Matéria de Carta Capital revela desgaste de Aécio com PSDB

A matéria da revista Carta Capital assinada pelo editor especial Mauricio Dias e intitulada na capa “Aécio deixará o PSDB”, tem três páginas e, dentro da revista, tem como chamada “O exemplo de Tancredo”. Na porção nuclear, está dito no texto:

– Há duas semanas, em jantar no Rio Janeiro, o ex-governador Aécio Neves empolgou-se ao falar da necessidade de reformas políticas no Brasil e, para sustentar os argumentos que desenvolvia junto a grupo restrito de amigos, ele anunciou: “Eu vou sair do PSDB”, na casa de empresário, em Copacabana, cercado de convidados importantes.

Diz ainda o jornalista em outro trecho:

– Segundo a conversa desenrolada no jantar em Copacabana, Aécio já tem um novo projeto político na cabeça. Não vai buscar abrigo em nenhum outro paritdo ao abandonar os tucanos. Com a vitória da candidata do PT, quer estabelecer uma oposição democrática. Já que o PSDB renegou esse papel ao preferir abraçar o udenismo golpista.
Terra

Rizzolo: Sinceramente muito embora alguns dizem que é boato, eu entendo ser verdade a intenção de Aécio fundar um novo partido. Agora fundar um novo partido para estabelecer uma oposição democrática trazendo as mesmas lideranças do PSDB Udenista, não adianta. Um novo partido terá que agregar novos novos, novas propostas , e acima de tudo estar ao lado do povo brasileiro, não ser uma oposição individualista de direita, isso aí nos já temos aos montes no Brasil. Caso a Aécio tenha realmente essa intenção, deverá apagar da memória tudo o que ele aprendeu com o conservadorismo tucano e partir do ideal de justiça social como base de um novo partido no Brasil.

Com polarização, pesquisas devem selar futuro de Serra

SÃO PAULO – Na opinião de interlocutores, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) – que ontem anunciou a renúncia à disputa da pré-candidatura ao Planalto contra o governador paulista, José Serra -, admitiu que no atual cenário não teria chances de ser escolhido como candidato do PSDB à Presidência da República. Saindo da disputa, automaticamente cria a polarização entre Serra e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Se a ministra crescer, o paulista poderá acabar preferindo a confortável candidatura à reeleição em São Paulo. Assim, estaria criada a oportunidade para que Aécio fosse chamado de volta para a corrida sucessória.

A desistência foi vista pelos aliados dos tucanos como “investimento futuro” de Aécio: o governador de Minas empurrou Serra para a condição de candidato de facto do PSDB contra Dilma. Agora, as pesquisas não terão mais de um nome tucano na lista e dirão quem, entre Serra e Dilma, está subindo ou descendo nas intenções de voto.

Na pior das hipóteses, Aécio ganhou tempo para coordenar a campanha em Minas e forçou Serra a assumir a montagem das alianças nacionais em torno de sua candidatura presidencial. “Aécio jogou com as brancas. Fez o movimento de ataque. Agora, começou o jogo”, diz um de seus principais aliados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Rizzolo: Entendi como sábia a decisão do governador Aécio. De qualquer forma, a polarização irá beneficiar o PT que terá o desenvolvimentismo versos o atraso e o neoliberalismo, sendo que tampouco terá a seu favor os argumentos de ética e probidade, até porque seus aliados como DEM, estão mergulhados na lama com Arruda. Agora, Serra é competente, obstinado, tem experiência, mas carrega consigo alguns defeitos como o exclusivismo, o poder centralizador, e pouco carisma; aliás entre Serra e Dilma é difícil distinguir quem é mais ” carismático”. Vai valer a leitura que povo irá fazer da administração petista; o grande perigo é o PT acreditar na transferência de votos. Por final entendo que Dilma terá que se transformar em popular, visitar mais São Paulo e Minas, e tentar ser tudo o que o Serra já foi num curto espaço de tempo. Vamos ver.

Aécio: PSDB deve ir além da aliança com DEM e PPS

RIO – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse hoje que “o PSDB deve sair da comodidade de aliança com o DEM e o PPS, que é importante, mas talvez não seja suficiente para vencer as eleições”. Aécio afirmou que pode trabalhar pela aproximação com partidos como PSB, PDT, PP e com setores do PMDB e reiterou a decisão de esperar somente até o início de janeiro por uma definição dos tucanos sobre a candidatura à Presidência da República.

O governador reconheceu ter um prazo diferente do colega José Serra, governador de São Paulo, que quer adiar o anúncio do candidato tucano para o fim de março. Aécio informou que, por enquanto, mantém seu nome como possibilidade para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e evitou falar em concorrer ao Senado. “No final de março as alianças que poderíamos construir já terão buscado outro caminho. Os ativos que eu poderia agregar à nossa candidatura terão buscado outras alianças. A partir de janeiro a contribuição que eu poderia dar se torna mais difícil”, disse o governador, depois de participar de um almoço na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

Programa de TV

Aécio criticou a estratégia do PT de fazer da eleição presidencial de 2010 uma disputa plebiscitária, com comparação entre a gestão do presidente Lula e de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “O programa de TV do PT (que foi ao ar na semana passada) teve um viés um pouco perigoso ao querer dividir o País entre pobres e ricos, entre os que pensam no povo e os que são contra o povo. É uma falsa discussão”, afirmou o governador de Minas.

