Após 10 anos, governo tem primeiro déficit primário para meses de maio

O Governo Central (formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou déficit primário de R$ 120,2 milhões em maio, o primeiro para este mês desde 1999, quando chegou a R$ 650 milhões, segundo dados do Tesouro Nacional.

O resultado é a diferença de receitas e despesas do governo, exceto os gastos com juros da dívida pública.

Essa é a segunda vez no ano em que o Governo Central registra resultado negativo no resultado primário. Em fevereiro, o governo registrou déficit de R$ 1,11 bilhão. Desde o início da crise econômica, em setembro do ano passado, é a quarta vez em que as contas fecham no vermelho. Em novembro e dezembro, o governo também teve déficit.

Com o déficit no mês passado, o superávit primário no acumulado de 2009 está em R$ 19,3 bilhões, contra R$ 53,5 bilhões obtidos nos primeiros cinco meses do ano passado.

O déficit em maio foi provocado pelo crescimento de 18,8% nas despesas, contra queda de 0,85% nas receitas em relação a maio do ano passado. Para estimular a economia em meio à crise, o governo reduziu a meta de superávit para o Governo Central de 2,15% do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,4%. A mudança liberou cerca de R$ 40 bilhões em despesas.

Parte da elevação nos gastos foi destinada ao aumento dos investimentos. De janeiro a maio, os investimentos efetivamente pagos somaram R$ 9,276 bilhões, 24,8% a mais que no mesmo período de 2008. Os gastos com o custeio, no entanto, também subiram no mesmo ritmo e aumentaram 23%.

Os pagamentos com o Projeto Piloto de Investimentos (PPI) totalizaram R$ 2,977 bilhões de janeiro a maio. Isso representa alta de 30% na comparação com os cinco primeiros meses do ano passado. O PPI é um programa que permite ao governo excluir até 0,5% do PIB do cálculo do superávit primário investimentos prioritários em infra-estrutura e saneamento. Esse mecanismo, no entanto, nunca chegou a ser usado no abatimento do esforço fiscal.
folha online

Rizzolo: No acumulado de janeiro a maio, o Governo Central teve superávit de R$ 19,282 bilhões, o que corresponde a 1,63% do PIB. No mesmo período de 2008, o resultado foi positivo em R$ 53,457 bilhões, o que representava 4,68% do PIB.

As despesas do governo no acumulado de janeiro a maio cresceram 18,60% em relação ao mesmo período de 2008, enquanto que as receitas registram queda de 0,85% no mesmo período de comparação.

Na verdade, os maiores aumentos nas despesas foram com gastos de pessoal (22,63%) e com custeio e capital (22,36%). Do lado das receitas, apenas a previdenciária registra um aumento de 12,12%, no acumulado dos cinco primeiros meses de 2009, enquanto que as receitas do Tesouro tem queda de 4,37%.

Inflação para mais ricos supera a dos mais pobres em maio

SÃO PAULO – A taxa de inflação para a população de maior poder aquisitivo foi mais expressiva do que a verificada para a população de menor renda na capital paulista em maio. Conforme levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) por meio do Índice do Custo de Vida (ICV), enquanto a variação média do indicador foi de 0,23%, o indicador específico para os mais ricos registrou taxa de 0,29% e o que engloba o custo de vida dos mais pobres apresentou variação de 0,17% no mês passado.

Além do ICV geral, o Dieese calcula mensalmente mais três indicadores de inflação, segundo os estratos de renda das famílias da capital paulista. O primeiro grupo corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres (com renda média de R$ 377,49); e o segundo contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17). Já o terceiro reúne as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90).

No primeiro grupo, o ICV de maio foi 0,32 ponto porcentual inferior à variação de 0,48% de abril. No terceiro, de maior renda, a taxa de inflação foi 0,04 ponto mais elevada do que a do mês anterior, de 0,25%. No grupo intermediário, o ICV passou de 0,36% para 0,14% entre abril e o mês passado.

De acordo com o Dieese, os reajustes ocorridos no grupo Despesas Pessoais – que subiu 6,65% e representou 0,25 ponto porcentual do ICV geral – tiveram origem no aumento dos cigarros (16,24%), em resposta à alta da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Para o instituto, esta política tributária foi “extremamente regressiva” para a renda familiar, trazendo um agravamento da inflação maior para o grupo de menor poder aquisitivo, do primeiro e do segundo estratos, com contribuições no cálculo de suas taxas de ICV de 0,40 ponto porcentual e de 0,30 ponto, respectivamente, em relação à do terceiro estrato, cuja representação foi de 0,19 ponto porcentual.

