Acesso à Universidade e Populismo

 

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*por Fernando Rizzolo

É interessante observar que, diante das dificuldades econômicas de um país, quanto maiores elas forem, maior será o sonho dos jovens em se preparar para ingressar no mercado de trabalho, ou seja, quanto menos emprego, mais sonho. E é exatamente ao nos depararmos com essa condição natural, como o é a ascensão social, que surgem ideias e programas eleitoreiros, para não dizer traiçoeiros. Um exemplo disso foi o famoso Financiamento Estudantil (FIES), que o petismo implementou e em cujas contas uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) descobriu um rombo estimado em R$ 20 bilhões entre os anos de 2009 e 2015, cifra que coloca em xeque um dos principais programas do Ministério da Educação.

Como estamos diante de uma condição assombrosa de corrupção no Brasil, descobrindo que não há mais nenhum partido político sério, uma vez que a maioria dos políticos brasileiros está sob suspeição, já não temos a certeza de que determinados setores, por “pretextos sociais”, estejam sendo poupados, como ocorreu com a indústria automobilística, entre outras. A grande verdade é que, em vez de o governo, já desprestigiado, desacreditado, se preocupar, por exemplo, com a reforma da previdência, que poupa servidores públicos e forma castas sociais no país, poupa também essa farra da gastança chamada FIES, visando a agradar o poderoso lobby das Universidades, pois o maior beneficiário desse programa – por meio do qual as mensalidades se tornam “lucro certo” vindo do Tesouro Nacional, cujo custo global só em 2016 chegou a R$32,2 bilhões – são os grandes grupos universitários internacionais e nacionais, que transformaram o sonho do pobre em ser “doutor” num rombo de 20 bilhões, como apurado pelo TCU.

A saída para estancar tal sangria seria acabar de vez com o Programa, que parece estar fora de controle contábil, e repensar um novo projeto de viabilização do acesso dos jovens carentes à Universidade, aumentando o número de vagas nas Universidades Federais e Estaduais, construindo novas Universidades Públicas e evitando o comprometimento do erário público, pois, diante da forte inadimplência desse programa ilusório e mercantilista, quem perde é o país e quem ganha são os comerciantes da educação.

É mister salientar que nem sempre a presença do Estado em alguns setores é ruim, pois pior, ao meu ver, são as manobras educacionais políticas que punem os mais carentes, aproveitando-se do sonho de uma vida melhor, num país com altas taxas de desemprego. Infelizmente, no Brasil, vender sonhos impossíveis ainda é a melhor forma de negócio… Aliás, diga-se de passagem, um ótimo negócio.

 

O Brasil em queda livre

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*por Fernando Rizzolo

 

Quando analisamos a estrutura de um país, procuramos ter a percepção de um quadro pluralista que abranja as questões sociais, morais, econômicas e políticas. Depois do Carnaval, festa que provavelmente anestesiou os problemas da nação, sinto-me indignado, para não dizer perplexo, em relação ao que é hoje o Brasil em todos os sentidos, e penso, em uma mistura de receio e desesperança, no que poderá ser este país daqui a uns anos.

Do ponto de vista social e moral, vivemos uma era em que o reflexo da corrupção − segundo os petistas relegada a nós como uma “herança maldita”, mas desta feita deixada por eles mesmos − influencia, numa cadeia degradante, todas as virtudes que um povo deve ter.

A violência perpetrada por marginais sem o menor pudor em cometer homicídios por motivos torpes cresce a cada dia. Nossa legislação é fraca demais para coibir a bandidagem que, no âmago do seu desrespeito às Leis e instituições, se ampara no exemplo corrupto da política para legitimar seus desideratos.

Já no campo econômico, que norteia o futuro de todas as segmentações acima elencadas, temos a notícia de que o Brasil, em uma lista de 38 países, teve o pior Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, segundo ranking de desempenho da agência de classificação de risco brasileira Austin Rating, ou seja, o nosso PIB caiu 3,6% em relação ao ano anterior, sendo que a economia já havia recuado 3,8%! Essa sequência de dois anos seguidos de baixa só foi verificada no Brasil nos anos de 1930 e 1931. Vejam a que ponto chegamos!

Com efeito, o nível de pobreza da população aumentará e, pela lógica esquerdopata, quanto mais pobres existirem, mais os partidos de esquerda terão voz e mais nos afundaremos.

