Penitenciárias e escolas

 

cana*por Fernando Rizzolo

Não há quem não tenha ficado horrorizado com as rebeliões ultimamente ocorridas em vários presídios do nosso país. A forma de vingança pessoal carcerária lembra imagens da violência praticada por grupos terroristas como Isis. Mas até que ponto toda essa violência não é reflexo puro e simples de um problema maior que vivenciamos aqui mesmo no nosso país? Fica claro que a violência sem uma legitimidade ideológica radical acaba sendo mais assustadora do que a mais condenável postura terrorista. Na verdade ambas são, no seu âmago, fruto do desprezo dos valores humanos. A diferença é que o terrorismo islâmico tem um pano de fundo “religioso”, enquanto as chacinas carcerárias são oriundas de um desprezo pelo ser humano, revelador dos valores morais que permeiam o Brasil, um dos países mais corruptos do planeta.

Essa vingança carcerária é, sim, fruto de todo um elenco político corrupto que afeta todos os partidos, principalmente o PT, que acabou percorrendo o caminho do sonho de um país justo para a infiltração e o uso da justiça social como pretexto para avançar no erário público em consonância com alguns setores do empresariado. Vivemos época de violência generalizada, a sociedade já não acredita no Judiciário como forma de prover justiça. Fazendo com que a bandidagem não tema as punições, o espelho da ética do Poder Público ofusca o provimento jurisdicional, alargando a percepção da Justiça Pública e propagando, assim, a impunidade.

Com efeito, como dizem alguns educadores e visionários sociais, deveríamos gastar mais com educação, o que é louvável, mas no momento atual não nos resta outra alternativa, a não ser o endurecimento das leis, a plenitude na aplicação da Lei de Execução Penal, que por sinal é por demais branda. Observamos hoje até grupos extremistas, fascistas, perigosos se manifestando livremente pelas ruas, difundindo o ódio racial, o que também é parte do magnetismo ideológico que ocorre na Europa; portanto, diante deste quadro onde as pinceladas se misturam com as cores do que ocorre no exterior em termos de violência, aliado à decepção com os governos deste país, o redirecionamento das posturas políticas para uma direita mais atuante acaba se enaltecendo não só aqui, mas no mundo todo, haja vista a vitória de Donald Trump. A saída romântica de mais educação e mais escolas é, na verdade, solução a longo prazo, a saída real para o enfrentamento dos nossos problemas e sobrevivência da democracia é a mão firme, quer do ponto de vista econômico, quer com a busca mais efetiva de resultados ao invés de popularidade. Quanto ao ódio racial, resta-nos “atenção plena”… Pena que absolutamente nada disso esteja acontecendo… Estamos verdadeiramente num barco sem rumo.

Viajar, deslocar-se, para viver

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*por Fernando Rizzolo

Existem vários tipos de viagens, para todos os gostos. Viagens a trabalho, viagens a passeio, viagens com um objetivo específico espiritual, enfim, ficaria aqui a noite toda exemplificando os tipos de viagens e os inúmeros porquês de as pessoas viajarem. Já viajei muito pelo mundo, mas sempre daquela forma tradicional, de avião. Já tive o sonho de viajar o mundo num veleiro, mas, à medida que fui ficando mais velho, esse sonho se mesclava com um medo, medo de surgirem problemas no meio do caminho, como um naufrágio, por exemplo. Bem que deveria ser ao contrário, ou seja, à medida que envelhecemos deveríamos ser mais ousados, mas, no meu caso, como no de tantos outros, isso não ocorre.

É bem verdade que em toda viagem existe um desafio, como em tudo na vida, mas no deslocamento acentuamos esse desafio e nos saltamos ao que vier. Quando me refiro a viagens, falo das longas, aquelas em que permanecemos num avião por mais de 10 horas. Não que outras viagens não sejam também desafiadoras, mas gosto de me ater às longas. Além do desafio, existe um componente espiritual, pois sabemos que aquele momento não mais voltará, e no meu caso costumo conhecer as Sinagogas de cada país, coisa de judeu, eu sei. Também, é claro, tenho minhas manias, minhas rotinas, ou seja, quem não está acostumado comigo sofre. No bom sentido, é claro.

Contudo, para quem vive num país como o nosso, qualquer viagem, por mais curta que seja, vale a pena. Temos lugares maravilhosos no Brasil para compensar os piores políticos do planeta. É claro que existem exceções, mas são pouquíssimas.

A grande verdade é que tudo é válido para fugirmos dos noticiários de corrupção, da falta de perspectiva do nosso país. Qualquer viagem, por mais pobre que o viajante seja, é saudável. Existem até aqueles andarilhos, os chamados “trecheiros”. Certa vez, conversei com um para saber por que caminham solitários pelas estradas e encontrei histórias de desilusão, de desalento, e ele dizia o que aqui afirmo: que o deslocamento alivia… A viagem é no fundo uma fuga e uma procura de si mesmo. Agora, já pensaram se os 12 milhões de desempregados do Brasil resolvessem se tornar andarilhos, ou trecheiros, para poupar suas angústias? Encontramos no Antigo Testamento relatos espirituais sempre em deslocamentos em viagens, portanto, desde aquela época, viajar é também uma experiência da alma.

Para terminar minha humilde reflexão sobre as viagens, até porque preciso arrumar minha mala, existe também uma modalidade de viagem chamada de fuga, ou, como se fala em Direito, “empreender fuga”. Esta não tem nada de espiritual e pode ser convertida através de “Carta Rogatória”, ou seja, o Judiciário daqui pede ao Judiciário do país onde o condenado se escondeu para trazê-lo de volta, mas isso é outra história, que pode acontecer com alguns políticos do Brasil, que, em vez de apreciarem viagens, apreciam propinas… Mas é bem provável, viu… Vou acompanhar o noticiário lá de longe…

Sobre políticos tóxicos e dores de cabeça

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*por Fernando Rizzolo

Há algumas semanas tenho procurado um tema para escrever e que seria oportuno nessa época de Olimpíadas. Por sinal, já cansei de tantas medalhas de bronze, mas, como o Brasil é um país pobre e o torcedor brasileiro gosta de vaiar os adversários internacionais, acho que merece mesmo a tal medalha de bronze, que tem tudo a ver com o Brasil… bronzeamento, praia, estátua de bronze, enfim, um país bronzeado. O meu grande assombro nesse caso, porém, foi descobrir que a maior ofensa ao brasileiro foi ter ouvido falar mal de um tal de biscoito “Globo”. Ah! Isso sim, falar mal desse biscoito (ou polvilho) ofendeu o nosso povo, que não percebe a disparidade das vaias a um atleta olímpico internacional e que ferem a dignidade do esporte (e a nossa). Fiquemos com o biscoito, apesar de tudo, esse sim, a vítima.

Ao terminarem as Olimpíadas, outra maratona de jogos começa. Iniciam-se as campanhas eleitorais para vereadores e prefeitos pelo país afora. Aqui na minha poltrona, nesta noite de rascunhos, entre um gole de café e outro – e já prevendo uma enxaqueca noturna daquelas – me antecipo ao tomar o meu velho Dipirona ou, para quem não conhece, aquele remedinho de gosto amargo, útil para amenizar dor de cabeça e no qual a gente sempre erra a contagem das gotas.

