Um Discurso Semelhante

Nos anos 70, a imprensa conservadora insistia no argumento de que o regime militar era ideologicamente de viés estatizante. Ainda lembro quando, certa vez, comprei um Jornal da Tarde cujo título afirmava em tom de crítica que o Brasil era praticamente um país socialista em função do grande número de estatais. Com efeito, já havia na época, por parte dos meios de comunicação e do pensamento liberal, sinais de que algo precisava ser feito para promover uma guinada privatista.

Na verdade, o Estado como indutor do desenvolvimento compunha o pensamento do regime da época e era bem-visto por grande parte da população, até porque foi matéria-prima do “milagre brasileiro”. Portanto, a grande discussão em si entre a esquerda e a direita era, naquele momento, a volta do regime democrático e a serviço de quem o Estado se prestava na época. Com a redemocratização do país, os governos Collor, Itamar e FHC promoveram a construção de um novo consenso contra o viés estatal e a favor do mercado e da privatização. Assim, no decorrer dos anos 90, o consenso nacional foi se tornando conservador, apregoando de forma incisiva uma política baseada no Estado mínimo.

Talvez a grande inovação deste ano eleitoral de 2010 seja nos depararmos com dois candidatos que, em sua origem ideológica, sempre souberam do devido papel do Estado como indutor do desenvolvimento. No amadurecimento de suas ideias, souberam considerar o papel restritivo da participação do Estado, dando lugar, em vários segmentos, à iniciativa privada – ou seja, tanto o eventual candidato José Serra quanto a candidata Dilma Rousseff possuem história de militância na esquerda, mas com visão atual e de vanguarda na real dimensão do papel do Estado no cenário econômico.

Com base nisso, poderemos observar discursos semelhantes entre os candidatos e propostas afirmativas de cunho social, da participação de um Estado mais forte, que visam à continuidade do governo do atual presidente – políticas que emprestaram imensa popularidade a Lula. Talvez agora ambos candidatos, num revisionismo ponderado das vertentes socialistas de outrora, possam considerar de forma sensata os caminhos reais da inclusão social e do verdadeiro papel de um Estado saudável.

Fernando Rizzolo

Segundo Datafolha, Serra abre 9 pontos sobre Dilma

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 27, mostra o pré-candidato do PSDB à presidência, o governador de São Paulo, José Serra, nove pontos à frente da pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff. Segundo o levantamento, realizado nos dias 25 e 26 de março, o tucano tem 36% das intenções de voto, enquanto a petista aparece com 27%. Há um mês, eles tinham 32% e 28%, respectivamente, no mesmo cenário.

O deputado federal Ciro Gomes (CE), pré-candidato do PSB, ficou com 11%, de 12% na pesquisa de fevereiro, e a pré-candidata do PV, senadora Marina Silva (AC) permaneceu estacionada com 8%. Dos 4.158 brasileiros com mais de 16 anos entrevistados, 7% disseram que vão votar branco, nulo ou estão indecisos e 11% não souberam responder.

No cenário de segundo turno, numa eventual disputa entre Serra e Dilma, o tucano também venceria por uma diferença de nove pontos. Serra aparece com 48%, contra 39% de Dilma. Em fevereiro, os porcentuais eram de 45% e 41%, respectivamente.

De acordo com o Datafolha, o pré-candidato Ciro Gomes registrou o maior índice de rejeição entre os presidenciáveis neste mês, com 26%, seguido por Serra, com 25%. Dilma aparece na sequência, com 23%, e Marina Silva tem 22%. Em fevereiro, Serra liderava as rejeições, com 26%, enquanto Dilma e Ciro tinham 23% e 21%, respectivamente. A pré-candidata do PV tinha 19% de rejeição no mês passado.

O levantamento tem margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa Datafolha foi registrada sob o número 6617/2010.

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Rizzolo: Bem ainda é muito cedo para avaliações, contudo apenas uma observção, o Instituto do Datafolha, é uma empresa integrante do Grupo Folha de São Paulo, jornal que faz campanha abertamente para o tucano José Serra. Agora vamos aguardar o início da campanha e realmente reavaliar o desempenho dos candidatos. Temos que avaliar todas as pesquisas mesmo as mais suspeitas.

Decisão de Aécio não deve afetar Dilma, diz Lula

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar que a decisão do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, de desistir de disputar a pré-candidatura à Presidência da República pelo PSDB, não deve afetar a possível candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O presidente deu a declaração na manhã de hoje, em Brasília, durante café da manhã com jornalistas no Centro Cultural Banco do Brasil.

