Eike Batista mostra interesse em comprar SBT de Silvio Santos

O empresário Eike Batista disse nesta quinta-feira que um canal de televisão seria interessante para a joint-venture que formou esta semana com a agência de esportes e entretenimento do investidor de private equity e bilionário Ted Forstmann, a IMG. Ele não descartou uma eventual compra do SBT, se a emissora for colocada à venda depois que as empresas do grupo do empresário Silvio Santos foram usadas como garantia no aporte de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao banco Panamericano.

– Nós olhamos tudo – disse o empresário, ao ser perguntado se poderia fazer uma oferta no caso do SBT ser colocado à venda.

Na noite de terça-feira, o Panamericano informou que recebeu um aporte de R$ 2,5 bilhões do Grupo Silvio Santos, seu controlador, para restabelecer o equilíbrio patrimonial e a liquidez do banco. Os recursos foram obtidos com o FGC. Eike observou, no entanto, que seu negócio no setor de entretenimento, anunciado esta semana , tem por objetivo principal a construção de arenas multiuso no Brasil e espetáculos de entretenimento.

– O brasileiro gosta de eventos, gosta de se entreter…tem um mercado extraordinário aqui, uma demanda reprimida. Ele (Forstmann) vai gostar do X, é para multiplicar – avaliou o executivo que ainda não tem planos concretos para a joint-venture já apelidada de IMGX, como brincou o empresário sobre seu costume de usar a letra X no nome de todos os seus empreendimentos.
Correio do Brasil
Rizzolo: Eike é um grande empresário, merece o respeito do povo brasileiro, ademais nas suas mãos o SBT não será uma mídia golpista.

Presidente do TRE-SP diz que Tiririca leu e escreveu e será diplomado

SÃO PAULO – O presidente do TRE-SP, Walter de Almei Guilherme, afirmou nesta quinta-feira, 11, que o deputado federal eleito, Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca (PR) – o mais votado por São Paulo, com um total de 1,353 milhão de votos -, será diplomado independente da decisão do processo para comprovar se ele é ou não é alfabetizado. Guilherme afirmou ainda que o palhaço conseguiu ler e escrever o que foi pedido no teste. Indagado se o deputado sabe realmente ler e escrever, o desembargador disse que seria leviano de sua parte se antecipar sobre o assunto. “É o juiz quem vai responder sobre isso.”

Segundo o presidente do TRE-SP, Tiririca se submeteu a um teste de leitura e de escrita nesta manhã, durante audiência na sede do TRE-SP. O deputado se recusou a fazer a perícia técnica para comparar sua escrita com a de sua mulher, que teria ajudado o deputado a preencher a declaração de instrução entregue à Justiça Eleitoral. “Ele se recusou e tem base para recusar”, disse o desembargador, ressaltando que Tiririca não é obrigado a criar provas contra si mesmo.

A audiência para essa avaliação ocorre nesta quinta no TRE-SP com a presença do deputado, seu advogado Ricardo Porto, o juiz Aloísio Silveira e o promotor Maurício Lopes, que abriu o processo contra Tiririca pela suspeição de que a declaração em que afirmou ser alfabetizado para concorrer ao cargo de deputado tenha sido preenchida por outra pessoa. Tiririca chegou ao TRE por volta das 9h20 e deixou o tribunal por volta das 12h40, sem falar com os repórteres que fazem plantão no local. Após uma pausa para almoço, audiência foi retomada às 14 horas.

Teste

O deputado de maior votação no Estado de São Paulo teve de ler a manchete da edição de hoje do Jornal da Tarde – “Procon manda fechar loja que vende itens vencidos” – e o olho da matéria: Medida inédita suspende as atividades de 11 supermercados da capital durante período de 12 horas. Segundo órgão de defesa do consumidor, a aplicação de multas não surtiu efeito, já que as lojas punidas são reincidentes na infração”.

Tiririca também teve de ler o título e o olho da matéria de capa de variedades do Jornal da Tarde: “O tributo final a Senna” e “Estreia amanhã filme que homenageia o piloto brasileiro, relembrando os tempos de glória, as brigas com dirigentes, a rivalidade com Prost e pouco da vida pessoal”. Já o ditado foi tirado da página 51 do livro: “Justiça Eleitoral – uma retrospectiva”, editado pelo TRE-SP em 2005. A frase é de um texto intitulado “a justiça brasileira pós Estado Novo”, de autoria de José D’Amico Bauab, mestre em direito pela Universidade de São Paulo e servidor do tribunal na Capital. “A promulgação do Código Eleitoral em fevereiro de 1932, trazendo como grandes novidades a criação da Justiça Eleitoral”.

O desembargador afirmou que Tiririca “deu conta de ler tudo”, referindo-se ao texto do Jornal da Tarde. Sobre o ditado, afirmou que o deputado “soube escrever”. Apesar de todo o imbróglio, o presidente do TRE-SP afirmou que a decisão do juiz Aloísio Silveira não vai interferir na diplomação do deputado federal eleito. Isso porque a decisão do tribunal que permitiu que Tiririca concorresse não está sendo contestada e permanece intacta. “O registro foi deferido e tecnicamente não existe nenhuma provocação para que se desfaça esse registro. Isso poderá vir a ocorrer com algum recurso que possa ser impetrado, mas não existe o processo para anular esse registro”, reiterou.
estadão
Rizzolo:Engraçado, estamos em pleno Estado Democrático de Direito, e ainda não sei o porquê de tanta implicância com o palhaço Tiririca. Teve ele uma vitória fragorosa, o povo o elegeu não por protesto, mas porque já está cansado de tantos que se dizem intelectuais e solapeiam o erário público. E se o Tiririca for um bom parlamentar? Pensar no povo, nos pobres desse imenso país, não é privilégio da elite letrada. Acho que está na hora de respeitarmos aqueles que foram eleitos com o devido respeito. Isso é a democracia.

Os fantasmas no sótão da velha imprensa

Franklin Martins, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, abriu o Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias com uma observação que justificou o título do encontro. A convergência de mídias é um processo irreversível e já faz parte da vida cotidiana. Um telefone celular não é mais meramente um telefone. Tornou-se também um meio para acessar internet, rádio e televisão. Essa convergência de tecnologias e meios de comunicação em um pequeno aparelho abre novas possibilidades para a comunicação humana, mas essas possibilidades vêm acompanhadas de problemas. Boa parte desses problemas é causada por conflitos de mercado entre os diferentes setores que fazem da comunicação seu bezerro de ouro.

No Brasil, alguns desses setores reagem fortemente ao debate sobre a necessidade de regular esse novo mundo tecnológico, social e econômico, que já é uma realidade. Essa reação aparece revestida por um verniz ideológico que vê na ideia da regulação uma tentativa de censurar e controlar a imprensa. Isso é uma bobagem, disse Franklin Martins. E é mesmo. Não é difícil mostrar. O Brasil acaba de sair de um duro processo eleitoral onde, em um determinado momento, entidades empresariais do setor das comunicações e seus respectivos veículos ensaiaram uma mobilização nacional contra perigosíssimas ameaças à liberdade (de imprensa e outras) que estariam pairando sobre a vida democrática do país. O motivo? Uma crítica feita pelo presidente da República à cobertura sobre as eleições. Houve alguma censura por parte do governo? Nenhuma.

