Tiradentes:“Se quisermos, faremos juntos deste país uma grande Nação”

CARLOS LOPES

Portugal saíra da anexação à Espanha, em meados do século XVII, numa situação de profundo esgotamento, agravada pela queda nos preços do açúcar, que até a invasão holandesa somente o Brasil produzia, mas que agora tinha a concorrência da produção açucareira das colônias inglesas e francesas das Antilhas, para onde os holandeses levaram a tecnologia que tinham aprendido durante os anos de ocupação do Nordeste brasileiro.

A “solução” encontrada pela Coroa – apoiada na única classe que no território metropolitano produzia, então, uma mercadoria exportável, e portanto lucrativa, a dos produtores de vinho – foi tornar-se cada vez mais dependente da Inglaterra. A corte garantia a independência política em relação à Espanha transformando o país em vassalo da Inglaterra. Tal era a sabedoria que imperava em Lisboa, exceto no período em que o marquês de Pombal esteve à frente do governo – em suas memórias, o grande estadista português reconhece a dependência econômica de Portugal à Inglaterra como o principal obstáculo que enfrentou e que seu país teria que enfrentar.

O Tratado de Methuen, de 1703, um tratado de nome inédito, pois Methuen não é a localidade onde ele foi assinado, mas o nome do agente inglês que o extraiu, à custa de suborno, expôs essa vassalagem. Por ele, o mercado português – metropolitano e colonial – tornava-se cativo dos produtos manufaturados ingleses. Em troca, os vinhos portugueses deveriam ter o monopólio do mercado inglês. Mas quando a Inglaterra, em 1786, rompeu unilateralmente o tratado em favor dos vinhos franceses, nem por isso a Coroa portuguesa deixou de continuar submetendo-se ao domínio comercial inglês. Poucas vezes se viram consequências tão desastrosas: as importações de mercadorias inglesas impediram as tentativas de industrialização do país, levando à atrofia econômica, à perpetuação do atraso e à espoliação comercial e financeira.

Em relação ao Brasil, Portugal tornou-se um intermediário das mercadorias inglesas, ao mesmo tempo arrancando da colônia os seus recursos – isto é, sobretudo o ouro – para repassá-los a Londres. Assim, o Brasil tinha de sustentar três senhores: a corte lusitana, com seu perdulário e parasitário luxo; a economia da metrópole, onde os comerciantes portugueses intermediavam as exportações inglesas para o Brasil; e o desenvolvimento manufatureiro inglês.

Durante mais de 50 anos, nós suportamos essa sobrecarga e ainda conseguimos desenvolver-nos internamente, ainda que dentro dos limites de uma colônia. Estima-se que entre 1700 e 1800 foram produzidos no Brasil cerca de mil toneladas de ouro e 3 milhões de quilates de diamantes.

A partir de meados do século XVIII, quando a produção de ouro decai, a Coroa aumenta suas exigências sobre o Brasil. Em 1750, o imposto total sobre o ouro tinha sido estabelecido em 100 arrobas do metal, mas após 1764 o governo português não consegue mais arrecadar essa magnitude. No entanto, a corte não quer renunciar ao seu suntuoso parasitismo e necessita pagar o fluxo das importações de mercadorias inglesas. Daí as ameaças constantes de efetuar a “derrama”, ou seja, a cobrança desses impostos sobre o ouro, independente da produção, até atingir as 100 arrobas. Até à morte de D. José I e a consequente queda de Pombal (1777), essa ameaça foi afastada: a política que prevalece é a de incentivar as manufaturas, a incipiente industrialização, como forma de sair da estagnação e do atraso.

Mas a política do reinado seguinte, o de Dª Maria I, seria a da desistência de superar o feudalismo e transformar Portugal em um país capitalista; a da rendição total ao monopólio comercial e manufatureiro inglês; a da espoliação exacerbada sobre as colônias, das quais a maior e mais rica era o Brasil, para sustentar a corte e as importações de mercadorias inglesas.

Nas duas últimas décadas do século XVIII, quando a produção de ouro diminui mais ainda, as exigências da Coroa tornam-se desesperadas, na medida em que sua arrecadação brasileira – que constituía a maior parte de sua renda – chega, no máximo, a 40 arrobas de ouro.

