Esquadrilha da fumaça – Coluna Carlos Brickmann

A Aeronáutica continua estudando os caças franceses, suecos e americanos e só depois dos estudos o Governo anunciará sua decisão. O problema é que os estudos continuam mas a decisão está pronta: é o francês Rafale. E o presidente Lula não é o senador Aloízio Mercadante. Para ele, irrevogável é irrevogável.

Qual a lógica por trás da escolha dos Rafale? Esqueça a explicação mais fácil, aquela em que sempre se pensa: no mercado mundial de armas não existem freiras e o que um faz todos fazem. A ética de um vendedor de armas é a mesma do outro. A chave é a transferência de tecnologia: os americanos prometem transferir “a tecnologia necessária”, e os franceses uma “transferência ilimitada”. Qual a diferença? Se o Brasil quiser transferir tecnologia do Rafale a outro país – à Bolívia, digamos – estará livre. Mas não poderá transferir a tecnologia do F-18 Hornet, americano, porque aí não será a “tecnologia necessária” para operá-lo.

Um problema destes impediu a Embraer de vender seus caças Super-Tucano à Venezuela, porque parte dos componentes usa tecnologia americana. Com a “transferência ilimitada” oferecida pelos franceses, este problema não existirá.

Todo o resto da história é história. Os cargueiros KC-390 que a França prometeu comprar da Embraer, por exemplo: os KC-390 ainda nem existem. E, quando existirem, enfrentarão a concorrência do cargueiro aéreo Airbus, francês.

Qual dos dois aviões, produzidos ambos por empresas conceituadas, merecerá a preferência da França: os que criam emprego aqui ou os que criam emprego lá?

Leitura boa

Uma excelente análise do caso dos caças é de Maria Cristina Fernandes, editora de Política do jornal Valor. Leia aqui.

Bom papo

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, deve ir até o dia 20 à Câmara Federal, para participar de audiência pública sobre o acordo militar com a França. Como é convite, Jobim pode aceitá-lo ou não. Mas vai aceitar. Não haverá problemas em sua conversa com os deputados: eles entendem tudinho de acordos.

É ele!

O relator de um dos quatro projetos que vão definir a forma de exploração do petróleo do pré-sal é o deputado João Maia, do PR do Rio Grande do Norte. Ele é mais conhecido por ser irmão de Agaciel Maia, aquele que foi diretor do Senado, e por ter tido em seu nome a casa de Agaciel, avaliada em R$ 5 milhões.

É o cara!

O presidente Lula será testemunha de defesa no Supremo Tribunal Federal, no caso do Mensalão, dos ex-deputados Roberto Jefferson, do PTB fluminense, e José Janene, do PR paranaense. Nossa!

O voto que vale

Não se impressione com as pesquisas sobre as eleições presidenciais. A mais de um ano de distância, é muito cedo para que indiquem tendências precisas. Muito mais importante, em termos de eleição, é o noticiário econômico: a queda da inflação (em agosto deu 0,15%) e a retomada do crescimento (embora ainda pequena, é melhor que a recessão) podem render votos à candidatura governista, desde que consiga capitalizar os bons resultados e desde que os bons resultados se mantenham até lá. Economia não é tudo numa eleição, mas é uma boa parte.

MST na mira

A senadora Katia Abreu, DEM de Mato Grosso, está organizando uma CPI mista, da Câmara e Senado, sobre doação de recursos públicos ao MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra. O MST, para não ser responsabilizado por suas atividades, não existe oficialmente, não tem personalidade jurídica. De acordo com a revista Veja, quem recebe recursos nacionais e internacionais e financia as invasões de terras promovidas pelo MST são ONGs criadas para isso.

Jogo de cena…

A emenda constitucional que aumenta o número de vereadores deve ser votada em segundo turno nesta semana, na Câmara Federal; e deve ser aprovada por ampla maioria, que nenhum parlamentar é besta de desagradar os interessados em ganhar um ingresso na vida pública e que funcionam como cabos eleitorais. Os nobres parlamentares tentam plantar a notícia de que só estão fingindo que são a favor do aumento do número de vereadores porque têm certeza de que o Supremo Tribunal Federal irá bloquear a medida. Os parlamentares, estariam sendo vítimas de chantagem, coitadinhos: os suplentes de vereadores pressionam pela aprovação da medida e ameaçam Suas Excelências de represálias, no próximo pleito, em suas bases eleitorais. Mas eles querem mais vereadores, sim.

