Obama: Ahmadinejad deveria visitar campo de concentração

DRESDEN, Alemanha – O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, 5, que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que esta semana voltou a qualificar ao Holocausto como um grande engano, deveria visitar Buchenwald, um campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial. Em uma entrevista na Alemanha ao programa NBC News, ele foi perguntado sobre o que o líder iraniano poderia aprender no lugar. “Ele deveria fazer sua própria visita’, disse. ‘Não tenho paciência com as pessoas que negam a história. E a história do Holocausto não é algo especulativo’.

Obama destacou que seu tio-avô ajudou a liberar o campo de concentração de Buchenwald durante a Segunda Guerra. O lugar, a leste da Alemanha, foi criado pelos nazistas e se estima que 56 mil pessoas, em sua maioria judeus, tenham sido mortas ali.

Obrigação de impedir novos genocídios

Em entrevista coletiva conjunta com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Dresden, Alemanhã, Obama afirmou que a comunidade internacional tem a obrigação de impedir os genocídios, por mais inconveniente que seja tentar. Segundo ele, “é preciso atuar quando houver” esses casos.

O presidente americano, que esta tarde visitará o campo de concentração de Buchenwald, tinha sido perguntado sobre como se pode aplicar o lema “Nunca Mais” referente ao Holocausto aos eventos na região de Darfur, no Sudão, ou no norte do Sri Lanka.

Obama afirmou que seu Governo colabora ativamente para evitar o genocídio no Sudão, onde o presidente Omar Hassan al-Bashir expulsou as organizações humanitárias, e ele mesmo falou sobre a situação em Darfur na quinta-feira com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, que conta com “sólidos laços diplomáticos” no país vizinho.

O presidente americano se encontra na Alemanha dentro de uma viagem pelo Oriente Médio e pela Europa que já o levou à Arábia Saudita e ao Egito. Amanhã, ele viaja para a França. Obama concluirá sua estadia na Alemanha com uma visita à base militar de Landstuhl, onde cumprimentará as tropas americanas no local e percorrerá o hospital onde são atendidos os feridos nas guerras do Iraque e do Afeganistão.

(Com informações da Efe e da Reuters)
Rizzolo: Obama tem pela frente uma missão difícil: agradar árabes e judeus. Na verdade pouco há que se fazer para conter o radicalismo de ambos os lados. A postura de quem é dócil e ao mesmo tempo enérgico, não se coadunam; prova disso são as críticas dos extremistas árabes, afirmando que Obama tenta dar lição ao islamismo. Ainda vamos sentir saudade de Bush..

Obama quer petróleo de Lula, diz ‘El País’

O Brasil e os Estados Unidos estariam mantendo contatos informais com o objetivo de fechar um acordo para aumentar a exportação de petróleo e derivados brasileiros para o território americano, segundo informa, nesta segunda-feira, o jornal espanhol El País.

Segundo o diário, o governo de Barack Obama quer pôr fim à sua dependência energética da Venezuela.

“Se o pacto comercial se concretizar – algo que hoje depende unicamente do Brasil – a consequência mais direta será o deslocamento da Venezuela do mercado energético americano, onde atualmente consegue colocar entre 40% e 70% de sua produção petrolífera”, afirma o El País.

O jornal diz que recebeu de fontes diplomáticas e governamentais de Brasília a confirmação de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem interesse em aumentar a presença brasileira no mercado americano de hidrocarbonetos, “mesmo que isso implique em uma colisão frontal com os interesses venezuelanos”.

“Tudo dependerá da quantidade que petróleo que a Petrobras consiga bombear nos próximos anos dos poços perfurados nos litorais de Rio e São Paulo, assim como do marco jurídico que Washington e Brasília assinem”, diz o jornal.

Mercado interno

O El País afirma que suas fontes em Brasília insistem em que o primeiro objetivo do governo Lula com os recém-descobertos campos de pré-sal é abastecer totalmente o mercado interno e deixar de depender das importações. “Uma vez atingida esta meta, a Petrobas entrará na rinha pelos mercados mundiais de hidrocarbonetos e derivados. Por causa da proximidade geográfica e da fluidez do diálogo político que já estabeleceu com o novo presidente, os Estados Unidos se convertem no grande comprador natural do ‘ouro negro’ brasileiro.”