A “derrama”, então, passa a ser uma ameaça cada vez maior e, em 1788, é enviado de Portugal ao Brasil um novo preposto para governar Minas Gerais, o visconde de Barbacena, com ordens de cobrar os atrasados: acumulara-se um déficit de 538 arrobas de ouro nos anos anteriores.

“AINDA QUE TARDIA”

Porém, a produção de ouro e diamantes, concentrada principalmente em Minas Gerais, mas estendendo-se aos territórios onde atualmente estão os Estados de Mato Grosso, Bahia e Goiás, havia revolucionado economicamente o Brasil. Antes de tudo, havia, pela primeira vez, integrado numa única economia o conjunto do país, antes uma coleção de economias isoladas.

A economia do ouro havia formado um mercado interno, com o fornecimento, por parte do Sul do país, de muares e bovinos para transporte, tração e alimentação, além de couro e charque; através da pecuária nordestina, ligou-se às regiões açucareiras – Pernambuco, Alagoas e Rio Grande do Norte; integrou, inclusive, as então remotas regiões em que nascia a produção de algodão e arroz – o Ceará, Piauí e Maranhão – e àquelas ainda de economia extrativa, como o Grão-Pará (atuais Estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Amapá e Roraima). Em consequência, todo um sistema de transportes, ainda que precário, se espraiou pelo país.

Teria que ser, portanto, na região aurífera que o sentimento de nacionalidade emergiria de forma mais aguda, agora desvencilhado, ao contrário da época da luta contra o domínio holandês, da dependência ideológica e política à metrópole. Pelo contrário, agora o sentimento de nacionalidade afirmava-se contra a dependência política, econômica e cultural a Portugal, em defesa de interesses especificamente brasileiros.

O HOMEM

Tiradentes foi o herói que condensou esse sentimento de nacionalidade. A síntese de seu legado: “se quisermos, faremos juntos deste país uma grande Nação”.

Era – à custa, sem dúvida, de seu próprio esforço – um homem excepcionalmente culto para a época e, mais ainda, para as condições de seu país. Sua primeira viagem ao Rio de Janeiro teve por objetivo apresentar ao vice-rei um projeto para acabar com a falta d’água na cidade, através da canalização dos rios Maracanã e Andaraí. No inventário de seus bens, feito antes do ignominioso leilão que se seguiu ao seu martírio, achou-se um exemplar em francês da então recente Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Entre os líderes da Inconfidência Mineira, ele era o mais genuinamente popular e o de maior consciência nacional. Em seu pensamento e, principalmente, em seus sentimentos, nada mais havia que o amarrasse ao colonizador, inteiramente brasileiro nos atos, na ideologia, enfim, na postura diante do opressor – foi o primeiro, entre os homens notáveis do país, a identificar-se total e plenamente com o Brasil, a tornar-se e portar-se, por inteiro, política, ideológica e psicologicamente como brasileiro.

Era muito clara, para ele, a missão que se colocava ao nosso povo naquele momento: a de superar a contradição entre o nosso desenvolvimento interno, cujas potencialidades em termos de recursos naturais e humanos eram infinitamente superiores aos da metrópole, e o domínio da servil, mesquinha e minúscula nobreza metropolitana, domínio que só era possível continuar sob a condição de mutilar o Brasil para que se amoldasse à estreita fôrma da espoliação colonial – regredindo ao passado, com a destruição das forças produtivas já desenvolvidas.

Em função dessa consciência, esteve o seu comportamento na preparação da revolução, como sua principal alma – deslanchando uma atividade febril que lhe valeu de Cláudio Manuel da Costa, com admiração, o apelido de “alferes corta-vento” – e depois, na prisão e no martírio, a serenidade, coragem e dignidade, descritas por alguém que não comungava de suas ideias, Frei Raimundo de Penaforte, que o acompanhou ao patíbulo, na condição de sacerdote: “era desses seres cuja força espanta a própria Natureza”.