…e você paga

Se os parlamentares estivessem fazendo apenas jogo de cena, não tentariam convencer o contribuinte de que, com mais vereadores, mais assessores, mais secretárias, mais motoristas, mais contínuos, mais gabinetes, mais telefonemas, mais móveis e utensílios, mais máquinas de xerox, mais franquias postais, os gastos diminuiriam. Numa época em que todos têm de cortar despesas, as Câmaras querem aumentá-las – e ainda nos convencer de que vão reduzi-las. É demais.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

O pré-sal já está dando lucro – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 9 de setembro

O mar de petróleo da camada pré-sal só deve jorrar normalmente daqui a uns dez anos. Mas o dinheiro começou a jorrar bem mais cedo: o pré-sal já se mostrou extremamente lucrativo para os franceses e seus parceiros brasileiros.

Em um dia, o Brasil gastou algo como US$ 15 bilhões em armas – sem contar as 25 usinas nucleares a ser construídas em 25 anos. Os 36 caças supersônicos Rafale são moderníssimos e o Brasil é pioneiro: o primeiro país a comprá-los, depois que perderam todas as concorrências internacionais de que participaram. Os quatro submarinos a diesel e o casco de submarino nuclear compartilham com os Rafale uma característica comum: todos ainda terão de ser construídos (o que não é tão ruim, porque o óleo do pré-sal, que segundo o presidente Lula será protegido pelas novas armas, continua aninhado nas mesmas rochas porosas onde se aloja há milhões de anos). Mas o pagamento já está sendo feito.

Os fatos mais estranhos são a exigência de que uma empreiteira específica, a Odebrecht, se encarregue, sem concorrência, do estaleiro a ser concluído; e as tais 25 centrais nucleares, uma por ano. Nos últimos 47 anos, o Brasil construiu duas centrais nucleares e está a meio caminho da terceira. Precisará acelerar bem o passo, qual um Usain Bolt da tecnologia atômica, para cumprir o novo prazo.

E por que 36 aviões? Desde que a velha esquadrilha brasileira de Mirages ficou obsoleta, falava-se em 12 caças – agora, de repente, multiplicados por três.

Definitivamente, este é o ano da França no Brasil.

Perguntas incômodas

As armas novas já foram encomendadas. Qual o soldo de um militar com capacidade para trabalhar num avião de US$ 100 milhões a unidade? Já estão normalizadas as refeições, o rancho, dos recrutas do Exército?

O sonho e o feijão

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quer formar uma “aliança bolivariana” para se contrapor às grandes potências. A Venezuela comprou supersônicos Sukhoi, fuzis e tanques russos (os submarinos, por enquanto, estão suspensos). Colômbia e Chile compraram supersônicos F-16 americanos. O Brasil comprou armas francesas. Resultado da política venezuelana de se contrapor às grandes potências: as grandes potências estão felizes com tantas vendas de armas.

Semana quente…

Dois temas da maior importância começam a ser decididos hoje:

1 – O Supremo inicia o julgamento do caso Cesare Battisti – o italiano acusado de terrorismo que a Itália quer extraditar e a quem o ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu asilo político;

2 – O Congresso vota a ampliação do número de vereadores em 7.343, espalhados pelo país. Novos vereadores, novos assessores, novas secretárias, novos contínuos, novos salários e benefícios, novos parentes, novos móveis, novas verbas – e novos espaços, que terão de ser obtidos com reforma ou ampliação de edifícios. Querem que você, caro leitor, acredite que os gastos serão reduzidos.

…semana fria

A votação dos novos vereadores é um atrativo para que os parlamentares compareçam a Brasília, apesar da semana mais curta. Mas não se espere nada diferente disso: nem urgência para a nova legislação do pré-sal, nem articulações para aprovar a CSS (aquela contribuição “só” para a saúde, etc., etc.) Nem sempre é bom que o Congresso se mate de trabalhar. Como disse uma vez o governador mineiro Hélio Garcia, sempre que ele descansava não criava despesas.

Santo do pau oco

O senador paraense José Nery é do PSOL: doido para denunciar irregularidades dos outros (menos da presidente de seu partido, Heloísa Helena, que deve quase um milhão ao Fisco, em processo já transitado em julgado, mas parece que ela pode). Descobriu-se que ele mora de graça na casa de uma assessora, em Brasília, mas nunca se esqueceu de pegar os R$ 3.800 mensais de auxílio-moradia. Ele foi um dos que mais criticaram José Sarney por fazer a mesma coisa.

Candidaterríssimo

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não entrou em nenhum partido, não se definiu entre petistas e tucanos, nada disso. Mas Duda Mendonça não está na Fiesp por acaso. Nem é por acaso que Paulo Skaf virou apresentador dos anúncios da Fiesp no horário mais caro da TV, o intervalo do Jornal Nacional. Se surgir uma oportunidade, é candidato ao Governo paulista. Se não surgir, tentará criar uma.