O jornal lembra que 11% das importações americanas de petróleo vêm da Venezuela, mas que o governo dos Estados Unidos já está “de olho” há meses nos novos campos de petróleo encontrados no Brasil, tendo, inclusive, reativado sua frota para a América do Sul e o Caribe, composta de 11 embarcações.

“Ainda que não se conheça as reservas exatas, sabe-se que o petróleo encontrado no litoral brasileiro é abundante: se forem cumpridas as previsões, o Brasil passará a ser o oitavo ou o nono produtor do planeta”, diz o diário espanhol. “A previsão é que haja petróleo para exportar não só para os Estados Unidos, como também a outros países que já se mostraram interessados, como a China e o Japão.”

Mas o El País afirma que o Brasil teria um interesse maior em vender derivados, como a gasolina, “o que é mais rentável do que a venda de barris de petróleo cru”.

“Isso explica por que Lula decidiu apostar em uma grande injeção de capital na Petrobras, para a construção de quatro novas refinarias e na ampliação de outras tantas já existentes”, diz o jornal. “O negócio já está andando.”

BBC

Rizzolo:Com o devido acerto, o presidente Lula decidiu investir maciçamente na Petrobras, independente de crise. Os EUA não gostam e não querem ficar dependentes da Venezuela e à mercê dos caprichos de Chavez que não é de confiança do ponto de vista político. Talvez a tão sonhada irmandade da América Latina, apregoada pela esquerda, ficará prejudicada quando os EUA decidirem trocar a Venezuela pelo Brasil no fornecimento de petróleo. Chavez e Lula são bons no discurso e nos abraços, agora quando se fala em dinheiro e mercado a coisa vai mudar.

‘Fome Zero made in USA’ dá US$ 6 por dia para 31 milhões

Uma notícia no diário argentino Clarín conta como vivem os 31 milhões de cidadãos americanos que recebem cupons de alimentação para viver. Um jornalista da Louisiana (o estado mais pobre do país) faz a experiência, tentando viver com US$ 6 (R$ 14) por dia. O plano de socorro de Barack Obama amplia em 13% os gastos com esses cupons, na previsão de que a crise e o desemprego aumentarão sua clientela. Veja a íntegra.

É o lado obscuro da vida em um dos países mais do mundo. Nos Estados Unidos, quem depende dos cupons de alimentação oferecidos pelo “Papai Estado” não recebe mais que um punhado de dólares. Mas a maior crise económica das últimas décadas faz o número necessitados aumentar rapidamente. Nunca houve tantos americanos vivendo desses cupons. E a tendência é aumentar.

Jornalista conta experiência em site

A lista de alimentos Sean Callebs assemelha-se à de uma dieta para emagracer. “Uma porção de cereal, uma banana, uma xícara de chá.. e faltam quatro longas horas até almoço”, ele lamenta.

Em uma experiência que tem tido grande impacto sobre a audiência, este jornalista da CNN resolveu experimentar na própria carne como se pode viver de cupons de alimentação. Ou não. Suas experiências são relatadas em um blog.

Faz um mês que ele tenta viver gastando até US$ 6 por dia. Já chegou quase no fim. Mas este repórter da Louisiana queixara-se em seu blog de permanentes ataques da fome. Poucas vezes você pode comprar frutas e legumes frescos, conta.

Fome à americana

Embora provisoriamente, Callebs experimenta a sina de um em cada dez americanos. Em setembro passado, 31 milhões de pessoas no país compravam alimentos com os cupons.

“Eles são os números mais elevados de todos os tempos”, disse Ellen Vollinger, diretor de Frac, uma organização de Washington de pressão contra a fome.

“Muitos americanos já não sabem onde arrumarão sua próxima refeição”, destaca ela. O aumento do desemprego faz com que a procura de cupons aumente constantemente, mas as carências não terminam aí: cada vez mais pessoas, mesmo tendo um emprego, dependem dos “Food Stamps”.

Muita gente tem até mais de um emprego, mas a renda não basta. “Muitas famílias pulam refeições para pagar o aluguel”, disse Ellen. “Pais deixam de comer para que fique alguma coisa para os filhos e às vezes até crianças passam fome, nos Estados Unidos. É uma vergonha.”

O estigma do cupom

Os cupons de alimentação começaram a ser distribuídos durante a 2ª Guerra Mundial. Hoje, o governo já não distribui cupons papel, mas por meio de um cartão eletrônico, que fornece em média US$ 100 por pessoa.