Com Tiradentes, na preparação da revolução, estava o engenheiro José Álvares Maciel, que se especializara em metalurgia na Europa e que tinha planos de construir pequenas – comparadas com as de hoje – siderúrgicas, para o aproveitamento das abundantes reservas de minério de ferro de Minas Gerais; estava o maior poeta de nossa língua nessa época, Tomás Antônio Gonzaga; estava o jurista Cláudio Manuel da Costa, que além de excelente poeta era também conhecedor e comentarista de Adam Smith – um dos poucos no continente americano, com o secretário do Tesouro de George Washington, Alexander Hamilton e do Visconde de Cairu; estavam militares – condição do próprio Tiradentes – como o coronel Francisco de Paula Freire; estavam eclesiásticos como Carlos Correia de Toledo, José da Silva de Oliveira Rolim e Luís Vieira da Silva; estavam proprietários rurais e intelectuais como Alvarenga Peixoto e Bárbara Eliodora.

A REVOLUÇÃO

O programa da revolução dos Inconfidentes refletia essa gama de interesses dos seus participantes: militares, intelectuais, funcionários, proprietários rurais, empreendedores da mineração, comerciantes.

A Independência e a República eram suas principais medidas políticas; o fim da escravatura e a industrialização do país eram as principais tarefas econômicas; a instrução pública e universal, sua principal medida social.

A consciência expressa nesse programa não era apenas a do entrave que a situação de colônia constituía para nosso país e a consequente necessidade da separação política de Portugal. Na verdade, a crise da relação colonial entre o Brasil e Portugal era naquele momento o ponto mais agudo da crise do antigo colonialismo, o colonialismo mercantilista, surgido ainda dentro dos marcos do feudalismo europeu, com predominância do capital comercial e tendo como potências dominantes os dois países ibéricos. A transição do feudalismo para o capitalismo, com a passagem para a hegemonia do capital manufatureiro-industrial, tendo como potências a Inglaterra e depois a França, implicava, naquele momento, no rompimento dos obstáculos ao livre-comércio, para que a indústria pudesse, em sua fase de ascensão, expandir seu mercado e suprir-se de matérias-primas.

O programa dos inconfidentes expressava, então, fundamentalmente, a falência do sistema colonial de então, baseado na escravidão, na exportação de matérias-primas e produtos agrícolas, e na importação de mercadorias manufaturadas sob o monopólio dos atravessadores das antigas e decadentes potências coloniais.

Era, portanto, o programa para a construção de um país livre, soberano e desenvolvido, num mundo em que o estado anterior de coisas já entrara em bancarrota.

O BRASIL

A economia baseada na mineração, ao mesmo tempo em que integrava o país – e na medida em que o fazia – tinha mudado a estrutura e a face social do país, sobretudo em seu núcleo, Minas Gerais.

Ao contrário da economia açucareira-exportadora, cujas características exigiam a posse de grandes recursos, grandes parcelas de terra e grande quantidade de escravos, a mineração era acessível a pessoas de pequenas posses, que possuíam, às vezes, um único escravo, ou mesmo trabalhavam diretamente na pesquisa e lavra de ouro e diamantes.

A população do Brasil era, sem contar os indígenas – mas incluídos os escravos – cerca de 300 mil pessoas em 1700. Em 1800, havia saltado para 3 milhões e 250 mil pessoas. A imigração portuguesa, de 30 mil pessoas no primeiro século, e sem significação no século seguinte, aumentou tanto que a Coroa teve de proibi-la, sob o risco, bastante concreto, de despovoamento da pequena e atrasada metrópole.

Surgiu, então, na colônia, com a criação e expansão do mercado interno, uma classe de comerciantes. Esse mercado interno estimulou o início da indústria têxtil e da produção de ferro, severamente reprimidas pela Coroa portuguesa em prol do monopólio das mercadorias inglesas – principalmente tecidos – com o comércio lusitano de intermediário. Mas a própria sucessão quase infinita de decretos da rainha proibindo a existência de manufaturas no Brasil, é a prova do fracasso dessa repressão.

Nem mesmo – o que tem importância decisiva para o programa dos Inconfidentes – a situação dos escravos permaneceu inalterada. A mineração lhes permitiu uma liberdade muito maior do que na atividade açucareira e, em muitos casos, lhes possibilitou a alforria. Aumentaram, portanto, o número de negros livres, que mostraram uma rara capacidade empreendedora.