Fatos e fotos

Até ministros do Supremo já foram flagrados prestando mais atenção a conversas via computador do que nos argumentos da defesa e da acusação. A história se repete: o desembargador Carlos Roberto Santos Araújo, do Tribunal de Justiça da Bahia, foi fotografado jogando xadrez pelo computador. Tentou negar, dizendo que o jogo era apenas uma imagem na tela. Era – mas se movia e apresentava peças em posições diferentes entre uma foto e outra. O fotógrafo Haroldo Abrantes, de A Tarde, de Salvador, foi quem percebeu e registrou a cena. O TJ baiano decidia o fechamento de seu órgão de gestão. Era importante – e daí?

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

O eleitor e os eleitos – Coluna Carlos Brickmann

1 – Imagina-se que a política seja a segunda profissão mais antiga do mundo. Mas creio que tem muita semelhança com a mais antiga de todas.

2 – Quando se faz a chamada no Senado, os senadores não sabem quando devem responder “presente” ou “inocente”.

3 – Hoje temos boas notícias da Capital. O Congresso chegou a um impasse e não consegue trabalhar.

4 – Cada vez que o Congresso faz uma piada vira lei; e cada vez que faz uma lei vira piada.

5 – Temos o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar.

6 – Em política, tendo ignorância e confiança, o sucesso é certo.

Errou feio, caro leitor: nenhuma dessas citações tem algo a ver com o Brasil. Todas se referem aos Estados Unidos. A primeira é do presidente Ronald Reagan; a segunda, do presidente Theodore Roosevelt; a terceira e a quarta, do humorista Will Rogers; a quinta e a sexta, do escritor Mark Twain.

Como diria o colunista Ancelmo Góis, de O Globo, deve ser terrível viver num país que vê desta maneira seus representantes eleitos.

Mas poderia ser pior: lá, um famoso humorista bigodudo, Groucho Marx, disse que jamais entraria num clube que o aceitasse como sócio. Aqui, um famoso bigodudo bem menos engraçado, mas com os imensos bigodes muito mais bem arrumados, quer ficar onde não o aceitam de jeito nenhum.

O voo de Palocci

Livre do processo, Antônio Palocci estuda seus próximos voos políticos. Não, não sai para a Presidência, mesmo se o presidente Lula decidir que Dilma não é mais candidata: as cicatrizes do caso do caseiro são muito recentes. Pelo mesmo motivo, embora possa contar com bom apoio empresarial, Palocci não pensa em sair para o Governo paulista. Ou garante uma reeleição tranquila, como deputado federal, ou vai para o Governo, talvez substituindo o ministro José Múcio, das Relações Institucionais. Voltar para a Fazenda, só se Mantega pedir demissão.

O árbitro-cantor-candidato

Eduardo Suplicy gostaria de ser candidato ao Governo paulista (mesmo porque, se derrotado, continuaria senador). Isso explica o show do cartão vermelho, exibido depois que o jogo tinha acabado e Sarney liberado de todas as denúncias, com o voto unânime do PT de Suplicy. É difícil que consiga ser candidato.

Ei-la de novo

Quem trabalha para ser candidata ao Governo paulista, e com boas chances de conseguir a indicação do partido, é a ex-prefeita Marta Suplicy. Tem excelente estrutura no PT paulista. E leva sobre o possível rival na luta pela candidatura oposicionista, Ciro Gomes, a vantagem de nunca ter pertencido a outra legenda.

Sarney total

Hoje, na Rede TV!, à meia-noite, o presidente do Senado, José Sarney, dá entrevista a Kennedy Alencar. Nada mais adequado para encerrar esta semana.

Dose dupla

A propósito, está tramitando discreta e rapidamente, na Câmara Federal, o projeto que cria mais sete mil vagas de vereador neste nosso país milionário. Lembre-se disso, para criar o clima adequado, ao assistir à entrevista de Sarney.

Demi e Redford genéricos

O senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, líder do Governo, estava dando uma entrevista quando foi abraçado por trás pelo senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Demóstenes, muito mais magro após uma cirurgia de estômago, murmurou a proposta ao ouvido de Jucá: “Jucazinho, vamos fazer as pazes?” Resposta do sorridente Jucá: “Tentando me pegar novamente pelas costas?” Não, caro leitor: não deixe que sua malícia o leve a pensar em coisas que não deve. Nem recorde o filme “Proposta Indecente”, que não é disso que se trata: é que Jucá estava bravo com Demóstenes, que esperou que ele saísse para convidar Lina Vieira, ex-secretária da Receita, a falar sobre seu encontro com Dilma Rousseff. Não seja maldoso. Mas que o diálogo é pra lá de sugestivo, é.