Fala-se muito em “choque de gestão”, mas entendo que precisamos de “choque de indignação” pelo legado que nos foi deixado, tanto do ponto de vista moral como do econômico, assim também como um “choque na legislação penal”, vez que do contrário perderemos o controle de absolutamente tudo que nos resta.

É triste observarmos a pouca mobilização da população, haja vista as imensas aglomerações no Carnaval e a despolitização nas demandas que exigem a real e verdadeira mobilização nas ruas. Isto posto, a esperança reside nos novos políticos e na punição severa e exemplar dos antigos, as velhas raposas do planalto, descobertos pelas investigações da Operação Lava-Jato. A verdade é que estamos em queda livre, sob os efeitos da gravidade, e de uma outra gravidade pior, chamada gravidade da moral e da ética…

 

 

 

Reeducando a Sociedade

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*por Fernando Rizzolo

Depois de um longo período no qual a retórica política foi baseada na tolerância, na diversidade, fruto dos ideais da esquerda no mundo Ocidental, muito mais como forma de conquistar mentes e corações do que de efetivamente pôr em prática aquilo que se apregoava, nós nos vimos, de uma hora para outra, de fronte a um discurso direitista, em que o politicamente incorreto é a norma a ser seguida, deixando o esquerdismo perdido, sem instrumentos para se reafirmar.

Fica claro que isso é um fenômeno mundial, mas o interessante é que, nos países da América Latina, tornou-se mais evidente, haja vista milhares de pessoas no Brasil, fartos da corrupção, da bandalheira, da politicagem e ao mesmo tempo intolerantes com os discursos da esquerda, saírem às ruas, quando, outrora, se envergonhavam disso, visto que o esquerdismo tupiniquim sempre enaltecia a diversidade puramente para fins de controle político-social.

A própria Constituição de 1988 é fruto do pensamento socialista, paternalista, assim como nossa legislação penal, principalmente a Lei de Execução Penal, que chega a ser condescendente com criminosos perigosos. Com efeito, talvez o título deste artigo fosse com mais perfeição denominado como um discorrer sobre o repensar a sociedade na pós-modernidade, das relações líquidas, do consumir, como assim classificava o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, que há pouco faleceu. No contexto social, concordo plenamente com a percepção do grande sociólogo, porém em contrapartida formou-se uma lacuna na qual a perda do controle do estado nas relações com os atos ilícitos tornou-se frouxa, aumentando por demais a criminalidade e a impunidade. A grande verdade é que a sociedade construída pela visão individualista, já descrente dos valores do esquerdismo que serviu, principalmente no Brasil, como esteio e retórica política, atuando no seu mais pleno desvio de finalidade a serviço da corrupção endêmica, se esgotou em seu próprio discurso.

Portanto, o mundo já não tolera o modelo esquerdista permissivo e exige uma mudança radical em que a “mão firme”, a xenofobia, e muitas vezes a intolerância passam infelizmente a ser aceitas em nome de uma segurança social. Assim sendo, a vitória de Donald Trump, assim como o Brexit na Inglaterra, significa uma tentativa de reaver os valores perdidos, o nacionalismo, afastando de vez, como dito acima, a disposição da liberalidade e da “frouxidão esquerdista” no Ocidente. É interessante notar que até em prefeituras como a de São Paulo, comandada pelo prefeito João Dória, o exercício da reeducação social é feito e elaborado em sintonia com a opinião pública que o apoia com declarações abertas contra pichadores, por ele considerados bandidos, no que é apoiado por parte significativa da população paulista.

Enfim, Donald Trump, a saída da Inglaterra da Comunidade Europeia, o Brexit, a direita ganhando espaço em toda a Europa, a luta contra o terrorismo islâmico, juízes implacáveis contra a corrupção, como o Juiz Sergio Moro, e o olhar da sociedade nos movimentos do STF, ao inferir se realmente estamos reeducando a nossa sociedade e passando o país a limpo, são fatores em que o ideal neoconservador se dispõe a dar numa nova visão a uma nova sociedade que se forma no mundo, e o Brasil, chancelado internacionalmente como um dos países mais corruptos do planeta, não tem como fugir desta nova realidade. Antes éramos populismo, paternalismo, socialismo, corrupção empresarial. Agora, chega. Queremos ordem, seriedade e pouco discurso antigo. Devemos seguir os caminhos do mundo atual, pois foi o que nos restou seguir…

