Natal triste poderá sensibilizar Meirelles

Nem tudo na vida e na economia ocorrem com a devida lógica. Para o povo brasileiro, e para aqueles que apontam o absurdo das altas taxas de juros aplicadas no Brasil ao olhar insensível do Banco Central, existe uma esperança: o Natal. Com efeito, um Natal de vendas fracas no final deste ano, poderá ser um fator decisivo para que o Banco Central inicie uma incursão a baixar a Selic, atualmente em 13,75%.

A lógica natalina, época em que os mais duros corações se tornam tenros, está no fato de que se as vendas forem boas, e o Natal alegre, o comércio ficará praticamente sem estoques no início do ano. Assim sendo, conseqüentemente, novas encomendas serão feitas à indústria, o que estimulará o crescimento do PIB. Por outro lado, face ao dólar alto podemos também ter inflação, e Banco Central terá então uma boa desculpa para impedir a queda dos juros, alegando o componente inflacionário da alta do dólar, e os manterá nas alturas.

Mas observem que se as vendas de Natal forem fracas, e o povo vivenciar um natal triste, sem muitos presentes, o efeito do repasse do dólar para os preços não será uma potencial ameaça, e poderá fazer então, com que o Banco Central ou Meirelles, num gesto de sensibilidade, se consternem enfim, e cortem os juros atendendo aos empresários da Fiesp e a todos aqueles de bom senso.

É claro que um Natal ruim, poderá ser desestimulante à produção industrial e ao PIB, contudo poderemos ter enfim um tão sonhado presente de Natal do Banco Central, presente muito mais devido a um Natal ruim, do que devido a todas manifestações dos empresários, da Fiesp, e do povo brasileiro. Nada como um Natal triste para sensibilizar os mais duros corações. Que a lógica natalina faça o Banco Central presentear o povo brasileiro, mesmo num Natal bom, afinal todos são filhos de papai-noel. Ou não são?

Fernando Rizzolo

Sindicato estima 100 mil demissões na construção civil

São Paulo – Os últimos três meses do ano não serão de boas notícias para os trabalhadores da construção civil. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), calcula que 100 mil funcionários do setor devem perder o emprego.

Em entrevista hoje (3) à Agência Brasil, o presidente da entidade, Antonio de Souza Ramalho, afirmou que cálculos feitos pelos técnicos do sindicato revelam que construtoras e outras empresas do ramo, que empregavam até o mês de outubro 2,1 milhões de pessoas, devem chegar ao fim do ano tendo dispensado 4,7% dos seus trabalhadores.

“Notamos um aumento muito grande no número de demissões homologadas pelo sindicato desde a segunda semana de outubro”, afirmou Ramalho, citando que o número de homologações de demissão realizadas pelo sindicato praticamente triplicou desde a segunda quinzena de outubro.

De acordo com ele, o final do ano, tradicionalmente, é um período de demissões devido a maior freqüência de chuva com a conseqüente redução no ritmo de execução das obras. Este ano, contudo, a crise financeira tem levado ao cancelamento de novos projetos e motivado a dispensa, principalmente, de trabalhadores da administração e projetos.

“O pessoal da obra não sofre tanto, pois há muita coisa para acabar”, complementou. “Porém o pessoal que trabalha com os projetos está com o emprego mais comprometido,” disse Ramalho.

Em entrevista coletiva concedida também hoje, o diretor econômico do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, confirmou o período sazonal de demissões, porém preferiu não fazer estimativas de quantos trabalhadores serão dispensados.

“Posso falar sobre a tendência [de demissões], mas não posso falar de números”, disse ele, quando questionado sobre a quantidade de dispensas.

Zaidan disse, entretanto, que o setor – maior gerador de emprego do país em 2008 – deve retomar seu nível de emprego no início do ano que vem, com a normalização do trabalho nas obras. “As obras que já foram iniciadas terão de ser entregues e vamos precisar de mão-de-obra para isso.