Em contrapartida, a taxa média elevada de 0,45% do grupo Habitação foi consequência, segundo o Dieese, do aumento no item Serviços Domésticos e Condomínio, que resultou em maior contribuição, de 0,17 ponto porcentual, no cálculo da taxa do terceiro estrato. No primeiro estrato, a Habitação gerou até um alívio, de 0,01 ponto, enquanto, no intermediário, a contribuição foi de apenas 0,02 ponto porcentual para o ICV destas famílias.

Em Saúde, o subgrupo Assistência Médica foi o responsável pela alta média de 0,27% deste grupo, uma vez que os medicamentos e produtos farmacêuticos indicaram ligeira deflação em seus valores. Dada a forma de despender das famílias de maior poder aquisitivo, estas foram mais impactadas por estes aumentos, que contribuíram com 0,05 ponto no cálculo de sua taxa, em relação aos dos demais estratos: de 0,02 ponto para o primeiro e de 0,03 ponto porcentual para o segundo.

Um grande destaque que ajudou o ICV dos mais pobres foi o comportamento do grupo Alimentação, que apresentou deflação geral de 0,34% em maio. De acordo com o Dieese, a baixa aliviou a inflação das famílias do primeiro estrato em 0,21 ponto porcentual e a do segundo em 0,15 ponto porcentual. Para as dos terceiro estrato, o alívio foi um pouco menor, de 0,05 ponto.

Já o grupo Transporte, que mostrou queda geral de 0,33% no mês passado, amenizou mais a inflação dos mais ricos, em 0,06 ponto porcentual. Para os mais pobres e o setor intermediário, os alívios foram de 0,02 ponto e de 0,04 ponto, respectivamente.

“As variações de preços em maio afetaram as famílias de forma diversa. As pertencentes ao primeiro estrato foram as mais beneficiadas com as quedas nos alimentos e, por outro lado, as mais prejudicadas pelos reajustes do fumo. As de maiores renda, do estrato 3, foram as mais favorecidas pelas baixas no Transporte e mais afetadas pelos reajustes ocorridos na Habitação e Saúde”, disseram os técnicos do Dieese. “As diminuições de valores dos alimentos, transporte e equipamentos, vieram a beneficiar mais as famílias do segundo estrato, as quais também foram bem prejudicadas com o aumento dos cigarros”, complementaram.

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Rizzolo: O fato dos mais pobres terem se beneficiado em relação à inflação, denota que a alimentação está em deflação, e isso é um bom sinal. O grande diferencial desta amostragem, nos remete a uma análise do comportamento econômico virtuoso em relação aos mais pobres, vindo de encontro com a política macroeconômica do governo. A inflação quando atinge as camadas mais pobres, tem seu efeito desastroso, corroendo os salários e desestruturando as políticas de inclusão. Para os pobres é uma notícia boa.

Brasil vai bem na crise e entrará no clube dos ricos, diz Nobel

O economista americano Edward Prescott, Prêmio Nobel de 2004, abriu na manhã de hoje, em São Paulo, o Exame Fórum, que discute alternativas para a crise global. Ele disse que o Brasil deve ir bem na crise e entrar para a lista das maiores economias do mundo possivelmente daqui 20 anos.

“Os principais setores da indústria devem se recuperar em um futuro breve”, diz.

Segundo ele, não há duvida de que o Brasil será um país de primeiro mundo.

“A questão não é se, mas quando isso vai acontecer”, afirma.

Ele arriscou que a China deve virar uma nação desenvolvida em 2025.

“O Brasil talvez em 2030”, opina.

Ele defendeu mais integração do país ao mercado internacional, buscando exportar mais produtos de alta tecnologia e tendo mais multinacionais brasileiras no exterior e mais multinacionais estrangeiras no Brasil.

Stiglitz defende novo modelo econômico

O economista americano Joseph Stiglitz, Nobel de Economia de 2001, disse que também concorda que o Brasil vai enfrentando bem a crise.