Penitenciárias e escolas

 

cana*por Fernando Rizzolo

Não há quem não tenha ficado horrorizado com as rebeliões ultimamente ocorridas em vários presídios do nosso país. A forma de vingança pessoal carcerária lembra imagens da violência praticada por grupos terroristas como Isis. Mas até que ponto toda essa violência não é reflexo puro e simples de um problema maior que vivenciamos aqui mesmo no nosso país? Fica claro que a violência sem uma legitimidade ideológica radical acaba sendo mais assustadora do que a mais condenável postura terrorista. Na verdade ambas são, no seu âmago, fruto do desprezo dos valores humanos. A diferença é que o terrorismo islâmico tem um pano de fundo “religioso”, enquanto as chacinas carcerárias são oriundas de um desprezo pelo ser humano, revelador dos valores morais que permeiam o Brasil, um dos países mais corruptos do planeta.

Essa vingança carcerária é, sim, fruto de todo um elenco político corrupto que afeta todos os partidos, principalmente o PT, que acabou percorrendo o caminho do sonho de um país justo para a infiltração e o uso da justiça social como pretexto para avançar no erário público em consonância com alguns setores do empresariado. Vivemos época de violência generalizada, a sociedade já não acredita no Judiciário como forma de prover justiça. Fazendo com que a bandidagem não tema as punições, o espelho da ética do Poder Público ofusca o provimento jurisdicional, alargando a percepção da Justiça Pública e propagando, assim, a impunidade.

Com efeito, como dizem alguns educadores e visionários sociais, deveríamos gastar mais com educação, o que é louvável, mas no momento atual não nos resta outra alternativa, a não ser o endurecimento das leis, a plenitude na aplicação da Lei de Execução Penal, que por sinal é por demais branda. Observamos hoje até grupos extremistas, fascistas, perigosos se manifestando livremente pelas ruas, difundindo o ódio racial, o que também é parte do magnetismo ideológico que ocorre na Europa; portanto, diante deste quadro onde as pinceladas se misturam com as cores do que ocorre no exterior em termos de violência, aliado à decepção com os governos deste país, o redirecionamento das posturas políticas para uma direita mais atuante acaba se enaltecendo não só aqui, mas no mundo todo, haja vista a vitória de Donald Trump. A saída romântica de mais educação e mais escolas é, na verdade, solução a longo prazo, a saída real para o enfrentamento dos nossos problemas e sobrevivência da democracia é a mão firme, quer do ponto de vista econômico, quer com a busca mais efetiva de resultados ao invés de popularidade. Quanto ao ódio racial, resta-nos “atenção plena”… Pena que absolutamente nada disso esteja acontecendo… Estamos verdadeiramente num barco sem rumo.

Viajar, deslocar-se, para viver

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*por Fernando Rizzolo

Existem vários tipos de viagens, para todos os gostos. Viagens a trabalho, viagens a passeio, viagens com um objetivo específico espiritual, enfim, ficaria aqui a noite toda exemplificando os tipos de viagens e os inúmeros porquês de as pessoas viajarem. Já viajei muito pelo mundo, mas sempre daquela forma tradicional, de avião. Já tive o sonho de viajar o mundo num veleiro, mas, à medida que fui ficando mais velho, esse sonho se mesclava com um medo, medo de surgirem problemas no meio do caminho, como um naufrágio, por exemplo. Bem que deveria ser ao contrário, ou seja, à medida que envelhecemos deveríamos ser mais ousados, mas, no meu caso, como no de tantos outros, isso não ocorre.

É bem verdade que em toda viagem existe um desafio, como em tudo na vida, mas no deslocamento acentuamos esse desafio e nos saltamos ao que vier. Quando me refiro a viagens, falo das longas, aquelas em que permanecemos num avião por mais de 10 horas. Não que outras viagens não sejam também desafiadoras, mas gosto de me ater às longas. Além do desafio, existe um componente espiritual, pois sabemos que aquele momento não mais voltará, e no meu caso costumo conhecer as Sinagogas de cada país, coisa de judeu, eu sei. Também, é claro, tenho minhas manias, minhas rotinas, ou seja, quem não está acostumado comigo sofre. No bom sentido, é claro.

Contudo, para quem vive num país como o nosso, qualquer viagem, por mais curta que seja, vale a pena. Temos lugares maravilhosos no Brasil para compensar os piores políticos do planeta. É claro que existem exceções, mas são pouquíssimas.