O tucano também criticou o governo federal por não reconhecer os avanços anteriores à eleição do presidente Lula. “Se um extraterrestre pousasse sua nave aqui ia achar que o Brasil foi descoberto em 2003 (primeiro ano do governo Lula) e que tudo foi feito de lá para cá”, brincou, durante discurso aos empresários.
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Rizzolo: Acho importante diferenciar o que é uma política voltada aos interesses financeiros, e outra voltada ao desenvolvimentismo. Por mais que o governador Aécio tente minimizar os efeitos políticos do PSDB no decorrer dos anos, fica difícil confrontar com a política de inclusão elaborada pelo PT. Observem que muitos da oposição sempre foram contrários ao Bolsa Família, e agora não possuem coragem para dizer que são contra, sem contar, evidentemente, com toda carga de privatismo contida no governo FHC, portanto, não há que se falar em injustiças eleitorais e sim de disposição política em investir no social. É simples e objetivo.

Aécio: Azeredo é vítima de ‘conturbado momento político’

BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse hoje que o senador tucano Eduardo Azeredo (MG) “foi vítima do conturbado momento político pelo qual estamos passando”. Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e abriu processo criminal contra o parlamentar. Azeredo passou a ser réu em ação penal por suspeita de envolvimento com crimes de peculato (uso de cargo público em benefício próprio) e lavagem de dinheiro no esquema de desvio de recursos públicos, caixa 2, na campanha de 1998 ao governo do Estado. O caso ficou conhecido como mensalão tucano.

De acordo com o governador, Azeredo é um homem de bem e quem o conhece sabe disso. Ele reconheceu que problemas ocorreram na prestação de contas e arrecadação de recursos para a campanha, mas disse não ter visto indícios de atuação direta do senador ou de responsabilidade direta dele. Para Aécio, a partir de agora, Azeredo terá oportunidade de mostrar sua participação no processo e garantir sua inocência. “O senador Eduardo Azeredo não foi condenado. O STF apenas autorizou a abertura de processo e, agora, com serenidade e tranquilidade, ele terá condições de se defender e de provar sua inocência.”

O governador mineiro reconheceu ainda que esta foi uma semana difícil para a oposição, considerando não apenas a abertura do processo contra o senador tucano, como também as denúncias envolvendo o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). “Não foi um bom momento. Mas se me perguntarem se acho que isso terá reflexo na eleição de 2010, não acho que terá.” Para ele, estes são problemas específicos e pontuais. Aécio participou hoje de solenidade de assinatura de ordem de serviço para a última etapa do programa de pavimentação de ligações e acessos rodoviários entre municípios (Proacesso), no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.
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Rizzolo: Concordo com o governador Aécio, foi uma “semana conturbada”. Esta oposição que sempre esteve engajada nos discursos moralistas e agora se vê desmoralizada. Porém no caso de Azeredo, terá ele, como já afirmei em outro comentário, o amplo direito ao contraditório no decorrer da ação penal. Sinceramente vejo estes fatos que ocorrem na oposição de forma muito triste, isso tudo “descolora a democracia”, faz as instituições perderem o brilho; de nada adianta um regime democrático com uma oposição parca, pobre, sem discurso, desmoralizada, mesmo tendo à sua frente homens como Aécio Neves que eu admiro.

PSDB não tem pressa em definir candidatura, diz Aécio

BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse hoje não acreditar que a demora dos tucanos em definir o candidato à Presidência da República venha prejudicando o partido em relação à disputa de 2010. “Nós, do PSDB, não estamos nessa pressa toda de nos definirmos. Nisso, eu e o governador (de São Paulo, José) Serra estamos absolutamente afinados”, afirmou.

Ele avaliou que a demora na definição tem causado muito mais problemas na esfera do governo do que na oposição, à medida em que o governo enfrenta a discussão das candidaturas de uma senadora que saiu do PT, caso de Marina Silva (PV-AC), de um aliado do governo que vem se colocando de forma consistente como candidato (Ciro Gomes, PSB-CE) e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome apoiado pelos petistas.

Aécio diz que pretende conversar, possivelmente no próximo final de semana com José Serra, além da direção nacional do partido, em um evento marcado para Goiânia (GO), sobre os rumos que os tucanos irão adotar.

Mas ele manteve a defesa das prévias para a definição da candidatura. “Acho que está no momento de o partido dar sinais mais claros do que irá fazer. No que depender de mim, teremos uma consulta ampla às bases do partido”. Ele diz que ainda não tomou nenhuma decisão sobre um pedido de licença do governo para uma série de viagens pelo País.