Desde 2008, o Ministério da Agricultura evita usar o termo cupom de alimentação. O título oficial agoora é “Programa de ajuda para suplementar a nutrição”.

Mas o plano ainda tem um estigma. “Aqueles que precisam muitas vezes se recusam a pedir ajuda”, diz a agente social Srindhi Vijaykumar, da organização DC Hunger Solutions, que promove os cupons nas ruas de Washington. É especialmente difícil chegar até os aposentados, imigrantes e famílias operárias, diz ela.

Quem usa os cupons é confrontado com algumas dificuldades no supermercado. O carentes têm em média US$ 3 por dia para fazer compras. Por isso muitas vezes são obrigados a fazer cortar alimentos.

“As pessoas só compram o que é barato, não é perecível e enche a barriga”, diz Vijaykumar. O crédito mensal normalmente é consumido em duas ou três semanas. “Muitas famílias vão então para os sopões”, disse Ellen Vollinger.

Obama aumenta verba do programa

Não poucos depositam as suas esperanças no novo governo de Barack Obama. O plano de socorro económico de US$ 787 bilhões, lançado na semana passada pelo chefe da Casa Branca, permitirá um aumento de 13% na verba para os cupons de alimentação.

No entanto, Ellen estima que a fome vai aumentar nos EUA. “Esta recessão certamente não será breve.”

A crise também atingiu duramente a classe média. De acordo com dados do Departamento do Comércio, o seu consumo caiu novamente em dezembro, pelo sexto mês consecutivo, enquanto a taxa de poupança subiu 2,9% no fim de 2008.

Annie Moncada, 63 anos, confessa que comprava coisas “desnecessárias”. Mas agora seu cupom está guardado. “Agora eu ponho na panela mais carne moída e menos bifes e também economizo mais eletricidade”, diz. Tal como ela, milhares de famílias cortam gastos, passeios, idas a restaurantes ou ao cabeleireiro. O fim da crise parece longe.

Fonte Clarin/Vermelho

Rizzolo: O início de tudo, que culminou com a crise financeira dos EUA, foi na realidade a falta de regulamentação do setor financeiro americano. A política liberal excessiva, fez dos EUA um País onde a irresponsabilidade republicana poderia ser responsabilizada pela sua omissão.

O surgimento do Estado nos momentos críticos da economia, poderia ser evitado, se na composição macroeconômica, houvesse o mínimo de intervenção do Estado e menos liberalismo ganancioso e descontrolado, expresso nos derivativos podres. Já passa de 5 milhões o número de americanos recebendo auxílio-desemprego. O número de pedidos iniciais do benefício subiu para 667 mil pessoas na última semana, o maior desde outubro de 1982, elevando o total para 5,1 milhões de pessoas. É a maior marca da série, que começou a ser contabilizada em 1967.

O problema do povo americano foi ter sido alvo durante anos dos ataques do liberalismo, contra as políticas sociais como o seguro saúde, e outros. Viver com US$ 6 por dia não é fácil, porém é o que o Estado neste momento oferece para se redimir de sua opção pelo abandono e pela ganância desenfreada. Sobrou para o Obama, que com seu discurso também alimenta a esperança.

Pacotes nos EUA fracassam em estimular negócios e Bolsas europeias caem

As Bolsas europeias operam em baixa nesta quarta-feira. A aprovação do pacote de estímulo à economia dos EUA no Senado e o anúncio de um novo programa para resgatar o setor bancário americano fracassaram em trazer otimismo para os mercados financeiros.

Às 10h38 (em Brasília), a Bolsa de Londres estava em baixa de 0,39% no índice FTSE 100, indo para 4.196,75 pontos; a Bolsa de Paris caía 0,67% no índice CAC 40, indo para 3.000,57 pontos; a Bolsa de Frankfurt tinha baixa de 0,13% no índice DAX, operando com 4.499,90 pontos; a Bolsa de Amsterdã tinha baixa de 0,19% no índice AEX General, que estava com 250,88 pontos; a Bolsa de Zurique, estava em baixa de 0,65%, com 5.111,14 pontos no índice Swiss Market; e a Bolsa de Milão tinha baixa de 0,78% no índice MIBTel, que ia para 14.418 pontos.