A grande verdade é que tudo é válido para fugirmos dos noticiários de corrupção, da falta de perspectiva do nosso país. Qualquer viagem, por mais pobre que o viajante seja, é saudável. Existem até aqueles andarilhos, os chamados “trecheiros”. Certa vez, conversei com um para saber por que caminham solitários pelas estradas e encontrei histórias de desilusão, de desalento, e ele dizia o que aqui afirmo: que o deslocamento alivia… A viagem é no fundo uma fuga e uma procura de si mesmo. Agora, já pensaram se os 12 milhões de desempregados do Brasil resolvessem se tornar andarilhos, ou trecheiros, para poupar suas angústias? Encontramos no Antigo Testamento relatos espirituais sempre em deslocamentos em viagens, portanto, desde aquela época, viajar é também uma experiência da alma.

Para terminar minha humilde reflexão sobre as viagens, até porque preciso arrumar minha mala, existe também uma modalidade de viagem chamada de fuga, ou, como se fala em Direito, “empreender fuga”. Esta não tem nada de espiritual e pode ser convertida através de “Carta Rogatória”, ou seja, o Judiciário daqui pede ao Judiciário do país onde o condenado se escondeu para trazê-lo de volta, mas isso é outra história, que pode acontecer com alguns políticos do Brasil, que, em vez de apreciarem viagens, apreciam propinas… Mas é bem provável, viu… Vou acompanhar o noticiário lá de longe…

Sobre políticos tóxicos e dores de cabeça

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*por Fernando Rizzolo

Há algumas semanas tenho procurado um tema para escrever e que seria oportuno nessa época de Olimpíadas. Por sinal, já cansei de tantas medalhas de bronze, mas, como o Brasil é um país pobre e o torcedor brasileiro gosta de vaiar os adversários internacionais, acho que merece mesmo a tal medalha de bronze, que tem tudo a ver com o Brasil… bronzeamento, praia, estátua de bronze, enfim, um país bronzeado. O meu grande assombro nesse caso, porém, foi descobrir que a maior ofensa ao brasileiro foi ter ouvido falar mal de um tal de biscoito “Globo”. Ah! Isso sim, falar mal desse biscoito (ou polvilho) ofendeu o nosso povo, que não percebe a disparidade das vaias a um atleta olímpico internacional e que ferem a dignidade do esporte (e a nossa). Fiquemos com o biscoito, apesar de tudo, esse sim, a vítima.

Ao terminarem as Olimpíadas, outra maratona de jogos começa. Iniciam-se as campanhas eleitorais para vereadores e prefeitos pelo país afora. Aqui na minha poltrona, nesta noite de rascunhos, entre um gole de café e outro – e já prevendo uma enxaqueca noturna daquelas – me antecipo ao tomar o meu velho Dipirona ou, para quem não conhece, aquele remedinho de gosto amargo, útil para amenizar dor de cabeça e no qual a gente sempre erra a contagem das gotas.

Voltemos, entretanto, ao assunto da verdadeira dor de cabeça: as urnas. A grande questão nessas eleições são o que chamo de “a volta dos políticos tóxicos”. Até poderia discorrer sobre suas personalidades, se meu humor permitisse, contudo, vamos e venhamos, aturar campanha eleitoral num país como este, recheado de corruptos e de inatingíveis pela justiça, só com muito Dipirona. Num cenário tão inspirador, nem iria escrever este mês e só decidi fazê-lo porque precisava compartilhar esses dois aspectos recentes. Na verdade, queria desabafar: placares olímpicos chatos e bronzeados x propaganda política tóxica se aproximando. É demais!

A democracia, como dizem, nos chama para elegermos o “melhor”. É possível isso? Termina por ser nossa obrigação perceber quem é menos tóxico. É possível isso? Na maioria das vezes, a gente nem sabe mais quem é quem, pois eles mudam de partido, fazem alianças e, quando percebemos, o tóxico está na sua frente, é seu prefeito, é seu vereador.