Para o governador mineiro, o processo de definição dos partidos, tanto do ponto de vista dos aliados do governo quanto da oposição, está longe de ser concluído. “Estou absolutamente tranquilo. Acho que estamos fazendo o que devemos fazer”, afirmou.

Quanto à participação do PMDB na composição de forças, até mesmo em nível estadual, o governador disse acreditar que a tendência do partido será a de valorizar as suas posições regionais, independente do caminho que adotar no campo nacional.

“Temos de respeitar o caminho que o PMDB tomar no campo nacional, mas continuo acreditando que, se o PMDB é hoje fortíssimo para a governabilidade do País, é porque privilegiou sempre suas situações regionais, possivelmente até com prejuízo de uma grande unidade nacional. O privilégio das situações regionais é que permitiu ao partido construir grandes bancadas tanto na Câmara quanto no Senado, e acho que isso irá prevalecer.”
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Rizzolo: Concordo em parte, demorar para definir a candidatura da forma que está não é nada bom para o PSDB. Essa aparente calma, essa tranqüilidade, não deve perdurar por muito tempo, até porque as bases aguardam uma postura definida. Em relação ao PMDB concordo com Aécio “a tendência do partido será a de valorizar as suas posições regionais, independente do caminho que adotar no campo nacional”.

PSDB não ameaça programas sociais, diz Aécio

BELO HORIZONTE – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou hoje que a manutenção e o aprofundamento dos programas sociais no Brasil são “uma necessidade que ultrapassa partidos”. Ao comentar a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de um projeto de lei para consolidar as políticas sociais de seu governo, Aécio, pré-candidato do PSDB à Presidência, assegurou que a legenda tucana não representa nenhuma ameaça de retrocesso da atual política social.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, disse que a ideia de aprovar no Congresso uma Consolidação das Leis Sociais, inspirada na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), tem por objetivo evitar um eventual retrocesso num futuro governo.

“Não podemos ser incoerentes com aquilo que nós iniciamos. Quem iniciou os programas sociais de transferência de renda e que garantiu a estabilidade, fundamental para que eles pudessem avançar, foi o PSDB”, disse o mineiro, sem perder a ironia. “Quem disse isso já avalia que o PSDB governará o País. É uma boa notícia”.

Em clima de cordialidade, Aécio e Patrus participaram em Belo Horizonte da abertura do 8º Festival Lixo e Cidadania, cujo tema deste ano é “A diversidade cultural em defesa do planeta”. O ministro, que representou o presidente Lula no evento, evitou falar de política.

Aécio, porém, não perdeu a oportunidade de garantir que os tucanos não pretendem desmontar os programas sociais. “Temos que avaliar é se essa lei – eu não conheço sua essência – é o instrumento mais adequado. É uma discussão que o Congresso vai ter que travar. Mas a manutenção e o aprofundamento dos programas sociais, obviamente, é uma necessidade que ultrapassa partidos. Qualquer governo vai ter que mantê-los”, destacou.

Ao propor uma Consolidação das Leis Sociais, o objetivo do governo federal é transformar em lei regras que valem atualmente para programas de grande visibilidade, como o Bolsa-Família e o ProUni.

“Podem ficar tranquilos que no campo social o governo do PSDB vai continuar a trazer avanços para o País”, reagiu mineiro, que voltou a cobrar crédito para os governos que antecederam o atual.

Candidatura

Questionado novamente sobre a possibilidade de uma chapa tucana entre ele e o colega paulista José Serra (PSDB), Aécio disse mais uma vez que é contra.

O governador voltou a dizer também que não tem obsessão pela candidatura ao Palácio do Planalto. “Meu nome está colocado hoje por setores do partido como uma possível candidatura à Presidência da República. Não tenho obsessão por essa candidatura. Acho que ela é possível, acho que ela poderia possibilitar a construção de uma nova convergência”.
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Rizzolo: Sinceramente não acredito que o PSDB se governo viesse a ser, desmontaria os programas sociais. Não há mais possibilidade em função da inclusão social necessária, pertinente, e que na realidade faz parte de um grande projeto de aumento do mercado interno. Os programas sociais impulsionam a economia, integram os excluídos e não há espaço político para uma aventura neoliberal ultrapassada. Acredito que Aécio e Serra, são políticos de boa intenção, desenvolvimentistas e jamais fariam uma maldade dessa com o povo brasileiro.

Aécio reitera que vai ‘lutar até o fim’ por prévias

BELO HORIZONTE – Ao lançar o Programa de Fortalecimento e Revitalização das Associações Microrregionais, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, reiterou que irá “lutar pelas prévias até o fim”, para que o PSDB defina quem será o candidato à Presidência da República. “As prévias partidárias são hoje o melhor instrumento que o PSDB tem para definir qual será o seu candidato. Não sou dono do partido, mas continuarei a insistir que o partido realiza a partir de janeiro as prévias”, afirmou. O governador disse ainda que pretende manter suas viagens aos Estados do Norte e Nordeste e espera que em dezembro o partido anuncie a data de realização das prévias para escolha do candidato à Presidência.
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Rizzolo: Concordo com Aécio, as prévias são realmente válidas. Ademais, já não há mais a sensação de embate político entre Serra e Aécio e isso, para a desgraça do PT surgiu numa hora errada. Dilma Rousseff ainda não decolou, muito embora ainda é cedo para previsões. A grande preocupação não é saber propriamente quem será o próximo presidente, mas sim se este continuará com uma política desenvolvimentista como a que se desenhando nos últimos anos. Vamos ver.