Trabalhadores do Brasil

O jornalista Luiz Fernando Emediato, amigo do deputado Paulinho da Força, do PDT paulista, rebate nota desta coluna: diz que Paulinho costuma ir à Câmara às terças-feiras. Embarca para Brasília no primeiro voo, vai para o gabinete e trabalha como um mouro até quinta. Às vezes, chega a ir na segunda. Registrado.

Os amigos

Leda Maria Pessoa de Mello Cartaxo, funcionária do senador Roberto Cavalcanti, do PRB da Paraíba, foi exonerada no início da semana. Leda é filha de Otacílio Cartaxo, recém-nomeado secretário da Receita Federal, e antes disso o poderoso chefe de Gabinete da secretária anterior, Lina Vieira. Cavalcanti, o senador para quem Leda Cartaxo trabalhava, é acusado de lesar o Fisco. Os débitos de uma de suas empresas, de R$ 4,4 milhões, já inscritos para cobrança na dívida ativa, foram recalculados e caíram para R$ 39 mil. Há algo como cem ações contra ele, estaduais e federais, na Paraíba, em Pernambuco e no Rio de Janeiro.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

É candidato mas não é candidato – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 26 de agosto

Surpreenda-se: apesar do título, esta coluna não tem nada a ver com o senador Aloízio Mercadante. O tema é outro: amanhã, o Supremo Tribunal Federal deve julgar o ex-ministro Antonio Palocci, um dos principais quadros do PT, acusado de mandar violar o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Há muitas especulações sobre seu futuro, caso seja absolvido: desde a candidatura à Presidência da República, se Dilma não se firmar, até a candidatura ao Governo paulista.

Mas, mesmo que seja absolvido por unanimidade, a lógica política indica outros caminhos para Palocci. Na campanha presidencial, o assunto da violação do sigilo, ainda muito recente, continuará sendo trazido aos palanques; e outros processos pendentes, ainda dos tempos em que foi prefeito de Ribeirão Preto, SP (cargo que deixou no final de 2002), continuam a incomodá-lo. Na campanha paulista, ocorrerão os mesmos fatos; e em São Paulo, onde um petista jamais venceu uma disputa para o Governo, a eleição seria ainda mais difícil.

O caminho mais provável para Palocci, caso absolvido, é disputar um mandato legislativo: deputado federal (teria grande votação e ajudaria a eleger uma boa bancada) ou senador (mais difícil: para as duas vagas em disputa, há nomes como Guilherme Afif e Orestes Quércia, com apoio do Governo do Estado, e Aloízio Mercadante, pelo PT. E há o senador Romeu Tuma, do PTB, que talvez prefira desta vez disputar a Câmara, mas que ainda não disse nada).

Palocci só disputaria o Executivo em último caso. E não é o caso.

Emoção e nada mais

O filme Lula – o filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, com base no livro de Denise Paraná, está pronto. Um grupo de petistas históricos aninhados no Governo Federal já assistiu a uma pré-estréia, em Brasília, promovida pelo pai do diretor, o produtor Luiz Carlos Barreto. Emocionaram-se, muitos choraram. Mas o filme ainda não vai ao ar: fica na gaveta para estrear daqui a mais de quatro meses, em 1º de janeiro de 2010. Por coincidência, um ano eleitoral.

As previsões do Pai FH

A versão governista do encontro entre Lina Vieira, a ex-secretária da Receita, e a ministra e candidata Dilma Rousseff envolve o marido de Lina. Expliquemos: entre 1999 e 2000, o marido de Lina foi ministro da Indústria e Comércio do Governo Fernando Henrique (que, na versão oficial, é chamado de “FHC” ou “o sociólogo”). Esta seria a motivação de Lina para torpedear Dilma.

Ou seja, há nove anos, Fernando Henrique previa que a esposa de Alexandre Firmino de Melo Filho e mãe do comediante Mução ocuparia, em algum momento, algum cargo importante no Governo Lula. Nomeou-o, então, para que sua esposa mais tarde retribuísse. Não é que deu certo? Dois anos depois, Lula se elegeu; passados nove anos, pôs Lina na Receita – ele não sabia, e a Abin não lhe contou, que o marido, oh! – tinha sido ministro de FHC. Ela, cumprindo o roteiro, retribuiu torpedeando Dilma. Que capacidade de previsão, a do sociólogo!