“O Brasil esta numa boa posição, principalmente por causa da política monetária. Eu achava que o Brasil tinha juros altos, mas isso está sendo bom agora”, disse.

Ele disse que a atual taxa Selic no país permite ao país ter espaço para manobras com a política monetária.

Ele citou, por exemplo, os Estados Unidos, que já estão com juros próximos de zero e, por isso, não tem mais muitos instrumentos para ajudar na recuperação econômica.

O corte de juros tende a favorecer a atividade econômica de um país porque estimula o consumo oferecendo crédito mais barato para que as pessoas comprem produtos importantes para o giro da economia, como carros e eletrodomésticos. Além disso, com taxas mais baixas, o financiamento dos gastos das empresas também fica menor.

Stiglitz disse, no entanto, que não é possível saber quando o mundo sairá da crise, e ele não é otimista quanto ao que virá depois.

“Quando sairmos da crise, vamos viver um período de desconforto, em vez de um forte crescimento. Isso no mundo todo e não só nos EUA”, afirma.

Ele disse que haverá um novo cenário global depois de passada a crise, que os EUA continuarão sendo a maior economia do mundo, mas provavelmente a mais fortalecida será a da China porque os estímulos que foram adotados por lá já estão funcionando.

Segundo ele, os modelos de governança adotados no mundo fracassaram e as instituições que fazem parte dele também, como o FMI e o Fórum de Estabilidade Financeira, que foi criado depois de 1997.

Stiglitz alerta que entre as grandes questões que ficarão para depois da crise é qual o sistema financeiro que se quer para o futuro.

“Não podemos voltar ao modelo pré-crise. Temos de repensar o tipo de sociedade e economia que queremos. E preciso achar um equilíbrio entre mercado, governo e outros atores não governamentais”.

Brasil preparado

O economista Robert Mundell, 76, laureado com o Prêmio Nobel de Economia de 1999, afirmou que o Brasil está em excelente posição em moeda estrangeira e mais bem preparado para suportar a crise. Ele criticou a política de resgates do presidente do Estados Unidos, Barack Obama.

Para o economista, é preciso cortar os impostos das empresas, o que não está acontecendo, segundo ele.

“Obama está indo na direção errada em relação a impostos. É o maior problema de seu programa de recuperação”, diz.

De acordo com Mundell, o Fed (banco central dos EUA) e o governo americano poderiam ter evitado a crise se tivessem agido corretamente aos primeiros sinais.

Para ele, o Fed deveria ter comprado títulos do governo e moedas estrangeiras. E o governo não podia ter deixado o Lehman´s Brother quebrar. Mundell diz que a recessão nos EUA deve chegar ao fim do poço neste trimestre ou no próximo.

Fórum
Nesta segunda-feira a revista Exame reúne em São Paulo três vencedores do Prêmio Nobel de Economia para discutir a crise global. Os conferencistas são Joseph Stiglitz e Robert Mundell, ambos da Universidade Columbia; e Edward Prescott, da Universidade do Arizona.

Além de debaterem as causas da atual turbulência, que teve início no estouro da bolha imobiliária norte-americana, os participantes discutem os obstáculos que os países ainda terão de superar.

Folha online
Rizzolo: As opiniões são muitas mas todas convergem para o fato de que o Brasil está se saindo bem diante da crise. A regulamentação do setor financeiro e um mercado interno aquecido faz prosperar a idéia de que a crise nos atingirá em menor proporção em relação aos demais países.

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Swaps, o Real, e o Mercado Interno

Todo cenário macroeconômico está propício a um processo de queda da taxa básica de juro (Selic). O fato da valorização cambial, nos faz refletir que ainda – sem considerar todas as outras variáveis – existe um espaço para uma acentuada queda nas taxas de juros. Na verdade não são só os investimentos externos que aumentaram, mas os que já circulavam na economia permaneceram, dando o efeito contrário do corte de juros, surtindo a valorização cambial, forçando o Banco Central (BC) a realizar, o primeiro leilão de swap cambial reverso, que tem na sua essência alguns inconvenientes aos exportadores, pois retarda de certa forma uma maior queda do dólar.