Aécio e Serra selam aliança, afinam discurso e criticam Lula

SÃO PAULO – Entre caipirinhas de cachaça mineira e pães de queijo, os dois principais pré-candidatos do PSDB sacramentaram nesta segunda-feira, 14, em São Paulo, a promessa de estarem juntos nas eleições de 2010, independentemente de quem for o cabeça de chapa. Demonstrando afinação, os dois criticaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, jurou que fará campanha para o governador de São Paulo, José Serra, caso o paulista seja escolhido pelo partido para concorrer à Presidência. Serra comprometeu-se a fazer o mesmo pelo mineiro.

A promessa foi feita durante a cerimônia de inauguração do Espaço Minas Gerais, centro de negócios do governo mineiro na capital paulista, na tarde desta segunda-feira. O espaço está estrategicamente localizado na esquina da Rua Minas Gerais com a Avenida Paulista.

“Se a decisão do PSDB for em torno do governador José Serra, eu serei o primeiro a levantar a mão e me colocar à disposição para com ele percorrer o Brasil”, disse Aécio, ao que Serra respondeu de pronto: “Se for o Aécio, eu serei o primeiro a lhe levantar as mãos e estar nas ruas fazendo sua campanha, porque isso será muito bom para o Brasil.”

Os governadores se esforçaram em mostrar sintonia no discurso de crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Serra voltou a atacar a “volúpia centralizadora federal”, em referência ao apetite da União na arrecadação de impostos. Aécio tomou o termo emprestado e acusou a “volúpia arrecadatória” do presidente Lula. O líder tucano e ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que participou do evento, fez coro aos dois: “Hoje parece que o Brasil depende de um homem só. Não dá. Tem de ser uma coisa mais democrática.”

Defensor contumaz das prévias para a escolha do candidato tucano a presidente, Aécio as classificou apenas como “um instrumento importante de mobilização partidária”. Para Serra, as prévias são “um instrumento, como há outros também”.

Observado de perto por FHC, Aécio foi comedido ao falar da possibilidade de uma chapa puro-sangue. “Temos um quadro partidário extremamente plural no Brasil. É natural que as alianças entre partidos se reflitam na composição de chapa”, disse. “O governador Serra e eu estaremos juntos em 2010. Em que posição, o tempo vai dizer.”

Apesar do clima de cordialidade, os dois governadores esquivaram-se de responder se aceitariam concorrer como vice um do outro. “Essa questão não está posta”, frisou Serra. FHC aplaudiu a moderação: “Não é o momento ainda de saber quem vai ser vice ou se vai ter prévia. O importante é que o partido está unido.”
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Café com leite

Debaixo de um grande toldo transparente para abrigar da chuva um público de 400 convidados, Aécio fez questão de negar qualquer caráter eleitoral na cerimônia: “Aqui não é um comitê de campanha.” Em seguida completou, em tom de mistério: “Só se for para que o Brasil possa melhorar muito a partir do ano que vem.”

Serra relembrou as ligações históricas entre os dois Estados. “Minas Gerais e São Paulo nunca deixaram de estar juntos, estão juntos e vão estar juntos.”

Aécio e Serra dividiram palco com líderes tucanos e com representantes de partidos que devem formar a base aliada do PSDB nas próximas eleições, como o ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB paulista, e o prefeito da Capital, Gilberto Kassab, do DEM, afilhado político de Serra.

Habitué do mundo das celebridades, Aécio Neves levou ao evento ídolos do esporte, como o jogador do Corinthians, Ronaldo, e o técnico da seleção brasileira de vôlei, Bernardinho. Tucano de carteirinha, o humorista Tom Cavalcanti também marcou presença.

Enquanto esperava a chegada de Serra, que atrasou 30 minutos, Aécio assistiu ao lado do ex-governador e secretário de Desenvolvimento paulista, Geraldo Alckmin, e de FHC a apresentação de um grupo de dança e percussão. Na calçada em frente ao casarão, artesãs desenharam com areia colorida, lado a lado, as bandeiras de São Paulo e de Minas Gerais. Para encerrar a festa, foi servido caipirinha de cachaça mineira, espumante e pão de queijo.
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Rizzolo: O PSDB parece afinado. Isso é bom, do ponto de vista democrático. Agora esta observação do FHC de que hoje parece que todos nós dependemos de um só homem, expressa a pura realidade. E isso com certeza não é nada bom para a nossa democracia. A política café com leite sempre foi baseada em entendimentos, e Serra com Aécio unidos se complementam, dando ao PSDB maior densidade eleitoral. Muito boa essa possível aliança.