Jornal da Mídia

Rizzolo: O grande problema no mercado imobiliário é a escassez de crédito e a confiabilidade do investidor nas construtoras, sem dizer a falta de liquidez que o ativo representa. Fica patente que se as grandes constriutoras sofrem com problemas de liquidez, imagem as médias e pequenas. A melhor forma de aferir a crise na construção civil, são os dados do sindicato, e como podemos inferir são péssimos.

Só para se ter uma idéia, um grupo de aproximadamente 500 operários que trabalham na obra do Complexo Parque Cidade Jardim, às margens da Marginal Pinheiros, interditaram dia 27 de novembro, as duas faixas da pista local, nas proximidades da Ponte Ary Torres, em São Paulo. Os trabalhadores exigem o pagamento da 1ª parcela do 13º salário e o pagamento de pendências no café da manhã, vale-refeição e cesta básica. A administradora negou os problemas.

Ou seja, no meio de uma crise como a que estamos passando, o investidor acaba colocando os imóveis como na lanterninha dos investimentos, afinal, tudo começou nos EUA, com as subprimes neste segmento, e com certeza, muito embora a natureza da crise imobiliária no Brasil seja de crédito, e liquidez, não é aconselhável investir por hora neste mercado, que está no ” olho do furacão”. No passado o povo brasileiro já teve experiências trágicas com construtoras como a Incol, com graves lesões patrimoniais, a diferença agora é que provavelmente o perigo é maior. Uma sugestão: guarde seu dinheiro, e durma tranquilo.

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‘Me sinto Dom Quixote ao pregar otimismo’, diz Lula sobre crise

RIO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou nesta quinta-feira, 4, qualquer perspectiva de corte de investimentos por conta da crise financeira e se comparou a Dom Quixote, do livro homônimo do espanhol Miguel de Cervantes. “Me sinto um Dom Quixote, tentando pregar o otimismo.” Segundo ele, é importante que o País não entre em clima de desespero. “Os analistas de plantão ficam dizendo que é preciso cortar gastos, mas não dá para fazer isso num país que tem tudo por fazer. Quanto maior a crise mais é preciso investimento. Não vamos deixar de investir nenhum centavo”, disse.

Lula reiterou também que “o investimento que cria posto de trabalho gera maior consumo e a roda da economia começa a girar”. “Quando pára é que vem a crise. A gente está num momento em que o funcionário público não compra porque está ouvindo falar em crise. Ele vai perder emprego justamente por não comprar, porque alguma hora isso vai estourar justamente na produção industrial”, afirmou.

Ele analisou a crise, dizendo que o Brasil tem condições de superá-la tranqüilamente. “Temos um sistema financeiro capaz de dar aula e que não está comprometido com subprime (crédito de alto risco)”, completou, lembrando que o Brasil tem R$ 207 bilhões de reservas e uma dívida pública de 26% do Produto Interno Bruto (PIB), “enquanto a Itália tem 106% e os EUA, quase 70%”.

“O Brasil diversificou a exportação. Tomamos a decisão de não ficar dependendo apenas de um bloco no mundo. O problema é que o mundo tem um PIB de US$ 65 trilhões, enquanto o PIB do mercado (financeiro) tinha US$ 650 trilhões. Essa diferença desapareceu. Será que este dinheiro todo que desapareceu está nas Ilhas Cayman? Se fosse, a ilha já teria afundado. Meus neurônios não conseguem entender”, completou.

Crédito

Lula criticou nesta quinta o fato de a liberação de reservas do compulsório não terem conseguido atingir o objetivo junto ao sistema financeiro, com barateamento do crédito. Em discurso, o presidente disse que a escassez e o encarecimento atual do crédito cria uma situação temerária e obriga o governo “a agir com mais rigor”. Foi o crédito caro o motivo pelo qual, segundo Lula, a Petrobras recorreu aos recursos da Caixa Econômica Federal (CEF). Em outubro, a estatal contraiu financiamento de R$ 2 bilhões na CEF.

