‘Máquina da fiscalização’ é maior que a da produção, diz Lula

RIO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua visita à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em cerimônia de inauguração de laboratório voltado aos testes para o pré-sal, para criticar a burocracia que “emperra o desenvolvimento”. Em crítica direta ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lula disse que a máquina da fiscalização tornou-se maior do que a máquina da produção. “Se o Juscelino Kubitschek quisesse fazer Brasília nos dias de hoje, terminaria seu mandato sem conseguir a licença para fazer uma pista de pouso”, disse.

Ele também aproveitou a presença em uma universidade para elevar o que vem sendo feito na seara educacional do País. “Nunca antes um governante foi a uma reunião da SBPC e saiu sem receber críticas”, disse, lembrando o PAC educacional vai investir R$ 41 bilhões nos próximos anos. “Quando vi que um PAC dava certo, resolvi fazer PAC para todo lado”.

Após homenagear o professor Alberto Luiz Galvão Coimbra, que desenvolveu uma série de experimentos na área da Coppe, na UFRJ, Lula diz que falta ao País ressaltar o valor histórico “dos que vieram antes de nós”. “Muitas vezes a gente encontra o prato pronto e não procura saber como foi preparado o prato. Aí a gente não valoriza quem veio antes de nós. Acontece entre os pesquisadores, técnicos, sindicalistas, todos temos a impressão de que a história começa a partir de nós, mas na verdade somos resultado de todos que vieram antes de nós”, disse o presidente, afirmando ainda que “antigamente tinha gente que pensava mais sério, pensava em soberania e queria que o Brasil fosse um país respeitado”.

Lula ressaltou que “foi preciso um governante sem ensino superior para fazer o que os outros não fizeram”. “A gente olha para a educação do País e vê que tem Estados ricos em que 80% estudam em universidades privadas. Nada contra escolas privadas, mas tudo a favor das públicas. Me pergunto porque em tantas décadas se investiu tão pouco em universidades públicas. Todos os governantes, até os militares, tinham curso superior. Eu e o Zé Alencar fomos os únicos, por sorte ou por azar, sem curso superior e não falo com orgulho não. Possivelmente por eu não ter o conhecimento acadêmico facilita para fazer as coisas, porque não tem disputa acadêmica”.

Lula também brincou com a plateia dizendo que “tinha loucura para fazer economia”. “Mas bom mesmo é ser economista da oposição. Quando a gente está de fora a gente acha que sabe tudo. Se eu tivesse feito economia, não seria presidente da República”.
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Rizzolo: As questões levantadas pelo presidente Lula são procedentes. O ensino público universitário foi praticamente preterido pelo avanço da iniciativa privada que também não deixa de ser boa. Contudo, o Estado deixou de investir mais nas Universidades Federais e Estaduais que na sua maioria são as que promovem a pesquisa no País. Já em relação à burocracia, esta existe em todos os países desenvolvidos e é fruto do aprimoramento e do conhecimento das questões abrangentes que envolvem os projetos. Dissuadi-las ou ignorá-las denota pouco caso com a ciência.

A grande verdade na questão da educação, é que no Brasil não mais podemos considerar que só os ricos e afortunados tenham o direito de se tornarem médicos, advogados, engenheiros, e o papel do ensino público é fundamental na correção desta distorção advinda dos conceitos elitistas deste a época do império. Por bem, a política que é arte que passa muito mais pela sensibilidade do que pela graduação, colocou no poder um presidente que não possui diploma superior, e isso o faz tornar sensível à questão da abrangência educacional a todo povo brasileiro quer ele seja rico ou pobre. Só através da igualdade de oportunidade construiremos um grande País.

Joaquim Barbosa bate-boca com Mendes no STF

BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa radicalizou hoje sua postura e transformou-se em personagem de um bate-boca sem precedentes na história da Corte. Em 13 minutos, das 17h40 às 17h53, quando a sessão do tribunal caminhava para o encerramento, Barbosa transformou uma cobrança de informações do presidente do STF, Gilmar Mendes, em uma agressão verbal que levou os demais ministros a fazer uma reunião extraordinária para tratar do bate-boca – Barbosa foi embora do tribunal e não participou.