Aécio vem a SP inaugurar ‘consulado’ mineiro

SÃO PAULO – A economia, culinária e cultura de Minas Gerais desembarcam na próxima segunda-feira em São Paulo a reboque do governador mineiro, Aécio Neves (PSDB). O virtual candidato tucano à sucessão presidencial de 2010 vem à capital paulista inaugurar na esquina da Rua Minas Gerais com a Avenida Paulista o Espaço Minas Gerais.

Iniciativa do governo mineiro, o casarão vai funcionar como um centro avançado de negócios de Minas Gerais com empresários do Brasil e do mundo, uma vitrine para novos negócios. Concorrente de Aécio na disputa pela vaga tucana nas eleições do ano que vem, o governador paulista, José Serra, deve participar do lançamento da casa.

O Espaço Minas Gerais já abre com uma extensa programação, até janeiro de 2010. Em setembro, o casarão vai abrigar um evento de moda, antecipando tendências da Semana de Moda de Belo Horizonte, que acontece em novembro. Outubro será o mês da gastronomia, com a exposição e degustação de quitutes e bebidas produzidos em Minas. Em novembro, será a vez de trazer o artesanato da região para São Paulo e, em dezembro e janeiro, de mostrar as atrações turísticas mineiras.
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Rizzolo: Minas Gerais sempre foi um Estado politicamente de vanguarda. Os exemplos são muitos na história do Brasil, ter a oportunidade aqui em São Paulo de se ter um Espaço Minas Gerais, é fantástico. Minas possui coisas que nos remetem à uma visão sabia na maneira de viver, haja vista mencionados nos poemas de Drummond. Tenho pessoalmente um carinho muito grande por Minas Gerais, não é à toa que a minha primeira viagem na infância, aos 5 anos com meu avô, foi à Poços de Calda, tenho a foto até hoje. A forma de se fazer política em Minas é completamente diferente dos outros Estados, em Minas se conversa, se mobiliza, ao cheiro de cafe no bule. Parabéns ao governador Aécio Neves peça inciativa. Espero ser convidado ao evento.

Alma Mineira e a Política

O tucano e governador de Minas está na pauta do dia, articulando, conversando com líderes de diversos partidos, se movimentando. Minas quer ter seu ator político, e nada melhor do que ler os textos de Drummond para enxergarmos a alma mineira, seu apego histórico, o desejo latente de se ter um presidente da república. Quem não se lembra do poeta mineiro morando no Rio e falando de seu amor à Itabira?

Quando falamos no nome de Aécio Neves, temos que enxergar algo mais que uma candidatura à presidência; algo calado, bem ao estilo mineiro, quase uma voz tranquila que vem das cidades do interior de Minas. Falar em Aécio como um candidato à presidência, é remetermos a o inconsciente coletivo do povo de Minas, é reacender a chama da velha capacidade mineira de se fazer política.

Minas Gerais – o segundo maior colégio eleitoral do país – impõe uma candidatura própria, regional. Talvez um lenço que enxugue as lágrimas derramadas em 1985, quando Tancredo se foi, um verdadeiro resgate da perda do grande orador mineiro, que significava acima de tudo, a esperança do povo brasileiro.

Não tem jeito, o mineiro é assim, e quando ele própio se esquece que é mineiro, alguém vem e lhe lembra. Até a ministra Dilma Rousseff resgatou sua origem lá de Minas já quase apagada na sua memória, para que se apaziguasse com seu passado e tivesse uma maior co-relação de forças no Estado de Tiradentes; talvez imitando Drummond quando a poesia o levava vez ou outra a lembrar que era sempre um mineiro.

Por sorte uma mudança de partido por parte de Aécio não seria tão ruim para o povo de Minas – se as condições assim o exigissem. Partidos existem e como cavalos servem, monta-se no que melhor resistir à caminhada, naquele que melhor respira o ar dos objetivos, levando seu cavaleiro com mais rapidez e segurança aos ideais de um povo que ainda espera a continuidade da sua história, rasgada de forma abrupta com a morte do velho Tancredo.

Minas não esquece seus políticos, e Aécio caminha na consagração daquilo que dia se perdeu: seu avô, um presidente mineiro.

Fernando Rizzolo

Disputa entre Dilma e Serra será um privilégio, diz Lula

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista publicada hoje no jornal argentino La Nación que “será um privilégio para o Brasil” uma disputa para a presidência em 2010 entre a atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Lula acrescentou ainda que se Ciro Gomes (PSB) ou o governador mineiro, Aécio Neves (PSDB), também concorrerem “vai ser um luxo”.

“Não vejo nada de direita nesses candidatos. Vejo colegas de esquerda, de centro-esquerda e progressistas. Isso é um avanço extraordinário para o Brasil”, disse Lula. Apesar de avaliar todos os candidatos viáveis para sucedê-lo, Lula afirmou ter “fé” no potencial eleitoral de Dilma, ressaltando que para isso seu governo tem “muito a trabalhar” até 2010.