A natureza diversa do ” enxugamento de dólares” no mercado, através dos swaps reversos, denota uma confiabilidade dos investidores no País, e acena como uma possível regressão da condição de retração do mercado brasileiro. É bem verdade, que que o afrouxamento adicional da política monetária depende de mudança ” premente ” nas regras de remuneração da caderneta de poupança, até porque, se a taxa Selic cair para um dígito, alguns fundos de investimento em renda fixa e DI terão remuneração líquida abaixo da poupança.

Os investimentos no País aportam entre outros motivos, pelo potencial do nosso mercado interno, e o momento de crise internacional, deixa os investidores com poucas opções confiáveis. O Brasil neste contexto ao administrar um maior volume de dólares via swaps, acaba fortalecendo as reservas, e isso, como que num ciclo virtuoso, induzirá a mais investimentos, valorizando ainda mais a moeda.

Não restará outra saída ao Banco Central: diminuir substancialmente a queda da taxa básica de juros, realizar leiões a vista, e ir em direção ao crescimento do mercado interno, sem medo do ” bicho papão da inflação “; tendo como seu “santo protetor”, as commodities que continuam abastecendo o poderoso mercado chinês, que se recupera lentamente num rítmo ainda alto para nós. Sorte nossa.

Fernando Rizzolo

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PIB chinês no 1º trimestre tem menor expansão desde 1992

PEQUIM, 16 de abril (Reuters) – A China iniciou 2009 com o mais fraco crescimento já registrado, mas uma recuperação em março sugere que a terceira maior economia do mundo pode ver tempos melhores à frente, afirmam analistas.

Um salto no empréstimo e no gasto público contrabalançou o colapso das exportações. A expansão do PIB foi de 6,1% no primeiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, abaixo da leitura de 6,8% registrada nos três meses anteriores.

O dado também ficou abaixo da previsão de analistas de 6,3% de crescimento e foi o menor da série iniciada em 1992.

Por outro lado, o governo não divulga o dado do Produto Interno Bruto (PIB) na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas economistas calculam que no primeiro trimestre esse crescimento ficou entre 5,3% e 6,2%, acima da alta de 0,9 a 2,5% calculada para o quarto trimestre do ano passado.

“A economia nacional em geral mostrou mudanças positivas, com uma performance melhor que a esperada”, disse Li Xiaochao, porta-voz da agência nacional de estatísticas, em entrevista coletiva.

Ele ressaltou, no entanto, que a queda das exportações está abatendo os lucros corporativos, reduzindo a receita do governo e atrapalhando a criação de empregos.

“A economia nacional está sendo confrontada pela pressão de uma desaceleração.”

Muitos economistas dizem que a retomada no fim do trimestre dá crédito às promessas do governo de que a China pode sobreviver à crise mundial e crescer 8% neste ano, um patamar visto como mínimo para gerar empregos no país.

Os dados abertos do PIB também forneceram otimismo aos analistas.

O crescimento na comparação anual do investimento em capital fixo saltou inesperados 28,6%, enquanto a produção industrial cresceu 8,3% em março, recuperando-se do recorde de baixa de 3,8% apurado entre janeiro e fevereiro.

“A economia começou a se beneficiar do fim do processo de desestocagem, assim como do pacote de estímulo do governo”, afirmou Mingchun Sun, do Nomura Global Economics em Hong Kong.

“Empréstimos bancários muito mais fortes que o esperado e o crescimento dos investimentos no primeiro trimestre sugerem que o crescimento será muito forte no segundo trimestre.”

folha online
Rizzolo: O que observamos, é uma retomada da economia chinesa no final do trimestre, e isso nos leva a pensar que a China poderá sobreviver à crise mundial e ainda crescer 8% neste ano. Se isso se confirmar, estaremos num patamar mínimo de crescimento da China, mas aceitável. O governo chinês anunciou em novembro um plano de estímulo econômica de cerca de US$ 585 bilhões, com medidas fiscais e, sobretudo, grandes investimentos, principalmente em infraestruturas.

A economia brasileira depende bem mais do mercado chinês do que do próprio mercado dos EUA, e muito da relação do aumento dos preços das commodities está interligado ao crescimento da economia chinesa. O pacote de ajuda do governo ao Agronegócio vem em boa hora, precisamos estar atentos a uma eventual maior demanda por commmodities pelo mercado chinês.