“Disponibilizamos US$ 100 bilhões das reservas do compulsório. Acontece que esse dinheiro chega no banco – e esses são dados de uma reunião que tive ontem com o (presidente do Banco Central, Henrique) Meirelles e o (ministro da Fazenda) Guido (Mantega) e que agora nós vamos começar a discutir mais profundamente -, e como tem pouco dinheiro no sistema financeiro, fica mais caro, porque o banco escolhe clientes seis, sete, até oito estrelas. Até empresas clientes do banco têm dificuldade para pegar dinheiro”, disse Lula.

Lula também reclamou das financiadoras de empresas automobilísticas, um dos setores estratégicos para o governo. As condições de compra para o consumidor pioraram mesmo depois das medidas do governo. Nos últimos 30 dias, a taxa de entrada dos financiamentos aumentou de 20% para 30% e o número de prestações, que já chegou a 90 meses, está em menos 60. O presidente comparou a promessa do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, de criar 2 milhões de empregos até 2011 com a realidade brasileira, em que foram criadas 2, 149 milhões de vagas de trabalho neste ano. “Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que vocês falariam? Vamos dar remédio ou: Sifu…?”, comparou Lula.

Petrobras e Caixa

Em seguida, o presidente rebateu as críticas da operação entre a Petrobras e a Caixa: “Você pega dinheiro onde tem e onde é mais barato. Antigamente, a Petrobras pegava no exterior porque tinha dinheiro fácil e juro mais barato, era normal. Isso está nos levando a uma situação mais temerária e está obrigando o governo a agir com mais rigor. Em época de crise a gente não se acovarda”, declarou.

Lembrando que “o dinheiro desapareceu no mundo”, o presidente comentou que mesmo “empresas importantes no mundo inteiro estão a procura de crédito que está cada vez mais escasso e caro” e enumerou as razões pelas quais o governo decidiu lançar mão de medidas de apoio setoriais. “Tomamos algumas medidas há mais ou menos 30 dias que foram medidas imediatas. Resolvemos cuidar do financiamento de automóveis, porque a cadeia automobilística é muito ampla e representa 24,5% do PIB brasileiro; da agricultura, em razão da importância que tem para produzir alimentos e no fluxo da balança comercial brasileiro; da construção civil, que depois de 20 anos paralisada voltava a crescer de forma extraordinária financiada pelo setor privado para habitação da classe média; e colocamos capital de giro para as pequenas e médias empresas”, afirmou.

Vale e demissões

Em seu discurso, que durou 45 minutos, um dos mais longos desde o início da crise financeira, Lula disse estar se sentindo como Dom Quixote, sozinho, tentando pregar o otimismo. Ele contou ter ligado ontem para o presidente da Vale, Roger Agnelli. A empresa demitiu 1.300 funcionários anteontem.

“Liguei para o Roger e falei: quero saber porque você mandou 1.200 trabalhadores embora. Quero saber qual é a crise”. O presidente da Vale, segundo Lula, respondeu que foram mandadas embora 400 pessoas que estavam em Carajás e funcionários de escritório cortados por causa da informatização. Em contrapartida, a mineradora teria contratado 6.200 pessoas este ano.

Num momento que provocou risadas na platéia, Lula comparou o mercado a um filho adolescente: não precisam de pai ou de mãe, fazem o que querem e pegam o dinheiro dos pais. Mas quando ficam doente, querem colo. “Quando o mercado tem uma dor de barriga, e nesse caso foi uma diarréia braba, quem é chamado? O Estado, que eles negaram por 20 anos”, criticou o presidente, voltando a afirmar que o governo não irá contingenciar “nem um centavo” do que está comprometido com investimentos.

