Candidatura de Dilma pode ter ampla base de apoio

BRASÍLIA – Ao mesmo tempo em que corteja o PMDB, o governo já dá passos decididos para atrair a maioria dos outros partidos de sua base para o palanque da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mesmo que não se coliguem oficialmente com o PT na chapa de Dilma, PP, PR, PC do B e PRB já estão alinhados com a candidatura, caso ela se confirme no próximo ano. A maioria dos integrantes de outros partidos aliados menos afinados com a Presidência – PTB, PDT e PV – também dá sinais de que agirá da mesma forma. Até o PSB, que tem o deputado Ciro Gomes (CE) como pré-candidato, pode abrir mão de lançar seu nome, em favor de um acordo que permita ao partido ter cabeças de chapa em alianças com PT em Estados onde planeja eleger governadores.

O baixo teor de rebeldia na base aliada em relação a 2010, porém, ainda depende de pelo menos mais dois fatores para se confirmar. O primeiro é a saúde da ministra. Embora o discurso oficial dos aliados seja de otimismo, informalmente reconhecem que aguardam a evolução de sua condição de saúde para saber se a candidatura se confirmará ou se surgirá uma nova opção bancada pelo governo. O segundo fator é a densidade eleitoral da ministra. Ainda pouco conhecida pelo eleitorado, Dilma precisará ter um ritmo de campanha intenso para se apresentar pelo Brasil. A dúvida é se sua saúde permitirá essa agenda cheia.

O presidente Lula tem procurado participar diretamente da negociações com os aliados. No caso do PSB, a movimentação tem sido cuidadosa. Hoje, a legenda prefere que Ciro entre na disputa por avaliar que isso ajuda a puxar votos para a legenda. O PSB defende a candidatura própria e acredita na sua viabilidade eleitoral, argumenta o senador Renato Casagrande, secretário-geral do partido e aspirante ao governo do Espírito Santo. Ele lembra, contudo, que o PSB tem vários objetivos na próxima eleição, como aumentar sua bancada de deputados federais (hoje são só 30). O tamanho da bancada é importante porque regula o tempo de horário eleitoral e o fundo partidário a que temos direito. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Rizzolo: A candidatura de Dilma cresce na medida em que o apoio dos demais partidos a ela aumenta. Não há dúvida que será uma tarefa difícil para a oposição enfrentar Dilma, muito embora ainda não há de forma mensurável, como quantificar a quantas anda sua popularidade, uma vez que não possui ela por hora uma densidade eleitoral apreciável. O que existe apenas é um crescente em relação ao seu nome.

A questão da transferência de votos ainda é duvidosa, mas o que realmente pesa hoje, é seu estado de saúde; e isso sim poderá atrapalhar seu desempenho na campanha. Agora, uma coisa é certa, se infelizmente Dilma não puder concorrer, movimentos ocorrerão no sentido de apresentarem uma proposta de emenda constitucional (PEC) que abre caminho para um terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nada mais justo no meu entender, do que um plebiscito para verificar se a população estaria ou não de acordo com um terceiro mandato para Lula. Porque não? Constrangimento porque? A opinião do povo por acaso constrange alguém? Ora, convenhamos, a tese do “constrangimento”, serve só aos que não entendem o jogo democrático. Se o povo disser sim, emenda-se a Constituição e ponto final. “Se Dilma não sair, apoie o Devanir” (deputado Devanir Ribeiro) (PT-SP). Não tenho o mínimo constrangimento em defender esta idéia, o que vem do povo, vem de Deus.

Ministro diz que a oposição quer privatizar a Petrobras

CURITIBA – O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse nesta segunda-feira, 18, em Curitiba, que a oposição, com a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades na administração contábil da Petrobras, pretendem “desmoralizar” a empresa com o intuito de privatizá-la. “O que o PSDB gostaria mesmo é de privatizar a Petrobras e eles não conseguiram fazer isso no governo Fernando Henrique”, disse.

“Provavelmente vão querer desmoralizar a Petrobras para fazer isso no futuro, mas tenho certeza de que não vão conseguir.” Bernardo afirmou que o governo vai esclarecer todas as suspeitas levantadas contra a empresa. “E vamos continuar fazendo investimentos na área do pré-sal normalmente, mantendo a Petrobras com a grande empresa que é”, destacou. Segundo ele, o Brasil anda na contramão da tendência mundial. “Enquanto os grandes países desenvolvidos estão fazendo tudo para proteger suas empresas, nós fazemos alguma coisa para derrubar a maior empresa do continente sul-americano”, reclamou.