Lula, porém, quer entender a intenção do governador mineiro. Para o presidente, a decisão de Aécio foi uma resposta ao PSDB. Lula anunciou que na quarta-feira estará com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), com quem discutirá esse assunto e, após as festas de final de ano, pretende se encontrar com Aécio para saber se a decisão é definitiva ou não.
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Rizzolo: A idéia de Aécio é polarizar cada vez mais a eleição, e fazendo isso está sim benefiando a Dilma Roussef, pois colocará o antigo governo PSDB e o atual governo petista. A formalização dessa polaridade interessa muito mais ao governo do que à oposição. Isso é fato.

Dilma está disposta a ir ao Congresso explicar blecaute

BRASÍLIA – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo, 22, que está disposta, “se for do interesse do governo e do Parlamento”, a comparecer ao Congresso para prestar os esclarecimentos sobre o blecaute ocorrido há duas semanas em 18 Estados. A oposição na Câmara e no Senado quer o comparecimento da ministra sob o argumento de que Dilma Rousseff é a responsável pelo atual marco regulatório do setor elétrico.

Acompanhada do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra esteve, pela manhã, na sede do Diretório Nacional do PT, em Brasília, para votar na eleição do novo comando do partido. Perguntada sobre o assunto pelos jornalistas, ela não poupou o PSDB e o Democratas (DEM). Dilma Rousseff acusou a oposição de ter “memória curta” e qualificou de exagero querer comparar um blecaute de cinco horas com o racionamento de energia no governo Fernando Henrique Cardoso de “cinco anos e 11 meses”.

Ao tratar dos dois episódios, a ministra recorreu até mesmo a uma comparação entre as festas de Natal durante o apagão no governo anterior e as que acontecerão neste ano. “Sabe aquela árvore de Natal que tem na Lagoa Rodrigo de Freitas na cidade do Rio de Janeiro? Sabe aquela outra que tem no Parque Ibirapuera na cidade de São Paulo? Sabe aquela outra que tem ali no Rio Grande do Sul? Ou em Natal ou em qualquer outro Estado? A hipótese de você ter árvore de Natal em 2001 e 2002 era zero, porque não tinha energia. Hoje nós temos árvore de Natal”, disse. As informações são da Agência Brasil.

Rizzolo: Transformar um problema técnico em um ganho essencialmente político denota por parte da oposição o vazio do discurso. Hoje no Brasil a oposição se agarram em qualquer situação que possivelmente se obtenha um ganho secundário. Vale tudo nesse jogo. Entendo que já ficou definitivamente comprovado que o apagão foi um problema ocasional e não uma questão de incompetência de gerenciamento que assim quer insinuar aqueles que vibraram com a escuridão

Crítica a viagens é preconceito contra mulher, diz Dilma

SÃO PAULO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, rebateu neste domingo, 25, as acusações de que estaria antecipando a campanha eleitoral de 2010. A petista, que há algumas semanas iniciou uma maratona de viagens ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparou-se a uma dona de casa para devolver as críticas. “É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?”, indagou.

Em um sinal de que trabalha para se aproximar do eleitorado tradicional de Lula, Dilma esteve hoje em São Paulo para um colóquio do PT com movimentos sociais. Questionada pelos jornalistas, a ministra destacou que coordena vários projetos do governo e que não vê sentido na tese de que não deveria rodar o País para as inaugurações. “Eu não caí do céu e apareci na Casa Civil. Estou lá desde julho de 2005”, continuou.

Dilma evitou mais uma vez se colocar abertamente como candidata. Não se aprofundou, por exemplo, ao comentar a tese de que teria se decidido a permanecer no cargo até o final do prazo legal. “A impressão que tenho é que essa é uma discussão que está antecipadíssma.” Dilma, que na avaliação da cúpula petista deveria sair do posto em fevereiro, disse que não discutiu o assunto com o PT, nem com o governo.

A ministra aproveitou para elogiar o acordo entre PT e PMDB pavimentando a aliança para o ano que vem. “Quanto mais cedo os partidos conseguirem fazer acordos de maneira programada, melhor para o País”, afirmou a ministra, que em seguida passou a palavra ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Na mesma linha, ele procurou negar que a negociação antecipe o início da campanha. “Não é ninguém tentando antecipar nada, é simplesmente um protocolo, com termos claros, divulgado para toda a opinião publica.”

MST

Tanto Dilma quanto Berzoini empenharam-se em afastar as tensões com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Num esforço para defender o governo de críticas sobre a condução da reforma agrária, a ministra disse que a administração de Lula desapropriou 43 milhões de hectares de 2003 a 2008. “Os movimentos sociais e a população vão saber, na hora importante, na hora H, quem está a favor deles e quem não está”, argumentou.

Berzoini, por sua vez, condenou a CPI do MST. “A gente sabe que a CPI quase sempre CPI vira um palco de disputa política em ano pré-eleitoral, nesse caso com vistas à eleição de 2010.”
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Rizzolo: Não há como Dilma não acompanhar as obras, inaugurá-las, e ter contato com o povo. É claro que tudo isso empresta visibilidade, e por conseqüência popularidade visando 2010. Eu não diria que as críticas em relação as viagens é um tipo de preconceito contra a mulher, é na verdade o inconformismo daqueles que não aceitam a essência dos programas sociais, e demonstram receio de que um governo voltado para o social seja imbatível nas urnas, portanto, como forma de não associá-los a Dilma, passam a criticá-la para que com isso ganhem oxigênio eleitoral. Preconceito não receio puro.