O LEGADO

A História do Brasil, nos dois séculos subseqüentes, confirmaria a visão, a luta e o programa de Tiradentes e seus companheiros. Com uma precisão impressionante, todas as maiores e mais fundamentais conquistas do povo brasileiro nos 160 anos que se seguiram, foram a realização do que eles preconizaram como as principais tarefas da sua revolução.

Apenas 30 anos após o martírio de Tiradentes, o primeiro ponto do seu programa foi conquistado: a Independência; antes do fim do mesmo século, a Abolição da escravatura e a República; e, em 1930, Getúlio daria partida à industrialização e instituiria o ensino público.

Se algum problema havia no programa dos Inconfidentes, poderia ser o de estar muito à frente de sua própria época, ao condensar, numa só, todas as estações de uma via que o Brasil levaria mais de um século e meio para percorrer. Mas estar à frente de sua época implica, sobretudo, em ter uma visão precisa não somente da realidade, mas do potencial que ela encerra. E Tiradentes a teve.

A possibilidade de vitória da revolução no campo político-militar, em fins do século XVIII, não estava afastada, diante da situação revolucionária aberta pela decadência e servilismo da metrópole, com o aumento da espoliação sobre o Brasil, tendo como pano de fundo a profunda crise mundial do colonialismo feudal. Nunca tinha sido tão clara na consciência dos brasileiros o entrave constituído pela nossa situação de colônia de um país atrasado, ele mesmo vassalo de outro.

No mais, existiam as condições materiais para a realização do programa revolucionário de Tiradentes: na mesma época, as 13 colônias inglesas do norte da América – muito menos dotadas de recursos naturais, território e população – já haviam empreendido a sua revolução nacional, proclamando sua independência da Inglaterra. É significativo, no entanto, que no programa dos revolucionários norte-americanos não constasse, ao contrário daquele dos inconfidentes, a abolição da escravatura.

O programa da revolução de Tiradentes expressava tanto a necessidade de resolver a contradição principal daquele momento – a existente entre o Brasil e o bloqueio constituído por um domínio colonial caduco – como também a necessidade de resolver a contradição fundamental – do Brasil em relação à qualquer dependência – construindo um país livre, soberano, independente, desenvolvido e próspero econômica, social, política e culturalmente – enfim, uma grande Nação. O programa de Tiradentes estabeleceu, pela primeira vez, os objetivos estratégicos da revolução nacional brasileira. Não por acaso, os dois séculos posteriores, vistos em retrospecto, parecem um desdobramento e uma realização do seu programa revolucionário.
Hora d do Povo

Rizzolo: Ótimo texto de Carlos Lopes do jornal Hora do Povo, uma homenagem a Tiradentes.

Dilma: ‘Eu não sou Pitta e Lula não é Maluf’

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta terça-feira, 20, que ela “não é o Pitta e o Lula não é o Maluf”, em resposta à comparação feita pelo pré-candidato do PSDB, José Serra, na semana passada. A ex-ministra, em entrevista concedida para a Rádio Jornal, de Recife, disse que o tucano “muda de posição dependendo da plateia” e defendeu os feitos do governo Lula.

“Eu não sou o Pitta e Lula não é o Maluf”, afirmou Dilma, ao ser questionada sobre a comparação lançada por Serra. A ex-ministra, que já havia adotado um tom mais agressivo ao comparar o tucano a uma “biruta de aeroporto”, voltou a carga e criticou o ex-governador de São Paulo.

Dilma disse que achou “muito estranho” os elogios da oposição ao governo. Segundo a petista, ouvir elogios foi surpreendente “após oito anos de críticas contundentes” da oposição.

A ex-ministra também explicou a declaração sobre Serra parecer uma “biruta de aeroporto”, e disse ter feito o comentário porque considerou que o tucano “muda de posição dependendo da plateia” e isso é “típico de uma biruta de aeroporto”. “Ela age com o vento, se muda pro lado, ela vai”, disse Dilma.