O confronto começou quando o STF analisava recursos em que era discutido se as decisões, sobre benefícios da Previdência do Paraná e sobre foro privilegiado, tinham ou não efeito retroativo. Essas decisões haviam sido tomadas em sessões em que Barbosa faltou aos julgamentos – ele estava de licença. O ministro Barbosa disse que a tese de Mendes deveria ter sido exposta “em pratos limpos”. Mendes respondeu: “Ela foi exposta em pratos limpos. Eu não sonego informações. Vossa Excelência me respeite”, e lembrou que o ministro faltara à sessão em que o recurso começou a ser decidido.

Quando Mendes disse que o ministro não tinha “condições de dar lição a ninguém”, Barbosa partiu para o ataque pessoal ao presidente do STF. “Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar. Saia à rua, faz o que eu faço”, afirmou Barbosa. Em seguida, depois de Mendes dizer que estava na rua, Barbosa acrescentou: “Vossa Excelência não está na rua não. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro.”

Outro ministro, Carlos Ayres Britto, tentou acalmar os ânimos. “Ministro Joaquim, vamos ponderar.” Mas de nada adiantou. “Vossa Excelência quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite”, reagiu Barbosa. O presidente do STF nasceu em Diamantino, cidade do Estado de Mato Grosso.
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Rizzolo: Há muito tempo este blog tem denunciado a pouca importância, para não dizer um certo desprezo, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa tem enfrentado nos meios jurídicos e pelos meios de comunicação, exatamente por ser negro. É claro que é uma opinião pessoal, mas fruto de observação e muita reflexão. Quem acompanha este blog sabe da minha indignação com os meios jurídicos em geral, em não dar o devido destaque em relação à capacidade técnica, profissional, e acima de tudo humana e corajosa de Joaquim Barbosa.

Não me alongarei em determinar em quais setores dos meios a que refiro ou da imprensa onde ocorre isto, a grande verdade é que Joaquim Barbosa não gerou um bate-boca com Mendes, mas exigiu o devido respeito quando se sentiu ofendido, ou preterido. E mais, pela primeira vez observei Gilmar Mendes constrangido, acuado e de certa forma desmoralizado. É a voz de um negro no Supremo apontando os prováveis exageros do presidente da casa. Seja de que forma for, a exteriorização de sua indignação nos leva a refletir sobre o novo papel dos negros deste País, que já não aceitam um papel submisso na nossa sociedade, fora ou dentro do Judiciário.

No final Mendes ouviu de um ministro negro tudo aquilo que nenhum jurista ou cidadão brasileiro ousou dizer ao presidente da casa. Muito embora não tomo partido, tampouco endosso, as palavras de Barbosa, o que nos devemos ater, é sobre a postura de um ministro que representa a intelectualidade dos negros no Brasil. Agora foi uma cena muito feia, hein !

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Eleição de Obama entra no debate sobre preconceito racial no Brasil e no mundo

O Dia da Consciência Negra é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. Mas este ano, o feriado nacional ganhou um elemento internacional para a discussão sobre a discriminação racial: a eleição de Barack Obama nos Estados Unidos.

Segundo José Vicente, reitor da Unipalmares, a primeira instituição de ensino superior voltada ao negro no país, a eleição do democrata coloca o Brasil no divã. “Precisaremos de muitas sessões para entender como um país racista elegeu um negro para presidente, enquanto nós, com nossa democracia racial, não conseguimos eleger negros sequer para vereador”.

Outros países também colocam a mesma questão. O Reino Unido, por exemplo, já se pergunta quando irá eleger o primeiro primeiro-ministro negro da história. “A eleição de Obama foi muito inspiradora. Imigrantes de países do leste europeu se perguntam quando irão eleger um líder na Europa ocidental. Pessoas se perguntam quando um turco vai se tornar chanceler na Alemanha”, diz Ibrahim Sundiata, especialista em estudos afro-americanos e professor da Brandeis University, em Massachusetts, EUA. “A eleição significou uma grande quebra de barreiras. A barreira racial não será mais tão alta”, acrescenta.

