Crimes passionais, e a distorcida visão do amor.

*por Fernando Rizzolo

Não há quem não tenha se indignado com o assassinato e esquartejamento do empresário Marcos Kitano Matsunaga, ocorrido num bairro nobre de São Paulo; aliás, perto da minha residência, a uns três ou quatro quarteirões… Confesso que, como cidadão e Advogado, demorei a digerir o enredo que traduz a forma pelo qual os fatos se sucederam nesse crime brutal.

Logo me veio à mente aquele velho ditado popular, que diz que “o diabo ajuda a matar, mas não a esconder o corpo”. Mas, acima de tudo, sobreposta a qualquer delito, paira uma reflexão sobre o que está realmente ocorrendo na nossa sociedade, em que as questões amorosas acabam transmigrando para a violência. Como não poderia ser diferente, nesta noite mal consegui dormir, até sentar-me ao lado do meu chá de camomila, neste sábado nublado e, de gole em gole, ir entendendo os fatores que envolvem o amor e a violência.

Será que poderíamos pensar que o agente delituoso, ou o criminoso, ao analisar a pena a ser cumprida pelo crime de homicídio, num cálculo macabro acabaria por entender valer a pena cometê-lo em razão do real e das medidas legais? Ou o amor, o ciúme, a traição, paga-se hoje com violência e não mais com um copo de uísque, num canto de um bar ao som de Nana Caymmi?

O que era mais um motivo que antigamente se resolvia com álcool, ombro de amigos, música de dor de cotovelo, e que muitas vezes inspirava os velhos compositores, hoje se resolve a bala. Tá louco? Assim dá até medo de a gente amar. Pois já são tantos crimes desse tipo, que trocar de parceiro está virando um risco de vida. Portanto, se seu companheiro ou companheira, em atos de ciúme ou traição, se comportou razoavelmente, e o desfecho foi na mesma moeda, não se aventure por aí, fique em casa, tome chá de camomila, reflita sobre o que significa o amor hoje em dia, e se assuste como eu, que nem dormir consegui, pensando no amor, nas vezes em que fiquei num bar ao som de Nana Caymmi, sarando minha dor de cotovelo, e ainda aborrecendo os amigos com minhas histórias de desamor.

 Mas como já faz muito tempo que casado estou, nem sei mais o que é isso, passo longe de bar, longe de clube de tiro, durmo cedo e não provoco; afinal, o amor hoje em dia anda de mãos dadas com a violência, uma saga da nossa sociedade atual. Assim sendo, se num dia não der nada certo para você, saia de mansinho e vá para uma casa noturna, mas não conheça ninguém, viu!… Fique no uísque, bem quietinho ao som de Nana Caymmi e encontre um amigo que te levará bêbado para casa, mas vivo pelo menos, porque hoje em dia é perigoso amar, dirigir alcoolizado e intoxicado de paixão…

4 Respostas to “Crimes passionais, e a distorcida visão do amor.”

  1. Joe Diesendruck Says:

    Prezado Rizzolo,

    Eu também tive “mixed feelings” a respeito do caso até que começaram a “levantar o tapete” e revelar mais alguns detalhes dessa relação. O infeliz, não dá para chamar de outra forma, parece que apesar de ter casado e ter uma criança com ela, nunca a respeitou!

    Se você entra numa relação com uma ex-garota de programa, de duas uma, ou você vai continuar achando que a sua vida segue sendo um programa, ou você sabe mesmo o que está fazendo, passa uma borracha no passado e vive uma vida normal e digna.

    Note que ela estudou enfermaria e depois Direito ! ou seja ela mostrou que o que passou antes foi um deslize, muito provavelmente motivado por um background de miséria – e que, no Brasil, como sabemos, muitas moças só conseguem superar a miséria vendendo o seu corpo! Não estou de forma alguma dizendo que isso é correto, aceitável, justificável, nada disso – estou apenas analisando uma realidade crua aqui instalada.

    Ela, burra não é – se tivesse usado a formação em Direito que tem, certamente o desfecho teria sido outro. Ela deve ter agido sem dúvida alguma sob fortíssima emoção, aparentemente agredida
    física e verbalmente pelo ex!

    Como você já percebeu, eu não sirvo para esse juri !!

  2. Joe Diesendruck Says:

    Olá Rizzolot,

    parece que com o desenrolar do caso e as conclusões do Ministério Público de um crime friamente premeditado, tenho que admitir, que ela apesar da sua formação, é burra mesmo, se achava que R$ 600 mil de um seguro de vida iriam “colocá-la em situação invejável” !!!

    abraços

  3. Ricardo Christiano Says:

    Viver na Praça da Sé a 25 anos atrás com meu avô e saborear o que era visto, ele vendendo sua obra de arte e sorrindo. Amor que passa, e nos mostra…a realidade é outra, mas não tão diferente.

    Ricardo Christiano

  4. engenheirovaldir Says:

    O amor promove sentimentos antagônicos no ser humano. Prevalece no momento aquele ao qual a vicissitude deu recursos para se manifestar.O amor está no cerne da conduta humana e portanto é retratado em todas as circunstâncias. O que me faz concluir que o amor nunca é demais. É melhor morrer ou matar de amor do que não amar jamais. Vi um filme, “Equilibrium”, em que a população era estimulada a tomar uma droga para que não se contaminasse com as emoções. O amor é o gestor das emoções que podem culminar em um longo beijo ou no esquartejamento nuclear das nações.


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