Na Ásia, as medidas também não animaram os investidores. A Bolsa de Hong Kong recuou 2,46%; a de Xangai caiu 0,19%; a de Sydney (Austrália) perdeu 0,41%; e a de Seul (Coreia do Sul) caiu 0,72%. A Bolsa de Tóquio (Japão) não abriu devido a um feriado. Nos EUA, as duas ações do governo pouco adiantaram para impedir as quedas nos principais indicadores do mercado financeiro americano. O índice Dow Jones Industrial Average, da Nyse (Bolsa de Valores de Nova York, na sigla em inglês), teve queda de 4,62%.

Geithner anunciou ontem um plano conjunto do Departamento do Tesouro, do Federal Reserve (Fed, o BC americano) e do setor privado para resgatar os bancos que tiverem problemas com títulos “podres” (de alto risco de calote). O programa pode movimentar mais de US$ 1,5 trilhão.

A falta de detalhes sobre como funcionará exatamente o plano de resgate dos bancos foi apontado como o fator que causou o desânimo dos investidores. “Não estamos impressionados e o mercado também parece não ter se impressionado”, disse o estrategista Ryan Larson, da Voyageur Asset Management, ao diário “International Herald Tribune”.

“O que estamos vendo (…) é que não há otimismo suficiente no horizonte para uma alta significativa no curto prazo”, disse ao diário, por sua vez, o analista Christoph Riniker, da corretora Julius Baer, em Zurique (Suíça). “Os ganhos que vimos até agora sugerem que 2009 será um ano fraco na maioria dos setores. Ainda há muita incerteza.”

Recessão

Também afeta o humor do mercado financeiro europeu o anúncio, feito pelo Banco da Inglaterra (BC britânico) hoje, de que o Reino Unido está em uma “profunda recessão”. “As projeções mostram que um relaxamento maior da política monetária pode ser necessário. Isso provavelmente vai incluir ações destinadas a aumentar a oferta de dinheiro a fim de estimular a normalização de gastos”, disse o presidente do BC britânico, Mervyn King.

O Reino Unido não deve voltar a apresentar crescimento econômico até o fim deste ano, segundo as projeções do banco. Até lá, a queda nos juros, o aumento da oferta de dinheiro, a queda da libra em relação a outras moedas, os recuos já registrados nos preços das commodities e os esforços combinados no mundo todo para descongelar os mercados de crédito devem começar a dar frutos, segundo o BC britânico.

No mês passado, o ONS (Escritório Nacional de Estatísticas) informou que, no quarto trimestre do ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) britânico registrou uma contração de 1,5% em comparação com o trimestre anterior, período também marcado por um índice negativo. Trata-se da primeira vez desde 1991, depois que a economia do país registrou forte desaceleração nos últimos dois trimestres de 2008, arrastada pela crise financeira global.

O ONS informou hoje que a taxa de desemprego no Reino Unido chegou a 6,3% da população ativa no último trimestre de 2008, segundo dados oficiais divulgados nesta quarta-feira. Trata-se da pior taxa desde 1998. O número de pessoas desempregadas no período aumentou em 146 mil em relação ao trimestre anterior e chegou a 1,97 milhão.
Folha on line

Rizzolo: A forma pela qual a explicação de Geithner foi interpretada causou uma confusão total. O plano é mal redigido e confuso, o que levou o mercado a interpretá-lo como pouco transparente. A intenção de fazer com que os bancos passem por um teste de estresse, para ver se estão com saúde financeira para receber uma injeção de capital público, é complicada, até porque o que poderia ocorrer se tal não passasse no teste? O problema é a total falta de transparência num governo em que prometeu ser claro e cristalino. Só conversa, viu!

O Poder das Palavras

Assim como D’us faz o universo natural com palavras, também fazemos ou desfazemos universos sociais com palavras

A campanha presidencial de Barack Obama foi, entre outras coisas, uma vitória para a quase esquecida arte da retórica política. Suas frases longas, perfeitamente balanceadas, sua habilidade de mudar de assunto e perspectiva sem perder o fluxo da narrativa, suas sutis evocações de dois mestres do gênero, Abraham Lincoln e Martin Luther King, foram demonstrações vivas do poder do discurso público para mover a imaginação e elevar corações. Quando bem feita, a oratória é a música da mente.

Meras palavras, alguém poderia dizer. Porém para a sensibilidade religiosa, certamente a judaica, palavras não são meras. A Torá nos diz que D’us criou o universo com palavras. Seu primeiro presente ao primeiro ser humano, feito à Sua imagem, foi a capacidade de dar nomes aos animais e usar palavras para entender o mundo. Quando Ele quis curar a arrogância dos construtores da Torre de Babel, meramente “confundiu a linguagem”, pois sem palavras não podemos nos comunicar; sem comunicação não podemos cooperar; e sem cooperação somos indefesos e sozinhos. A pessoa humana é, segundo uma antiga tradução aramaica da Torá, uma “alma falante”.