Racismo no mundo
Os EUA, a África do Sul e o Reino Unido são os países que mais se destacam na luta pelos direitos civis, segundo Sundiata. No Reino Unido, por exemplo, existem comissões do governo para discutir o tema da discriminação racial.

Na África do Sul, há o esforço político e o aparato jurídico que garantem a igualdade de condições entre brancos e negros. Porém, ainda prevalece uma cultura discriminatória. “O preconceito ainda existe na relação interpessoal. As pessoas não aceitam o negro em uma empresa ou numa fábrica, por exemplo. A maioria dos negros acaba se dedicando apenas a trabalhos domésticos”, diz Leslie Hadfield, especialista em História e pesquisadora da Steve Biko Foundation, uma instituição da África do Sul que defende a igualdade racial e dirigida por Nkosinathi Biko, filho do ativista negro sul-africano que dá nome à fundação.

A situação é similar nos EUA. Os negros norte-americanos conseguiram conquistas legais importantes como, por exemplo, a integração entre negros e brancos nas escolas, permitida a partir de 1954. Porém, as escolas ainda hoje são segregadoras. “A maioria dos negros freqüenta escolas de bairro, majoritariamente negras. Isso é segregação residencial. Os serviços nos bairros pobres são ruins e a qualidade das residências também. Há muito mais crimes. É o verdadeiro problema americano”, diz Sundiata.

A passagem do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, também contribuiu para expor o racismo no país, verificável pela quantidade de pessoas, na maioria negras, que ficou sem transporte ou moradia após o desastre.

Diferenças no Brasil
O Brasil, por sua vez, possui algumas características diferentes no que se refere ao racismo. Pelo menos essa é a visão dos analistas estrangeiros entrevistados pelo UOL. Para Hadfield, a questão racial não é tão forte quanto a discriminação social enfrentada pela população brasileira, apesar do passado escravagista do país.

Sundiata, por sua vez, vê um cenário mais complexo. “Não é um problema binário, como na Bolívia, que sofre com o conflito entre índios e brancos. Além disso, há ainda muitas outras diferenças, como, por exemplo, entre o Nordeste e o Sudeste, entre o Piauí e São Paulo”, diz o professor, que deu aulas na Universidade Federal da Bahia.

“No Brasil, a diferença está no fato de não reconhecermos as graves conseqüências da discriminação racial contra os negros, assim como confundirmos discriminação social com a racial, o que nos impede de produzir políticas específicas para combater esse mal”, diz Vicente. “Porém, o grau de privação e exclusão decorrente do preconceito racial é o mesmo em qualquer país. Nesse sentido, os números não são muito diferentes dos nossos. Apenas falamos mais dos EUA porque acabaram de eleger um presidente negro”, conclui.

Folha online

Rizzolo: Realmente hoje é um dia para nos atermos as reflexões sobre a questão e o papel do negro no Brasil. O que tenho observado no Brasil, é que existe sim uma discriminação racial e não só social com afirma Leslie Hadfield. A cultura escravagista no Brasil, fez com que o negro ou o pardo, fossem relegados a uma esfera social restrita. Talvez até porque sempre houve uma distância maior entre os ricos e os pobres, os negros no Brasil, em sua maioria pobre, sofrem de dois estigmas, um porque é negro, e outro de caráter estigmativo e até justificativo na medida em que a elite tenta justificar a pobreza dos negros no Brasil face á sua raça.

Esse absurdo cultural inserido num caldeirão racial, faz com que os negros no Brasil não ascendam politicamente e profissionalmente. É o que costumo chamar de “ “travamento racial”, ou seja, a imagem do negro vinculada a não prosperidade intelectual face a uma argumentação de cunho racista justificatória.

A eleição de Obama nos provoca reflexões não só no Brasil como aqui na França, onde a população negra é relativamente grande. Pode-se observar no metrô, que a periferia de Paris está repleta de negros muitos vindos das antigas colônias francesas, e a pobreza está estampada nos seus rostos. Obama será posto à prova quando aceitar as condições a que está sendo imposto a seu governo, a premissa de que um negro no governo dos EUA será dócil, bom, e submisso principalmente aos inimigos dos EUA. Vamos pensar no papel do negro neste dia e fazer do Brasil um País justo do ponto de vista racial e de oportunidades.