Dilma tenta reafirmar ‘mineiridade’ em visita a Belo Horizonte

BELO HORIZONTE – Depois de construir a maior parte de sua carreira no Rio Grande do Sul, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tentou reafirmar sua “mineiridade” durante evento de assinatura de contratos do programa Minha Casa, Minha Vida na Prefeitura de Belo Horizonte nesta quarta-feira.

Pré-candidata pelo PT à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma destacou vários programas e obras do governo petista e ressaltou que é natural de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.

“Estivemos há pouco naquela cidade de Ouro Perto. A nossa cidade de Ouro Preto. E nós, mineiros, aprendemos a nos orgulhar dela assim que abrimos os olhos”, disse ela, referindo-se ao município onde, pouco antes, havia inaugurado ao lado de Lula o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das cidades históricas.

Dilma nasceu em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e estudou em Belo Horizonte até ser expulsa da Faculdade de Economia por causa da militância política na época da ditadura militar.

“É uma grande alegria para nós estarmos aqui em Minas Gerais”, acrescentou Dilma em discurso a centenas de políticos e líderes de entidades sociais e organizações não governamentais do estado.

A ministra estava acompanhada pelo chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, pelo ministro do Desenvolvimento e Combate à Fome, Patrus Ananias, e pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, –todos mineiros–, além do ministro das Cidades, Márcio Fortes, que ressaltou ser filho de cidadão de Minas Gerais.
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Rizzolo: Por mais que a imprensa e a oposição tentem desqualificar a ministra Dilma, chamando-a de ” gerentona”, e outros nomes , quer ela agora desqualifica-la em relação ao Estado de seu nascimento, Minas Gerais. Entendo que tudo é válido na oposição, agora insinuar como que Dilma age como uma ” mineira de última hora” não é elegante, e denota falta de argumentação política. Sinceramente entendi que a notícia esbarra na agressividade gratuita. Não gostei, pura deselegância jornalistica.

Dilma: ‘Estou pronta para o que der e vier’

BRASÍLIA – A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou hoje que está “pronta” para a disputa presidencial de 2010. Em entrevista para comentar o anúncio feito pelos seus médicos de que está curada do câncer, ela não deixou sem respostas perguntas sobre a campanha eleitoral. “Estou pronta para o que der e vier”, disse. Na entrevista, Dilma agradeceu o trabalho da sua equipe médica e a solidariedade de pessoas comuns durante o processo de tratamento da doença.

A uma pergunta se agora ela estava em condições de assumir compromissos com o PT e a sua candidatura à Presidência lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo País, Dilma respondeu: “eles (médicos) disseram para mim: você tem condições totais agora, sem nenhum cuidado diferente do que qualquer outra pessoa tem que ter consigo mesma, de exercer todas as atividades que você vinha exercendo antes”, afirmou. “Fico muito feliz porque agora não tenho que tomar remédio e é interessante: eu recuperei a minha energia e acho que está na minha cara”, afirmou.

Dilma, que participou da posse de Alexandre Padilha no cargo de ministro de Relações Institucionais, disse que o tratamento contra o câncer deu a ela uma experiência pessoal e de conhecimento da realidade das pessoas que fazem quimioterapia. Ela disse que a partir de agora atuará junto com o Ministério da Saúde para garantir o melhor tratamento para as pessoas. “Terei o máximo de interesse nesta questão de saúde pública”, afirmou. Dilma ainda disse que na vida sempre é possível tirar algo de bom, mesmo em caso de doença. “O que tirei de bom foi dar mais valor à vida. Passei a dar mais valor às coisas simples, como a luz de Brasília”, afirmou. Dilma disse ainda que vai trabalhar para combater o preconceito sofrido pelas pessoas que têm câncer.
agencia estado

Rizzolo: Dilma é uma boa pessoa. Sofreu a angústia de ter um câncer e ao que parece o superou. Aqueles que falam do seu jeito, a chamam de ” gerentona”, não sabem que as pessoas se amoldam. Lula se amoldou ao ” Lula paz e amor”, com o simples intuito de ser “mais simpático”, mais palatável. O mesmo ocorrerá com Dilma que ainda está iniciando sua corrida à presidência, fato este que ela mesma ainda não declarou publicamente. Pouco importa ao povo brasileiro o ” jeito” de candidato, o importante é que ele de continuidade aos programas de inclusão, pense nos pobres, nos necessitados, e que não privilegie o capital especulativo. Parabéns e saúde a Dilma Rousseff!