Houve, de fato, dois episódios de cerceamento à liberdade de expressão na campanha este ano: um praticado pelo jornal O Estado de São Paulo, que demitiu a colunista Maria Rita Kehl por não tolerar a opinião dela publicada em suas páginas; e o outro praticado pelo jornal Folha de São Paulo que entrou na Justiça para tirar do ar o site Falha de São Paulo que fazia uma paródia às capas e manchetes da publicação. Esses jornais e outros veículos da chamada grande imprensa seguem repetindo mantras ultraconservadores contra um debate que já foi feito na imensa maioria dos países apontados por eles mesmos como exemplos de liberdade de modernidade. Mas por trás de todo esse conservadorismo, há uma razão mais pragmática: o avanço das empresas de telecomunicação sobre o mercado da radiodifusão.

Só esse dado mercadológico já justificaria um interesse mais positivo do setor de radiodifusão no debate da regulação. Franklin Martins falou sobre isso ao saudar os participantes do seminário. O faturamento das teles hoje é aproximadamente 13 ou 14 vezes maior que o da radiodifusão. Sem regulação, a radiodifusão vai ser atropelada por uma jamanta, resumiu o ministro. E as grandes empresas do setor sabem disso. A Folha de São Paulo publicou um editorial, dia 15 de novembro de 2009, defendendo a restrição, em 30%, da presença de capital estrangeiro nos portais de notícias no Brasil. A proposta também é defendida pelas principais entidades do setor: Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e Associação Nacional de Jornais (ANJ).

A posição defendida por essas entidades oferece, na verdade, argumentos em defesa da necessidade de um novo marco regulatório para o setor. Para elas, a restrição ao capital estrangeiro, previsto no artigo 222 da Constituição Federal, aplica-se a qualquer negócio que explore conteúdos, independentemente do meio utilizado, seja TV, rádio, jornais ou a internet. “Práticas desleais na internet colocam em risco as bases que permitem o exercício da imprensa independente no país”, protestou a Folha no editorial, acrescentando: “Quando um país como o Brasil admite um oligopólio irrestrito na banda larga – a via para a qual converge a transmissão de múltiplos conteúdos, como TVs, revistas e jornais – alimenta um Leviatã capaz de bloquear ou dificultar a passagem de dados atores que não lhe sejam convenientes”.

“Nossa legislação é um cipoal de gambiarras”

Do ponto de vista dessas empresas, portanto, o debate sobre um novo marco regulatório para o setor envolve, sobretudo, uma disputa de mercado com as grandes corporações do setor de telecomunicações. Mas essa agenda não se resume a uma questão de mercado. Há interesses públicos em jogo – como o direito à uma informação de qualidade que contemple a diversidade cultural e política do país – que vem sendo bloqueados pela intransigência do grande capital privado do setor. Para quem ainda tinha alguma dúvida, a dimensão pública do tema ficou evidenciada nos relatos das experiências de países como França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina e Estados Unidos. A existência de um marco regulador na área da comunicação é hoje um indicador da qualidade da democracia de um país.

O Brasil ainda engatinha nessa área. A nossa legislação de telecomunicações, lembrou Franklin Martins, é absolutamente ultrapassada, remontando a 1962, “quando havia mais televizinho do que televisão”. Essa legislação é hoje um “cipoal de gambiarras”, ilustrou o ministro. Ele deu outro exemplo: “Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter canal de televisão. E todos sabemos que têm. O que vamos fazer?” Os conferencistas internacionais contaram o que seus países fizeram e seguem fazendo para proteger e incentivar a produção independente nacional e regional, para evitar a concentração de propriedade ou para defender crianças e adolescentes de publicidades de bebidas e medicamentos, apenas para citar alguns conteúdos. Propostas estas que seguem enfrentando forte resistência no Brasil.

Uma resistência alimentada por preconceitos e fantasmas arrastando correntes, na imagem adotada pelo titular da Secretaria de Comunicação Social do governo brasileiro. “Só um debate público transparente afasta os fantasmas. Queria convidar todos a deixar os fantasmas no sótão. É lá que devem ficar”. Trata-se de um debate irreversível, repetiu, fazendo uma previsão: “Estou convencido que a área da comunicação no governo Dilma terá o mesmo tratamento que a área de energia teve no primeiro governo Lula”. Os primeiros meses de 2010 dirão se a previsão poderá ser realizar ou não. O que parece certo é que dificilmente a velha imprensa conseguirá bloquear esse debate usando seus fantasmas empoeirados a acenar com a ameaça da censura, ameaça esta que só vem se materializando nas suas próprias redações.

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior(correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

Dilma, em Seul, faz sua estreia no cenário externo em plena ‘guerra cambial’

A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, chegou no início da tarde desta quarta-feira (madrugada em Brasília) a Seul, capital da Coreia do Sul, onde participa a partir da quinta-feira da reunião de cúpula do G20 (o grupo que reúne as 20 maiores economias do planeta), ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula deve chegar a Seul somente na quinta-feira, após passar por Maputo, em Moçambique. A ida de Dilma a Moçambique para acompanhar o presidente chegou a ser anunciada, mas foi cancelada de última hora.

A participação de Dilma na cúpula do G20, sua primeira viagem ao exterior após a eleição, serve também como sua “estreia” da nova líder brasileira no cenário internacional, faltando ainda mais de um mês e meio para sua posse. A presidente eleita, que viajou em um voo de carreira ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, preferiu evitar a imprensa na chegada ao hotel Imperial Palace, onde está hospedada, alegando cansaço após 25 horas de viagem.

A agenda da presidente eleita em Seul deve seguir a do presidente Lula, incluindo possíveis reuniões com outros líderes dos países do G20. Apesar disso, ela não deverá ter uma participação formal na reunião, reservada apenas aos chefes de Estado ou Governo em exercício. Em declarações após a eleição, Dilma afirmou que lutaria, ao lado de Lula, para que o G20 adote medidas para combater a chamada “guerra cambial”.

A “guerra cambial”, como ficou conhecida a disputa entre os países em relação às suas moedas, deverá ser o principal tema de discussões dos líderes durante a cúpula em Seul, que termina na sexta-feira. Alguns países, entre eles a China e os Estados Unidos, têm sido acusados de desvalorizar ou manter artificialmente desvalorizadas suas moedas para aumentar a competitividade de seus produtos de exportação.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já afirmou que pretende propor durante a reunião de cúpula do G20 a criação de um índice do FMI (Fundo Monetário Internacional) para identificar os países que manipulam a cotação de suas moedas. O índice poderia servir para eventuais punições contra os países identificados pelo FMI, como por exemplo sanções na OMC (Organização Mundial do Comércio).