“A oposição, no seu afã de dificultar as coisas para o governo pode prejudicar uma empresa que é das maiores do mundo.” O ministro do Planejamento ressaltou, no entanto, que a instalação da CPI não conseguirá paralisar as atividades do governo. “Nós vamos fazer a disputa política, vamos acompanhar essa gritaria que estão fazendo, mas de forma alguma vamos deixar paralisar, nem as ações de investimento da Petrobras serão paralisadas, nem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nem o programa Minha Casa, Minha Vida. Vamos tocar tudo normalmente”, assegurou Bernardo.
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Rizzolo: Durante alguns dias tentei refletir sobre esta questão da CPI da Petrobras. Nunca fiquei tão à vontade para não tomar partido da oposição, tampouco defender o governo, senão vejamos: Denúncias existem, indícios de irregularidade não faltam, e o correto é instaurar uma CPI e se aprofundar nas investigações do ponto de vista técnico-jurídico, contudo o que está ocorrendo, é que a oposição tenta utilizar a CPI como cortina de fumaça para se resguardar também das denúncias de improbidade parlamentar no Congresso – pura manobra diversionista.

Ao mesmo tempo que, ao desmoralizar a Petrobras, pavimenta-se o terreno para um debate sobre uma eventual privatização, o que é abominável. A verdade é que vem a CPI numa hora errada, engendrada para servir a fins eleitoreiros. Mas como passarmos incólumes às denúncias? Não há como, o povo pedirá uma investigação.

E o pior a CPI não é só da Petrobras, é também da ANP Agência Nacional do Trabalho, há várias suspeitas sobre a ANP e foi isso que motivou a oposição a pedir a abertura da CPI. Entre elas, estão a suspeita de desvios na distribuição de royalties do petróleo e um estranho acordo feito pela agência com os usineiros.

A ANP pagou R$ 178 milhões a quatro sindicatos de usineiros que entraram na Justiça contra ela. Mas o caso só havia sido julgado em 1ª instância e caberia recurso. O normal seria defender os cofres públicos, levando o caso até o último tribunal, para só então pagar, caso perdesse. Bem, o circo para 2010 já está montado com todos os atores, bem-intecionados e mal – intecionados.

Abertura de arquivo vira ato político com Dilma e Serra

BRASÍLIA – A cerimônia do governo para o anúncio de medidas que facilitem o acesso a informações públicas transformou-se em ato político envolvendo os pré-candidatos à sucessão presidencial, Dilma Rousseff e José Serra. O ministro-chefe da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, do PT, lembrou o “simbolismo” de ambos estarem ali dividindo a cerimônia.

Segundo ele, a presença das duas figuras que a imprensa aponta como fortes candidatos à presidência “assegura o compromisso que a caminhada (de abertura dos arquivos) é do Estado brasileiro e não importa a sucessão de partidos, de forças políticas no Poder, cuja alternância é sempre saudável na vida democrática”.

Pouco depois, de improviso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou que ninguém deve ver nesse ato de acesso a documentos revanchismo ao governo militar, porque o atual governo pretende apenas prestar um serviço democrático ao desvendar os mistérios que ainda persistem na história.

E acrescentou: “daqui um ano e meio eu deixarei o governo e tudo o que eu fizer de errado, quem vier depois de mim, tem mais é que dizer as coisas que eu fiz de errado. E eu não posso achar que a pessoa está me perseguindo. Eu que trate de fazer as coisas certas, enquanto estiver no governo, para que depois eu não pague o preço de ficar correndo atrás das mazelas que quem entrar depois de mim achar que eu tenha feito”.

Pouco depois, ao ser questionado sobre sua adversária política, o governador de São Paulo, José Serra, disse que não encara a ministra Dilma como eventual opositora. “Eu sou o governador de São Paulo e continuo trabalhando. Antecipar campanha não é bom. Não vim aqui nesta condição, nem encaro a Dilma desta maneira. A encaro como ministra da Casa Civil, com quem tenho boas relações pessoais”, afirmou.