Em nenhum lugar isso ficou mais evidente que nos Profetas do antigo Israel, que não tinham poder, exército, trono, nada exceto a palavra que D’us colocou em suas bocas. Porém suas palavras transformaram os horizontes morais da humanidade. Pense sobre Amos: “Que a justiça corra como a água, e a integridade como um riacho poderoso.” Ou Yeshayáhu: “Aqueles que confiam no Eterno renovarão suas forças; eles se erguerão com asas como as águias; eles correrão, e não ficarão cansados; e caminharão, sem desmaiar.” Ou Micah: “O que o Eterno exige de você é que aja justamente, ame a misericórda e caminhe humildemente com o seu D’us.”

D’us, na Torá, revela-Se em palavras, e nós, no ato da prece, oferecemos nossas palavras a Ele. Por causa da linguagem, e somente por causa dela, nós, frágeis, falíveis e finitos, podemos falar e ouvirmos o Infinito. Palavras abolem a distância. Assim como a Internet abole a distância física, também a revelação e a prece abolem a distância metafísica. A linguagem é a ponte estreita sobre o abismo entre o ser e o ser, entre a alma e a alma. As palavras são a redenção da solidão.

Assim como D’us faz o universo natural com palavras, também fazemos ou desfazemos universos sociais com palavras. Poucas coisas têm mais força que a voz humana, contando uma história, comunicando uma visão, atraindo energias e incorporando ideais. Palavras notáveis fazem as pessoas pensar em novas maneiras. Somos tão grandes ou pequenos quanto a linguagem nos torna. Na melhor das hipóteses, a linguagem é uma epifania, revelando-nos a glória do espírito humano e a radiância do mundo criado.

Martin Luther King entendia o poder da oratória: seu “Eu tenho um sonho” é um dos maiores discursos de todos os tempos. John e Robert Kennedy foram virtuosos. Lembre da frase de John: “A humanidade deve pôr fim à guerra ou a guerra dará fim à humanidade.” Ou a definição de Robert sobre a tarefa da política: “Domar a selvageria do homem e tornar gentil a vida neste mundo.”

O maior de todos os americanos foi Abraham Lincoln. Em Gettysburg em 1863, o homem que falou antes dele, Edward Everett, discursou por mais de duas horas. O discurso de Lincoln, com 273 palavras, durou dois minutos e perdurará por séculos. Lincoln usava palavras para inspirar e curar, para convocar a nação à grandeza, e uni-la novamente após a guerra civil.

A linguagem é uma faca de dois gumes e pode ser usada tanto para o mal quanto para o bem. “Vida e morte”, diz o Livro dos Provérbios (Mishlê) “estão na força da língua.” Hitler era um demagogo eloqüente que conseguiu incitar enormes multidões ao ódio. Abençoadamente, naquela época, a Grã-Bretanha tinha o maior orador do Século Vinte, Winston Churchill, cujos discursos na rádio foram uma das mais notáveis armas na luta pela liberdade. Churchill também entendia a importância da sagacidade em meio à seriedade: “Um pacificador é aquele que alimenta o crocodilo, esperando que ele o coma por último.”

As palavras são essenciais à democracia, na qual o poder da persuasão deve sempre derrotar a ameaça da coerção. Em tempos de turbulência como o nosso, a vitória vai para o líder que pode dirigir-se às ansiedades da época, construindo para uma geração uma narrativa de esperança. Foi isso o que Barack Obama fez, e por isso ele venceu. Ele deu asas às palavras e assim redesenhou a paisagem da possibilidade.

Por Rabino-Chefe da Inglaterra, Professor Jonathan Sacks
Fonte: Beit Chabad

Tenha um sábado de paz e uma ótima semana

Fernando Rizzolo

Obama anuncia equipe econômica com ‘idéias novas’

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira os nomes que vão integrar a equipe econômica de seu futuro governo, que terá início no próximo dia 20 de janeiro.

De acordo com o presidente eleito, os nomes indicados representam “as melhores mentes dos Estados Unidos” para “guiar” os americanos em meio à forte crise econômica que assola o país. Obama acrescentou ainda que sua futura equipe oferece “capacidade de avaliação e idéias novas”.