A ex-ministra disse que não se esquecerá de que a oposição chamou “o bolsa família de bolsa esmola”. Para ela, os adversários do governo não percebem que o programa de transferência de renda é “uma das nossas maiores armas na luta contra a miséria”.

MST

Questionada sobre como irá se relacionar com o MST e os movimentos agrários após uma eventual vitória nas eleições, Dilma disse que não considera “cabível” vestir o boné do movimento, como fez o presidente Lula em diversas ocasiões, porque “governo é governo e movimento é movimento”. No entanto, a ex-ministra afirmou ser contra a repressão aos movimentos sociais quando estes fazem “manifestações pacíficas”.
agência estado

Rizzolo: Não resta a menor dúvida que Serra quis desqualificar o governo Lula e a pré candidata Dilma Rousseff quando fez tal comparação. Apenas analisando a afirmação de Serra, tal atitude denota o que eu venho há muito dizendo: falta total de discurso. Mesmo o fato de agora a oposição decidir elogiar o Bolsa Família, quando durante anos criticava o programa duramente, denuncia o óbvio: total falta de discurso. Até entendo a situação política da oposição ao ter que enfrentar um governo com 70% de popularidade, contudo não deixa de ter seu lado cômico.

Garcia diz que apagão foi ‘acidente’ e critica oposição

BRASÍLIA – O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, rebateu hoje críticas da oposição no episódio do apagão ocorrido na noite de ontem e na madrugada de hoje, que atingiu 18 Estados brasileiros. À imprensa, Garcia afirmou que o ocorrido foi um “acidente” e espera que a oposição explore o assunto eleitoralmente. “É exatamente o que eu quero. Não quero outra coisa”, afirmou.

“Nosso telhado é muito forte e o deles já não é mais de vidro, porque quebrou em grande parte”, disse ele, ao se referir ao racionamento de energia de 2001 e aos apagões que ocorreram durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. Ele insistiu que a imagem da candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a eleição de 2010, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, não sairá arranhada desse episódio, que foi provocado por um “acidente”.
agencia estado

Rizzolo: Fazer de um acidente, matéria-prima para legitimar um discurso oposicionista, é mais do que uma pobreza de argumentos, é demonstrar que a forma em que esta oposição se encontra é desesperadora. Fato público e notório é que na época de FHC sim, o que se havia eram verdadeiros apagões, racionamento de energia, despreparo técnico – operacional, porém o que vemos hoje é apenas um “apaguinho” sem causa concreta. Construir um debate oposicionista em cima de uma circunstância acidental, é o clamor dos desesperados na busca de uma bandeira, nem que ela seja fruto de um acaso.

É grave estado de saúde de menina baleada junto com a mãe em favela

É grave o estado de saúde da menina de 11 meses, que foi baleada junto com sua mãe na Favela Kelsons, na Penha, no subúrbio do Rio.

A mãe não resistiu e morreu no hospital. Segundo a Secretaria estadual de Saúde, o estado de saúde da criança é grave, mas estável. Ela foi operada ainda no domingo (25) e encontra-se internada no pós-operatório do Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

O corpo de Ana Cristina será enterrado no Cemitério de Irajá às 16h desta segunda-feira.

O crime aconteceu quando Ana Cristina Costa do Nascimento, de 24 anos, e mais seis pessoas – entre elas, o marido e mais dois filhos – passavam pela Rua Marcílio Dias, em direção à Avenida Brasil e vários disparos foram feitos na noite de domingo. Um dos tiros atravessou as costas da dona de casa saindo pelo peito e atingindo o braço do bebê, que estava no colo da mãe. De acordo com parentes das vítimas, por volta das 22h de domingo (25), a vítima, que morava em Vista Alegre, no subúrbio, saía da favela com a família. Segundo eles, ela tinha ido visitar a irmã, que mora na Favela Kelsons, e seguia para um ponto de ônibus na Avenida Brasil, quando policiais em quatro patrulhas do 16º BPM (Olaria), entraram atirando na favela.