Voltemos, entretanto, ao assunto da verdadeira dor de cabeça: as urnas. A grande questão nessas eleições são o que chamo de “a volta dos políticos tóxicos”. Até poderia discorrer sobre suas personalidades, se meu humor permitisse, contudo, vamos e venhamos, aturar campanha eleitoral num país como este, recheado de corruptos e de inatingíveis pela justiça, só com muito Dipirona. Num cenário tão inspirador, nem iria escrever este mês e só decidi fazê-lo porque precisava compartilhar esses dois aspectos recentes. Na verdade, queria desabafar: placares olímpicos chatos e bronzeados x propaganda política tóxica se aproximando. É demais!

A democracia, como dizem, nos chama para elegermos o “melhor”. É possível isso? Termina por ser nossa obrigação perceber quem é menos tóxico. É possível isso? Na maioria das vezes, a gente nem sabe mais quem é quem, pois eles mudam de partido, fazem alianças e, quando percebemos, o tóxico está na sua frente, é seu prefeito, é seu vereador.

Quantos problemas temos neste Brasil de dores de cabeça! Ainda bem que tenho o Dipirona, embora esse remedinho tão prosaico seja proibido em alguns países, como nos Estados Unidos, por exemplo. Já até tentei, em certa feita, procurá-lo nas farmácias americanas e me informaram que não era mais vendido por ser tóxico! Tudo bem, se considerarmos que nem tudo que é tóxico lá, aqui é. Não cabe à regra, devemos admitir, olimpíadas bronzeadas e políticos manjados, que costumam provocar uma enxaqueca danada e um tremendo mau humor em qualquer povo, talvez pela falta de desintoxicação de toda essa situação.

O que me conforta é que temos algo insuperável, o biscoito Globo. Nunca experimentei, mas deve ser bom demais, afinal os cariocas sabem o que é bom… e eu sei o que é bom para dor de cabeça, embora a origem seja… tóxica.

 

Impopularidade e Progresso

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 *por Fernando Rizzolo

É crescente a percepção de que as democracias, em geral, podem ser divididas em democracias saudáveis e aquelas desprovidas de vitalidade, ou, se preferir, enfermas. Em uma análise simples, pode-se trazer esse tema para contextos mais rotineiros, como o da educação familiar – sim, essa responsável por formar cidadãos que, uma vez adultos, irão trabalhar, votar, governar e formatar a sociedade.

No mundo contemporâneo nos acostumamos a educar os filhos seguindo uma cartilha ditada pela educação pós-moderna, que preconiza a aceitação de tudo no tocante aos desejos da prole. Sob pena de não nos tornarmos bons (e amados) pais – e ainda pior, sob o peso de que nossas habilidades enquanto tutores sejam julgadas publicamente – nos permitimos não reprimir os filhos quando gritam e esperneiam em restaurantes. Deixamos de chamar sua atenção quando erram deliberadamente. Da mesma forma, são numerosos os casos de pais que preferem contestar professores, mas nunca os filhos. Numa longa lista de situações, a permissividade ocupa o topo, sob a justificativa de que assim, e somente assim, ganharemos o título de “pais legais e modernos”. Contrariar interesses é desgastante e ainda pode pôr a perder o bônus de comprar a amizade eterna daqueles que tanto mimamos na infância.

Numa analogia política pode-se imaginar o impacto progressivo do comportamento daqueles que assim foram educados e hoje vivem numa democracia em que a melhor proposta ganha a eleição. Traduz-se aqui como a melhor proposta aquela que agrada a maioria dos eleitores, principalmente as minorias, os mais pobres. Isso, aliás, seria muito saudável se praticado numa democracia de um país desenvolvido e sólido.

Hoje, infelizmente, vivemos num país esfacelado economicamente, numa democracia enferma, muito embora todas as instituições funcionem normalmente. A enfermidade democrática vem do fato de que numa situação de emergência estrutural econômica não mais podemos despender gastos: o que resulta, em grande parte, cortar gastos sociais; o que representa, em grande medida, contrariar os filhos.

É nesse momento que a prole brasileira terá de ser advertida, convencida, ensinada e reeducada para compreender que muitas das ações do governo, no caso o provisório de Michel Temer, não serão populares. Elas significam impor limites dentro da nossa democracia e da nossa economia, exatamente para mantê-las saudáveis. Integram o pacote restringir fortemente os gastos públicos, assim como sociais, e contar com o apoio do Congresso Nacional.

Em tais condições, é certo o descontentamento de muitos filhos da Pátria, em especial daqueles “educados” e agraciados pelo PT – este assumiu muito bem o papel de “pai bacana”, que concede tudo para agradar seus filhos, permitindo-se esbanjar dinheiro público oriundo até de corrupção. Esses filhos do Brasil terão de entender que, acima da popularidade, estará o sacrifício de “consertar o Brasil”.

Não foi à toa que o presidente provisório Michel Temer deixou claro que o importante no seu governo não é a popularidade, mesmo porque, segundo ele, não pretende – por ora – candidatar-se a nada. Novamente, de acordo com suas declarações, Temer pretende pôr em prática medidas austeras, nada populistas, com o intuito de salvar este país. Para finalizar, portanto, muitas crianças mimadas irão espernear.

Do jeito que as coisas andam, entretanto, só uma educação antiga, daquela que foi ensinada pelos nossos avós, salvará e revitalizará a democracia, a ordem e a economia do Brasil. Acabou o “quero tudo e tenho direito a tudo “durante um tempo, vamos tentar colocar a casa em ordem para que os filhos na nossa Pátria não sofram com demandas piores, com castigos piores: o desemprego, a angústia e a desesperança.

A História sempre acerta

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*por Fernando Rizzolo

Neste carnaval não fui viajar, fiquei por aqui pensando que fosse encontrar a cidade vazia, mas, qual nada! Blocos e mais blocos de rua estavam por todo lado, sem talvez dar-se conta de que terminavam por enfeitar a cidade de alegria, como há muito tempo não se via. Pus-me, então, a refletir sobre os antigos carnavais, nas coisas bonitas do passado e que estão surgindo naturalmente nos dias de hoje. A história em si, como vivência do mundo, em termos de experiências, é algo maravilhoso. É claro que devemos olhar para o futuro, mas, o engraçado, é que quanto mais se olha para frente, mais enxergamos o que a história nos mostrou.

Dizem alguns que pensar muito no passado significa excesso de melancolia, depressão. Da mesma forma, pensar muito no futuro sugere excesso de ansiedade. Tenho que discordar. Talvez a teoria até corresponda às visões individualistas, mas num contexto macrossocial, o que vemos é que muito aprendemos com o que o passado tem para contar.

Outro dia fiquei apreensivo em saber que aqui em São Paulo algumas livrarias estão vendendo um livro repleto de ódio, escrito por Hitler, o Mein Kampf. Escrita em 1924, a “obra” entrou em domínio público. Constituída por um misto de memórias com o projeto político do ditador mais odiado do mundo, é uma verdadeira “bíblia nazista”.