Agência Estado

Rizzolo: Parece que presidente Lula está começando a acreditar que a crise não é uma marolinha como costumava dizer. E de nada adianta ser Dom Quixote apenas pregando um otimismo, quando a ação necessária não é feita. A Vale, uma empresa privada cortou funcionários, gastos. E o governo? Nada. Existe alguma previsão para diminuição dos gastos públicos, especialmente com pessoal? Nada. Então a ação deveria preceder ao pensamento. No caso da Petrobras, por exemplo, todos sabem que é uma empresa ” inchada” com uma lista de funcionários imensa. Ora, caiu o preço do petróleo, estamos diante de uma recessão e o que se vê? Se vê empréstimos. Fala-se muito, mas de verdade se age muito pouco e de forma incorreta. A visão do economista Krugman não serve para o Brasil que tem uma moeda fraca e os juros nas alturas. É uma questão pura de interpretação, mas o PT jamais entenderá. Enfim estamos a caminho do precipício justificado.

Indústria cresce 0,8% em outubro sobre um ano antes e fica abaixo do esperado

A produção industrial brasileira cresceu 0,8% em outubro, em relação ao mesmo mês do ano passado, informou nesta terça-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a menor taxa desde dezembro de 2003, quando a expansão havia sido de 0,3%. Na comparação com setembro, a atividade caiu 1,7%.

Os números estão aquém do esperado por economistas, segundo pesquisa feita pela agência Reuters de informações. Analistas ouvidos pela empresa previam expansão de 2,7% em relação a outubro do ano passado e queda de 0,3% em comparação com setembro.

De janeiro a outubro, a produção teve crescimento de 5,8%; nos últimos 12 meses, de 5,9%.

Ainda, o IBGE revisou para baixo os dados de agosto e setembro. No oitavo mês do ano, a produção industrial caiu 1,5% ante julho, e não 1,2%, como informado anteriormente. Em setembro, houve aumento de 1,5% sobre agosto, em vez de 1,7%.

Bens duráveis caem mais

De setembro para outubro, a queda foi liderada pelo setor de bens de consumo duráveis, que registrou uma retração de 4,7%. Este era um dos segmentos que mais vinham crescendo ao longo de 2008. Mesmo com a queda em outubro, a alta acumulada no ano é de 10,5%.

Os bens intermediários foram o segundo item com maior recuo entre setembro e outubro (de 3%). Os bens de consumo semiduráveis e não duráveis tiveram retração de 2,2%.

Os bens de capital – aqueles usados para produção de outros bens – foram os que menos sofreram na passagem de setembro para outubro, com um recuo de apenas 0,5%. Esse item, no acumulado do ano, está disparado na frente dos demais, com crescimento de 18,4%, bem acima da média geral da indústria (5,8%).

Na comparação entre outubro de 2008 e o mesmo mês de 2007, os bens de capital registraram taxa de crescimento de dois dígitos, de 15,8%. Os bens de consumo duráveis declinaram 1,5%, menor taxa desde fevereiro de 2007 (-2,6%), mas os semi e não-duráveis subiram 0,6%. Bens intermediários apresentaram queda de 2,4% perante outubro do ano passado.

Setores
Conforme o levantamento do IBGE, 15 dos 27 ramos analisados registraram queda na produção na passagem de setembro para o mês seguinte. As categorias mais prejudicadas foram “produtos químicos” (-11,6%), “refino de petróleo e produção de álcool” (-9%) e “máquinas e equipamentos” (-5,2%).

Perante outubro de 2007, quando a atividade da indústria brasileira avançou 0,8%, 12 dos 27 segmentos estudados tiveram crescimento. Chamaram atenção “equipamentos de transporte”, com elevação de 63%, “indústria farmacêutica”, que teve expansão de 28,2%, e “máquinas e equipamentos”, com ampliação de 6,3%.

(Com informações de Reuters e Valor Online)

Rizzolo: Na realidade o que houve no mês de outubro foram muitos cancelamentos de pedidos, e a indústria naturalmente, foi obrigada a reduzir a produção. A questão da escassez de crédito atingiu a todos os segmentos. O setor de bens de capital caiu 4,7%, por exemplo. Este, é o setor justamente mais sensível às variações do dólar e ao estancamento do crédito. São bens de maior valor agregado. Quem tinha produção mensal constante foi obrigado a parar. Acredito que em novembro haverá nova retração da produção industrial, dessa feita, em escala maior.