Policiais do 16º BPM informaram que ao patrulhar a região uma Blazer do batalhão foi atacada por traficantes. A assessoria da PM informou, na manhã desta segunda-feira (26), que os policiais não revidaram, porque havia muitos pedestres na rua, no momento. A PM lamentou a morte da vítima e afirmou que vai colaborar com a apuração dos fatos, entregando as armas dos policiais para a perícia.

Parentes contaram que Ana Cristina tinha ido à casa da irmã para organizar a festa de 1 ano da filha, no mês que vem. A dona de casa deixa dois outros filhos de 6 e 3 anos, respectivamente.

Eles informaram ainda que outras pessoas do grupo não foram atingidas pelas balas porque conseguiram se jogar no chão, no momento dos disparos.

globo

Rizzolo: Mais uma vez a população pobre da comunidade é vítima da violência. Como já afirmei em outros comentários, na realidade isso tudo é fruto de anos de abandono do poder público. Só com um investimento maciço na educação, na inclusão social, poderemos a longo prazo, fazer com que partes dos jovens do morro, que hoje atuam na marginalidade, tenham a opção pela cidadania. Repressão a violência e livros, educação, religião, princípios, e acima de tudo vida digna a todos, através dos programas de inclusão social são os caminhos.Tenho pena dos pobres moradores do morro nesso momento tão triste.

Publicado em Ana Cristina Costa do Nascimento, ataques, É grave estado de saúde de menina baleada, últimas notícias, Brasil, Cezar Britto, complexo do alemão, cotidiano, crime organizado, Dilma Rousseff, economia, favelas, Força Nacional, geral, Gilmar Mendes, helicóptero, José Mariano Beltrami, Manguinhos e do Jacarezinho, menina baleada na Favela Kelsons, Morro do Sampaio, morro dos Macacos, mundo, News, notícias, OAB, OAB/RJ, Pavão-Pavãozinho e Manguinhos, polícia, Política, Principal, revista The Economist, Rio, rio de janeiro, Rocinha, Sérgio Cabral, tiroteio, tráfico, Vila Olímpica do Sampaio, violência. Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Leave a Comment »

Competição no mercado de drogas alimenta violência no Rio, diz ‘Economist’

Uma reportagem publicada na revista britânica The Economist afirma que a violência nos morros do Rio de Janeiro é alimentada por uma competição singular no mercado de drogas, que impõe uma série de dificuldades financeiras às gangues do tráfico e as leva a uma disputa feroz por espaços.

No artigo, a revista que chegou às bancas nesta sexta-feira questiona por que a cidade testemunha episódios de violência similares à briga entre facções que ocorreu no último fim de semana e cujos desdobramentos já deixaram mais de 30 mortos.

“Se as pesquisas sobre o uso de drogas forem confiáveis, o consumo per capita de cocaína, crack e maconha fica perto da média quando comparada com outras capitais de Estado”, é o pressuposto inicial da revista. “Então por que a cidade que acabou de levar a indicação para as Olimpíadas de 2016 é tão inclinada a ataques repentinos de violência por causa da droga?”

A primeira razão, diz a reportagem, é que “a cidade é marcada por uma história de governos ruins”. “Erros passados incluem acomodar interesses de facções de traficantes na esperança de mantê-los pacificados.”

Outro motivo seria a polícia carioca. “Algumas das armas usadas pelos traficantes são vendidas a eles pela polícia, e os policiais ainda praticam demasiadas execuções sumárias em vez de se dar ao trabalho de processar os suspeitos, fazendo com que os moradores das favelas os vejam como uma fonte de injustiça tanto quanto os traficantes.”

A terceira razão, que a Economist analisa com mais detalhes, é o fato de existirem na cidade três gangues rivais que disputam o mesmo mercado consumidor, enquanto outras capitais têm apenas um grupo dominante. “Um estudo do governo estadual sugere que, por conta dessa competição, longe de viver como personagens de um vídeo de hip-hop da MTV, os traficantes do Rio estão operando ‘perto do zero a zero’.”

Sobre um faturamento anual de cerca de R$ 316 milhões, as gangues lucram cerca de R$ 27 milhões, diz a revista, citando o estudo. Grande parte dos recursos é destinada à compra de armas, pagamento de pessoal e vendedores de drogas.