A vida imita a arte

Seria demais esperar que a tese petista da previsão do futuro por Fernando Henrique tivesse sido colhida em algum livro. Mas o livro existe: é o ótimo Fundação, de Isaac Asimov. Nele, um psico-historiador e líder político, Hari Seldon, prevendo a queda do Império Galáctico, cria a Fundação Enciclopédia para reunir o conhecimento humano. E, periodicamente, gravações suas (antigas, mas versando sobre aquele momento específico) eram estudadas. É uma novela publicada em série de 1942 a 1953, na revista Astounding Stories. A propósito, o ditador da Galáxia, o grande líder das massas, era conhecido como O Mulo.

Os inimigos dos animais

Atenção: tramita na Câmara o Projeto de Lei 4.598, de 1998, que muda a Lei de Crimes Ambientais, permitindo maus-tratos a animais “domésticos ou domesticados”. O objetivo é evitar prejuízos a rodeios e vaquejadas, onde touros e bois são maltratados. Mas vai legalizar a Farra do Boi, por exemplo. E as rinhas de briga de galos, de cães, de gatos. O projeto bárbaro, de autoria do alagoano José Thomaz Nonô, recebeu relatório favorável do paulista Régis de Oliveira.

Todos no Congresso

Duzentos de um lado, duzentos de outro: empresários e sindicalistas dividiram ontem as galerias da Câmara para debater a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas por semana. Estavam lá Paulinho da Força (que, como deputado, não costuma frequentar o Congresso às terças-feiras), Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria (que, como deputado, não costuma frequentar o Congresso às terças-feiras), presidentes de todas as federações das indústrias – menos uma, exatamente a maior: a Fiesp, de São Paulo, cujo presidente Paulo Skaf quer ser candidato a governador e não pode se indispor com ninguém. Os dois lados argumentam a mesma coisa: que defendem o aumento do número de empregos. Ainda não há data para votação.

Que é melhor?

O Japão tem longa semana de trabalho, a França reduziu a sua para 36 horas. A economia japonesa é maior (a população, idem). A França saiu antes da crise.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

Renunciei, mas não fui eu – Coluna Carlos Brickmann

Como todos os Estados, São Paulo tem três senadores. Ao contrário da maioria dos Estados, São Paulo não tem nenhum senador.

Aloízio Mercadante mostrou que, comparadas com ele, Rita Cadillac e a Mulher-Melancia nada têm a exibir. Rugiu truculento para Lina Vieira, miou para o presidente Lula. E seu estridente protesto contra o voto pró-Sarney, a renúncia à liderança do PT, não resistiu a uma conversa com o presidente. Como na famosa camiseta de Lobão (o cantor, não o governista), ele fez, mas não foi ele.

E os outros? Eduardo Suplicy, fundador do PT, crítico feroz da falta de ética dos outros, desta vez não foi aos microfones do Senado nem para cantar Bob Dylan. Não atacou o Governo – e também não o defendeu (aliás, com certa razão: Suplicy não é Dilma, tem mestrado e doutorado de verdade, mas nunca foi chamado por Lula para ocupar qualquer cargo). Silenciou. Não se sabe se está ao lado de Renan Calheiros ou de Aloízio Mercadante, de Collor ou de Flávio Arns.

O terceiro senador, como uma pesquisa no Google pode revelar, é Romeu Tuma, o Xerife, ex-superintendente da Receita Federal – que, diante de um problema que envolveu a Receita Federal, silenciou. Mas Tuma, faça-se justiça, é fiel a seus princípios. Quando seu partido, o PFL, mudou de nome para Democratas, Tuma saiu e foi para o PTB. Um homem como ele, delegado que comandou o Dops na ditadura militar, não aceitaria jamais ser chamado de Democrata.

E qual dos três jamais apresentou um projeto de interesse do Estado?

Nova face

Na quinta, o senador Aloízio Mercadante dizia que a decisão de deixar a liderança do PT era “irrevogável”. Na sexta, revogou o irrevogável, porque o presidente Lula o considera “imprescindível”. Pode ser – mas Mercadante, por bom tempo o principal assessor econômico do candidato Lula, que desistiu de disputar um mandato para ser seu vice numa eleição perdida, jamais recebeu um convite irrevogável de Lula para dar sua imprescindível colaboração no Governo.

A escolha de Sofia

Parafraseando Winston Churchill, no caso do Conselho de Ética foi oferecida ao PT a opção entre perder a ética ou as eleições. Preferiram perder a ética, e podem ter desperdiçado boa parte das chances de não perder as eleições.