Entre as principais indicações está a de Timothy Geithner, de 47 anos, que atualmente preside o Federal Reserve (Banco Central) de Nova York e assumirá o Departamento do Tesouro, substituindo o atual secretário, Henry Paulson.

Outro nome anunciado por Obama, durante entrevista coletiva em Chicago, foi o de Lawrence Summers, ex-presidente do Federal Reserve, que será diretor do Conselho Econômico Nacional.

Obama anunciou também a indicação da economista Christina Romer, da Universidade da Califórnia, como chefe do Conselho Econômico da Casa Branca, um órgão responsável por compilar dados relativos à economia do país.

O quarto nome divulgado pelo presidente eleito americano foi o de Melody Barnes, que comandará o Conselho de Política Doméstica.

Obama saudou sua principal indicação, a de Timothy Geithner, como sendo alguém que “conta com uma compreensão sem paralelos da crise econômica”.

Currículo

Timothy Geithner já atuou no Departamento do Tesouro americano como subsecretário para assuntos internacionais durante a gestão de Bill Clinton, de 1999 a 2001.

Geithner ingressou no Tesouro ainda em 1988, servindo, em diferentes funções, sob três presidentes.

Após sair do Tesouro, ele ingressou no Fundo Monetário Internacional (FMI), onde trabalhou como responsável pela Política de Desenvolvimento do órgão até 2003.

A partir de 2003, Geithner assumiu o comando do Federal Reserve nova-iorquino.

Negociador

Geithner teve um papel importante nas negociações que ocorreram antes de o banco de investimentos Lehman Brother decretar concordata e nos acordos que resultaram nos pacotes de auxílio à seguradora AIG.

Os mercados econômicos reagiram positivamente na sexta-feira, quando a imprensa americana vazou a informação de que Geithner seria o novo secretário do Tesouro – o índice Dow Jones subiu mais de 6%.

O principal desafio de Geithner será encontrar meios de atuar para conter a atual crise econômica que assola os Estados Unidos.

Em um pronunciamento transmitido em emissoras de rádio no sábado, Barack Obama afirmou que a turbulência financeira poderá provocar a perda de milhões de empregos no ano que vem, se o governo não agir com rapidez.

Obama disse estar elaborando um plano de estímulo econômico que será implantado ao longo de dois anos e que visa criar 2,5 milhões de novos empregos durante os dois primeiros anos do seu governo. BBC Brasil – Todos os direitos reservados.

Agência Estado

Rizzolo: Timothy Geithner assumindo o Departamento do Tesouro, com ” idéias novas “, acho que a idéia mais nova de Geithner atualmente foi esconder sua condição judaica, comentaristas americanos dizem que ele esconde sua origem. Já Barack Obama pretendendo criar 2,5 milhões de novos empregos nos remete ao PAC. Olha, sinceramente isso tudo, essa mistura de PAC americano com populismo chavista, com pitadas das “melhores mentes” para ” guiar” os americanos, é preocupante. Já comentei que nos EUA até os democratas entendem seu governo e suas propostas como sendo trabalhistas, na linha do Partido Trabalhista Britânico.

Além disso qual é a grande novidade no governo de Obama até agora ? A ” grande novidade ” é Hillary Clinton. Vamos ver as reais grandes mudanças e novidades, por enquanto a grande novidade é apenas a mesmice Hillary. Sei que temos que torcer pelo novo presidente americano, tenho feito um esforço enorme para me entusiasmar. Depois dizem que sou um reacionário, um chato, um judeu ranzinza, mas sinceramente você acha que Obama é experiente ? Eu não acho, é aquela velha história, o camarada é bom de discurso, agora na prática vamos ver.

Obama cristalizou uma questão racial, o que foi muito bom, minha restrição é o populismo, é vender algo romântico numa potência que exige liderança e firmeza em termos de política internacional, e é exatamente nesse vácuo político e inseguro, é que os países inimigos da democracia como Irã e outros poderão se aproveitar de um potencial presidente fraco e dócil.

Obama espera “plano viável” para salvar montadoras

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, espera que as “Três Grandes de Detroit” (General Motors, Ford e Chrysler) apresentem um plano viável para a sobrevivência do setor automobilístico, afirmou hoje assessor de alta categoria, David Axelrod.