Emprego formal tem pior trimestre desde 1999, mas melhora em março

A forte queda do emprego formal no Brasil em janeiro fez com que o primeiro trimestre deste ano tivesse o pior resultado desde 1999, apesar de o mês de março ter registrado criação de vagas.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira e fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.

No primeiro trimestre, o país perdeu 57.751 empregados. No mesmo período do ano passado, houve geração líquida de 554.440 empregos.

Em março deste ano, 34.818 pessoas entraram no mercado de trabalho formal, resultado de 1.419.511 admissões e 1.384.693 demissões.

Foi o segundo mês em que a criação de vagas superou os desligamentos de pessoal, mas insuficiente para deixar o saldo do trimestre positivo. No terceiro mês do ano passado, a criação líquida de vagas foi de 206.556.

No mês passado, seis dos oito setores pesquisados registraram saldo positivo de admissões. As exceções ficaram com indústria de transformação e comércio.

Entre os setores que criaram novas vagas, o destaque coube ao setor de serviços (49.280 vagas), impulsionado pelas áreas imobiliária (16.956 empregos) e educação (19.143 vagas). No ramo de serviços, a área financeira foi a única que registrou queda líquida, de 239 postos.

(Com informações do Valor Online)

Rizzolo: É bem verdade que os programas desoneração tributária para alguns segmentos, e o PAC, ajudaram na elaboração deste resultado em março. Contudo é bom lembrarmos que precisamos no Brasil criar 4 milhões de novos empregos por ano para absorver a mão obra dos saem e dos que ingressam, principalmente os jovens. No acumulado dos últimos 12 meses, pela primeira vez em quase 5 anos, o saldo ficou abaixo de 1 milhão: caiu para 840 mil, o que significa que a variação ficou ainda mais negativa entre fevereiro e março, saindo de -40,9% para -52,6% em março.

Observem que a melhora se dá em setores que de alguma forma, foram beneficiados pelo governo. De qualquer maneira é uma boa notícia, muito embora ainda tímida para assinalarmos uma luz ao final do túnel. O péssimo resultado do primeiro trimestre, nos dá uma idéia da dimensão da crise e, pessoalmente, não acredito que a recuperação da economia já está dando seus ares, como o governo insiste em afirmar.

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Paul Krugman: Façam bancos tediosos

Há 35 anos, quando eu estava fazendo minha pós-graduação em economia, apenas os menos ambiciosos dos meus colegas procuravam carreiras no mundo das finanças. Já então os bancos de investimento pagavam mais do que as universidades ou o serviço público – mas não muito mais, e de qualquer maneira todo mundo sabia que trabalhar em bancos era, para ser franco, tedioso. Nos anos que se seguiram, os bancos se tornaram qualquer coisa menos tediosos, como bem sabemos.

Por Paul Krugman*

As transações ousadas floresceram, e as escalas salariais das finanças dispararam, o que levou o setor a atrair alguns dos melhores e mais brilhantes jovens do país. (Está bem: não estou certo quanto à parte do “melhores”).

E todos nos asseguravam de que nosso setor financeiro superdimensionado seria a chave para a prosperidade. Em lugar disso, porém, as finanças se transformaram no monstro que devorou o mundo.

Recentemente, os economistas Thomas Philippon e Ariell Reshef publicaram um estudo que poderia levar o título Ascensão e Queda dos Bancos Tediosos (mas na verdade se chama Salários e Capital Humano no Setor Financeiro dos EUA, 1909-2006), no qual demonstram que as atividades bancárias passaram por três eras nos Estados Unidos ao longo dos últimos cem anos.

Antes de 1930, os bancos eram um setor excitante, povoado por diversas figuras monumentais, responsáveis pela construção de gigantescos impérios financeiros (alguns dos quais, como se descobriu posteriormente, baseados em fraudes). Esse setor financeiro ativo e ambicioso presidiu uma rápida expansão do nível nacional de dívidas. A dívida domiciliar, como proporção do PIB (Produto Interno Bruto), quase dobrou entre a Primeira Guerra Mundial e 1929.

Durante essa primeira era de predomínio das finanças, os executivos dos bancos recebiam salários médios muito superiores ao de suas contrapartes em outros setores. Mas o setor perdeu o glamour quando o sistema financeiro entrou em colapso durante a Grande Depressão.