Medidas essenciais

Ministro da Fazenda, Guido Mantega viajou ao lado da presidente e, ao desembarcar na capital coreana, afirmou que Dilma tem conhecimento das medidas consideradas essenciais para manter o equilíbrio da economia brasileira.

– A presidenta está absolutamente sintonizada – disse Mantega, informando que Dilma acompanhou todas as discussões envolvendo as questões sobre macroeconomia nacional.

Mantega afirmou que Dilma deverá cumprir rigorosamente todas as medidas contidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, zerar o déficit nominal, reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) e fazer o superávit nominal. Segundo o ministro, uma das prioridades do próximo governo é garantir a queda dos juros. De acordo com ele, a queda deverá ser motivada pelo controle da inflação, pelo recuo nos gastos públicos e pelos subsídios por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
correio do Brasil
Rizzolo: Essa é a primeira viagem internacional de Dilma depois da confirmação de sua vitória nas eleições de outubro. Apesar de sua posse só ocorrer no dia 1º de janeiro, a viagem de Dilma já tem “caráter oficial”, pois ela foi convidada pela organização do G20 para participar de todos os eventos do encontro de cúpula. Na semana passada, o Fed (Banco Central dos EUA) anunciou que gastará US$ 600 bilhões na compra de títulos públicos do Tesouro do país. A decisão aumenta a circulação da moeda norte-americana, mas tem como consequência uma desvalorização ainda maior do dólar. A queda da moeda prejudica as exportações de produtos de outros países, como o Brasil.

Esse novo Everest de dólares não vai ficar – e não está ficando – dentro dos EUA, onde os juros reais estão negativos (taxa básica: -0,9%) e não há sinais de que os bancos aumentarão a oferta de crédito, nem que os consumidores e empresas estão dispostos a aumentar o seu endividamento, ao contrário, estão desalavancando. Esses dólares, tal como na primeira superemissão feita pelo FED (a chamada QE1), estão vindo para países em que os juros estão mais altos do que nos EUA – com as consequências descritas acima. O principal país nessa situação, graças ao sr. Meirelles, é o Brasil, que tem a maior taxa de juros básicos do mundo (5,3% em termos reais, ou seja, descontada a inflação – para se ter uma ideia, o segundo lugar em outubro, a África do Sul, tem juros de 2,4%).

Charge do Jarbas para o Diário de Pernambuco

Uma questão humanitária, não tributária

*por Fernando Rizzolo

Ela estava lá, bem ao lado do corredor, envolta no cheiro típico dos grandes hospitais, um cheiro que lembra assepsia e tristeza. O movimento era intenso, pessoas passavam por ela, deitada naquela maca, e sem notá-la por certo, por entender que era apenas mais uma; dessa forma, mal podiam perceber sua dor, seu desespero, seu abandono. Com certo cuidado, tentei me aproximar da pobre mulher e constatei seu sofrimento na longa espera para ser atendida num dos maiores hospitais públicos do país.

Por um instante, como se fosse um filme daqueles de cunho documentário, me vieram inúmeras imagens de pessoas na mesma condição, e que naquele exato momento sofriam o desalento de ser obrigadas a sofrer no corredor frio de um hospital por um simples motivo: a insensibilidade do poder público com a saúde dos pobres. Questionei, então, onde estaria a dignidade humana quando milhares de pessoas humildes, hipossuficientes, sem recursos, agonizam por falta de uma estrutura digna da saúde pública? Quais argumentos tributários, econômicos, poderiam superar o sofrimento, o desespero de um pai ou mãe da periferia ao ver seu filho não ter assistência digna por parte de um hospital público nesse imenso Brasil?

Ao tomar conhecimento de que os governadores do PSB articulam a criação de um novo imposto para financiar a saúde, a CSS (Contribuição Social para a Saúde), pude refletir que existe nessa iniciativa algo muito maior do que a criação de um novo imposto (que não pode ser sonegado). Pude enxergar quão nobre seria todos nós nos unirmos para definitivamente oferecer uma saúde pública digna e próspera ao pobre povo brasileiro. Não há que se falar, ou questionar, de forma alguma, aspectos tributários, arrecadatórios, ou argumentações de cunho econômico numa visão mercadológica quando a questão é a saúde do pobre trabalhador e sua família.

Muito mais do que ajuda humanitária que arrebata nossa consciência nas tragédias no exterior, devemos nos consternar e nos voltar para o que ocorre com os doentes da rede pública no nosso país, com os seus familiares, com as pálidas crianças brasileiras que carecem de um atendimento humano e digno. Transformar o debate sobre a legitimidade da CSS é privilegiar o capital, o egoísmo, o individualismo e a indiferença, ignorando o sofrimento daqueles que – ao contrário dos defensores de uma “reforma tributária urgente” – não possuem planos de saúde que dão acesso aos melhores hospitais do Brasil e a todos os tipos de tratamento médico na esfera particular.

Cerrar fileira contra a CSS é chancelar o sofrimento do próximo, anestesiando a essência de um Brasil mais justo, mais humano, e mais atento aos que nos corredores dos frios hospitais públicos agonizam pela atenção do Estado – que deve ter uma visão mais humanitária e menos tributária para que todos passem a gozar de uma vida digna e menos sofrida. As bases de uma discussão sobre um imposto para a saúde dos pobres devem, acima de tudo, surgir num ambiente político humanitário, e não no alto dos prédios da Avenida Paulista, sob o comando de empresários que se dizem “socialistas”, exceto quando se trata de pagar impostos para o bem comum.

Do alto do prédio, olhando o mar

Do alto do prédio eu conseguia avistar a imensidão do mar. Bem à direita, podia-se ouvir o som da água banhando as rochas e seu borbulhar. Cheiro de sal, de mar, de praia, nem precisava descer; dali do alto eu sentia a grandeza, a magnitude da natureza. Certa vez ouvi um rabino dizer que a maior prova da bondade e sabedoria divina era Deus ter programado o mar para acabar exatamente na praia. Como sabia ele que dali para frente deveria ser reservado para os homens e seres vivos terrestres? Isso ficou marcado durante muitos anos na minha mente, e sempre que caminho na praia, ao lado do mar, com os pés resfriados pelas águas que exalam sal, penso nisso. Quanta grandeza e sabedoria divina..

Crer em algo superior, apenas pela observação de sua obra, é uma forma de oração. Quando somos capazes de reconhecer a complexidade na formação de todos os seres, vemos Deus. O primeiro filósofo a afirmar tal conceito talvez tenha sido o grande Baruch Spinoza, que acabou pagando caro por essas ideias. A comunidade judaica, na época de Spinoza, não aceitava seus dogmas. Depois, é claro, fizeram um juízo de retratação e enfim entenderam a grandiosidade de seu pensamento.