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Rizzolo: Dilma melhorou o visual, só que infelizmente quando discursa, a agressividade na sua fala ainda denota os tempos da clandestinidade. Será que ninguém ainda a orientou sobre a maneira de fazer notar mais ” dócil “?

Lula também tinha uma agressividade na forma de se comunicar, que foi abrandada, trabalhada. Pessoalmente não tenho nada contra a ministra Dilma, sua visão política mudou, é claro, e em São Paulo sua proximidade com Marta Suplicy poderá fazê – la crescer.

Confesso que entre Dilma e Marta Suplicy como candidata à presidência, ficaria com a Marta, muito embora tenho minhas restrições com o PT. E mais, com todo o respeito a ministra Dilma, a escolha será errada pelo partido e pelo presidente. Lula aposta na transferência de votos, que se a economia ajudar poderá prosperar.

Aprovação ao governo Lula cai 10 pontos com piora no emprego

SÃO PAULO – A aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu dez pontos porcentuais, segundo a pesquisa CNT/Sensus. O índice passou de 72,5% para 62,4%, o menor desde abril de 2008. Também tem queda significativa a aprovação pessoal de Lula, passou de 84% em janeiro para 76,2% em março.

Segundo o instituto, o resultado deve-se à piora no emprego e renda desde o início da crise. A pesquisa revela que a taxa dos que sentiram a piora no emprego subiu de 38,5% para 54,5%. Essa é o terceiro levantamento em dez dias que apresenta queda na avaliação do governo e na aprovação de Lula.

Sobre a sucessão em 2010, o destaque da pesquisa é para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, candidata preferencial de Lula. Pela 1ª vez, ela passou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves na sondagem. O governador de São Paulo, José Serra, segue liderando as intenções de voto em todos os cenários. No primeiro turno, Serra teria 45,7% e Dilma, 16,3%.

CNI/Ibope

A blindagem da popularidade do presidente Lula sofreu o primeiro solavanco há dez dias com a última rodada da pesquisa trimestral CNI/Ibope. A sondagem revelou que, pela primeira vez desde setembro de 2007, a avaliação positiva do governo recuou: de 73%, em dezembro, para 64%. E apontou a vilã: vários indicadores mostram impactos reais da crise econômica global.

O índice de “péssimo” cresceu de 6% para 10% e o de regular, de 20% para 25%. Segundo o instituto, a aprovação ao governo recuou de 84% para 78% (seis pontos), enquanto a desaprovação foi de 14% para 19%.

Apesar da reviravolta, cabe lembrar que os números, isoladamente, continuam favoráveis: o saldo é positivo em todos os segmentos analisados. A nota média atribuída à administração foi de 7,4 – pouca variação em relação ao 7,8 anterior.

A popularidade crescente de Lula, que bateu recorde em dezembro, foi estancada: a confiança no presidente caiu de 80% para 74%. A desconfiança subiu de 18% para 23%. Sobre o segundo mandato, 41% (eram 49%) veem avanço em relação ao primeiro e 18% (11% em dezembro) avaliam que houve piora.

O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 144 municípios, entre os dias 11 e 15 de março. A margem de erro é de dois pontos.

Pesquisa Datafolha também divulgada no último dia 20 apontou queda similar à do Ibope, mas menos acentuada – a aprovação ao governo encolheu de 70%, em novembro de 2008, para 65%.

Agência Estado

Rizzolo: Não poderia ser ao contrário. O governo demorou por demais nas ações devidas ao combate à crise, foi omisso quando os trabalhadores foram demitidos em massa como no caso Embraer, e depois propagou o consumo ao mesmo tempo em que aconselhava os trabalhadores a não pedir aumento.

Ora, o trabalhador, sabe que por trás da crise existe uma política de altos juros que impede o desenvolvimento, e nesta questão também o governo demorou para agir. Em relação a ministra Dilma, não acredito que ela em si tenha despontado tanto, talvez Aécio tenha estacionado. O governador mineiro não passa muita credibilidade, e seu discurso ainda é vazio. Serra ainda aparece na frente e ao que parece, estará por muito tempo ainda; não podemos esquecer que Dilma já está em campanha.

Cúpula do PT: ” ruim de serviço” ou “ruim de aliança” ?

Se existe uma expressão até hoje vigente no interior do Estado de São Paulo capaz de descrever a forma exata daquele que não sabe trabalhar, não tem vocação, ou é incompetente, é a expressão caipira ” ruim de serviço”. O camarada que não é bom prefeito, então ele é ” ruim de serviço”, o próprio ex-governador Orestes Quércia, que é do interior do Estado e um político sábio se refere aos políticos incompetentes como ” ruins de serviço”, pode -se também se referir a um mal profissional aí ele seria um sujeito ” ruim de serviço”, e por aí afora, atrarvés dos anos a expressão se consolidou no interior do Estado de São Paulo.