Então, observem o que a história nos mostra: depois de tudo o que ocorreu na Alemanha, onde seis milhões de judeus e outras etnias foram exterminadas, a faísca pretensamente intelectual contida neste livro ainda produz suspiros em grupos neonazistas e simpatizantes. Podemos, portanto, através desta conclusão, dimensionarmos o perigo da venda dessa péssima leitura.

A história, entretanto, também nos remete a coisas boas. Neste mês surgiu um marco para a física e a astronomia: cientistas de vários países anunciaram ter detectado ondas gravitacionais. Essas ondulações do espaço-tempo comemoradas agora foram previstas por Albert Einstein há um século. Imaginem como, há mais de cem anos, com parcos recursos tecnológicos, um cérebro humano como de Einstein foi capaz de comprovar algo que só agora, e com a tecnologia atual, está se confirmando.

O saldo pós-carnaval, então, aponta que, no hoje, temos um encontro entre passado e futuro: antigas e alegres manifestações, como a dos blocos de rua, ainda resistem. Do passado, a vibração de velhos temores chegam pelo clássico destruidor Mein Kampf. O futuro se anuncia com as ondas gravitacionais longínquas do tempo e do espaço, confirmadas por cientistas. Assim, uma perfeita e contraditória relação entre o passado e o futuro se desenrola. O ser humano alegre como o carnaval tradicional, um livro que pode ser uma arma ideológica perversa no futuro (aliás, sua venda pela Justiça já está proibida em alguns estados do país), e a confirmação de uma teoria secular de Einstein.

Amigos, nunca a história abraçou tantos tempos. Portanto, olhar o passado e analisar seus desdobramentos para o futuro é bom para humanidade. Tão bom, posso arriscar, quanto as marchinhas antigas e blocos que atrapalham o nosso trânsito, mas desobstruem a nossa falta de esperança.

O dólar e o carnaval – isso aí dá samba

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*por Fernando Rizzolo

Pode até parecer, pelo título deste artigo, que o assunto de hoje seja economia, os insondáveis custos de hospedagem nos hotéis, enfim, as viagens de feriado prolongado que estão por vir e quanto elas vão custar. Isso até renderia um longo texto, mas, na verdade, eu que nunca fui um folião, prefiro refletir os motivos do carnaval no Brasil. Sua insana e anestesiante felicidade rende mais que a economia. Com efeito, não há como desvencilhar situações tristes que são afogadas na alegria incontida desta festa.

Lendo um artigo há pouco tempo, descobri, surpreso, que nas quatro primeiras décadas do século 20, negros cariocas e judeus do Leste Europeu migrados para o Brasil dividiam ruas, escolas e mesmo casas no bairro Praça Onze, no Rio de Janeiro. E foi por lá, justamente na antiga Praça Onze, que as primeiras escolas de samba surgiram.

Mas, o que poderia, na época, fazer do carnaval uma efervescência de alegria na Praça Onze? Na minha humilde interpretação, a festa seria um jeito de extravasar a tristeza, o descaminho e o desalento, tanto de negros quanto de minorias étnicas. Por aqui, Brasil do samba, quando as coisas vão mal, o carnaval continua sendo um remédio – um tanto ingênuo e até passível do título ‘alienação’, é verdade. Ainda me lembro quando nos meus quinze anos juntávamos amigos e íamos de trem ao Rio de Janeiro, para o carnaval, é claro. Não entendia bem a alegria, mas aquilo me fazia feliz.

Com o samba enredo “2016: economia precária, recessão, desemprego e dólar alto”, a espontânea alegria carnavalesca é mais difícil, menos praticável. Apesar disso e por mais incoerente que pareça, acredito ser legítimo buscar meios de alegrar o espírito. Aqueles que criticam o carnaval devem apenas observar a alegria sem nexo, a fantasia da ilusão e se despojar da rigidez racional.

Talvez assim, e num vislumbre da história brasileira, compreenderemos que da alegria infantil revive a força; que com o espírito alegre, embalado pelas marchinhas, renascemos. Traçamos uma marcha sem rumo em direção ao inesperado, fortalecidos, apesar disso. Talvez haja alguns bêbados de esperança pelo caminho, em meio aos sempre sóbrios, assim como viviam outrora os negros e judeus da Praça Onze.

O enredo político perdido neste país em que impera a corrupção só pode ser vencido pela esperança da alegria.

Pena que o antigo trem de ferro São Paulo-Rio já não exista mais. Se por suas linhas ainda trafegasse, estaria eu mesmo tentado a esquecer de tudo e a viver deste ardor mais uma vez, deste antídoto chamado carnaval. Festa bonita, da forma como se realiza, é só nossa. Incoerente? O que importa! Evento monumental, figura sim como disforme no contexto da nossa democracia. Aliás, aqui democracia rima com folia e eu vou sim preparar minha fantasia, pois sinto saudades do tempo em que o real (Real?) valia… acho até que… isso aí dá samba…!

 

 

A LAMA E A CORRUPÇÃO

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* por Fernando Rizzolo

O que está acontecendo no Brasil? A lama de Mariana em Minas Gerais me dá a impressão de que até a natureza se revela indignada, parece evocar a ideia de um espelho desta assombrosa fase que o país está passando. Aquele lamaçal que permeia toda a região é o mesmo lamaçal ético com o qual sofremos inconformados diante de tanta roubalheira, numa coexistência espúria entre políticos corruptos e a nata empresarial brasileira que já é motivo de chacota no exterior.

Com o desemprego em alta, mercado imobiliário parado, inflação, banqueiros e empresários envolvidos em corrupção, muito embora ainda não condenados, que investidor internacional irá apostar num país em que a crise financeira esbarra na moralidade político-empresarial? Na verdade, até eu mesmo estou farto. Imagino ter a tranquilidade de um dia parar de vez com artigos ou textos sobre política, corrupção, lama e crime. Então, talvez escreva um romance.

Passei quase um mês em Londres e, como durmo cedo, me encharquei de noticiários. Todos falavam do terrorismo que agora assola a Europa, mas, sinceramente, a questão islâmica fundamentalista me parece controlada pelas potências militares. Acredito que o tempo dissipará os muçulmanos fanáticos, dando lugar à grande maioria não extremista. Mas, observem que a questão na Europa é ideológica, mas aqui não, amigos. A questão por aqui é moral, envolvendo a política e o alto escalão empresarial, fazendo da nossa democracia uma pobre refém dos maus costumes e das negociatas.

É emblemática a visualização daquele lamaçal numa reportagem da BBC, vista de fora, e logo após notícias sobre a corrupção no Brasil. Sei que muita coisa ainda virá. A delação premiada é sempre uma caixinha de surpresas, move montanhas e jovens banqueiros ambiciosos num país pobre, desgovernado; um país vítima de seu próprio destino, vez que a grande maioria da população não consegue ter uma posição política firme, pois poucos têm acesso à leitura e aos jornais em função do baixo nível educacional.