Negro recebe metade do que ganham outros paulistanos

SÃO PAULO – Os profissionais não-negros ganham quase o dobro em relação ao rendimento dos negros na Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com o boletim “Os negros no mercado de trabalho”, realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Fundação Seade, em 2007, o rendimento médio por hora entre negros correspondia a R$ 4,36, enquanto o de não-negros era de R$ 7,98. Isso representa uma diferença de 83%.

Além disso, do total de desempregados da capital no período analisado, 42,9% eram negros, sendo que a população economicamente ativa negra era de 3,678 milhões de pessoas em 2007, o que representa 36,1% da força de trabalho na Região Metropolitana de São Paulo no período. A coordenadora do estudo, Patrícia Lino Costa, destaca que a inserção dos negros no mercado de trabalho é desfavorável. Segundo ela, a distribuição da massa de rendimentos sintetiza esse quadro: os negros apropriam-se de 23,1% do total da massa e os não-negros, de 76,9%, na época analisada.

A presença dos negros é predominante nos segmentos produtivos que oferecem postos de trabalho com menores exigências de qualificação profissional, menores remunerações e, com freqüência, condições de trabalho mais desfavoráveis. Em 2007, a construção civil, setor tipicamente masculino, absorvia 13,6% dos homens negros ocupados e 6,5% dos não-negros. Já o de serviços domésticos, tipicamente feminino, empregava 26,4% das ocupadas negras e 11,9% das não-negras.

Os negros estão mais presentes nas tarefas de execução semiqualificadas e, principalmente, não qualificadas. Do total de não-negros ocupados, 18,2% fazem parte dos cargos de direção, gerência e planejamento, enquanto apenas 4,8% dos negros estão empregados nesse setor.

No que diz respeito à jornada de trabalho, em 2007, os negros cumpriam carga horária maior. Os assalariados negros trabalhavam, em média, 44 horas semanais, duas a mais do que os não-negros. As assalariadas negras exerciam jornada semanal de 41 horas, uma a mais do que as não-negras.

Escolaridade

Na avaliação de Patrícia, o nível de escolaridade alcançado por negros e não-negros explica a diferença dos índices de ocupação e rendimento. Nas faixas que incluem as pessoas não-alfabetizadas até as que possuem o ensino médio incompleto estavam classificados 58,5% dos ocupados negros e 37,6% dos não-negros. Já nas que consideram do ensino médio completo até o superior completo, estavam 41,5% dos ocupados negros e 62,4% dos não-negros. Ela também destaca que os negros entram no mercado de trabalho mais cedo.

Agência Estado

Rizzolo: Há muito tempo este Blog tem se manifestado contra a exclusão dos negros na sociedade brasileira. Quem acompanha os comentários, sabe da observação de que ainda há muito que se fazer à população negra brasileira no tocante à integração e a inclusão social. À medida que os cargos se tornam mais qualificados, os negros perdem espaço para a população não negra; uma prova disso é o papel do negro no judiciário que ainda é muito pequeno, há muito poucos juízes negros no Brasil. O governo brasileiro deve continuar atuando para que os negros sejam cada vez mais incluídos, implementando programas específicos nesse sentido. A verdade é que há poucos médicos negros, poucos juízes negros, poucos ministros negros. Por outro lado o Brasil possui uma população negra imensa.

Aqui na França, uma nova consciência negra está surgindo, tardiamente acelerada, entre outros motivos, pela vitória de Barack Obama. Um artigo no jornal francês Le Monde, há alguns dias, descreveu como Obama está “provocando novas esperanças” entre os negros da França. Todo palavra “negro” nos jornais franceses era, até há pouco tempo, motivo de espanto. Ao mesmo tempo, há seis meses, 60 carros foram queimados e 50 jovens entraram em confronto com a polícia e o corpo de bombeiros, deixando muitos feridos, no subúrbio de Vitry-le-François, na cidade de Marne, norte da França.