Mas por que, daqui de cima do prédio ao ver o mar, me lembrei de Spinoza, da linda interpretação do rabino em relação ao mar, ou das minhas caminhadas de reflexão pela praia? Talvez seja pelo contraponto entre a minha visão religiosa e as afirmações científicas vazias, imaginárias, que por mais das vezes refutam a crença. Tais afirmações científicas, no entanto, acabam desembocando, quase manhosas, nos braços de Deus, pois, de fato, chega-se a um ponto em que a explicação científica termina e o conhecimento entra no território do inexplicável, este vácuo povoado durante milênios pelos interpretadores da graça do poder divino do nosso criador, que pode ser chamado de Deus.

Observar, ler e entender sempre foi o meu destino, mania essa danada que já me roubou noites de reflexão sobre os pobres, a sociedade, Deus, a injustiça, e os desmandos dos tiranos. Ler sobre tudo enriquece a alma como já dizia meu avô, e quando me ponho a ler artigos científicos, aí sim, o conflito se estabelece. Diz a manchete de uma revista jogada no sofá: “Cientista britânico Stephen Hawking afirma em seu novo e inédito livro que a física moderna descarta a religião na origem do Universo”. Descansei ontem meu olhos durante alguns minutos em ler a matéria da tal revista, senti pena de Deus e mais ainda de Stephen e suas apologias. Mas, como não discuto futebol nem religião e tenho preguiça científica de absorver teorias que no final abraçam o inexplicável, volto ao velho terraço, vendo esse mar imenso, imaginando a grandeza dos seres, e, de forma discreta, penso que a ciência avança, mas o mar recua, apontando a certeza de que o inexplicável nos joga sempre nos braços de Deus.

Fernando Rizzolo

MPF ajuíza ação contra militares que interrogaram presos políticos durante a ditadura

Maioria dos governadores quer a volta da CPMF

A maioria dos governadores eleitos em outubro defende a recriação de um imposto nos moldes da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta pelo Senado em 2007. Apenas seis governadores de oposição – dois do DEM e quatro do PSDB – disseram ser contra a medida. Mesmo assim, um tucano, o governador reeleito de Minas Gerais, Antonio Anastasia, está entre os 14 que se manifestaram a favor da volta do imposto do cheque.

A reportagem procurou os 27 governadores que continuam no cargo ou tomam posse em janeiro. Dois não foram localizados e cinco não se manifestaram. Entre esses está o alagoano Teotonio Vilela, que em 2007 chegou a dizer que “todos os governadores do PSDB” queriam a aprovação da CPMF. Os cinco petistas eleitos apoiaram a iniciativa.

Anastasia lembrou ontem que “a maioria esmagadora” dos governadores se posicionou a favor da manutenção do tributo em 2007, derrubado pelo Senado na principal derrota no Congresso sofrida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “A saúde é a chamada política pública de demanda infinita”, disse o mineiro, que esteve ontem com o senador eleito Aécio Neves (PSDB) em Caeté (MG).

O novo movimento em prol de um tributo para financiar a saúde pública tem à frente os seis governadores eleitos pelo PSB, partido da base de apoio de Lula. Um dia depois de a presidente eleita, Dilma Rousseff, ter defendido novos mecanismos de financiamento para o setor, os socialistas lançaram sua mobilização, em reunião da Executiva Nacional em Brasília.

Os governadores eleitos pela oposição, como Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Beto Richa (PSDB-PR), lembraram a urgência da reforma tributária como justificativa para questionar a simples criação de mais um tributo. “O mais urgente é discutir o modelo tributário de maneira mais ampla”, disse Alckmin. “É preciso resolver o grave problema do subfinanciamento da saúde, mas o ideal é evitar a criação de tributos.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Rizzolo:A oposição que rechaçou a contribuição, na época, por bem desejou a continuidade da imutabilidade tributária do setor financeiro; rechaçaram a CSS pois é um tributo de difícil sonegação e atinge em cheio o chamado ” caixa dois”. Poucos como o ex-ministro da saúde Adib Jatene, possuíram a determinação e coragem de apontar o dedo ao espírito egoísta dos que insistem em serem insensíveis a um problema de tal magnitude.

A saúde pública precisa de muito recurso, sim. Os pobres, as crianças carentes, os moradores da periferia, merecem ter uma medicina digna, um atendimento humano, um sofrimento amenizado nos abarrotados corredores dos hospitais públicos e um maior número de médicos. Nada justifica um não como aconteceu, numa atitude pouco cristã e humana, sob argumentos “pseudo técnicos e frios”, como arma para justificar a falta de generosidade e o amor ao próximo.



Ministério Público prepara laudo sobre suspeita de racismo no Twitter

Estudante de Direito teria postado mensagens contra nordestinos.
Caso foi repassado a uma procuradora federal de Justiça.

O Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo recebeu nesta quinta-feira (4) os documentos enviados pela seccional de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil e pela procuradora regional Janice Ascari sobre mensagens contra nordestinos publicadas no Twitter.

O caso foi passado à procuradora federal Melissa Garcia Blagitz de Abreu e Silva. A equipe técnica responsável por crimes na internet do MPF vai agora formular um laudo sobre o caso para enviar à procuradora federal. O documento deve ficar pronto na próxima semana, segundo a assessoria de imprensa do MPF.

O caso começou no domingo, após a eleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República. Alguns usuários contrários postaram mensagens ofensivas a nordestinos. Entre as mais republicadas estava a de uma jovem identificada como Mayara Petruso, estudante de Direito, que chegou a figurar na lista de assuntos mais comentados do Twitter.

Agora, a procuradora Melissa de Abreu e Silva pode decidir se o MPF investiga o caso, se o repassa à Polícia Federal ou se o arquiva. O presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, pediu que a autora das mensagens responda pelos crimes de racismo e de incitação pública ao crime de homicídio.

O presidente da OAB de São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso, divulgou uma nota de repúdio às “declarações atribuídas à estudante de Direito” Mayara Petruso nesta quinta-feira. “Não podemos tolerar atitudes xenofóbicas, racistas, preconceituosas e intolerantes nas redes sociais. Insultar ou pedir a morte, de quem quer que seja, receberá nosso repúdio, especialmente vindo de uma estudante de Direito que, ao invés de buscar a paz social; por divergência política incitou outras pessoas ao ódio, cujo alvo foram os nossos irmãos do Nordeste”, afirmou.

D’Urso pediu que o caso sirva de exemplo “aos demais usuários dos sites de relacionamentos, para que tenham responsabilidade sobre as opiniões que expressam e o que escrevem”.

O G1 tentou entrar em contato com Mayara Petruso durante a quarta e a quinta-feira, sem sucesso.