Nos resta o Judiciário, portanto, com a intenção do provimento jurisdicional nas posturas dos magistrados, a de apontar e punir os agentes delituosos. Alcançado isso, o rio da “pátria educadora” será, enfim, lavado da lama poluidora e, finalmente, terão lugar os bem-intencionados e os que sonham com um Brasil de águas límpidas… Vou pensar no meu romance…

O futuro para os que estão nascendo

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*por Fernando Rizzolo

Dizem que praia de paulista é shopping center. Concordo. Plenamente. Eu mesmo todos os sábados à tarde vou à minha praia e sento numa mesma poltrona, no mesmo café, no mesmo shopping. Seria como aqueles que têm seu lugar preferido na areia – é uma coisa instintiva, apesar de que alguns prefiram chamar de TOC. Só que há uma diferença nessa praia: sentado num café, ouvindo pelo celular música pré-selecionada pelo “streaming”, a vista é outra. Ao invés de olhar o mar, olho gente.

Uma observação recorrente nessa minha “praia”: o que eu vejo de mulheres grávidas e pais empurrando carrinhos de bebê é uma coisa impressionante! Assim, impossível não imaginar o que será desse país daqui uns 40 anos e, numa reflexão temerária entre o olhar e as notícias que transbordam sobre corrupção, desemprego, falta de perspectiva e violência, realmente imagino o que ronda a cabeça desses jovens pais.

Diante desse Brasil das notícias, o mesmo que acolherá quem ainda vai nascer, a pergunta clichê, mas inevitável e pertinente é: que país deixaremos para eles? Agora não resta a menor dúvida de que se não consertarmos a economia, de que se não nos desfizermos dos maus políticos, pobres e ricos serão vítimas fatais. Crianças e jovens não terão futuro e a saída para eles será se juntar ao povo de Governador Valadares – aquela cidade mineira na qual uma grossa fatia da população migrou para os Estados Unidos – aliás, me parece e segundo os noticiários, que o pessoal de lá está voltando para os EUA. Não é pessimismo, mas é que por aqui tudo vai mal. Improvável não questionar como conseguiram desmantelar um país em tão pouco tempo. Acho muito triste isso.

No mundo lá fora impera a intolerância. A Europa está se tornando perigosa, grupos extremistas atacam cidadãos inocentes em Israel covardemente a facadas. Imigrantes em massa se dirigem a países que, no fundo, já entoam preconceito e violência étnica. Enfim, provavelmente quando este texto for publicado não estarei no Brasil e sim na Europa, mas em Londres, por quase 30 dias. E, vejam, cheguei até a pensar em não escrever nada neste mês. Mas, como o momento é de incursões, decidi externar minha desesperança, esta alarmada em função dos carrinhos de bebê, das mamães grávidas, daqueles que passeiam no shopping e estão, sim, desempregados. Quando se lambuzam de sorvete, o fazem também para esquecer. É, não está fácil.

Mas, essa afinal é a minha praia, a praia de paulista, que talvez desnude mais do que qualquer outra – e que ainda nos alerta a partir de uma simples e prosaica reflexão.

Ouvi dizer que existem shoppings com arrastão, igual nas praias. Nem ligo. Se passarem por mim levarão o quê? Só ideias de um Brasil conhecido por “pátria educadora”. E eu vou continuar no café. Aqui, se a coisa pega, peço mais um macchiato e mudo para um samba de gafieira, uma vantagem do tal do “streaming”, que caiu no gosto dos jovens do Brasil.

Síndrome de abstinência da gastança

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*por Fernando Rizzolo 

É realmente inacreditável como no Brasil a irresponsabilidade fiscal travestida de “visão desenvolvimentista” insiste em palpitar sobre ideias que vão na contramão da correta política fiscal num momento tão dramático pela qual a economia brasileira está passando. Documento divulgado pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, é claro em demonstrar os efeitos da “Síndrome de Abstinência da Gastança” ao apregoar o desejo de voltar ao modelo econômico do gasto desenfreado que nos levou a esta situação.

Observem que ainda há muito que se cortar antes de propostas de aumento tributário, como a volta da velha senhora CPMF. Para se ter um exemplo clássico, o Fies, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que financia cursos superiores em instituições privadas, tornou-se a “vaca sagrada”. Preservado, não terá cortes, é até recebeu investimentos. O programa, que teve restrições de verba no primeiro semestre deste ano, recebeu um crédito extra e viu seu orçamento subir de R$ 12,4 bilhões para R$ 16,6 bilhões. Ao todo, R$ 8,98 bilhões já foram pagos. Em 2016, estão previstos R$ 18,2 bilhões ao Fies. Ora, todos sabemos que este programa resulta em altos ganhos para as instituições de ensino particulares. Elas ampliam o número de alunos, sem risco de inadimplência, ou seja, o negócio mais seguro no mundo capitalista, que, além de lucros às instituições à custa do Tesouro Nacional, rende votos.

Não é à toa que o Ministro Levy já está se cansando e as agências de classificação inquietam o mercado financeiro. Além da instabilidade política existente, o país também assiste ao governo se debater e gastar bilhões na tentativa de segurar a desenfreada alta do dólar, utilizando os chamados “swap cambial”. Para se ter uma ideia, o Banco Central (BC) registrou prejuízo estimado em R$ 71,93 bilhões com os contratos de “swap cambial” – instrumentos que equivalem à venda futura de dólares – de janeiro até a última sexta-feira (28).

A grande verdade é que diante deste cenário, a síndrome da abstinência de certa ala petista, que convulsiona pelo consumo da droga chamada gastança, deve ser não apenas rechaçada, mas indicada a uma internação forçada numa clínica do bom senso supervisionada por um “economista psiquiatra”. Muitas internações são bem-sucedidas, além de urgentes, pois a droga chamada gastança passou a ser o crack da nossa economia. Acredito que até o sociólogo e jornalista Perseu Abramo, se estivesse vivo, passaria um pito nessa turma

Brasil do Pixuleco

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 *por Fernando Rizzolo

Domingo, 16 de agosto. Na famosa passeata que ocorreu pelo Brasil inteiro, protestando contra o governo Dilma, a corrupção e Lula, resolvi caminhar na Avenida Paulista. Fui apenas para observar, pois, de tão indignado com tudo isso, já nem sei mais se gritar, carregar cartazes ou esbravejar adiantam muito. Como um espectador tímido, com meu tênis de caminhadas, fui lentamente percorrendo e olhando as pessoas, como uma câmera daquelas antigas do velho e grande cineasta Sérgio Person, na sua paixão por revelar a intimidade do inconsciente coletivo paulista.

Para quem viveu, como eu, a hiperinflação dos anos 80, rever tudo isso e seu conteúdo bárbaro de corrupção, mentiras e envolvimento de empresários, é muito triste. Pude observar não só o olhar das pessoas, mas a forma delas caminharem. Muitas estavam cabisbaixas. Percebi ainda algo que não via há tempos, nem em outras manifestações: uma sensação de desesperança.

