Na 3ª semana do mês, país tem déficit comercial de US$ 663 mi

O resultado da balança comercial na terceira semana de novembro (dias 15 a 21) é claramente uma consequência da política de facilitação da pilhagem cambial norte-americana por parte do Banco Central. Com a ação dessa espécie de quinta-coluna econômica dentro do país, como poderia ser diferente?

Na terceira semana de novembro, segundo divulgou a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) na segunda-feira, nosso saldo comercial foi negativo em US$ 663 milhões. Ou seja, as importações dessa semana excederam as exportações em mais de meio bilhão de dólares.

Já voltaremos aos últimos números da balança comercial – e à situação atual, agravada pela guerra cambial. Para os nossos assíduos leitores, não é uma novidade que desde 2005, com os juros altos, o BC tem atraído para dentro do país uma torrente de dólares, que para cá vem procriar com a diferença de juros em relação aos EUA – e outros países. Durante cinco anos, praticamente sem interrupção, a taxa básica de juros estabelecida pelo BC foi mantida no mais alto nível do mundo – e várias vezes aumentada, mesmo já sendo essa a sua condição.

O resultado foi a apreciação do real – a hipervalorização completamente artificial da nossa moeda em relação ao dólar. Por uma manipulação do câmbio, efetuada principalmente pelos juros altos (mas também pelas intervenções do BC no mercado de dólares), os produtos importados (isto é, os que têm seu preço em dólar convertido em reais) ficam mais baratos e os produtos internos (isto é, que têm seu preço em real), tanto aqueles exportáveis quanto os não exportáveis, ficam mais caros.

O Brasil é um país extremamente rico – isso explica porque, mesmo com o freio de mão travado (isto é, com preços mais caros) as exportações continuaram a aumentar, embora com um perfil cada vez mais primário: minério de ferro, soja, etc. Porém, mesmo assim, foi impossível que as exportações aumentassem mais do que as importações, que deram um salto exponencial, com dificuldades cada vez maiores para as contas externas.

Se isso já causava, como veremos, grandes prejuízos ao país, com a guerra cambial – isto é, as superemissões de dólares dos EUA a partir do final de 2008, com o objetivo central, exatamente, de desvalorizar a sua moeda para tornar as mercadorias norte-americanas mais baratas, descarregando no exterior o que não conseguem mais vender internamente – a situação tornou-se crítica.

Hoje, só há uma explicação para juros tão absurdos (em termos reais, mais do que o dobro da segunda taxa de juros mais alta do mundo): a função deles é abrir os portões do país para os dólares e as mercadorias dos EUA – além das de outros países que souberam, em maior ou menor medida, se defender contra a agressão norte-americana.

É até algo cômico ver o lobby pró-Meirelles dos apoiadores de Serra, exatamente aqueles que agrediram Dilma de todas as formas durante a campanha eleitoral – a “Veja”, a Miriam-alguma-coisa-ão, a “Globo”, a “Folha”, em suma, toda a canalha serrista. Em suma, perderam a eleição mas querem determinar quem é o presidente do Banco Central…

Por alguma razão, não é tão cômico quando Meirelles diz a jornalistas, só porque foi convocado para uma reunião com Dilma, que foi convidado para ficar no BC, mas só ficará se for em caráter permanente – supõe-se que eterno – e com um cheque em branco para fazer o que lhe der na telha, o que, aliás, não é difícil de adivinhar: aumentar juros, pois é a única coisa que ele aprendeu no BankBoston, de onde até hoje não saiu da folha de pagamento. Aliás, sua lobista-mor, aquela senhorita pouco atraente da “Globo”, diz que Meirelles é indispensável porque “vai ser necessário” aumentar os juros logo em janeiro…

Com o resultado da terceira semana de novembro, o saldo comercial do ano está em US$ 15,283 bilhões. No mesmo período de 2009, esse saldo foi de US$ 22,858 bilhões – portanto, houve uma queda de 33,1% em relação ao ano anterior.

Observemos que a “corrente de comércio” (exportações + importações) aumentou 36,1% em relação a 2009 – e mesmo assim o saldo desceu 33,1%.

Da mesma forma, as exportações cresceram – e não pouco: nada menos do que 30,3%, isto é, quase um terço em menos de 12 meses – e mesmo assim o saldo, nesse período (janeiro até a terceira semana de novembro), caiu 33,1%, porque as importações cresceram 43,2%.

CÂMBIO

Nos cinco primeiros anos do governo Lula, o saldo comercial, afundado no governo anterior, decolou:

2003: US$ 24,794 bilhões;

2004: US$ 33,641 bilhões;

2005: US$ 44,703 bilhões;

2006: US$ 46,457 bilhões;

2007: US$ 40,032 bilhões.

Compare-se a soma desses resultados (superávit de US$ 189,626 bilhões) com a soma dos saldos comerciais nos primeiros cinco anos do governo Fernando Henrique (déficit de US$ -23,591 bilhões) e ficará claro que o governo Lula recuperou o comércio exterior do país. Mesmo se compararmos com o resultado de 2002 (US$ 13,1 bilhões), que foi uma exceção no governo Fernando Henrique (todos os saldos de 1995 a 2000 foram negativos e o de 2001 foi insignificante), Lula conseguiu elevar o nosso saldo comercial da casa dos US$ 10 bilhões para o patamar dos 40 bilhões de dólares – isto é, quadruplicou o saldo comercial, mesmo quando a comparação é feita com a exceção no governo anterior.

No entanto, fundamentalmente devido à política de juros altos do BC, a cotação do dólar em relação ao real foi decrescente:

2003- R$ 3,07;

2004 – R$ 2,92;

2005 – R$ 2,43;

2006 – R$ 2,18;

2007 – R$ 1,95.

Essas são as cotações médias anuais do dólar em relação ao real, divulgadas pelo Banco Central. Note-se que o nosso saldo comercial cresceu até 2006. Em 2007, quando o dólar cai abaixo de dois reais, ele caiu mais de US$ 6 bilhões. Em seguida (os números de 2010 são, evidentemente, referentes ao período janeiro-3ª semana de novembro):

2008 – US$ 24,836 bilhões

(dólar médio: R$ 1,83);

2009 – US$ 25,347 bilhões

(dólar médio: R$ 1,99);

2010 – US$ 15,283 bilhões

(dólar médio: R$ 1,77).

A relação entre o câmbio e o travamento do saldo comercial é clara por esses dados.

Todos os países, diante da pilhagem cambial norte-americana ou baixaram seus juros, inclusive abaixo dos norte-americanos (quase todos os países da Europa), ou controlaram seu câmbio (China, Vietnã e até a Arábia Saudita). O Brasil, devido ao sr. Meirelles, foi o único país que manteve os juros altos e um câmbio manipulado através deles. E o sujeito ainda quer governar no lugar da nossa presidente, para ajudar os americanos a sair da crise nos esfolando…

CARLOS LOPES
Hora do Povo
Rizzolo: Excelente análise do companheiro Carlos Lopes.

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