Alegria, alegria

Não leve a sério as notícias de que o governador paulista José Serra, do PSDB, estaria preocupado com a possibilidade de também perder votos para Marina Silva. Serra está feliz, feliz: Marina é um problema do PT. O PSDB não tem nada a perder. E, se houver algo a ganhar, é dele.

O novo nome

O presidente da Federação das Indústrias, Paulo Skaf, sonha com o Governo paulista. Acha que é a Terceira Via entre PT e PSDB, e que seu nome pode ser o fato novo nas eleições. Por enquanto, nome novo mesmo é o do publicitário contratado pela Fiesp para reformular a imagem da entidade (e, quem sabe, popularizar seu presidente): é José Eduardo Mendonça, segundo as informações oficiais. O novo nome é este; o nome antigo, mais conhecido, é Duda Mendonça.

Os velhos tempos

Dizia-se, há alguns anos, que o Milagre Alemão tinha sido obtido graças à escolaridade, à disciplina, a aptidão dos alemães para a indústria. O Milagre Japonês se devia à persistência, à capacidade de trabalho e de estudo árduo dos japoneses. Já o Milagre Brasileiro era milagre, mesmo.

Duda Mendonça já fez milagres com candidatos como Paulo Maluf, Fernando Collor, o presidente Lula. Desta vez, é convidado a fazer um milagre, mesmo.

Caros hermanos

A cada vez que o presidente Lula visita o compañero boliviano Evo Morales, é preciso sacar a carteira. Desta vez, el regalo começou com US$ 330 milhões, para que Evo Morales possa construir uma estrada. E, na mesma reunião, Morales pediu mais US$ 300 milhões pelo gás natural que vende ao Brasil, isso numa época em que os reservatórios estão cheios e o consumo de gás caiu. Na opinião do presidente boliviano, a Petrobras – cujas refinarias no país ele mandou ocupar militarmente, sem indenização – é também devedora da Bolívia.

Cuidado com a carteira

O Governo Federal está pensando em trazer de volta aquele velho aspirador do bolso dos cidadãos: o Imposto do Cheque, agora com o nome de CSS e a alíquota (no início) de 0,1%. E, como de hábito, para torná-la mais palatável, a arrecadação seria destinada “exclusivamente à saúde”. O filme é o de sempre; mas desta vez, no lugar do ministro Adib Jatene, o astro da campanha é o ministro José Gomes Temporão. Por sorte, as eleições vêm aí: os parlamentares, já com problemas de imagem, dificilmente aprovarão neste momento um novo imposto.

Boa notícia

Guarde este endereço: http://www.europeana.eu. Acaba de ser inaugurada a Biblioteca Multimídia Européia, com mais de dois milhões de obras e consulta gratuita, em todas as línguas da Europa – inclusive Português.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

Uma questão de pernas curtas – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 19 de agosto

Dilma negou três vezes. Por mais de três vezes Lina confirmou. A doutora Dilma é a dona das provas: dela depende mostrar – ou não – as imagens captadas pelas câmeras na garagem do Palácio, que confirmarão, ou não, que Lina esteve lá; dela depende a divulgação das agendas do Palácio, que mostrarão, nos dias em que Lina esteve lá (se esteve), os compromissos que cumpriu. Se Lina só apareceu no Palácio em datas em que tinha outros compromissos, estará mentindo. Mas Dilma, mestra na vida palaciana, sabe que, se em determinada data houve a presença de Lina sem outros compromissos confirmados, a visitada era ela.

Qual a importância de saber quem tem razão? Apenas saber se um candidato ao maior cargo da Nação é dado ao vício da mentira. Bill Clinton não esteve em risco por seu caso com Monica Lewinsky, mas por tê-lo negado e ser desmentido. Richard Nixon não caiu pela invasão do QG do partido adversário, no Edifício Watergate: caiu por negar sua responsabilidade e ser desmentido.

Dilma já escorregou algumas vezes. No caso VarigLog, negou ter conversado com Roberto Teixeira, o primeiro-compadre do presidente Lula, e acabou sendo forçada a desmentir-se. Precisou renegar seu próprio currículo, que a titulava de Mestra e Doutoranda (na verdade, não era mestra nem doutoranda), e garantiu que nunca o tinha lido. Negou ter mandado fazer um dossiê sobre a falecida primeira-dama Ruth Cardoso, e depois se desmentiu, mas mudando o nome do dossiê para “banco de dados”. Que nome será dado ao encontro com Lina Vieira?