Agora para coroar a política petista de cunho “coronelista federal” onde os caciques lulistas entendem o PT como tendo prestígio de sobra para não depender de alianças, podemos confortavelmente afirmar que o PT é ” ruim de aliança”; como no caso de BH em que em Nota dura a Executiva Nacional do partido, condena veementemente a aliança na capital mineira. Além disso, condena, não só a aliança, mas também o governo Aécio Neves. Repetindo uma resolução do Diretório Regional, que dizia: “O Governo Aécio não se coaduna com o que o PT quer para Minas Gerais e muito menos para o Brasil.”

Esse gosto petista pela hegemonia pode sair caro, o conceito de alianças é essencial na política e apostar apenas no prestígio lulista que os programas do governo como o Bolsa -Família emprestam pode ser um grande erro. Não há dúvida que a ” marca registrada” dos programas saem diretamente do governo federal para os habitantes dos municípios, transformando o prefeito em personagem secundário, mero agente do governo Lula, porem, esse conceito pode ser um engano principalmente em Minas Gerais onde os mineiros sabem bem aonde querem chegar.

Do ponto de vista estratégico o PMDB age de forma distinta, é um partido federado. Em São Paulo, por exemplo, Michel Temer tem um acordo com Orestes Quércia: Temer não se mete no PMDB paulista e Quércia não se mete no PMDB nacional. Alem disso, o veto e o “bater pezinho” da direção nacional do PT à aliança com o PSDB de Aécio Neves poderia abrir janela para o ingresso do PMDB na chapa de Márcio Lacerda (PSB), o candidato patrocinado pelo governador tucano em Belo Horizonte.

Enganam-se aqueles que entendem ou emprestam aos acontecimentos da semana passada uma derrota de Aécio Neves visando 2010. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, Aécio Neves representa uma volta de Minas ao cenário político federal, existe um sentimento de ” poder mal resolvido”, um vácuo com a morte de Tancredo Neves, será a oportunidade de se explorar e se apregoar a volta de um mineiro à presidência da república. Alem disso, Minas está geograficamente, entre duas bandas, os Estados do norte e do sul, bem na divisória de poder; com certeza virá com toda a força a imagem de Tancredo, de Juscelino Kubitschek de Oliveira, nascido em Diamantina – MG, e o direito e a vez de Minas Gerais no Planalto.

Ao acertar-se com com o PMDB, Aécio daria o troco no seu rival tucano José Serra, a quem atribui a costura do acordo que uniu o peemedebista Orestes Quércia ao prefeito Gilberto Kassab (DEM), em São Paulo. Todo cuidado é pouco principalmente em se tratando de PMDB, e do rebelde diretório municipal do PT em Belo Horizonte, o qual desafiou a Executiva Nacional do partido e confirmou a aliança com o PSDB na capital mineira nas eleições municipais deste ano. Podemos assim afirmar, que se a cúpula do PT é ” ruim de serviço”, por outro lado o diretório municipal do PT mineiro e o PMDB são ” bons de aliança”!

Fernando Rizzolo

Serra e Aécio vão às previas tucanas em igualdade

A dois anos e meio da sucessão de 2010, José Serra figura em todas as pesquisas eleitorais como franco favorito. Aécio Neves amarga uma constrangedora terceira colocação. Na queda-de-braço que travam pelo controle da máquina do PSDB, porém, os dois ostentam uma igualdade que contrasta com a sondagem pública.

Dissemina-se pelo tucanato a impressão de que não são negligenciáveis as chances de que, numa eleição prévia, o azarão Aécio prevaleça sobre Serra. Atento ao risco, o governador de São Paulo abriu janelas em sua agenda para correr os Estados. Algo que Aécio já vinha fazendo desde 2007 e que intensificou neste ano.

Serra arrosta dificuldades mesmo no diretório de São Paulo, Estado que governa. Ali, embora majoritário, Serra vê o pedaço do partido fiel a Geraldo Alckmin bandear-se para o lado de Aécio. A secção mineira, em contraposição, devota fidelidade canina a Aécio.

Estrategistas do partido começaram a mapear a disputa que se avizinha. Na extremidade inferior do mapa, verifica-se que, se a disputa fosse hoje, Aécio bateria Serra no Rio Grande do Sul, perderia em Santa Catarina e dividiria ao meio o Paraná. No outro extremo do país, Serra tem dificuldades de entrar.

No Amazonas, maior Estado da região Norte, Serra é praguejado como inimigo da Zona Franca de Manaus. Ali, Aécio tende a disputar votos não com seu rival número um, mas com o amazonense Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, que declara-se disposto a disputar a vaga presidencial. Não há aferição confiável nos demais Estados da região. Mas imagina-se que não estejam alheios ao discurso anti-São Paulo que impregna o Amazonas.

No Nordeste, verifica-se flagrante equilíbrio entre os dois principais contendores tucanos. No diretório do Ceará, protegido por barricadas erguidas pelo senador Tasso Jereissati, Aécio anula Serra. Na Bahia, dá-se o oposto. Ajudado pelo deputado Jutahy Magalhães Jr., um amigo de décadas, Serra é favorito.