A estrutura de salário é “surpreendentemente linear” – ou “uma exceção ao quadro nacional de distribuição desigual de renda”, nas palavras da Economist – e as gangues já embarcaram em atividades paralelas, como o fornecimento ilegal de eletricidade, em busca de outras fontes de renda.

“Antes da violência recente, alguns analistas haviam sugerido que as dificuldades financeiras estavam levando as gangues a cooperar em algumas operações”, diz a revista. “Mas a resposta mais comum a esta situação é invadir o terreno do vizinho.”
BBC

Rizzolo: A análise pode estar correta, contudo o pensar como podemos solucionar essa questão é que esbarra no fator tempo. Não há dúvida que uma vez o problema da violência instalado quer por motivo das drogas, ou brigas de facções, a solução se dará através de um programa a médio e longo prazo, e o foco principal é a educação na infância desta nova geração. O binômio repressão e educação são a chave para no que futuro, pautada através dos programas de inclusão, as comunidades carentes se tornem libertadas da marginalidade, que hoje representa o Estado omisso. Culpar a população dos morros, os pobres, no seu velado apoio aos traficantes, e ser conivente com décadas de um Estado perverso e omisso onde os interesses políticos habitavam apenas o poder, esquecendo o mais essencial que era o devido olhar aos pobres e necessitados dos morros.

“No Brasil, Jesus teria que se aliar a Judas”, diz Lula em entrevista

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, que até “Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão” se fosse eleito para governar o Brasil. Durante a entrevista, Lula falou também sobre sua candidata, a ministra Dilma Rousseff, e sobre as eleições de 2010.

Dilma Rousseff

Quando questionado sobre a razão de ter escolhido Dilma para candidata, Lula elogiou Dilma, dizendo que ela “é a mais competente gerente que o Estado já teve”.

O presidente negou que uma possível eleição de Dilma equivaleria a um terceiro mandato seu. “A Dilma no governo tem de criar a cara dela, o estilo dela, o jeito dela de governar”, afirmou.

Coalizão

Sobre afirmação de Ciro Gomes, que disse que Lula e Fernando Henrique Cardoso foram tolerantes com o patrimonialismo para fazer aliança no Congresso, o presidente afirmou que “qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste País ou o maior direitista, não conseguirá montar o governo fora da realidade política. Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.

Apesar de defender uma coalizão de partidos, Lula justificou na entrevista o fato de sua candidata ser petista. “Seria inexplicável para grande parte da sociedade o maior partido de esquerda do País, que tem o presidente, não ter um sucessor”.

O presidente negou que, diante da possibilidade de Ciro seguir emparelhado ou à frente de Dilma em março, poderia tentar convencê-lo a desistir da Presidência e concorrer em São Paulo. “Sou o único que não tem autoridade moral para pedir para alguém não ser candidato. Fui candidato a vida inteira. Só cheguei à Presidência porque teimei”, disse.

Viagens

Sobre o fato de o presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes, ter classificado de vale-tudo as viagens que viram comícios, Lula disse que ninguém pode ser contra a Dilma ir às obras com ele. “Se for candidata, a lei determina que tem prazo em que não poderá mais ir. Até lá, ela é governo”.

Crise no Senado

Durante a entrevista ao jornal, Lula reafirmou seu apoio ao presidente do Senado José Sarney. “Não entendi por que os mesmos que elegeram Sarney, um mês depois, queriam derrubá-lo. Coincidentemente, o vice não era uma pessoa [Marconi Perillo, do PSDB de Goiás] que a gente possa dizer que dá mais garantia ao Estado brasileiro do que o Sarney. A manutenção do Sarney era questão de segurança institucional”.

Sobre sua afirmação de que “Sarney não poderia ser tratado como um cidadão comum”, o petista afirmou que “é verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante não permitir a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas. Sarney foi presidente. Os ex-presidentes precisam ser respeitados, porque foram instituições. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente”.

Polêmica

A reportagem da “Folha” questionou também sobre a proximidade de Lula com políticos envolvidos em escândalos. “O sr. apoiou Sarney, reatou com Collor, é amigo de Renan Calheiros, de Jader Barbalho e recebeu Delúbio Soares recentemente na Granja do Torto. Todos são acusados de práticas atrasadas na política e até de corrupção. Ao se aproximar dessas figuras, não transmite ideia de tolerância com desvios éticos?”