Sim, desesperança em tudo: na dúvida sobre a efetiva condenação dos atores do Petrolão, na mentira pregada pelo Pré-Sal, em que ninguém sabia de nada, embora por todo lado Lula e Dilma bridavam com macacões cheios de óleo. Desesperança pelo mensalão, e pior, pelo desmantelamento do Plano Real, que resulta na desvalorização do dólar – é lógico que isso interessa e muito aos maus empresários, aqueles que se beneficiam do dólar barato por não investirem em modernização da produção de suas empresas. Desesperança ainda pelo desemprego culminante na fraca economia e, acima de tudo, por uma corrupção avassaladora perpetrada por parte dos governantes e capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores.

Brasil desesperança. Parece que esquecemos tudo pelo que passamos nos anos 80. Apagou-se da memória a hiperinflação? Os jovens a desconhecem, mas estão sendo apresentados a ela. Eles e todos, porém, assistem, agora, a formas tecnológicas modernas de corrupção em que empresários e governo, numa simbiose macabra, esfarelam o país em contas no exterior.

Entre velhas e novas técnicas de apropriação do dinheiro público, ficou apenas um nome antigo, malandro, para dar nome à velha, mas atual propina: “pixuleco”.

Está louco… Colocar tênis para andar na Paulista, ver gente triste e, ainda assim, manter a esperança? Não é fácil neste país do “pixuleco”, neste Brasil que até outro dia era uma coisa e agora virou outra. Virou o Brasil da desesperança para muitos e Brasil do “pixuleco” para poucos.

Ficção Etária

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*por Fernando Rizzolo 

Falar sobre a vida, opinar sobre os princípios que nos norteiam através da ética e da religião, me parece, de certo modo, tarefa bem mais fácil quando tendemos apenas a discorrer, comentar o assunto. Se a proposta ganha outra dimensão, a de reflexão, por exemplo, demanda uma profunda análise desse tema tão controverso e apreciado pelos defensores dos Direitos Humanos em todo o mundo. Em último aspecto, numa abordagem não só jurídica, mas principalmente social exigida pela realidade brasileira – que, aliás, pouco difere dos demais países sob o ponto de vista criminal – é primordial assimilar que o crime ou ato delituoso é inerente aos aspectos social e econômico, estando muito mais vinculados ao universo das drogas.

Numa postura própria que defino como “progressismo jurídico”, é relevante avaliar a eficácia da simples fixação de uma escala de idade (como a diminuição dos 18 anos para 16 anos no tocante à imputabilidade penal). Isolada, tal decisão nada mais representa uma ficção etária perdida na nebulosa condição do entendimento e discernimento que requer cada agente delituoso.

Partindo-se do princípio simplesmente etário, transfere-se uma inócua sensação de segurança, útil apenas à perpetuação da criminalidade. Trata-se de um fato: os autores mediatos e os próprios delinquentes lançarão mão daqueles com 15 anos ou menos para a prática criminosa. O discurso de que os pobres serão os maiores prejudicados esbarra na formalização segura de uma política de repressão. Tropeça ainda na resposta do Estado ao caos em que chegamos diante da impunidade e do perigo social relacionado a crimes cometidos por menores.

Não tenho a menor dúvida de que o critério utilizado nos Estados Unidos seria o ideal para o nosso país. Por lá, a idade para a maioridade penal varia de estado para estado. Na maior parte deles, não há idade fixa, e o juiz decide, de acordo com o caso concreto, se o jovem será julgado como adulto. Mas, em alguns lugares, como Califórnia, Arkansas e Wyoming, a idade de imputabilidade penal está fixada em 21 anos.

Já na Inglaterra, diante de alguém com 10 anos ou mais, o juiz já decide a pena. Nesse caso, considera a gravidade do crime, podendo o acusado ser julgado e condenado como adulto. A pena, entretanto, é cumprida em instituições especiais.

O critério biopsicológico, concluo, é capaz de aferir as reais condições de cada agente delituoso, vez que existem menores de 16 anos de periculosidade criminal superior a qualquer idade biológica. Só um juiz, amparado em avaliações de especialistas como psiquiatras e sociólogos, poderá imputar a pena de acordo com o discernimento do agente.

Assim, as demais propostas nada visam a não ser a mesmice. Continuam a promover a criminalidade absurda que já atingimos e vivenciamos em cada esquina, onde, perplexos, não sabemos a quem recorrer.

Para terminar – buscando um olhar menos jurista e mais jornalista, diria que estamos todos expostos à condição de vítimas de crimes em geral. Na impossibilidade de conter a violência, nossa alternativa quase passou a ser “reclamar para o Bispo”. Por sinal, no caso do Rio de Janeiro, nem isso é possível! Lá, até o arcebispo da cidade maravilhosa, Dom Orani Tempesta, já foi assaltado duas vezes. Pasmados, chegamos ao ponto de nem ao bispo poder reclamar, até para não incomodá-lo… e não amedrontá-lo. Pobre Brasil. Não por acaso, a cena remete àquela velha música do Chico Buarque, O meu guri “….de lá para cá nada mudou, só piorou”.

SE CONECTANDO COM NÓS MESMOS

  

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 *por Fernando Rizzolo

Quando pensam em conexão, muitas vezes as pessoas imaginam situações relacionadas à internet, smartphones e outros aparelhos. Nem sempre se dão conta que, de uma forma até sorrateira, esses recursos furtaram a palavra “conexão” de algo bem maior na vida, no cotidiano e no nosso vernáculo. Falar do significado real dela é importante, porque deveríamos exercitar muito mais este ato. Seria o conectar-se com aquilo de que gostamos, com as pessoas – de forma mais próxima, com Deus, e com aquilo que nos pertence, que apreciamos, por mais simples que seja.

Ainda me lembro da conexão que eu mantinha na infância com “coisas colecionáveis”. Eram selos, marcas de cigarro – apesar de nunca ter fumado – moedas e tantos outros objetos. Aquilo tudo me proporcionava imenso prazer. Quantas vezes, pedia para que minha avó me levasse de bonde, na cidade de Santos, litoral paulista, à região do porto. Lá sim eu encontrava pelo chão um tesouro colecionável: uma variedade de marcas de cigarros do Oriente Médio e de tantas outras regiões do mundo. Jogadas por marinheiros ou capitães dos navios aportados, eram verdadeiros achados que terminavam num ritual: depois de levados para casa, os papéis eram passados a ferro quente e colados no álbum.

Sempre colecionei, sempre tive uma relação, uma conexão mesmo, com aquilo que eu estava reunindo. Nos dias de hoje, entretanto, poucos jovens se conectam com coisas físicas, principalmente as mais prosaicas. Também é interessante observar que dificilmente se encontram jovens em feiras de antiguidade. Talvez isso se deva porque a conexão com peças antigas seja, na verdade, uma ligação com o passado. Muitos poderiam alegar que isso é uma forma de obsessão, uma patologia, mas, quando realizada de forma saudável, é uma benção ao espírito.

Aprendi com o tempo que me conectar com objetos, praticar esse hobby, me auxiliava no contato com Deus. A religião judaica, a qual professo, é rica em formas de estabelecer, por meio de objeto s sagrados, uma ligação com Deus.