Rizzolo: Quando analisamos as declarações preconceituosas dessa estudante daqui de São Paulo, podemos inferir o grau de intolerância que uma pessoa pode chegar. Como membro efetivo da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, corroboro na íntegra a indignação do presidente da Seccional Paulista Luiz Flávio Borges D’Urso. Poderíamos aqui discorrer do ponto de vista jurídico social, ou até lançarmos mão da psicanálise em longos textos para entender as razões do porquê ainda no Brasil subsiste segmentos preconceituosos em relação não só a nordestinos, como também a outros grupos e etnias. No âmbito dos Direitos Humanos, na respeitabilidade pela diversidade, no entender as diferenças pessoais, sexuais, religiosas e ideológicas e regionais, ainda há muito que se fazer no Brasil. Repudiar e punir com rigor casos como este, é obrigação do Estado, mas estar em alerta para o que ocorre nas redes sociais, nas Universidades, ou nas ruas, é nosso dever como cidadão na pura defesa do Estado Democrático de Direito. E para finalizar apenas uma observação: São Paulo deve muito aos nordestinos, gente forte e determinada, como dizia Euclides da Cunha, o nordestino é antes de tudo um forte. … e com certeza os preconceituosos serão punidos.

PSB diz que espera poder ajudar Dilma e sugere volta da CPMF

Os socialistas reunidos nesta quinta-feira (4) em Brasília para avaliar o resultado das eleições, adiantaram que vão esperar a presidente eleita Dilma Rousseff se manifestar sobre qual a ajuda que espera receber do Partido, sem cobrar ministérios. Os seis governadores eleitos pelos PSB também confirmaram a ideia de que o novo governo deve estudar uma fonte de financiamento para a saúde, como a recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

“É um sacrificiozinho muito pequeno para cada brasileiro em nome de um grande número de brasileiros que precisa dos serviços de saúde e precisa que esses serviços sejam de qualidade”, disse o governador eleito do Ceará, Cid Gomes.

Além dos membros da Executiva Nacional e dos governadores, participam da reunião os deputados e senadores eleitos e reeleitos do Partido. Além dos seis governadores (AP, PI, CE, PB, PE e ES), o PSB elegeu 35 deputados federais e 4 senadores.

“Será um importante momento para avaliarmos todo o êxito alcançado tanto em primeiro quanto em segundo turno nas eleições deste ano”, afirmou o primeiro secretário Nacional do PSB, Carlos Siqueira.

O presidente nacional do PSB e governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, também reclamou da falta de recursos para a saúde”. “Essa é uma questão que está na ordem do dia. Se precisar ser em parte ou totalmente a CPMF, vamos fazer isso, porque depois que baixou a CPMF não vi cair o preço de nada”, disse Eduardo Campos.

“Saúde hoje é grave questão nas contas dos municípios e dos Estados. Temos recebido diária para UTI de R$500. Em Pernambuco só conseguimos contratar por algo em torno de R$1.400”, exemplificou o governador. “É uma questão do mundo real”, completou Campos, destacando que o subfinanciamento do setor chega a R$51 bilhões.

O senador Renato Casagrande, eleito governador do Espírito Santo, defendeu a criação de novos tributos dentro da discussão da reforma tributária. “Porque você onera de um lado e desonera de outro”, explicou. “É uma questão para nós governadores, prefeitos da população brasileira, que a gente tenha mais recurso para saúde. Temos de ver alternativas. Que precisamos de mais recursos para saúde é um fato”, disse Casagrande.

A presidente eleita Dilma Rousseff declarou, em entrevista coletiva à imprensa, que não pretendia enviar ao Congresso Nacional projeto de recriação da CPMF, mas reconhecia a mobilização dos governadores nesse sentido. “Não pretendo enviar um projeto de recomposição da CPMF. Mas tenho visto uma mobilização de governadores nessa direção”, disse a presidente eleita.

Sem constrangimentos, com naturalidade

Os dirigentes do PSB não quiseram falar sobre a participação da legenda em ministérios do governo da presidente eleita Dilma Rousseff. Atualmente o partido dirige o ministério dos Portos e de Ciência e Tecnologia. Segundo Eduardo Campos, “essas coisas serão definidas quando a presidente voltar de viagem que está fazendo”.

Ele disse que cabe à presidente eleita “montar uma equipe que tenha identidade” com o estilo de trabalho dela. “Interesse do PSB é ajudar a Dilma. Não queremos constranger com indicações, exigências. Temos confiança nela”, completou Eduardo Campos. “Nunca fomos de constranger para trocar apoio político por esse ou aquele cargo. Quando ela achar o tempo devido, vai chamar o PSB e dizer onde quer que a
gente participe”, disse.

Casagrande disse que as conversas devem ter outra direção. Ao invés de discutir-se quais as pastas que o PSB quer, primeiro Dilma deve dizer em quais setores o PSB pode dar maior contribuição.

“A presidente Dilma tem que imaginar cenário que lhe dê sustentação política. Nosso objetivo é dar sustentação, mostrar eficiência do PSB e com naturalidade vamos debater participação do PSB no governo”, disse. “Temos que ver onde o PSB pode contribuir mais na visão da presidente, temos que inverter essa discussão”, completou Casagrande.

O deputado federal reeleito Valtemir Pereira, presidente do PSB em Mato Grosso, ao contrário dos colegas, disse claramente quais os órgãos de interesse do partido. “Em primeiro lugar, por ordem de interesses, Cidades, depois Integração Nacional, Ciência e Tecnologia e por último BNDES”, elencou.

De Brasília
Com agências
Rizzolo: Sempre fui um defensor da CPMF, recurso que foi rechaçado pelos interesses daqueles que de uma forma ou de outra ainda acreditam na sonegação como via de receita. Não há que se falar em aprimoramento e investimento em saúde, se não há recursos específicos para o segmento. Quantas vezes nesse Blog me debati na defesa da CPMF, só quem acompanha sabe disso. Por bem alguns agora idealizam um novo recurso para a saúde. Os mais pobres é que sofrem nas imensas filas dos hospitais, e os que detestam pagar impostos aplaudiram a derrocada da receita destinada à saúde n a época . Mais uma vez perdemos na ocasião e o individualismo triunfou, vamos reverter esse quadro.

Charge do Sinfrônio para o Diário do Nordeste

Câmara barra aumento salarial para Kassab e secretários de SP

SÃO PAULO – A Câmara de Vereadores barrou nesta quarta-feira, em 1ª votação, o projeto que aumentava o salário do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, sua vice, Alda Marco Antonio, e dos 27 secretários da cidade. O PL 712/2009, proposto pela Mesa Diretora da Casa, já havia sido barrado no fim do ano passado.

O projeto foi vetado por 20 votos contra, 19 a favor e duas abstenções. Caso tivesse passado, os vencimentos de Kassab poderia ter um aumento de cerca de 90%, pulando para aproximadamente R$ 23 mil. Já a quantia recebida pelos secretários e pela vice sofreria um aumento de mais de 250%: R$ 20,8 mil para Alda e R$ 19,6 mil para os responsáveis pelas pastas.

estadão
Rizzolo: Olha, sinceramente não é possível que num país pobre como o nosso, prefeito e secretários queiram receber salários dessa ordem. Aumento de mais de 250% ? Fala-se em R$ 20,8 mil como se fosse uma coisa normal, quando a maioria da população passa necessidade, mora nas comunidades, tem um péssimo atendimento público. Isso chama-se insensibilidade e falta de respeito com o povo. Por bem os aumentos foram barrados, agora precisamos saber os nomes destes 19 vereadores que foram a favor.

