Serra: Protógenes ‘não está à altura’ de obter resposta

SÃO PAULO – O governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), reagiu hoje à crítica do mentor da Operação Satiagraha, o delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz, à área da segurança pública de sua gestão. Em entrevista ao portal UOL, o delegado afirmou que “a segurança pública do Estado retrata bem o que é hoje o governo Serra”. Em resposta, o governador disse que, se for assim, sua administração vai bem, citando a queda em indicadores de criminalidade, como o índice de homicídio no Estado. Porém, Serra afirmou que naquele momento ainda não estava informado sobre a crítica de Protógenes. “Essa não é uma resposta a ele”, disse. “Esse indivíduo não está à altura de receber resposta de um governador.”

Além de afirmar que sua administração vai bem na área da segurança pública, Serra defendeu o ex-secretário. “(Ronaldo) Marzagão trabalhou muito bem nesses dois anos. É um homem correto, dedicado, leal e íntegro. Procuramos uma solução dentro de casa para facilitar a continuidade do trabalho”, disse ele, após evento da Secretaria do Meio Ambiente, em São Paulo. No entanto, Serra buscou minimizar as informações de que a área da segurança está enfrentando uma crise. “Tem coisas curiosas que saem no jornal, falam de escândalo. Na verdade, boa parte das coisas são irregularidades que nós descobrimos porque estamos dando combate.”

Apesar de não ter entrado em detalhes, as críticas do delegado Protógenes à área da segurança pública do Estado são feitas no momento de saída de Marzagão. Com uma gestão marcada por denúncias de corrupção contra o ex-secretário adjunto de Segurança Pública Lauro Malheiros Neto e pela guerra entre a Polícia Militar (PM) e Civil nas proximidades no Palácio dos Bandeirantes, Marzagão pediu demissão terça-feira à noite, alegando “motivos pessoais”. Em seu lugar, assumiu o secretário de Administração Penitenciária, Antônio Ferreira Pinto.
agência estado

Rizzolo: Bem em primeiro lugar o Brasil atualmente sofre uma crise de moral, de ética, onde não se sabe bem – em função das inversões de valores – ou se quiser, também, pelo trabalho da mídia, quem é quem na amoralidade no trato com as “rés” pública. Protogenes ainda nem começou a falar, quando do inicio da ação penal, vez que já foi indiciado, muitas novidades teremos.

Como já disse anteriormente em outros comentários, o delegado Protogenes acaba falando sobre temas que não pertencem à sua esfera e que, por ser alvo de uma ação penal, o melhor que faria no momento é não se expor na mídia. Que deixe a campanha política para depois. É claro que esta é uma posição pessoal minha, e embasada do ponto de vista jurídico e não político. Contudo como esta questão passa pelo viés político, muito se espera ainda dos depoimentos do delegado, fato este que poderá trazer à tona, outros atores que jamais poderíamos imaginar fazendo parte da investigação. Vamos ver.

Com decisão de Sarney, 131 devem entregar cargos no Senado

BRASÍLIA – Chega a 131 o número de funcionários que hoje recebem salários de diretores no Senado e deverão entregar seus cargos por determinação do presidente da Casa, José Sarney. Nem todos eles ocupam realmente o cargo de diretor. Segundo explicações de fonte do Senado, o enquadramento como diretor foi um artifício encontrado por administrações anteriores para aumentar o salário destes funcionários.

O número excessivo de diretores surpreendeu a maioria dos senadores. O senador Tião Viana (PT-AC), que disputou a presidência da Casa com José Sarney, elogiou a medida, afirmando que a decisão surge num momento de desgaste do Senado, mostra não ter compromisso com o erro de ninguém e sai em busca da verdade. Amanhã, Sarney assina convênio com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para promover uma reforma administrativa no Senado.

Desde que tomou posse no dia 1º de fevereiro, José Sarney não consegue colocar nenhuma matéria importante em votação. A pauta do Senado tem sido atropelada por frequentes denúncias de irregularidades praticadas pela administração da Casa.

Neste fim de semana, Sarney foi surpreendido com a denúncia de que diretores do Senado empregavam parentes em empresas prestadoras de serviço para burlar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe a prática de nepotismo da administração pública.

O 1º secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), já pediu uma lista completa de todos os servidores terceirizados, que trabalham no Senado, para identificar os casos de parentesco com funcionários do quadro permanente de pessoal.

Outra denúncia publicada na última segunda, pelo site Congresso em Foco, informou que a líder do governo no Congresso Nacional, Roseana Sarney (PMDB-MA), teria utilizado passagens aéreas de sua cota parlamentar para trazer amigos e parentes, no último fim de semana, de São Luís para Brasília.