Mas, por qual razão estaria eu insistindo nessa relação tão fora de moda que é a conexão – não a eletrônica, digo – mas a outra, aquela que é a pura e simples ligação entre alguma coisa ou algo e nós mesmos?

A resposta talvez deveria advir de uma palavra chamada afeição. Justifico: quando nos afeiçoamos a algo, que para nós tem um valor histórico, diverso ou sagrado, aprendemos também a exercitar a conexão com as pessoas. Mais ainda, com o respeito, com a ética, aquisições que nos fazem uma imensa falta nesse país.

Infelizmente, no Brasil as conexões que ensinamos aos jovens são as do celular, as impessoais, as frias. Na política, por exemplo, não existe conexão entre o político e o povo. Numa outra análise, de um outro tema, o consumir desvairado se preocupa com o ter por ter e não o obter por uma razão maior.

Quando vejo tanta corrupção no país, penso na raiz de tudo, ou seja, o desrespeito ao outro, ao próximo. Pode soar antigo, mas são a total despreocupação e ausência de interesse com o outro que levam a tudo o que assistimos.

Agora, estou começando uma nova coleção: a de bengalas antigas. Não que esteja ficando velho, mas pelo significado delas para a humanidade. As bengalas suportam o corpo humano, num paralelo com a situação que vive a alma sofrida e desesperançosa de valores do povo brasileiro. Este só tem a Deus para recorrer.

Permitir uma conexão com tudo que o que foi pontuado aqui é um desafio. Cabe ensinar aos indivíduos em formação o real conectar-se, pois, do contrário, eles só terão o celular como referência sobre os valores perdidos. As causas pouco nobres, e a falta de afeição e respeito por nós mesmos….

 

 

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ESCOLHENDO O QUE ASSISTIR NA TELEVISÃO

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*por Fernando Rizzolo

Um dos argumentos que os “pseudodemocratas” sempre usam é o famoso termo “liberdade de expressão”. É claro que esta frase expressa um dos aspectos mais importantes da cidadania, mas, para ser sincero, deve haver uma percepção “pro societate“, uma dosagem na aplicação de tão nobre conceito.

Como não quero aqui ser julgado como antidemocrático ou tachado como alguém com vocação para censor, vou me explicar: já comentei em textos anteriores que estive duas vezes na Rússia, país pelo qual tenho imenso carinho – um reconhecimento à sua história de luta, pois foi também graças ao Exército Vermelho que o nazismo acabou derrotado. Como é de praxe, porém, poderá surgir aquele leitor que dirá “Ah! Esse Rizzolo é um comunista, gosta da Rússia”. Assim, quero deixar bem claro que gosto da Rússia atual, não da União Soviética, não do ditador Stalin, não das perseguições feitas pelos czares contra o meu povo judeu. Ao analisar um país, procuro o que ele tem de bom, seja qual for essa nação.

Na verdade, constatei que existe uma certa calma no semblante das pessoas na Rússia. Mesmo em grandes centros como Moscou ou São Petersburgo observa-se uma dose de ingenuidade nas pessoas; a criminalidade, por exemplo, é baixa. Acredito piamente que isso tenha estreita relação com a política de seleção dos programas que vão para a televisão naquele país.

Sei que muitos podem não concordar comigo sobre a necessidade de novos conteúdos; que podem continuar prestigiando as novelas brasileiras – aquelas que apregoam o mau exemplo. Quando me refiro a elas, não estou apenas falando sobre as cenas impróprias, mas da essência moral das novelas exibidas na maior rede de televisão do Brasil. Em suma, não é apropriada para o horário – consideração esta para não alegarem que sou homofóbico ou qualquer outra tolice.

Prova da demanda por novos conteúdos é que, no momento, a Rede Record exibe uma novela diferente e que está sendo um enorme sucesso. Em Os dez mandamentos, a emissora mostra a história de Moisés. A aceitação pública deve-se ao fato de que o povo brasileiro está cansado de programas e novelas que trazem no bojo mensagens que não são puras, que não são saudáveis e têm pouco conteúdo moral.

Quem sabe, depois que o telespectador brasileiro assistir Moisés liderando o povo judeu a se libertar do Egito, da escravidão, tente também se livrar dos “Egitos novelísticos” de algumas emissoras que nos aprisionam com cenas pesadas. Assim, poderemos nos tornar, neste aspecto, mais próximos dos telespectadores das noites de Moscou. Por lá, os programas são leves e os faraós da comunicação sempre se dão mal quando tentam escravizar a audiência com más mensagens, além de não contarem com as bençãos divinas, como no caso de Moisés.

Não sou purista, nem censor, só estou cansado de receber notícias econômicas ruins e de me deparar, na televisão brasileira, com cenas como a do ex-presidente Lula vociferando contra todos. Depois de tudo isso, ser conduzido ainda por maus exemplos também nas novelas… não dá.

DIREITOS HUMANOS E A CORRUPÇÃO

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*por Fernando Rizzolo 

Uma das questões mais difíceis de compreender é como um partido político como o Partido dos Trabalhadores, cuja trajetória foi originalmente pautada sobre igualdade, defesa dos menos afortunados, além da preocupação com os Direitos Humanos de uma forma geral, tornou-se alvo de tão grande manobra interna ligada à corrupção no Estado brasileiro. É claro que tudo ainda está sob a apreciação do Judiciário, mas os indícios são fortes, tendo em vista as declarações feitas nos casos de acordos de delação premiada. Contudo, o que causa a indignação popular, a vontade de ir para as ruas e até o triste apoio à volta do regime militar é a decepção.

Interessante notar que a capacidade de se indignar é predominante na classe média, talvez em função do nível cultural, da capacidade por assim dizer de mobilização contra a espoliação do país. Com efeito, a dinâmica dos ajustes morais de um país corrupto como o nosso afeta a materialização e a consecução dos Direitos Fundamentais, e o pior, todos os discursos eleitorais do governo foram baseados na maior implementação dessas premissas constitucionais. Assim sendo, o PT acabou vencendo as eleições pelo fato de apresentar um programa dirigido àqueles que diretamente esperavam absorver todas as garantias previstas no que chamamos de Direitos Humanos, como mais dignidade, saúde e educação.

A grande verdade é que os pobres do Brasil não se mobilizam, pois vemos que a grande maioria dos indignados nas ruas são pessoas provenientes da classe média. Isso talvez se deva à falta de informação ou ao efeito retardado de todo este processo que ainda não atingiu a classe dos menos favorecidos, mas que poderá ocorrer com a alta da inflação e a recessão. Fico muitas vezes pensando sobre os valores desviados na Petrobras. Observem que foram 21 bilhões de reais. Sim, esse é o montante desviado da Petrobras durante os anos de governo petista segundo estimativa do banco americano Morgan Stanley. O cálculo foi feito com base nos 3% de propina denunciados pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto da Costa, investigado na Operação Lava Jato da Polícia Federal.

