O Brasil no caminho certo

*por Fernando Rizzolo

Muitos são aqueles que, diante do quadro de desenvolvimento da economia brasileira, apontam a desindustrialização do país e a falta de competitividade, apregoando uma cruzada contra a capacidade produtiva da indústria chinesa, principalmente no que se refere aos manufaturados, em razão do peso da nossa indústria de transformação no PIB, que nos anos 80 que era de 33% e hoje é de 16%. Alegam também que o cambio valorizado “compromete as exportações” e numa canção lírica entoada pelo saudosismo das ideias de Celso Furtado, vestem-se de um nacionalismo desconexo com o atual quadro econômico internacional.

De plano, é preciso nos ater à atual realidade chinesa. Hoje não há nenhum país do planeta capaz de enfrentar o dragão chinês e sua capacidade na produção, principalmente de bens de consumo. Portanto, para nos aparelharmos num contexto nacionalista em defesa de uma forte indústria nacional, em que os próprios empresários reconhecem que é impossível, é preciso no mínimo contextualizar uma falsa realidade econômica internacional que nos remeterá a uma proposta muito mais política ideológica do que econômica.

Precisamos, sim, de uma indústria nacional forte, mas que esteja relacionada com a vocação exportadora do Brasil, que em razão de sua extensão territorial e sua pujança na produção de minério, petróleo, grãos e carne possa agregar valores a estas commodities. Depender dessas matérias-primas é uma realidade que China reconhece, e terá, sim, de aceitar e pagar o preço dessas commodities se quiser crescer 10%, da mesma forma que devemos reconhecer a realidade da indústria chinesa na produção manufaturados em geral.

Já a atual política cambial e de juros aplicada no Brasil visa ao combate da inflação, propondo um crescimento sustentável na ordem de 4,4% neste ano, servindo ainda essa política de câmbio como instrumento de notável combate à inflação, lançando mão, quando necessário, da importação de produtos de alta demanda interna.

Saber interpretar o momento econômico no contexto internacional, livre dos impulsos nacionalistas, é despir-se das crenças enraizadas que embotam conceitos econômicos numa embalagem ideológica disrítmica da atualidade, e perigosa do ponto vista econômico, desviando o Brasil do caminho certo, ferindo assim o real sonho de Celso Furtado e seus discípulos, pelo menos naquela época – até porque vivemos hoje outro momento.

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