Dilma Roussef disse que a criação de um portal para colocar à disposição da população, na internet, documentos sobre a ditadura militar acaba com a “cultura do segredo de Estado”.

O portal Memórias Reveladas vai disponibilizar informações do período de 1º de abril de 1964 a 15 de março de 1985. Os documentos foram recolhidos dos extintos Serviço Nacional de Informações (SNI), Conselho de Segurança Nacional (CSN) e Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

O governo vai enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei para regulamentar o acesso da população às informações sobre o período militar. Também foi assinado hoje, durante evento no Palácio Itamaraty, uma portaria para que os arquivos sobre a ditadura militar em mãos de particulares sejam entregues ao governo.
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Rizzolo: As relações do governador Serra com a ministra Dilma são cordiais e boas. Em relação à questão do acesso da população aos arquivos do período militar entendo que são saudáveis, na medida em que o fato passou já a incorporar a história do Brasil, Não há porque se ” melindrar” com fatos ocorrido no passado. Isso não significa de nenhuma forma um revanchismo, e sim um meio cultural de se saber o que ocorreu na época.

Uma Pedra no Meio do Caminho ( texto publicado no Blog da Dilma )

Qual seria a lógica dos acontecimentos na vida? O que fez com que aquilo que parecia tão importante, fosse interrompido e abandonado por um problema repentino? Muitas destas perguntas, milhares de pessoas se fazem quando algo inesperado surge pelo caminho. A tal “pedra no caminho” que existiu, segundo a poesia de Drummond, nos leva a refletir o sentido da vida antes e depois dos infortúnios.

Na política essa questão toma proporções ainda maiores. O caso da ministra Dilma, seria um exemplo. Na trajetória de sonhos por um Brasil melhor, a mineira Dilma desde a sua adolescência, sempre sofreu os impactos de sua indignação ao entender que lutar pelos pobres era sua predestinação. Teve a oportunidade que o destino lhe concedeu no governo Lula, mas no meio do caminho surgiu uma pedra, sua doença; que de certa forma limitou por certo tempo sua atuação política. Por outro lado, tal infortúnio indicou e norteou uma luta pessoal solitária, que só os que padecem no ritmo do construir é que sabem o quanto sofrível é vivenciá-la.

Lutar por justiça social, erradicar a miséria, construir programas de inclusão, e sofrer uma experiência solitária de restabelecimento da saúde, é algo que nos faz refletir sobre aqueles que nada possuem, e exclusos estão dos tratamentos de ponta, padecendo nas longas filas dos hospitais públicos, reais retratos da ausência de Estado, do abandono, e do desalento.

A experiência da ministra Dilma, é triste e enriquecedora. É uma luta interior de quem sempre pensou no coletivo, e que agora se divide entre o social e a sua pessoa. Um desafio que reascende os questionamentos sobre aqueles – que diferente dela não podem custear um tratamento digno. É a visão mais cruel e triste de impotência ao constatarmos que, mesmo os mais sedentos de justiça social como ela, padecem e são impelidos de forma súbita, a fazer uma profunda reflexão de que muito falta a fazer na área da saúde pública.

Talvez, em seus momentos de solidão, padeça de uma culpa intrínseca, ao se ver rodeada dos melhores médicos do Brasil, e pensar sobre a imensa maioria pobre deste País sofrendo do mesmo mal que lhe acomete. Estes, distantes estão de um tratamento eficaz do ponto de vista de medicação, e de estrutura como o seu.

Dilma no meu entender é uma boa pessoa bem-intencionada, e o Brasil torce pela sua recuperação. Os pobres, por sua vez, mais uma vez estarão aguardando alguém; quem sabe ela, um dia, libertando-os do abandono material, da falta de recursos para a saúde, da distância que existe entre os que podem viver, e os condenados a ter uma menor chance de vida.

A vida é feita de dias, viver um dia de cada vez é pensar como construir um amanhã melhor. Os infortúnios nos fazem crescer, e a ministra Dilma vencerá com a ajuda de Deus e com o olhar complacente do povo brasileiro, que espera por um Brasil mais justo, tendo a ministra Dilma como protagonista; na luta contra os infortúnios e as inesperadas pedras do caminho.

Fernando Rizzolo

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