Lula e o Brasil em 2014

*por Fernando Rizzolo

Nada contra o governo Dilma. Na verdade, ela tem feito o possível para extrair os focos de corrupção que assolam o Planalto de forma assustadora. Ademais, acredito que a presidente sempre fez sua escolha por trazer inclusão social e desenvolvimento aos mais pobres da forma que tem feito nesse imenso Brasil. Mas, apesar de tudo, sinto a falta de um largo sorriso e da esperança vibrante que brilhava nos olhos dos mais humildes desse país na época em que Lula, em seus discursos, falava a língua do povo. Lembro-me de quando fui assistir a um comício de Lula em São Bernardo do Campo – ela era candidato à Presidência: era pura alegria, as pessoas vibravam, e a certeza de um dia melhor que viria era algo concreto.

Para um povo sofrido, não basta as coisas andarem bem, a economia estar fortalecida, a inflação contida. Há que se embotar na alma desse povo a esperança de que aquele sofrimento de outrora, que foi causa de um esquecimento dos governos insensíveis, jamais voltará; há também que se cantar, como quem acaricia uma criança, que não mais faltará pão, que haverá justiça social e igualdade de oportunidades para os mais pobres. E isso Lula fazia, de forma dialética, popular, como uma toada, ele bradava uma doce tempestade de esperança ao povo brasileiro. Hoje o que temos são os olhares tristes de quem vive uma economia pujante, sim, com maior poder de compra, mas a quem falta a mensagem. A mensagem de Lula, com seu vozeirão, lhes assegurando o amanhã.

Não seria exagero afirmar que o povo brasileiro ficou mais triste desde que Lula se foi da Presidência, muito embora a presidente Dilma, com seu estilo gerencial, esteja provendo um ótimo governo. Mas para o povo, aquele humilde do ponto de ônibus, o importante é a fala, é o sotaque nordestino arrastado apontando as injustiças de forma enérgica, andando de lado a lado no palanque e ao seu lado o povo rindo e o país caminhando de verdade. Tenho saudade não só dos discursos do Lula, mas dos rostos que exalavam a esperança do Brasil, que hoje vai bem, obrigado, mas ao qual falta algo mais: o calor das palavras de Lula que faziam o povo acreditar no futuro. Não foi à toa que Serra afirmou que o antagonista do PSDB na próxima sucessão presidencial será Lula, não Dilma Rousseff. Se assim for, estaremos diante de uma nova possibilidade de voltar aquele que fazia os olhos do povo brilhar no caminho da esperança, vivenciando de forma vibrante a prosperidade.

O papel do Estado depois das eleições

*por Fernando Rizzolo

Sem dúvida nenhuma a argumentação do atual governo que balizava as diferenças ideológicas entre o PT e o PSDB, nas eleições para presidente, era o papel do Estado como um regulador da economia, servindo este como vertente na aplicação dos seus recursos em favor da maioria da população pobre do país.

Podíamos observar também que havia uma delimitação entre uma proposta com o viés de um Estado mais presente, no caso, a apresentada pelo PT, e outra que não incidia na privatização em si, mas sofria os ataques da disputa eleitoral como sendo a mãe da privataria, manobra esta bem elaborada pelo PT.

Desfeita a disputa, cabendo agora ao governo as ações políticas devidas ao bom encaminhar das propostas de desenvolvimento do país, observamos que a dialética de outrora, era talvez mais formatada pelo marketing político eleitoral, senão vejamos:

O BNDES, cuja função principal seria a de consolidar uma política de desenvolvimento público acabou se envolvendo numa eventual fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil, empresas estas altamente capitalizadas, tornando essa participação do recurso público realmente descabida. O banco admitiu que poderá investir até R$ 4,5 bilhões no negócio por meio do BNDESPar, braço de investimentos em empresas do banco de fomento estatal.

Já a Banda Larga Nacional ficou toda para a iniciativa privada. Além disso, o valor da oferta apresentada pelo governo é só R$ 4 menor que o dos pacotes disponíveis, e, em vez de franquia ilimitada, é pior, o internauta terá só 300MB. Como se não bastasse, o papel da Telebrás, recriada para garantir a concorrência num mercado monopolizado pelas ‘teles’ na venda de capacidade de acesso à internet, tornou-se mais dúbia no contexto do novo Plano Nacional de Banda Larga.

Assim sendo, em meio ao desenvolvimento da China, às altas taxas de juros que nos inundam de dólares, e às marcas de crescimento da economia, esquecemos das propostas originais que compramos através do voto, daquele verdadeiro papel do Estado, propagado no horário eleitoral. Bem, mas isso era mesmo para antes das eleições, quando ainda acreditávamos que nada disso aconteceria se a presidente vencesse, pois era coisa de típica de “privateiro” e o negócio era ficar longe dessa gente….