Sentado na minha antiga poltrona, posso imaginar, perplexo, que seria possível compensar 127 vezes o famoso assalto ao Banco Central em 2005; ou juntar 100 pilhas de dinheiro com o mesmo valor que possuía Walter White, o protagonista de Breaking Bad; ou construir dois novos World Trade Centers; ou ainda comprar esses quatro times de futebol: Real Madrid, Barcelona, Chelsea e Inter de Milão.

Pobre povo brasileiro, povo pobre na maioria com pouca cultura, cuja desinformação o faz inerte e passivo. Porém, o mais triste são os argumentos do governo ao afirmar mais uma vez que estava desinformado de tudo, não por falta de cultura, é claro, mas talvez comprovemos no Judiciário que foi por falta de simples respeito ao que proclamavam na propaganda eleitoral, defesa dos Direitos Humanos, e um toque de ironia e mau exemplo no campo da educação no país da “Pátria Educadora”…

CORRUPÇÃO, CAMISA AMARELA E TÊNIS

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*por Fernando Rizzolo 

Naquele domingo, 15 de março, estava decidido a me indignar nas ruas. Logo na noite de sábado separei meu tênis e uma antiga camiseta amarela que pouco tinha a ver com a bandeira brasileira – esta já tão machucada por tudo que se soube dos vários aspectos do nosso Brasil: corrupção na Petrobrás (ainda com a imagem do presidente Lula de macacão manchado de óleo), das promessas da presidente Dilma sobre o pré-sal, enfim – o meu tênis e a minha camisa estavam bem ali, prontos para serem usados. Era como que, ao vesti-los, pudesse externar minha indignação. Diante do silêncio do governo e principalmente da presidente Dilma, compensaria minha revolta.

Por alguns minutos relutei, isso no domingo, em ir às ruas e decidi por fim ficar em casa, embora a televisão tenha permanecido ligada. Numa cadeira do quarto observava meu tênis e a minha camiseta inertes, como que dizendo que de nada adiantaria me juntar à multidão. Entretanto, mesmo que pela tevê, valeria a pena acompanhar a disposição de milhões de brasileiros, como eu, indignados.

A grande pergunta que realmente intriga é porque a presidente Dilma não se desculpou em público sobre o evento de maior corrupção que assustou o mundo, o da Petrobrás, apesar de no dia seguinte abordar o tema da “humildade”. Outra atitude lamentável do governo é sua posição, de certa forma, refratária ao ajuste fiscal. Prova dessa condição é a ameaça do ministro Joaquim Levy de abandonar o barco. Ainda há que se considerar certas políticas que são eleitoreiras como a “farra do Fies”, por exemplo. Criado em 1999 com a finalidade de emprestar dinheiro para alunos cursarem faculdades particulares, o Fies teve uma explosão de contratos após mudanças promovidas em 2010 para elevar o número de matrículas. Os juros caíram de 6,5% para 3,4% ao ano, abaixo da inflação.

Além disso, o financiamento pôde ser obtido a qualquer momento, a exigência de fiador foi relaxada e o prazo de quitação, alongado. Na verdade, de lá para cá, o total gasto por ano pelo governo federal com crédito estudantil disparou. O aumento, de 2010 até o ano passado, foi de 13 vezes, passando de R$ 1,1 bilhão naquele ano para R$ 13,7 bilhões em 2014. O resultado de tais medidas foi o crescimento nas transferências para grupos educacionais em mais de R$ 2 bilhões. Várias instituições de ensino receberam o dobro do que a Embraer, fabricante de aviões militares, e a Odebrecht, responsável por dezenas de obras pelo Brasil.

Vivemos num país corroído pela falta de valores, temos políticos corruptos, instituições enfraquecidas e, o pior, o povo brasileiro pouco pode fazer a não ser protestar nas ruas. Eu, enfim, acabei não indo, talvez porque no fundo meu tênis e a minha camiseta me soavam dizendo “prefira o luto, ficando em casa e se indignando em frente a sua televisão”. Assim, passei meu 15 de março com roupa normal e de mal com esta democracia.

PARA ONDE VAMOS COM A LÓGICA ECONÔMICA

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*por Fernando Rizzolo

Diante da instabilidade econômica no cenário internacional, e com a reeleição da presidente Dilma, as coisas pioraram muito. Muito mais do ponto de vista da credibilidade; é claro que ninguém poderia imaginar que depois do mensalão, surgiria um escândalo de corrupção de proporções gigantescas como esse que temos visto, da Petrobras – sabe-se lá qual a origem disso tudo. Imaginem vocês, a famosa Petrobras, que iria salvar o Brasil com a fantasia do pré-sal, com as imagens do presidente Lula e da presidente Dilma de macacões vermelhos exibindo o logotipo da empresa que é um dos orgulhos do Brasil. Essa empresa, meses depois, está no centro de um escândalo, totalmente assaltada e atolada em corrupção.

Na verdade não houve alternativa após a posse da presidente Dilma, que acabou estruturando uma política econômica conservadora nos moldes do PSDB. Mas, ao mesmo tempo, é uma estratégia estranha, a meu ver. Sabemos que há uma escalada da inflação em razão dos gastos públicos. Por isso, aumenta-se a taxa nominal de juros com o propósito de conter o consumo, ou seja, atua-se no aumento dos juros, mas pouco se faz na contenção dos gastos públicos. Portanto, até aqui, zero a zero.

Durante algum tempo, além do aumento das taxas de juros, o câmbio era, de certa forma, controlado com mais rigor através dos swaps cambiais. Entretanto, sem nenhuma justificativa compreensível, assim, “do nada”, surge uma declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmando que não vê necessidade de manter o real valorizado. O resultado dessa estratégia foi que se perdeu um instrumento eficaz de contenção da inflação através de uma política cambial plausível do dólar em relação ao real. Essa contenção poderia ser posta em prática da maneira que exponho a seguir.

Uma das formas de contenção seria reduzindo a pressão inflacionária de uma moeda desvalorizada que influencia valores de vários produtos compostos por matérias-primas importadas, ou seja, o seu televisor ficará mais caro. Além disso, se começarem a subir os preços de produtos como o arroz, o trigo, o pãozinho, com o real desvalorizado, não poderemos importar a preços competitivos. Se pudéssemos buscar lá fora, para contrapor a alta desses produtos no mercado interno, seria possível apagar o fogo inflacionário do mercado interno.

Mais uma vez, ao que me parece, existe nessa política do “deixa o dólar rolar” uma pressão de incompetentes indústrias nacionais que jamais investiram pesado na  modernização, mas sempre almejaram a desvalorização da moeda como forma de resolver seus problemas. Ademais, essas mesmas empresas nacionais que detestam a economia de mercado modernizando seu parque fabril para se tornarem mais competitivas, foram, com certeza, as maiores financiadoras das campanhas eleitorais e agora cobram seu preço, apregoando a desvalorização da moeda.