A senadora divulgou uma nota da agência de viagens, que presta serviços ao Senado, que teria sido a fonte do Congresso em Foco, informando que a senadora não emitiu bilhetes de sua cota parlamentar para nenhum dos nomes apontados pela matéria.

(Com Agência Brasil)

Rizzolo: Muito da decisão de hoje por parte de Sarney, é fruto da insustentabilidade moral do legislativo. O povo brasileiro já não mais suporta tanta “bandalheira” o que na verdade acaba desqualificando a democracia brasileira. A verdade é que esta decisão já deveria ter sido tomada há tempos. O fato da assinatura do convênio com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para promover uma reforma administrativa no Senado, é uma boa medida. A pressão que o legislativo sofre advem do fato de ser um poder mais observado e menor. Devemos exercer pressão não só no legislativo, mas nos demais poderes. É bom lembrar que isso não ocorre apenas no Legislativo, hein !

Educação, Corrupção e Democracia

Durante a ditadura militar, um dos argumentos dos conservadores era de que no Brasil “os pobres, o povo brasileiro, não estava preparado para votar”. Argumentava-se que não havia racionalidade ao outorgar o direito ao voto àqueles que mal sabiam ler ou escrever. Com efeito, após a abertura política e vencidos na sua proposta original, os apregoadores desta teoria silenciaram; até porque, a esquerda os sentenciavam se por ventura esse perjúrio, viesse à baila das discussões democráticas.

Os tempos mudaram e hoje, no universo democrático que vivemos, ninguém mais questiona o voto daqueles que pouca cultura obtiveram; questiona-se sim os efeitos das liberdades democráticas nos moldes em que foi concebida, expressa nos horrores corruptórios que permeiam nossas atuais instituições políticas. Jarbas Vasconcelos denunciando a corrupção partidária, Protógenes na berlinda tentando legitimar o papel da Polícia Federal – muitos o enxergando como uma ameaça -, Gilmar Mendes estrelando o bom senso nas suas críticas ao MST, todos de uma forma ou de outra, questionam e denunciam a má qualidade da democracia que foi instituída no País.

Não resta a menor dúvida que a educação tem seu valor não só no desenvolvimento pessoal, mas como também no produto final do exercício democrático. Alegar que os pobres, os incultos, os que mal sabem ler, não são de forma alguma manipulados, quer pelo assistencialismo, quer pelo populismo, é atentar contra a sinceridade política, dando lugar a um vácuo ideológico esquerdista a serviço daqueles com propósitos autoritários e antidemocráticos.

O brasileiro está aprendo a exercitar a democracia, mas só através da educação e da cultura, poderemos um dia nos curar da indução populista que muitas vezes alimenta a formação de maus políticos, que não hesitam er lançam mão dos pobres incautos iletrados, lhes prometendo assistencialismo em troca daquilo que mais nobre existe nas relações democráticas: o voto.

A corrupção no Brasil que permeia o cenário político, nada mais é do que o extrato do pobre exercício democrático, onde a distinção entre o ético e o amoral se turva pelo pouco discernimento, produto da miséria e da escassez cultural. Fato determinante na predisposição a exploração daqueles que sonham por uma vida melhor, golpeando os pobres que ainda aprendem o difícil exercício da democracia, muito embora com a pouca cultura que dispõem.

Fernando Rizzolo

Nada que ninguém não soubesse

Uma das característica da política brasileira, é inovar um discurso com questões antigas, e já conhecidas. Assim o fez o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) quando num rompante de moralidade parlamentar acusou o PMBD – seu partido – de ser um grande negociador de cargos em troca de apoio político. Ainda não satisfeito, o senador subirá à tribuna do Senado, para sublinhar ainda mais sabidas práticas políticas.

Numa análise realista e até psicanalítica, poderíamos dizer que tal fato e tal postura partidária, já era sabida e estava, por sedimentada, enraizada no inconsciente coletivo do povo brasileiro.

O que não surgiu da denúncia, que aos olhos do povo seria o fato agregador, foi ter não dado “nome aos bois” como se diz no interior. Isso não foi feito nem será, o que nos faz pensar que o discurso tem um objetivo político apenas, e pouco eficaz do ponto de vista moral e instrumental no combate à corrupção.

Não há a menor dúvida, que tal postura nefasta ultrapassa as fronteiras do PMDB, o que a torna ainda mais distante a nobre consagração de forças na luta contra a desmoralização política partidária, e o saneamento da democracia brasileira.

A grande questão por traz deste inflamado discurso, é saber até que ponto pode-se ter um real efeito moralizador, ou se prestar apenas para servir de argumento a alguns que por desafeto as liberdades democráticas, irão beber da água de Jarbas para desqualificar a democracia brasileira, que por sinal vai mesmo de mal a pior.

Fernando Rizzolo