Quantos problemas temos neste Brasil de dores de cabeça! Ainda bem que tenho o Dipirona, embora esse remedinho tão prosaico seja proibido em alguns países, como nos Estados Unidos, por exemplo. Já até tentei, em certa feita, procurá-lo nas farmácias americanas e me informaram que não era mais vendido por ser tóxico! Tudo bem, se considerarmos que nem tudo que é tóxico lá, aqui é. Não cabe à regra, devemos admitir, olimpíadas bronzeadas e políticos manjados, que costumam provocar uma enxaqueca danada e um tremendo mau humor em qualquer povo, talvez pela falta de desintoxicação de toda essa situação.

O que me conforta é que temos algo insuperável, o biscoito Globo. Nunca experimentei, mas deve ser bom demais, afinal os cariocas sabem o que é bom… e eu sei o que é bom para dor de cabeça, embora a origem seja… tóxica.

 

Impopularidade e Progresso

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 *por Fernando Rizzolo

É crescente a percepção de que as democracias, em geral, podem ser divididas em democracias saudáveis e aquelas desprovidas de vitalidade, ou, se preferir, enfermas. Em uma análise simples, pode-se trazer esse tema para contextos mais rotineiros, como o da educação familiar – sim, essa responsável por formar cidadãos que, uma vez adultos, irão trabalhar, votar, governar e formatar a sociedade.

No mundo contemporâneo nos acostumamos a educar os filhos seguindo uma cartilha ditada pela educação pós-moderna, que preconiza a aceitação de tudo no tocante aos desejos da prole. Sob pena de não nos tornarmos bons (e amados) pais – e ainda pior, sob o peso de que nossas habilidades enquanto tutores sejam julgadas publicamente – nos permitimos não reprimir os filhos quando gritam e esperneiam em restaurantes. Deixamos de chamar sua atenção quando erram deliberadamente. Da mesma forma, são numerosos os casos de pais que preferem contestar professores, mas nunca os filhos. Numa longa lista de situações, a permissividade ocupa o topo, sob a justificativa de que assim, e somente assim, ganharemos o título de “pais legais e modernos”. Contrariar interesses é desgastante e ainda pode pôr a perder o bônus de comprar a amizade eterna daqueles que tanto mimamos na infância.

Numa analogia política pode-se imaginar o impacto progressivo do comportamento daqueles que assim foram educados e hoje vivem numa democracia em que a melhor proposta ganha a eleição. Traduz-se aqui como a melhor proposta aquela que agrada a maioria dos eleitores, principalmente as minorias, os mais pobres. Isso, aliás, seria muito saudável se praticado numa democracia de um país desenvolvido e sólido.

Hoje, infelizmente, vivemos num país esfacelado economicamente, numa democracia enferma, muito embora todas as instituições funcionem normalmente. A enfermidade democrática vem do fato de que numa situação de emergência estrutural econômica não mais podemos despender gastos: o que resulta, em grande parte, cortar gastos sociais; o que representa, em grande medida, contrariar os filhos.

É nesse momento que a prole brasileira terá de ser advertida, convencida, ensinada e reeducada para compreender que muitas das ações do governo, no caso o provisório de Michel Temer, não serão populares. Elas significam impor limites dentro da nossa democracia e da nossa economia, exatamente para mantê-las saudáveis. Integram o pacote restringir fortemente os gastos públicos, assim como sociais, e contar com o apoio do Congresso Nacional.

Em tais condições, é certo o descontentamento de muitos filhos da Pátria, em especial daqueles “educados” e agraciados pelo PT – este assumiu muito bem o papel de “pai bacana”, que concede tudo para agradar seus filhos, permitindo-se esbanjar dinheiro público oriundo até de corrupção. Esses filhos do Brasil terão de entender que, acima da popularidade, estará o sacrifício de “consertar o Brasil”.

Não foi à toa que o presidente provisório Michel Temer deixou claro que o importante no seu governo não é a popularidade, mesmo porque, segundo ele, não pretende – por ora – candidatar-se a nada. Novamente, de acordo com suas declarações, Temer pretende pôr em prática medidas austeras, nada populistas, com o intuito de salvar este país. Para finalizar, portanto, muitas crianças mimadas irão espernear.

Do jeito que as coisas andam, entretanto, só uma educação antiga, daquela que foi ensinada pelos nossos avós, salvará e revitalizará a democracia, a ordem e a economia do Brasil. Acabou o “quero tudo e tenho direito a tudo “durante um tempo, vamos tentar colocar a casa em ordem para que os filhos na nossa Pátria não sofram com demandas piores, com castigos piores: o desemprego, a angústia e a desesperança.