Como disse (Obama) no início deste mês, o que não podemos fazer é dar um cheque em branco a uma indústria que não está pronta para se reformar, se racionalizar e se modernizar para os mercados de hoje e amanhã”, disse Axelrod em uma entrevista à emissora “Fox”.

“Espero que eles retornem a Washington no início de dezembro em vôos comerciais com um plano, ou com o princípio de um plano, que alcance tudo isso, porque os contribuintes americanos não vão lhes entregar um cheque em branco para que continuem fazendo” o de sempre, ressaltou.

Axelrod reagiu assim às exigências feitas na quinta-feira pela hierarquia democrata do Congresso aos máximos executivos da GM, da Ford e da Chrysler, de apresentar um plano de viabilidade o mais tardar em 2 de dezembro, antes de estudar possíveis ajudas para que essas empresas enfrentem sua crise de liquidez.

A hierarquia democrata do Congresso lhes enviou na sexta-feira uma carta na qual detalhou os elementos que, segundo sua opinião, o plano de viabilidade e reestruturação deve incluir.

Só então é que o Congresso analisará uma possível votação de um plano de ajuda.

Para Axelrod, parte da precária situação na qual se encontram as três principais fabricantes de automóveis dos EUA se deve a algumas das práticas dos últimos 20 a 25 anos, e o governo não vai “encorajá-los a seguir pelo mesmo caminho”.

Ele afirmou que tanto os executivos quanto os sindicatos e demais partes interessadas têm que contribuir para as discussões sobre como resolver a crise que afeta o setor.

“É urgente que o façamos. Há milhões de empregos que dependem dessa indústria”, ressaltou Axelrod, em suas primeiras declarações a respeito perante o adiamento do voto de uma medida no Congresso que concederia empréstimos de US$ 25 bilhões ao setor.

Calcula-se que o colapso do setor automobilístico poderia desencadear a demissão de 2,5 milhões de empregados.

Por sua vez, em declarações à “Fox”, a governadora democrata de Michigan, Jennifer Granholm, defendeu essas empresas – fonte vital de empregos em seu estado -, ao afirmar que elas iniciaram um exaustivo plano de reestruturação.

No entanto, ela reconheceu que os executivos da GM, da Ford e da Chrysler não apresentaram um argumento convincente perante o Congresso na semana passada sobre quanto necessitam e como pensam em utilizar este dinheiro.

“Estamos muito agradecidos em Michigan que o Congresso lhes tenha dado outra oportunidade” para justificar um plano de resgate, afirmou Granholm, cujo estado já perdeu 400 mil empregos desde 2000 devido à reestruturação do setor.

Granholm insistiu em que as “Três Grandes de Detroit” estão apenas “pedindo um empréstimo que lhes sirva de ponte”.

Os EUA importam muitos componentes para a fabricação e o uso de automóveis, como baterias da Ásia e o petróleo do Oriente Médio e, segundo Granholm, o país tem que reduzir essa dependência e “buscar soluções em casa”.

A GM, que foi objeto de críticas dos congressistas porque seus executivos viajaram para pedir ajuda a Washington em jatos privados, anunciou na sexta-feira que encerrará o uso de dois de seus aviões fretados.

Já a Ford pensa em vender seus cinco aviões corporativos, segundo seu porta-voz, Mark Truby.

Até agora, a equipe de Obama tinha se mantido à margem das azedas disputas entre o Congresso e a Casa Branca sobre como ajudar a indústria automobilística, em momentos de grande incerteza econômica.

Os democratas querem que o dinheiro saia do plano de resgate financeiro de Wall Street aprovado no mês passado, mas a Casa Branca replica que já existe um fundo, aprovado em setembro e a cargo do Departamento de Energia, que incentiva a produção de veículos mais eficientes e ecológicos.

Folha online

Rizzolo: O povo americano questiona a ajuda às montadoras, e de forma uníssona, o Congresso americano exige do setor uma planificação ou uma estratégia clara de aplicação dos recursos. Agora o que Obama propõe no seu governo cujo partido é democrata, nada mais é do que uma política de partido trabalhista, de concepção ideológica como o partido trabalhista inglês. Na realidade o discurso populista de Obama de democrata nada tem, muito menos de republicano, é claro, mas o que se comenta nos EUA é essa guinada ideológica trabalhista. Criar milhares de empregos, reformular a infra estrutura nada mais é do que a conversa do PAC e isso todos conhecemos; Obama vai ter que entregar o que vendeu, muita ilusão.