Portanto, quais são os elementos de freio da inflação e do desenvolvimento da economia num país desacreditado com uma indústria sucateada? Exportar mais num mercado internacional debilitado apenas através da desvalorização da moeda? Eu não tenho essa resposta. A única coisa que sei, como um palpiteiro em economia, é que, no momento em que os pobres deste Brasil perceberem que há menos dinheiro no bolso, mais desemprego, e menos regalias eleitoreiras, tudo mundo poderá ir para as ruas, mas provavelmente nem isso resolveria, pois no Brasil, bom mesmo é ir para a rua em bloco carnavalesco. Afinal, estamos no Brasil, o país do “o petróleo é nosso”, da frase “a Petrobras é o futuro”, e da corrupção das teorias econômicas sem nenhuma lógica monetária

DESPERCEBIDOS CAMINHOS DA INTOLERÂNCIA

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*por Fernando Rizzolo
Talvez uma das coisas mais difíceis na percepção da realidade política de um país seja a observação das condutas sociais que se mesclam a outras demandas. Tais demandas vêm com roupagem que legitima as causas proclamadas ¬– como as passeatas promovidas pela oposição, calcadas em interesses obscuros que assombram a democracia e a defesa das minorias, sejam estas quais forem. Com efeito, grupos que representam a extrema direita, adormecida durante anos, encontraram nas propostas da oposição ambiente propício para lançar e propagar ideais como a volta do regime militar e inspirações outras de cunho nefasto, que afloram não só no Brasil como em outros países.
Sempre na minha humilde concepção de Direitos Humanos procurei lançar textos sobre a desigualdade social, o papel do negro na nossa sociedade, a dignidade dos nordestinos no nosso país, e a defesa das minorias assolapadas pela intolerância – cuja origem deságua nas ideologias racistas, que tanto mal fizeram no decorrer da história da humanidade. Numa análise conjuntural observamos no Brasil que grande parte daqueles que apoiam a oposição na sua pauta reivindicatória baseada no esteio da liberdade de expressão, estão – sem se dar conta – servindo, de forma velada (o processo que Carl Jung chamou de “inconsciente coletivo”), a grupos de extrema direita cuja ambiguidade ideológica poderá um dia levar essas pessoas à condição de “vítimas de um tiro no próprio pé”.
A intolerância no país aumenta sim, a ponto de descobrirmos através da imprensa cidadãos promovendo o nazismo, chegando a desenhar suástica nas suas piscinas (como o ocorrido na região da cidade de Pomerode, em Santa Catarina), enaltecendo e afirmando em público seu fascínio pelas ideologias fascistas. Ora, a nossa legislação é coerente, mas a interpretação, no meu ponto de vista, é equivocada, pois se é vedada a divulgação de símbolos nazistas em público, na piscina também o deveria ser, já que, do alto, ou a bordo de uma aeronave, se pode ver o símbolo. Entendo, portanto, que a liberalidade e a impunidade, assim interpretadas, acabam sendo mais um componente a induzir pessoas e grupos a fazerem apologias dessa natureza.
Vejo com tristeza o caminho que trilha a nossa democracia, quer pelo aspecto da corrupção vergonhosa que assola o país, quer pelo afrouxamento interpretativo das mazelas históricas que resultaram no extermínio de mais de 6 milhões de judeus. Considere-se aqui também a passividade jurídica que propicia a leitura de que a liberdade de expressão está acima dos fatos nebulosos da humanidade, tornando assim assustador o destino das minorias. E o pior, tudo isso no mais silencioso movimento, como o dos mais famosos nadadores, que, quando nadam, pouca água espirram e pouco barulho fazem. Ao contrário, movimentam-se com classe e perfeição, provocando admiração nas piscinas, muitas vezes permeadas de ódio e molhadas de lágrimas.

Apenas para “oia”

10250138_777598458967122_2040613886268755669_n*por Fernando Rizzolo

Na verdade fazia tempo que eu não pegava a estrada e ia para lá. Caminho tão antigo, com tantos contornos conhecidos, tão familiares que fui, eu mesmo, me perguntando o porquê de não arranjar tempo nem vontade de ver como andavam as coisas naquela pequena fazendinha. O sítio – como muitos o chamam – pertence a nossa família e fica em Itapecerica da Serra, cidade antiga, bem perto da capital paulista, numa região chamada de Potuverá, à beira da rodovia Régis Bittencourt, no caminho para o Paraná.

No trajeto pensava em quanto é bom se distanciar da capital, do movimento das ruas, dos embates políticos, das passeatas, da violência… e mergulhar dois quilômetros na Mata Atlântica secundária (como chamam os especialistas), sentindo o cheiro do mato e pensando na vida. Logo que cheguei, a imagem da antiga casa, do gramado, das flores, me fez lembrar minha infância e adolescência, os amigos, geralmente filhos de caseiros que, de uma forma ou de outra, me ajudavam a selar os cavalos sem raça definida que mais socavam do que andavam. Bem ao lado do sítio existe até hoje um vilarejo muito antigo chamado “Vila dos Freitas”. O lugar tem esse nome simplesmente porque, há mais de 200 anos, viveu lá o casal Freitas – hoje vivem lá seus descendentes, tanto que todos ali têm o sobrenome Freitas, inclusive o nosso caseiro, Antônio. Aliás, caseiro não, ele é “tomador de conta” do sítio, como ele gosta de dizer.

Descobri com o tempo que existem nos sítios da região duas modalidades de “tomador de conta”: os que trabalham de fato e os que são contratados apenas para “oiá”. Portanto, a primeira pergunta que fazem ao serem consultados é: “É pra trabaiá ou só pra oiá?”. Logicamente existe diferença de preço: oiá é bem mais barato; mas é mais uma particularidade da região.

Caminhando pelos jardins e pelas plantações de eucalipto, que há meses não visitava, senti uma enorme satisfação ao ter novamente o contato com a natureza, envolto ao cheiro de mato e ao perfume emanado das altas árvores. Naquele instante, pus-me a refletir sobre a necessidade do ser humano de estar em contato com a natureza, com os pássaros, com a calça grudada de mato, terra nos sapatos, ou seja, um imenso contraste com a vida na cidade.

Já quase me despedindo, como sempre, fui pegar no carro meu iPad para tirar uma foto do jardim, que postei no famoso Facebook. Foi um sucesso total, muita gente “curtiu”; e isso por um momento me fez pensar que meu dom talvez seja a fotografia – e não a literatura. Mas a grande verdade é que todos como eu estamos cansados, exaustos de falar em política, corrupção, eleição, impeachment, volta da ditadura, MST e essas coisas pesadas que acabam sugando nossa energia. A vida simples está na moda e está aí o presidente do Uruguai, o José Mujica, que não me deixa mentir. A palavra é despojamento e a ordem do dia é ir para o campo, contratar um caseiro só pra “oiá”, evitar os jornais e jamais pensar em escrever sobre política. Talvez fosse bom, se eu conseguisse, mas, inevitavelmente, tenho de retornar à realidade do dia-a-dia e enfrentar um país complicado. Não é fácil, e mais, do jeito que as coisas andam, logo pouco emprego teremos, restando a nós apenas a modalidade de alguns da “Vila dos Freitas”, que é só observar, só “oiá” as coisas acontecerem, porque emprego mesmo vai rarear e a saída será a desilusão com a política para ficar apenas curtindo fotos de jardim. Cá entre nós, é bem mais saudável e nos deixa bem menos irritados……