“O dia em que você for acusado, justa ou injustamente, enquanto não for julgado, terá de ser tratado como cidadão normal. Não tenho relações de amizade, mas institucionais”, respondeu o presidente.

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Rizzolo: Com essas e aquelas o presidente Lula magoa uns e agrada outros, mas na totalidade ainda é o presidente mais popular do Brasil. Entendo que muito do que Lula fala, são expressões do povo, populares, corriqueiras, e que na verdade na concepção simplista de quem fala não há maldade embotada. A forma, a dialética usada, muitas vezes choca segmentos da sociedade, mas o importante não são as elucubrações populares cacheadas com jargões do povo, e sim o fato de que com isso ele está conseguindo levar o Brasil de forma muito boa, o resto é perfumaria, e discurso da oposição.

Sobe para 29 o número de mortos na guerra do tráfico no Rio

A guerra do tráfico nas favelas da Zona Norte do Rio já soma 29 mortos desde a madrugada de sábado (17). Na madrugada desta quarta-feira (21), mais três criminosos, segundo a Polícia Militar, foram mortos em confronto, no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, no subúrbio do Rio.

Depois de uma noite de medo nas imediações do Morro São João, no Engenho Novo, no subúrbio, quando surgiram boatos de que a comunidade seria invadida, o ambiente é de aparente tranquilidade na manhã desta quarta-feira. O mesmo acontece nas imediações do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte, onde o movimento de moradores e do comércio é normal.

A polícia informou que com os criminosos foram apreendidas três pistolas, 133 papelotes de cocaína, 51 trouxinhas de maconha e 97 pedras de crack.

Segundo informações do 9º BPM (Rocha Miranda), que desde terça-feira reforça o policiamento nos acessos ao Juramento, eles chegaram a ser levados para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no subúrbio. Mas segundo o hospital eles já teriam chegado mortos à unidade. O caso foi registrado na 22ª DP (Penha).

No início da noite de terça-feira (20), policiais do 1º BPM (Estácio), que reforçavam o patrulhamento nos morros do Fallet e do Fogueteiro, no Rio Comprido, na Zona Norte, estavam deixando a região quando começou um confronto. Um homem, que segundo a polícia seria traficante, foi morto. A polícia apreendeu uma metralhadora, uma pistola, um carregador, munição e um carregador.

Noite de medo

Moradores dos morros São João, Quieto e Matriz, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixaram as suas casas por volta das 21h desta terça-feira (20) com medo. Alguns deles contaram ter ouvido supostos traficantes dizendo que estavam no Morro São João e que iriam matar os moradores. Várias pessoas ocuparam as ruas da região.

Logo após as denúncias de moradores de que o morro poderia ser invadido, policiais militares do 3º BPM (Méier) e de outras unidades foram acionadas para o local. Segundo o comandante do 3º BPM, tenente-coronel Álvaro Moura, os policiais foram checar as informações e não encontraram qualquer indício de invasão ou confronto entre traficantes. O coronel Álvaro Moura afirmou que nenhum tiro foi disparado na região.

A polícia continua à procura do traficante Fabiano Atanásio da Silva, o FB, que segundo investigações, seria suspeito de chefiar a invasão ao Morro dos Macacos.

globo

Rizzolo: O grande problema desse confronto, é o clima de instabilidade social e emocional dos moradores das comunidades. A repressão é necessária para manter a ordem, porém as medidas de real impacto não estão a curto prazo. A vascularização da inclusão social, o preparo educacional das crianças e jovens do morro antes que decidam pelo crime, é algo a ser construído através de políticas sérias, investimentos, e determinação do poder público. Os pobres dos morros, das comunidades da periferia foram abandonados durante décadas, sempre foram vistos como marginais, excluídos do desenvolvimento; agora, muito embora o governo tenha avançado na inclusão, precisamos se voltar para os programas que visem a segurança pública juntamente com a educação aos jovens, para salvá-los do mau caminho.