Mudando de conversa

Um indício interessantíssimo ajuda a mostrar quem está falando a verdade e quem procura ocultá-la. Veja esta nota publicada ontem pelo Globo online:

Assessoria do Ministério da Fazenda nega o que disse – A assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda informou na segunda-feira ao jornal O Globo que a secretária-executiva da Casa Civil Erenice Guerra visitou várias vezes o prédio da pasta no final do ano passado. A informação foi repassada ao jornal pela integrante da assessoria Carmem Luiza Cunha. Hoje, a mesma assessoria de imprensa divulgou nota para negar o que foi informado no dia anterior ao jornal.

Leia a íntegra da nota:

“O Ministério da Fazenda informa que é inverídica a afirmação contida na matéria, publicada hoje no jornal O Globo, de que o ‘Ministério da Fazenda confirmou que a Secretária-Executiva da Casa Civil da Presidência da República, Erenice Guerra, esteve várias vezes no prédio em novembro e dezembro do ano passado’.”

A pesquisa…

A pesquisa DataFolha sobre eleições presidenciais pode ajudar determinados políticos a manter candidaturas, ou a rever suas posições; pode influenciar outros políticos na definição de seus rumos; pode sinalizar muita coisa aos doadores de campanha. Mas uma pesquisa a mais de um ano da eleição não tem qualquer importância para definir quem está ou não na frente. Faltam muitas definições, falta clima, sobra tempo. E se aparece uma nova Marina, mas com chances?

…e o que revela

Pesquisa é útil para quem analisa o jogo político. No caso, mostra mais uma vez que escândalos não mudam intenções de voto, nem índices de popularidade. A pesquisa indica, por exemplo, que a maior parte dos eleitores gostaria de ver Sarney fora da Presidência do Senado. Sarney está impopular. Mas o presidente Lula, que se expôs em sua defesa, continua onde estava: perdeu dois pontos de aprovação, o que é pouquíssimo, dentro da margem de erro, e não abala sua invejável posição política. Se uma das maiores campanhas dos últimos anos, como a que se move contra Sarney, não mexe no índice de seus apoiadores, fica claro que insistir em escândalos não é uma boa estratégia para a oposição. Escândalo ou destrói o alvo, e rápido – como o de 1954, que levou o presidente Vargas ao suicídio, ou o que depôs Collor – ou não serve sequer para abalar sua aprovação.

O caminho pedregoso

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ainda não perdeu as esperanças: quer porque quer candidatar-se ao Governo paulista. Houve época em que flertou com o PT, depois ficou ao lado do PSDB de seu amigo Alckmin, mas não foi acolhido por nenhum dos dois. Agora, diz O Globo, pensa no PMDB, onde entraria pelas mãos do deputado Michel Temer. Só que quem manda no PMDB paulista é o ex-governador Orestes Quércia. E Quércia deve apoiar o candidato do PSDB.

O canhão de Erenice

Erenice Guerra, primeiro-escudo da ministra Dilma Rousseff, perdeu a batalha para o Tribunal de Contas da União: deve ir para lá o ministro das Relações Institucionais, José Múcio. Erenice luta agora pelo Superior Tribunal Militar, na vaga do ministro Flávio Bierrenbach, que se aposenta por atingir 70 anos, o limite de idade. Erenice é advogada, petista há quase 30 anos (mais antiga no partido que Dilma), e tem tudo para entrar na área militar. A segurança do presidente da República, o escudo de Lula, está a cargo dos Dragões da Independência.

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.

Como não dizia o poeta – Coluna Carlos Brickmann

Collor odiava Lula que odiava Renan que amava Collor que odiava Sarney que amava Pedro Simon que amava Lula que odiava Sarney que já tinha amado Delfim que não amava nem odiava ninguém, nem mesmo Suplicy que falava mal de todo mundo (bem devagar) e os outros não aguentavam ouvi-lo sobre seu tema único, e ele ainda nem cantava Bob Dylan. Lula foi para a Presidência da República, Renan foi para a base aliada, Collor virou lulista desde criancinha, Suplicy continua falando (devagar) de seu tema único e cantando Bob Dylan, Sarney foi para a Presidência do Senado e luta pela sobrevivência política, quase todos viajaram por conta do Tesouro, Delfim se transformou em conselheiro das mais diversas tendências políticas, o gaúcho bravo Pedro Simon ficou com medo de Collor porque o olhou com raiva, quem sabe não estaria querendo dar um tiro nele? E um jovem militar bonitão conquistou o coração de Ideli, que não tinha entrado na história.

Estas frases se inspiram num belíssimo poema de Carlos Drummond de Andrade, um clássico da literatura brasileira. O nome do poema é “Quadrilha”.