Confira os principais tópicos da entrevista de Dilma

A presidente eleita Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (3) que prevê uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% já para o ano que vem.

“Quando nós fizemos o PAC 2, vocês vão ver que lá tem as variáveis econômicas. Nas variáveis econômicas, estamos trabalhando com um superávit primário de 3,3%, estamos trabalhando com um PIB. Vamos ver como é que se forma o superávit primário, nos últimos meses sempre foi assim, não vai ser diferente esse ano”, disse.

Dilma reforçou que seu governo trabalha com uma inflação dentro da meta estabelecida de 4,5% ao ano. “Trabalhamos com uma dívida líquida sobre PIB cadente, caindo de 42, 41 para 38”, acrescentou. Segundo ela, as previsões com que lidam são de um PIB de 4,5%, que não considera “absurdo”, mas podendo chegar a 5% ou 5,5%.

“Isso significa a possibilidade uma relação dívida líquida sobre PIB, de uma convergência da taxa de juros brasileira, que nós praticamos aqui, com as taxas de juro internacionais. Todo mundo fala em 2% porque seria mais ou menos essa a taxa de juros consistente, mas não necessariamente”, explicou a presidente eleita. Geração 68

Dilma Rousseff afirmou que só na democracia uma pessoa de sua geração poderia ter chegado à Presidência da República.

“Nós somos de uma geração que lutou num momento muito específico do Brasil. Por que que eu tenho um valor muito grande na questão de democracia e da liberdade de imprensa, de opinião, de expressão? Porque eu sou de uma época em que a liberdade de imprensa era extremamente subversiva. A liberdade de opinião era extremamente subversiva. Uma peça de teatro, o Roda Viva, era o cúmulo da subversão”.

“Coisas que todos nós hoje achamos absolutamente naturais, não eram naturais quando eu cheguei aos 16 anos a entender um pouco o que estava acontecendo no meu país. Então essa geração, ela sofreu uma coisa terrível, que é a restrição do caminho. O caminho da gente era importado, muito pequeno. Você não tinha grandes horizontes, você tinha um horizonte pequeno porque a ditadura faz isso contigo”.

“Eu acho que nós temos o mérito, nós lutamos com a cabeça que a gente tinha e com as condições que a gente tinha, nós lutamos contra a ditadura. Se a gente cometeu erro ou não, a história dirá. Eu pessoalmente acho que gente não tinha a menor chance de ganhar, a menor chance de transformar o Brasil. Do meu ponto de vista, essa geração também teve outro mérito, ela participou da luta pela redemocratização do primeiro ao último dia. E nesse processo, não só ela transformou o Brasil como ela se transformou, e eu sou dessa geração. Então é um momento importante para essa geração perceber que só na democracia é possível que uma pessoa dessa geração, ainda mais mulher, porque tinha um baita preconceito contra as mulheres, chegasse aonde eu cheguei, sendo eleita presidente da República. Então é mérito da minha geração, mas é maior mérito ainda do processo democrático que se implantou no Brasil”.

Diálogo com outros países

Dilma reforçou que manterá o diálogo com todas as nações, independentemente das diferenças que o Brasil tiver com elas. “O diálogo continua com todos os países do mundo do mundo, não só com Teerã. Nós não temos nenhuma política de agressão, de violência, nós defendemos a paz. Aqueles que dialogarem conosco em paz, serão recebidos em paz”, disse.

Questionada se manteria a mesma postura diante de nações sob regime de ditadura, a presidente eleita afirmou que seu governo terá uma posição mais dura a respeito de direitos humanos em outros países. O presidente Lula foi criticado por ter mantido o diálogo em tais circunstâncias, especialmente na África.

“Eu tenho uma posição bastante intransigente no que se refere aos direitos humanos. E essa posição intransigente se reflete no plano da diplomacia como uma posição também de opção clara por uma manifestação que conduza a melhoria dos direitos humanos. Não necessariamente é estrondosa. Muitas vezes, você, para conseguir melhoras nos direitos humanos, você tem que negociar. No meu governo, não vai haver nenhuma dúvida a respeito”, explicou.

Iraniana Sakineh

Dilma Rousseff ressaltou também que tem postura contrária à pena de apedrejamento imposta à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

“Eu sou radicalmente contra o apedrejamento da iraniana. Eu não tenho nenhum status oficial para falar, mas eu externo aqui, perante a vocês, que acho uma coisa muito bárbara o apedrejamento da Sakineh. Mesmo considerando os usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro o apedrejamento da Sakineh”, afirmou.

Reforma agrária e MST

Segundo Dilma, seu governo não tratará o Movimento dos Sem-Terra (MST) como “caso de polícia”, mas reiterou que não tolerará invasões em prédios públicos e propriedades produtivas.

“O MST não é um caso de polícia (…) Agora, eu não compactuo com ilegalidades, nem com invasão de prédios públicos, nem com invasão de propriedades que estão sendo produtivamente administradas”.

A presidente eleita destacou que a reforma agrária continuará sendo feita, junto com políticas para garantir renda aos agricultores de produção familiar. Segundo ela, tal fator é fundamental para “resolver o problema dos sem-terra”, criando “milhões de pequenos proprietários que farão com que o tecido social ali no setor rural brasileiro seja cada vez mais democrático”.

“A nossa política de agricultura familiar que definiu o Luz Para Todos, que garantiu para o agricultor uma compra dos seus produtos através do Programa de Aquisição dos Alimentos, os 30% da merenda escolar, é fundamental para você garantir para o assentado e para o produtor familiar renda monetária”, disse. “Nós temos de fazer uma revolução no campo no sentido de transformarmos os agricultores em proprietários, fazer com que seus filhos tenham acesso à educação de qualidade”. Trem-bala
Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que considera “absurdo” as críticas feitas ao projeto do trem-bala, com custo previsto de R$ 33 bilhões e que deverá ligar o Rio a São Paulo.

“É um absurdo achar que o trem-bala não precisa de ser feito. Nos anos 80, essa conversa vigorou para metrô. Diziam o seguinte: o Brasil não pode gastar em metrô porque metrô é muito caro, tem outra alternativa, como os corredores e o transporte urbano por rodas. Com isso, nós fomos um dos países que atrasou o investimento em metrô. Mesma coisa eu repito, o trem-bala, em país continental, com a densidade populacional no sudeste e na região sul-sudeste, que é compatível com o trem-bala, é um absurdo as políticas que são obscurantistas, que consideram o trem-bala um absurdo. Primeiro o investimento do trem-bala é feito pela iniciativa privada. O trem-bala é financiado para o setor privado, não concorre com recursos públicos”, afirmou.

