Dilma, sem peruca, chora ao lembrar combate à ditadura

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, apareceu pela primeira vez em público sem peruca nesta segunda-feira (21), depois de vencer um câncer linfático com quimioterapia. Ela chorou ao participar em Brasília da entrega do Prêmio Direitos Humanos 2009 a Inês Etiene Romeu, sua companheira de combate à ditadura militar.

Ao falar no evento, Dilma também emocionou o público ao lembrar seus tempos de luta contra a ditadura. “É o testemunho da coragem, da generosidade e dignidade de uma geração. Quem viveu aquele tempo é capaz de compreender com razão, memória e coração. É sempre doloroso lembrar de todos que foram para a cadeia e de todos que foram de uma forma ou de outra barbaramente torturados. Muitas vezes tiraram dessas pessoas a dignidade e muitas vezes a vida”, disse a ministra.

Mineira, como Dilma, Inês Etiene era estudante e bancária em Belo Horizonte quando se engajou na resistência antiditatorial. Presa em 1971, em São Paulo, pelo célebre delegado-torturador Sérgio Paranhos Fleury, sofreu os mais selvagens suplícios e foi condenada à prisão perpétua. Só foi libertada em 1979.

Também participando da entrega do prêmio, o vice-presidente José Alencar, veterano da luta contra o câncer, elogiou o novo visual de Dilma. “Eu já passei por isso. Eu também perdi o cabelo, mas agora está nascendo. Eu estou meio calvo ainda, mas está nascendo. Agora, está bonito o cabelo dela. Está moderno”, disse Alencar.

Lula: “Cada gesto valeu a pena”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, igualmente presente, destacou a pré-candidatura presidencial da ministra ao falar sobre os perseguidos pela ditadura. “Se alguém torturou a Dilma, se alguém achou que a vida tinha acabado, ela é possível candidata a presidente”, lembrou Lula.

“Cada gesto de vocês, cada choque que vocês levaram, cada apertão que vocês sofreram valeu a pena, porque nós garantimos que não haverá mais retrocesso nesse país”, afirmou ainda o presidente.

O presidente brincou com o fato de a ministra estar sem a peruca na cerimônia : “Vocês viram eu botando a mão no cabelo do Zé Alencar ( vice-presidente). É que teve um tempo que tinha caído o cabelo do Zé Alencar. E vocês estão percebendo que a Dilma está de cabelo novo? Não é peruca, não. É cabelo normal dela que voltou a se apresentar em público”, disse Lula.

A ministra usava peruca desde maio para disfarçar a queda de cabelo causada pela quimioterapia. Em setembro, os médicos anunciaram que o tratamento tinha sido bem sucedido e que a ministra estava livre do câncer.

Da redação, com agências

Rizzolo: Todos sabemos do passado de luta da ministra Dilma. Os tempos mudaram, o Brasil passou a vivenciar a democracia, mas a lembrança é algo que nunca devemos deixar para trás. Assim foi nas barbáries contra a humanidade, na luta dos idealistas, nos crimes perpetrados contra os judeus. Lembrar é reviver do ponto de vista histórico, é assinalar que devemos sempre estar atentos, porque o descuido cria tiranos, e os tiranos levam fatalmente ao seu baquete preferido: a injustiça aos mais fracos.

Campanha vai pegar fogo, prevê Alencar

BRASÍLIA – Em conversa informal com os jornalistas hoje, o presidente da República exercício, José Alencar, apontou como prematura a avaliação sobre o desempenho de uma eventual candidatura da ministra Dilma Rousseff. “Não acredito que a campanha vai ser morna, ela vai pegar fogo”, disse.

Para ele, ainda é cedo para formar uma chapa para disputar as eleições. Segundo o presidente, o defeito de Dilma “é ser brava”. “Mas nós precisamos de uma mulher brava. Ela pode ser brava mas tem duas qualidades na personalidade: é brasileira com “B” maiúsculo e é dedicada aos detalhes de tudo. Além disso, é muito séria”.

No entanto, ele acredita que o fato da petista ser “brava” não vai assustar o eleitorado. “O eleitorado vai encontrar nisso a qualidade para entregar o País. E ela tem o apoio do presidente Lula e todos sabem que é preciso dar continuidade às políticas do presidente Lula.”

Sobre uma possível falta de apoio do Congresso, Alencar afirmou: “Nessa fase ela não tem que se preocupar com o Congresso. Ela tem que se preocupar em ganhar a eleição e depois cuida da base de apoio Congresso”. Na opinião dele, Dilma é técnica mas também é política.

Saúde

Bastante tranquilo, Alencar demonstrou esperança de que agora sua doença vai estacionar. Contou que tem andado agasalhado porque não pode correr o risco de pegar resfriado.

Ele fez um relato de todo o período em que já vem enfrentando o câncer. Contou que já fez quinze cirurgias e disputou três eleições.

Comentou também sobre o câncer de Dilma. “Ela está curada. O câncer dela é diferente. Os médicos já disseram isso. Eu acredito que possa ficar curado”.
agencia estado

Rizzolo: Na realidade ainda é cedo para previsões em relação à campanha eleitoral. Dilma ainda é uma incógnita, mas pode deslanchar, sua personalidade precisa ser trabalhada, ela não está pronta para que a massa, o povo, a veja como uma candidata viável. Lula também mudou no passado, se amoldou, e hoje é o que está. Em relaçaõ ao Alencar é um lutador, gosto dele, fiquei impressionado com aquela frase; ” Se Deus quiser me levar, nem precisa de câncer “. Achei bonito, na vida precisamos estar preparados para a morte todo dia, sem temor, apenas temendo a Deus nas nossas ações. É isso aí.