A volta do que não foi

A propósito, Delúbio Soares (“nosso Delúbio”, como o chamava o presidente Lula) retorna em grande estilo. O antigo tesoureiro do PT, expulso por causa do Mensalão, lançou na quinta, em São Paulo, a revista “Companheiro Delúbio” e o blogdelubio.com.br/blog. Delúbio quer voltar ao PT. Já recebeu emissários que lhe pediram para esperar as eleições, para evitar explorações políticas. Mas Delúbio não quer esperar: quer ser candidato a alguma coisa já em 2010.

Cipó de aroeira

Há uma operação de risco em curso no Senado: um levantamento das doações de campanha a José Sarney, para cruzá-lo com a atuação do senador em assuntos de interesse dos doadores. O problema é que os doadores não são entidades de beneficência: esperam que os eleitos acompanhem seus casos com interesse. Se a porteira for aberta, é preciso lembrar que por onde passa um boi passa a boiada.

O mundo gira

Em 1949, os intelectuais de esquerda achavam que o comunismo salvaria a China. Em 1955, estes mesmos intelectuais, preocupados com a denúncia dos crimes de Stalin na União Soviética, achavam que a China de Mao Tsé-tung salvaria o comunismo. Em 1979, o primeiro-ministro Deng Xiaoping concluiu que somente reformas no sistema de produção, com introdução de princípios capitalistas, salvariam a China. Hoje, é a China que está salvando o capitalismo.

Cuidado, titia!

Mais um caso com a agência de viagens Tia Augusta, especializada em excursões à Disneyworld (foi uma de suas passageiras que morreu durante o voo de volta ao Brasil). Agora o problema ocorreu com uma garota de 15 anos, amiga de um leitor desta coluna: por causa de um overbooking (venda de mais lugares que os disponíveis), a garota, mais seis outras da mesma idade que participavam da excursão, ficaram retidas nos EUA. No dia seguinte, mandaram o grupo para Atlanta, de lá para Nova York, e daí, enfim, de volta. Isso com o grupo formado, permitindo o planejamento total da viagem. E o respeito aos passageiros, titia?

Veja, mamãe: sem piloto!

A Polícia Federal está testando um avião sem piloto, com controle remoto, para uso em áreas de conflito e combate ao narcotráfico. É como se fosse um grande aeromodelo, mas de alta capacidade: voa a dez mil metros, pode ficar dois dias no ar sem reabastecimento, e tem capacidade para 250 kg de armamento. O aparelho é construído pela IAI, Israel Aerospace Industry, e vendido por uma empresa de capital misto brasileiro-israelense, a EAE, por preço não divulgado.

Questão presidencial

O Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição do coronel uruguaio Manuel Cordero Piacentini para a Argentina, onde é acusado de sequestros e de cooperação com polícias clandestinas de outras ditaduras, no âmbito da Operação Condor. Mas a extradição não é automática: precisa ser concedida pelo presidente Lula. É um teste interessante – especialmente porque há um caso semelhante, de Césare Battisti, cuja extradição é pedida pela Itália, por acusação de assassínio. O Governo não quer extraditar Battisti. O STF ainda não se manifestou.

O preço da saúde

Raul Zampol Jr., assíduo leitor desta coluna, protesta contra o possível aumento dos planos de saúde por causa da gripe suína. “Os planos reclamam dos custos, mas é só abrir revistas e jornais, é só ligar a TV, para ver anúncios caríssimos. E os patrocínios de clubes? Cadê as dificuldades? E tem mais: os planos não respeitam o Estatuto do Idoso, que não permite aumento por faixa de idade acima de 65 anos”. O leitor tem toda a razão. E a elevação dos preços, à medida que o segurado envelhece, é como uma multa pelo atrevimento de continuar vivo. Uma dúvida: por que não fazer um estudo atuarial para igualar as faixas, de maneira a que os mais jovens paguem um pouco mais (só um pouco, já que ao longo dos anos isso será muito) e se mantenha o preço para os mais idosos?

Carlos Brickmann é Jornalista, consultor de comunicação. Foi colunista, editor-chefe e editor responsável da Folha da Tarde; diretor de telejornalismo da Rede Bandeirantes (prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, em 78 e 79, pelo Jornal da Bandeirantes e pelo programa de entrevistas Encontro com a Imprensa); repórter especial, editor de Economia, editor de Internacional da Folha de S.Paulo; secretário de Redação e editor da Revista Visão; repórter especial, editor de Internacional, de Política e de Nacional do Jornal da Tarde.