Saúde e segurança pública

Saúde e segurança pública serão setores de destaque em no governo de Dilma, que afirmou que as duas áreas serão priorizadas.

“Eu considero que duas áreas terão um grande destaque no meu governo. Uma é a área da saúde e outra é a área da segurança pública. Eu considero que a educação está muito bem encaminhada e que os recursos maiores, que eu estou chamando de recursos maiores é a atenção, é um cuidado maior, é um empenho maior com, no caso, por exemplo, da saúde, completar toda a rede do SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse.

Dilma ressaltou que “recursos significativos” terão que ser investidor em segurança pública, uma vez que “não é possível resolver uma questão de envergadura nacional sem a cooperação entre estado, município e União”. “Não é possível sem que a União participe efetivamente com recursos e sem que a gente dê uma clara prioridade para essa área. Na minha concepção duas áreas terão a minha integral atenção, para além dos ministros nomeados, eu também participarei do acompanhamento diário dessa área, e noturno, como o presidente falou para vocês, e também nos fim de semana”, afirmou.

Terra
Rizzolo: Interessante essa análise sobre o papel da geração dos anos 60, na verdade os avanços no Brasil foram conquistados com muita luta, e se hoje há liberdade devemos aos que deram de si em nome da liberdade. Em relação aos demais tópicos, podemos extrair o caráter desenvolvimentista de todas as propostas que são na essência, tudo aquilo que existe de urgente no atender as demandas de uma ampla inclusão social. Este será um governo exclusivo para a população pobre, tudo irá girar no eixo do desenvolvimento na atenção da grande maioria da população excluída, e esta é a grandeza da continuidade do governo Lula.

Mãe de Dilma Rousseff fala sobre a filha

Marina arrecada maior parte dos fundos de campanha com empresas poluidoras

Empresas de segmentos conhecidos por agredir o meio ambiente, como metalurgia, mineração, papel e celulose, fertilizantes e cana-de-açúcar, foram responsáveis pela doação de um montante expressivo da campanha da candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República nas eleições deste ano, Marina Silva: cerca de R$ 3 milhões. O valor corresponde a 12,5% do total arrecadado – R$ 24,1 milhões.

Na área de mineração e metalurgia, o volume arrecadado chega a quase R$ 1 milhão. A Companhia Brasileira de Siderurgia e Mineração doou R$ 300 mil; a Companhia Metalúrgica Prada, R$ 150 mil; e a Urucum Mineradora, R$ 500 mil. No ramo de fertilizantes, as maiores doações foram da Fosfértil (R$ 600 mil) e da Bunge Fertilizantes (R$ 100 mil). No ramo de papel e celulose, a Suzano contribuiu com R$ 532 mil e a Klabin com R$ 250 mil. A Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) doou R$ 250 mil e a Cosan, uma das maiores produtoras mundiais de cana-de-açúcar, também doou R$ 250 mil.

O principal segmento que doou para a campanha de Marina foi o da construção, que sozinho respondeu por mais de R$ 3 milhões. As contribuições foram da Andrade Gutierrez (R$ 1,1 milhões), Camargo Correa (R$ 1 milhão) e Construcap (R$ 1 milhão). O segmento bancário também foi expressivo na arrecadação, responsável por quase R$ 3 milhões. O maior doador foi o Banco Alvorada (empresa que doou o maior montante da campanha), com R$ 1,7 milhões, seguido pelo Itaú Unibanco, com R$ 1 milhão, Banco Safra, com R$ 200 mil, e Banco Rodobens, com R$ 50 mil.

correio do Brasil
Rizzolo: Marina infelizmente perdeu a oportunidade histórica de demonstração de coerência com seu passado. Com efeito esperava que diante do seu silêncio ensurdecedor, faria com que o Serra e o conservadorismo se valessem das suas contradições fazendo com que o retrocesso se instalasse. Não foi isso que aconteceu, e diante dos financiadores da sua campanha podemos entender melhor a exegese da sua postura política.

José Dirceu: “não posso aceitar o que Serra fez comigo”

O ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu (PT), réu no processo do mensalão, afirmou nesta segunda-feira (1) no programa Roda Viva, da TV Cultura, que não pode aceitar o que o candidato derrotado à presidência da República, José Serra (PSDB) fez com ele durante a campanha. Dirceu diz que foi linchado publicamente antes do seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), mas acredita que o seu adversário não acabou politicamente e que tem valor porque lutou até o final. “Espero que ele tenha um papel na oposição. Não espero um País sem oposição. Não espero que o País viva assim”, disse. O programa vai ao ar às 22h desta segunda-feira (1º).

De acordo com Dirceu, a postura do PSDB na campanha, notadamente no horário eleitoral de rádio e TV, foi inaceitável. “Não posso aceitar o que o José Serra fez comigo. Ele me linchou. E se eu for absolvido no Supremo, como é que fica? Ele me colocou como chefe de quadrilha. Eu tenho biografia, não tenho folha corrida”, afirmou.

Após a gravação, Dirceu disse que o discurso feito por Serra ontem, reconhecendo a derrota, visa a mistificação e que é um discurso pequeno, do ponto de vista político. “O objetivo dele continua a ser a mistificação. Lutar pela liberdade e pela democracia como se ela estivesse ameaçada. Lutar pela liberdade e pela democracia, nós devemos sempre lutar. Agora, que esse é o principal problema do Brasil e a oposição deve ser construída em uma luta, como se nós fossemos uma ameaça para o País, não é correto.. Ele está vivendo em outro País”, disse. Porém, por outro lado, Dirceu disse não subestimar a carreira política do adversário.

“Essa coisa de dizer que está morto, não vai mais fazer política, que não tem mais espaço, não é assim. Posso discordar, até condenar, porque acho que a guerra foi suja, a campanha se rebaixou muito. Essa questão religiosa, é muito grave que ele tenha trazido isso. A maneira como se tratou a questão da interrupção de gravidez, do aborto, mais grave ainda, mas isso não significa que eu reconheça que ele lutou e batalhou até o final”, disse.

Segundo Dirceu, a partir de agora, o PSDB vai ter de superar a crise. “Agora é crise no partido porque eles estão praticamente empurrando o Aécio Neves para fora do partido. E quem autoriza isso está querendo que ele saia. Não é tão simples assim a vida não vai ser fácil do PSDB e do DEM. Mas eu não subestimo a oposição, porque ela tem força política”, afirmou.

Dirceu disse que a oposição tinha a “certeza que ia ganhar a eleição de nós”. Durante o programa, ele disse ainda que o governo Lula foi o que mais trabalhou contra a divisão do País e que o discurso da oposição, muitas vezes foi exatamente o contrário.

Sobre o seu julgamento no STF, Dirceu disse que vai fazer a sua defesa na sociedade e espera que o seu julgamento – ainda sem data definida – e que espera que ele não se transforme no 3º turno das eleições.