Os americanos, que debatem as relações inter-raciais desde o surgimento da república, provavelmente encontram dificuldades em entender que as diferenças raciais, como a religião, ainda são assuntos tabus aqui na França. A França sempre se considerou mais esclarecida sobre as questões raciais que os EUA, no entanto, o país se encontra em uma situação que desmente essa crença. Incidentes como os ocorridos há seis meses, trazem à mente os protestos que explodiram na França três anos atrás. Desde a abolição da escravidão há 160 anos, o País declarou oficialmente que não mais haveria diferenciação entre as raças – mas vendo Obama, uma nova geração de negros franceses está argumentando que chegou a hora de ter o tipo de discussão franca que precedeu a vitória do Democrata nos EUA.

Barack Obama e a questão da inclusão no Brasil

Uma das virtudes da democracia, é a possibilidade de que os grupos ou minorias, quando organizados e dispostos a reivindicar direitos e espaços numa sociedade, geralmente o fazem com sucesso. A vitória de Barack Obama, nos leva a uma reflexão sobre o papel dos negros nos EUA, e a ainda frágil participação do negro na nossa sociedade. Por certo, os efeitos do conceito étnico assistencialista do papel do negro na sociedade brasileira, ainda sob uma percepção escravagista persistem, na medida em que poucos são os negros que se sobressaem na sociedade brasileira.

Os EUA, na sua tratativa com as minorias, sempre foi mais complacente, e isso, evidentemente acirrou o espírito racista de parte da população branca americana, o que fez surgir grupos de cunho racistas, que combatidos pelo Estado de forma eficaz, seus efeitos de foram memorizados. A igualdade de oportunidade aos negros americanos, inspirou e deve continuar a arejar, outros países como o Brasil, ainda num processo de integração e de maior participação do negro na sociedade brasileira.

A verdade é que no Brasil, os negros ainda tem um longo caminho a percorrer na conquista de seus espaços. O processo de integração deve ser cada vez mais propalado nos moldes da sua aplicabilidade como nos EUA. Não podemos levar a discussões exaustivas, experiências de inclusão já comprovadamente eficientes nos EUA, mas tentarmos vivenciar essas experiências, no nosso ambiente social, com nossas particularidades, ajustando-as.

A vitória de Barack Obama, primeiro presidente negros dos EUA, nos leva a uma profunda reflexão no sentido de nos questionarmos, quais são os elementos de inclusão e eficiência, dos quais dispomos hoje no Brasil para que enfim o negro brasileiro possa ter seu lugar não só na política, mas em outros segmentos da sociedade como no Judiciário brasileiro.

Barack Obama passou a ser um referencial de tolerância que o povo americano nos indicou como fruto da real democracia, e de uma forma prática, nos remete a uma frase de John Kennedy, presidente dos EUA entre 1961 a 1963, ” Se não podemos encerrar nossas diferenças, pelo menos podemos ajudar a tornar o mundo seguro para a diversidade “. O mais bonito é que diversidade lembra felicidade e isso é o que o mundo espera nessa nova era.

Fernando Rizzolo

PAC vai investir R$ 1 bilhão na urbanização de favelas do Rio

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As obras vão desde saneamento básico e construção de moradias à pavimentação de ruas e instalação de postos de saúde e policiais. A parceria prevê recursos do PAC e contrapartida do governo do Rio

Uma parceria entre o governo federal e o governo do Estado do Rio de Janeiro irá transformar a vida dos cerca de 300 mil moradores das favelas da Rocinha, do Complexo do Alemão e de Manguinhos com o projeto de urbanização das favelas do Rio.

Através do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), o governo federal irá investir R$ 960 milhões que, somados aos recursos do Estado, serão destinados à pavimentação de ruas, obras de saneamento, construção de moradias, escolas, postos de saúde e policiais e de áreas de lazer. Os recursos serão liberados pela Caixa Econômica Federal, e as obras iniciam no dia 22 de outubro.

De acordo com Ícaro Moreno Júnior, presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Rio de Janeiro), o projeto de urbanização tem como principal objetivo o combate ao tráfico: “A grande virada é exatamente isso. Você vai nas comunidades e quem comanda na sociedade realmente são os traficantes. Então essa mudança para o Estado tutelar, e isso, não só através das intervenções e sim das políticas públicas, o Estado comandando”, afirmou Moreno Júnior, em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim, no último dia 18.

