgílio foi preso por ter participado do sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em 1969.

Ansiosa pela identificação dos restos mortais do marido, Ilda acompanha frequentemente os trabalhos de investigação. Entretanto, confessa que ainda não sabe o que fará caso as suspeitas dos investigadores seja confirmada. “Só quero encontrar a ossada mesmo”, disse. “Depois, vou pensar no que vamos fazer.”

Ilda conta que os quatro filhos que teve com Virgílio já colheram amostras de sangue para exames de DNA que podem ajudar no reconhecimento do corpo.

Weichert afirmou que não há previsão para o fim dos trabalhos de identificação das ossadas existentes no cemitério. Ilda, contudo, não dá sinais de desistência. Quer saber onde está seu marido para, pelo menos, dar satisfações a seus filhos mais novos, que eram bebês quando Virgílio morreu e não se lembram do pai. “A esperança é a última que morre”.

Da redação, com Agência Brasil

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