Por fim, ele afirmou que muitas vezes fica cansado consigo mesmo. “Virei um personagem que eu não sou, mas estou satisfeito com a solidariedade que recebi nesse País”.
Terra
Rizzolo:Concordo plenamente com José Dirceu, não há que se falar em termos caluniosos se o imputado ainda nem sequer  passou pelo crivo do Supremo Tribunal Federal (STF). A grande verdade é que a figura de Dirceu foi impregnada do ponto de vista da desqualificação, por sucessivas tentativas de alguns segmentos da imprensa, passando por cima da sua biografia e tornando-o uma espécie de “mentor do mal”.  É interessante salientar a disposição do PT tanto na figura da presidente Dilma em estender a mão à oposição, quanto o reconhecimento de José Dirceu em relação ao passado político de Serra; demonstrações estas de grandeza política, coisa que eu não vejo na oposição.

Mesmo sem Nordeste, Dilma se elegeria presidente

Depois de uma das campanhas mais acirradas à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, de 62 anos, se consagrou neste domingo (31) como a primeira mulher a governar o Brasil. A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando conseguiu ampliar seu colchão de votos no Nordeste e no Amazonas, além de melhorar seu desempenho em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, segundo e terceiro colégios eleitorais do país.

A conjunção desses fatores assegurou sua folgada eleição. Dilma venceu no Distrito Federal e em 15 estados – a maioria no eixo Norte-Nordeste. Já José Serra (PSDB) virou a eleição em três estados em relação ao primeiro turno — Rio Grande do Sul, Goiás e Espírito Santo — e obteve maioria de votos em 11 unidades da federação, concentrados no Sul e no Centro-Oeste, além de São Paulo.

Era esperada uma alta abstenção, devido ao feriado de Finados e ao término antecipado das corridas estaduais. Apenas 14% do eleitorado nacional, em oito estados e no Distrito Federal, precisaram voltar às urnas para definir o governador – o que contribuiu para uma menor mobilização no segundo turno.

O percentual de eleitores que deixaram de votar foi de 21,39%, entre os 135.804.433 que estavam aptos. A abstenção no primeiro turno, como de costume, foi mais baixa, 18,12%. Em relação aos últimos segundos turnos, a ausência foi maior. Em 2006, foi de 18,99%, e, em 2002, de 20,47%. Neste segundo turno, porém, os votos nulos e em branco – que foram respectivamente de 5,51% e 3,13% em 3 de outubro – caíram para 4,40% e 2,31%.

Com 100% das seções apuradas, Dilma amealhou 55.752.508 de votos (56,05% do total de votos válidos) contra 43.711.350 (43,95%) de José Serra (PSDB). A expressiva vantagem da petista para o tucano – de pouco mais de 12 milhões de votos – ocorreu graças, sobretudo, à sua enorme votação nos estados do Nordeste.

Na região, consolidada como maior reduto eleitoral dos partidos de esquerda, a candidata teve 10,7 milhões de votos a mais que Serra. Mesmo se o Nordeste fosse excluído dos cálculos, Dilma venceria a eleição por um saldo superior a 1,3 milhão de votos – ou 0,9 ponto percentual (50,9% a 49,1%).

Serra não arrasa em SP

Uma mostra das dificuldades da oposição neste pleito foi o resultado final em São Paulo – maior colégio eleitoral do país. No estado governado pelo PSDB há 16 anos e por Serra até abril, a campanha tucana esperava abrir 3 milhões de votos a favor de Serra, para fazer frente ao massacre eleitoral no Nordeste.

Mas os paulistas não corresponderam tanto. No primeiro turno, o tucano venceu Dilma no estado por 40,66% a 37,31%, ao passo que Marina alcançou 20,77%. Já em 31 de outubro, Serra ganhou de 54,1% a 45,9% – uma vantagem de “apenas” 1,8 milhão de votos.

No Paraná e em Santa Catarina, Serra amealhou cerca de 1,1 milhão de votos a mais que Dilma. Foi apenas somando a votação nesses dois estados e em São Paulo que o tucano extraiu tal vantagem de quase 3 milhões de votos.

Nos outros oito estados vencidos pelo candidato do PSDB, o colégio eleitoral era pequeno ou o tucano teve vantagem reduzida – como no Rio Grande do Sul, onde o placar de 51% a 49% significou pouco mais de 100 mil votos de vantagem. Na soma desses 11 estados mais serristas que dilmistas, Serra abriu vantagem de quase 3,5 milhões de votos.

Os trunfos de Dilma

Dilma recuperou essa desvantagem e ainda pôs a diferença de 12 milhões de votos do resultado final ao obter votações maciças no Nordeste, no Amazonas, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Em Minas, a candidata abriu uma dianteira de 1,7 milhão de votos, praticamente anulando a vantagem que Serra obteve em São Paulo.

Depois de vencer no estado por uma margem folgada (46,98% a 30,76%) em 3 de outubro, Dilma obteve 58,4% dos votos (6,2 milhões) na terra de Aécio Neves no segundo turno, contra 41,5% (4,4 milhões) de Serra. A performance do tucano foi 33% melhor (mais 1,1 milhão de votos) e a de Dilma, 22% (mais 1,15 milhão). Mas a diferença manteve-se no mesmo patamar, entre 16 e 17 pontos.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, o tucano, com 22,53%, ficara em terceiro no primeiro turno, atrás dos 31,52% de Marina Silva. Subiu 17 pontos percentuais, para 39,5% (3,2 milhões). Mas Dilma avançou praticamente o mesmo índice – 16,74 pontos –, indo de 43,76% a 60,5% (4,9 milhões).

No eleitorado fluminense, ela se aproximou do governador Sérgio Cabral (PMDB) – que se reelegeu com 66% dos votos válidos no primeiro turno. Mais do que isso, só com o resultado do Rio e de Minas, Dilma compensou a desvantagem nos 11 estados perdidos para Serra.

O lucro veio do Amazonas e do Nordeste, onde a petista alcançou votações arrasadoras. No Maranhão, Dilma teve seu maior percentual da região (79,09%), seguido por Ceará (77,35%), Pernambuco (75,65%) e Bahia (70,85%). Nestes quatro Estados, Dilma pôs uma vantagem de 9 milhões de votos sobre o adversário.

O estado onde a futura presidente alcançou o seu melhor desempenho percentual foi o Amazonas, com 80,57% (o que significou 865 mil votos a mais que Serra). O melhor desempenho do tucano foi no Acre, com 69,69%. O Distrito Federal, única unidade da Federação vencida por Marina Silva no primeiro turno, foi conquistada desta vez por Dilma.

Da Redação, com agências
Rizzolo: Podemos inferir pelos dados que em São Paulo, reduto tucano durante 16 anos, Serra ganhou de forma inexpressiva, portanto o PSDB no maior colégio eleitoral também está em declínio. O destino de Serra frente a vontade e articulação política de Aécio está ameaçado, aliás o ” super Aécio” também se fez demonstrar que nem em Minas faz sucesso.