ROCINHA

Serão realizadas obras nas três favelas do Rio. À população da Rocinha será entregue um grande presente: uma passarela criada por Oscar Niemeyer, que irá integrar a favela com Gávea e São Conrado. Com 150 mil habitantes, na Rocinha também serão construídos um centro de esporte e lazer e uma unidade hospitalar. Moreno Júnior disse ainda que “nós selecionamos uma área de 5,5 hectares, no meio da Rocinha, onde tem o maior índice de tuberculose, onde tem pouca ventilação, pouca iluminação. E ali nós estamos trabalhando com ruas, transformando, porque ela está muito adensada, e estamos construindo unidades habitacionais de até três andares”.

Já estão previstos 450 apartamentos para acolher os removidos na Rocinha e, em Manguinhos, serão prédios com 2 mil apartamentos. Para o presidente da União Pró-Melhoramentos dos Moradores da Rocinha, William de Oliveira, “ninguém gosta de deixar sua casa. Mas tem horas em que isso é preciso. A comunidade vai apoiar. Esse projeto vai mudar a história da Rocinha”.

No Complexo do Alemão serão investidos R$ 495 milhões, e a principal obra é a construção de um teleférico, que tem a meta de facilitar a acessibilidade dos cerca de 100 mil moradores da comunidade. As ruas serão alargadas e o teleférico será integrado às estações de trem e metrô. “Nós vamos passar, no mínimo, a ter ruas de quatro metros a sete metros”, explica Moreno Júnior.

Segundo a Secretaria de Estado de Obras do Estado, no Complexo do Alemão será criado ainda o Parque Serra da Misericórdia, a construção de um grande lago, e o plantio de árvores em uma área de 400 hectares.

MANGUINHOS

Em Manguinhos, será urbanizada a Avenida Leopoldo Bulhões e a linha férrea será elevada a 3,5 metros de altura, permitindo a construção de um grande parque linear na região e postos para a implantação de políticas públicas. “Nós vamos ter centro de geração de renda”, disse Moreno. “Esse parque é um parque de integração. Nós vamos buscar integrar e abrir. Você não tem mais muros, você abre e integra esse binário da Uranos com a Leopoldo Bulhões”, explica. “O parque vai ligar também com a Avenida Brasil, que hoje é longe”.

Na visita ao Rio de Janeiro, na semana passada, o presidente Lula destacou que “é na concentração de muita gente morando de forma inadequada, em condições inaceitáveis, com criança repartindo lugar com rato e barata, que se forma a cabeça de uma pessoa que nasceu para ser mulher e homem de bem. São essas condições de moradia que levam a descaminhos que não gostaríamos”. No Programa Café com o Presidente, dessa segunda-feira, Lula destacou a expectativa de investimentos proporcionada pelo PAC, e afirmou que “nós vamos colocar R$ 40 bilhões nos próximos três anos e meio na urbanização de favelas e em saneamento básico. A partir deste ano, começa a aparecer esse dinheiro na praça, começam a ser feitos os contratos com as empresas e começa a construção com a geração de emprego e com a distribuição de renda”.

Para o governador Sérgio Cabral, “estamos fazendo um programa social para ocupar meninos e meninas nas comunidades. Vamos começar pelo Complexo do Alemão em função de todo o enfrentamento que estamos tendo naquela região”. Cabral disse ainda que “temos uma parceria muito sólida com o presidente Lula, que vai se desdobrar para as comunidades do Rio em investimentos urbanísticos nunca feitos antes do Estado do Rio de Janeiro”.

JÚLIA CRUZ
Hora do Povo
Rizzolo: É atuando na inclusão social que o problema da criminalidade diminuirá, o tráfico existe porque não existe a presença do Estado, o investimento previsto pelo PAC de R$ 40 bilhões nos próximos três anos e meio na urbanização de favelas e em saneamento básico é um avanço enorme do governo Lula na direção da inclusão social. Agora pra elite, isso é gastar dinheiro à toa, ou então como eles gostam de dizer, ” precisamos ensinar a pescar ” ,” não fazer melhorias “, depois ficam fazendo passeatas a favor da paz etc. O que se precisa é inclusão social, distribuição de renda , e o resto você mesmo sabe o que é necessário, mudar o regime, né .