A notícia de que os EUA estão oficialmente em recessão, contribui para que o cenário brasileiro piore. O número mais relevante de ontem nos EUA foi um indicador de que a crise talvez dure outro ano: o ISM industrial, o índice que dá a tendência de produção nas fábricas, a partir de uma pesquisa entre os encarregados de compras despencou a 36%, o pior desde 1982, final da feia recessão.

Dados mostram que a recuperação dos EUA se dará apenas no segundo semestre de 2010. Nós aqui no País da ” marolinha”, estamos nos preparando para tomar um “caldo” de uma grande que se aproxima. E tem gente que ainda acredita que não houve nada de errado no caixa da Petrobras, para ter que recorrer ao empréstimo da Caixa, uma estatal ” inchada” onde a gestão é baseada no empreguismo e no descontrole financeiro.

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Lula diz que conta da crise financeira será “muito alta”, segundo o “El País”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em um artigo publicado neste domingo na Espanha que a ‘conta (da crise financeira) a ser paga (…) por causa do descontrole especulativo é muito alta’ e que os ‘trabalhos de reconstrução serão árduos’.

Em texto em um suplemento especial da revista “El País Semanal”, que todos os domingos acompanha o jornal espanhol “El País”, Lula diz que “as respostas aos desafios atuais não podem vir dos ‘especialistas’ que durante três décadas aplicaram as receitas que nos levaram ao atual colapso da economia mundial”.

“Precisamos são de outros ‘conselhos’, com homens e mulheres com sensibilidade social, preocupados com a produção, com o emprego e com uma ordem global mais equilibrada e democrática”, escreveu o presidente.

O suplemento para o qual Lula escreveu, intitulado “100 personalidades do mundo ibero-americano”, traz uma seleção de artigos assinados por jornalistas, pesquisadores, políticos, empresários, executivos, artistas, atletas e até cidadãos anônimos.

Entre os 100 citados, há outros dois brasileiros além de Lula: a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o arquiteto Oscar Niemeyer, tema do artigo escrito por seu colega britânico Norman Foster.

Folha online

Rizzolo: O presidente Lula está coberto de razão, a conta a ser paga pela crise será, com certeza, muito alta. Não resta a menor dúvida; há de se encontrar novas fórmulas para que a dinâmica financeira se torne mais segura. Muito falam em maior regulação, em maior intervenção do Estado, o que concordo plenamente, contudo os novos produtos financeiros com potencial efeito ” tóxicos” como os derivativos, merecem uma atenção especial da comunidade econômica mundial, a aí se trata de profundos estudos econômicos, o que poderíamos dizer em termos comparativos, como constituir um “FDA” econômico, na aprovação e na análise até que ponto estes novos produtos, são potencialmente perigosos para a economia ou não. Além disso devemos repensar como deve ser a relação entre do setor financeiro com o produtivo, fazer dos bancos estatais, um verdadeiro agente financeiro das pequenas e médias empresas, o que geralmente isso ocorre apenas no discurso.

BB reduz taxa de juros de algumas linhas de crédito

BRASÍLIA – O Banco do Brasil anunciou hoje a redução de taxas de juros para algumas modalidades de crédito para pessoas físicas e jurídicas. O governo está preocupado com a elevação nas taxas de juros do crédito no sistema financeiro e, por isso, quer que seus bancos atuem para direcionar o mercado a cortar suas taxas. Ontem, os dados do Banco Central mostraram uma forte elevação dos juros ao consumidor, tanto pessoa física como empresarial, por conta do aumento nos spreads bancários.

As novas taxas de juros do BB terão validade a partir de amanhã. Entre as principais reduções estão operações como Conta Garantida (espécie de cheque especial das empresas), cuja taxa passou de 2,62% ao mês para 2,25%, desconto de cheques (de 2,32% para 1,98% mensais) e desconto de títulos (de 1,95% para 1,70% ao mês). Operações de Capital de Giro tiveram ligeira redução, de 2% para 1,96% ao mês. O adiantamento de crédito ao lojista teve a taxa reduzida de 1,79% para 1,61% e aquisição de recebíveis de 1,95% para 1,69% mensais.