Bancos conservadores

O setor bancário que emergiu daquele colapso era estreitamente regulamentado e bem menos audacioso do que antes da Depressão e também muito menos lucrativo para aqueles que o geriam. Os bancos se tornaram tediosos, em parte porque os banqueiros se tornaram muito conservadores quanto aos empréstimos. A dívida domiciliar, que havia caído acentuadamente como proporção do PIB durante a Depressão e a Segunda Guerra Mundial, estabilizou-se em níveis bastante inferiores aos dos anos 30.

É estranho dizer, mas a era de bancos tediosos foi também uma era de espetacular progresso econômico para a maioria dos norte-americanos. Depois de 1980, porém, os ventos políticos mudaram, muitas das regulamentações que pendiam sobre os bancos foram suspensas, e os bancos voltaram a ser excitantes.

A dívida começou a subir rapidamente, e terminou por atingir proporção do PIB semelhante à que existia em 1929. E o setor financeiro explodiu em tamanho. Pela metade da década, respondia por um terço dos lucros empresariais. Enquanto essas mudanças aconteciam, as finanças uma vez mais se transformaram em carreira de alta remuneração.

De fato, a disparada nas rendas do setor financeiro teve papel importante na criação de uma segunda era dourada nos Estados Unidos. É desnecessário dizer que os novos superastros acreditavam ter direito à fortuna conquistada. “Acredito que os resultados que nossa companhia obteve, que são a origem da grande maioria de minha fortuna, justificam o que recebi”, disse Sanford Weill em 2007, um ano depois de se aposentar no Citigroup. E muitos economistas concordavam.

Colapso

Apenas algumas pessoas afirmavam que esse sistema financeiro superdimensionado poderia chegar a um fim destrutivo. Talvez o mais notável desses profetas de dificuldades seja Raghuram Rajan, da Universidade de Chicago e ex-economista chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional). Ele argumentou, em uma conferência de 2005, que o rápido crescimento do setor financeiro havia ampliado o risco de “um colapso catastrófico”.

Mas outros participantes da conferência, entre os quais Lawrence Summers, hoje presidente do conselho de assessoria econômica da Casa Branca, ridicularizaram as preocupações de Rajan. E o colapso aconteceu. Boa parte do aparente sucesso do setor financeiro era ilusório, como agora sabemos. (As ações do Citigroup perderam mais de 90% de seu valor desde o discurso autocongratulatório de Weill.)

Ainda pior, o colapso do castelo de cartas das finanças causou devastação no restante da economia; o comércio mundial e a produção industrial estão caindo mais rápido do que aconteceu na Grande Depressão.

E a catástrofe resultou em apelos por maior regulamentação do sistema financeiro. Mas minha sensação é de que as autoridades estão pensando simplesmente em termos de reordenar as posições nos organogramas de fiscalização dos bancos. Não estão preparadas para fazer o que precisa ser feito: tornar os bancos tediosos novamente.

Parte do problema é que bancos tediosos significam banqueiros e executivos mais pobres, e o setor financeiro continua a ter muitos amigos em posições de poder. Mas é também questão de ideologia. A despeito de tudo que aconteceu, muita gente que ocupa cargos importantes ainda associa um mundo financeiro sofisticado a progresso econômico.

Será possível persuadi-los do contrário? Teremos a força de vontade necessária a impor reformas financeiras sérias? Se não, a crise atual não será um evento único, mas sim um prenúncio do que está por vir.

* Prêmio Nobel de Economia 2008 e professor na Universidade Princeton (EUA); texto publicado no The The New York Times e republicado em O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo

Rizzolo: Os bancos tediosos na realidade, são aqueles dotados de uma regulamentação do Estado, tendência esta que se apresenta agora no mundo financeiro de caráter redentor. Muitos economistas, e não só Raghuram Rajan, da Universidade de Chicago e ex-economista chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), já previam este colapso. A grande verdade é que a redescoberta da regulamentação do setor financeiro, não acabará com o capitalismo; o objetivo não é estatizar em si, mas usar o Estado como uma infusão curativa para que depois possa sair de cena e deixar – muito embora sem perder de vista – as operações fluírem. O difícil será sair desta fase da intervenção, que poderá demorar décadas, o suficiente sim para questionar o modelo do capital em si, e este sim poderá ser o momento das eventuais mudanças do ponto de vista ideológico.