Os cartões de crédito também terão redução dos juros, de 4,23% para 3,79% na taxa mínima do crédito rotativo e de 4,99% para 2,92% ao mês nas compras parceladas.O BB também vai reduzir os juros nas operações de financiamento às exportações, mas não divulgou ainda quais serão as novas taxas.
Agência Estado

Rizzolo: Bem, estava na hora do BB atuar no mercado financeiro visando atender às necessidades do crédito, aliás é uma vergonha um Banco estatal, que tem como finalidade atender à população e as empresas, manter taxas de bancos privados. Com muita propriedade o presidente Lula advertiu o BB sobre as taxas do banco. Os juros do cartão de crédito gerido pelo banco (Ourocard) foram podados de 4,23% para 3,79%, e isso é muito pouco abrangente. Não é só o BB, a Caixa Econômica Federal também não está fazendo seu papel de Banco Estatal, o que é uma verdadeira aberração numa época de crise em que o crédito está escasso. A verdade é que o lucro tanto dos bancos privados como estatais no governo Lula salta aos olhos de qualquer cidadão de bom senso. Coitado do pobre empresário brasileiro, do pequeno comerciante, e do pobre que necessita de um empréstimo, e nem sequer pode contar com os Bancos Estatais, que deveriam ter sua função social. Isso é o PT no governo.

Ganho de empresas de capital aberto cai 60% no 3º trimestre

SÃO PAULO – Os lucros recordes das empresas de capital aberto nos últimos anos deram lugar a uma seqüência de resultados negativos no terceiro trimestre por causa da crise financeira. Levantamento feito pela Economática mostra que o ganho médio dessas companhias despencou 60,2% entre julho e setembro comparado a igual período de 2007. Do total de 254 empresas analisadas, 85 delas registraram prejuízo no trimestre e 44 inverteram resultado (de lucro para prejuízo). As empresas que conseguiram se manter em terreno positivo tiveram ganhos menores.

A deterioração do resultado trimestral é reflexo da valorização de quase 20% do dólar ante o real, explica o presidente da Economática, Fernando Exel. No início de julho, o dólar estava cotado em R$ 1,597 e saltou para R$ 1,902, em 30 de setembro. Isso teve impacto direto na dívida das empresas em moeda estrangeira e elevou a despesa financeira de R$ 1,3 bilhão, em setembro de 2007, para R$ 19,5 bilhões este ano.

Na Braskem, por exemplo, essas despesas subiram de R$ 39,5 milhões para R$ 1,9 bilhão, segundo dados da Economática. A empresa teve prejuízo de 849,2 milhões no período. “Essas companhias precisam marcar a dívida a mercado a cada período fechado para balanço”, afirma o analista da Spinelli Corretora, Jaime Alves. Ele lembra ainda que o dólar provocou perdas milionárias para empresas, como Sadia e Aracruz, que apostaram nos chamados derivativos “tóxicos”.

Agência Estado

Rizzolo: Essa notícia já era por se esperar, face à valorização de quase 20% do dólar ante o real, já em relação ao mercado acionário, existe agora um componente maior: à confiabilidade. A aversão ao risco com os países emergentes está jogando abaixo as ações de Vale do Rio Doce, Petrobras, siderurgia e bancos. O que está levando à aversão ao risco dessa vez é a situação de Equador e Argentina. Neste cenário sombrio da queda dos ganhos de empresas de capital aberto, há a possibilidade de que o Brasil possa entrar em recessão no 1º trimestre de 2009. Não restam dúvidas que há riscos de retração no último trimestre deste ano e no primeiro do ano que vem, o que configuraria uma recessão clássica também no país, a exemplo do que já aconteceu com Alemanha, Japão, Itália e Zona do Euro. Ou seja, um cenário ruim para 2009, principalmente para alguns setores como o da construção e o imobiliário cujos investidores desapareceram no último trimestre.