O Rio Grande do Norte pende para Serra. Pernambuco, para Aécio. A Paraíba é uma incógnita. Em 2006, o governador tucano Cássio Cunha Lima ficou ao lado da candidatura presidencial de Alckmin, contra Serra. Agora, não se sabe que posição irá adotar. Na dúvida, os dois candidatos fazem-lhe a corte.

A engrenagem partidária da Paraíba, de Alagoas, e de Sergipe está dividida entre Serra e Aécio. A posição do Piauí é, por ora, ignorada. Mais ao centro, Serra é majoritário em Mato Grosso do Sul. Há uma divisão na máquina do partido em Mato Grosso. Goiás aguarda por uma definição do senador Marconi Perilo, mandachuva do tucanato local.

Conhecido como um partido de cúpula, o PSDB parece decidido a democratizar a escolha de seu candidato às eleições de 2010. A realização de prévias foi aprovada pela Executiva nacional tucana, ainda sob a presidência de Tasso Jereissati (CE), o inimigo cordial de Serra. Sérgio Guerra (PE), substituto de Tasso, toma agora as providências para que a consulta ocorra.

Entre a saída de Tasso e a chegada de Guerra, sobreveio a decisão de Arthur Virgílio de submeter seu nome a teste. Aécio soltou fogos. Com três candidatos, diz ele, a prévia, antes apenas conveniente, passou a ser imprescindível. Na semana passada, Virgílio foi aos EUA especialmente para testemunhar a disputa dos democratas Barack Obama e Hillary Clinton na prévia da Pensilvânia.

Nas pesquisas que captam a intenção de voto de todo eleitorado, a vantagem de Serra é devastadora. Na última sondagem do Datafolha, divulgada em 31 de março, o governador paulista lidera em todos os cenários. Seus percentuais oscilam entre 36% e 38%. Aécio balança entre 11% e 14%. Fica atrás de Ciro Gomes (PSB) e até de Heloisa Helena (PSOL).

É curioso que, submetido a tais indicadores, Aécio consiga ombrear com Serra na disputa interna. Fica a impressão de que o discurso anti-São Paulo e a propalada antipatia de Serra, quando confrontadas com o também lendário jeitinho mineiro de fazer política, encontra eco nas engrenagens do partido.

Atento aos fenômenos, Serra resolveu se mexer. Nos últimos três meses, esteve no Ceará, em Pernambuco, no Rio Grande do Norte e na Bahia. Prepara nova visita a Pernambuco. Move-se como se estivesse decidido a encurtar a distância que separa a curva das pesquisas externas dos gráficos que medem os votos internos. Tempo não lhe falta. A eleição ainda é um ponto longínquo no calendário. O problema é que Aécio não está e não vai ficar imóvel.

Blog do Josias

Rizzolo: Não podemos subestimar as possibilidades do governador de Minas Aécio Neves. O governador de Minas já está se articulando há um bom tempo e muito bem em todo o Brasil. Sua aproximação com o PT, a insatisfação do eleitorado mineiro que há tempos não elege um presidente da república – o último, Tancredo Neves tornou-se uma relação de poder mal resolvida face à sua morte -e tendo o segundo maior colégio eleitoral em suas mãos, o faz um candidato de peso.

Não há dúvidas que a forma de Aécio fazer política, é agregadora, conciliatória, bem ao estilo mineiro. Serra por sua vez, enfrenta alguns problemas no próprio Estado de São Paulo. Estrategicamente do ponto de vista físico ou geográfico, Aécio tem a sua disposição duas bandas bem definidas de atuação, ao norte de Minas e ao sul de Minas. Quanto ao PT com sua maneira péssima no tocante à capacidade de fazer alianças, entende ser um partido hegemônico, não precisam de ninguém, se bastam com Lula. Cuidado, isso é no mínimo um ledo engano. Precisamos saber qual a capacidade de Lula na transferência de votos.

Minas Gerais, Aécio e o PT

O Partido dos Trabalhadores surgiu envolto a uma densidade ideológica sindical, onde a indignação operária da época tentava por meios da negociação e das greves promovidas, um avanço do operariado nas conquistas sociais. Esse ideal foi propagado por Lula , um de seus maiores expoentes culminando com a sua vitória eleito como Presidente da República.

Lula e seu partido que ganharam expressão no Brasil, nasceram em São Paulo. Mas a questão principal no atual cenário político brasileiro, é talvez algo que não transpareça de forma explícita, mas que ocorre de forma velada nas esquinas, nas cidades históricas, e na capital mineira. A continuidade do sonho de Tancredo Neves. Após um período negro e violento na História do Brasil, Tancredo foi eleito o primeiro presidente civil em mais de 20 anos. A ansiedade de todo o país pela sua posse e por uma reorganização da sociedade, ainda amedrontada pelo regime militar, era nítida. Apesar de indireta a eleição de Tancredo foi recebida com grande entusiasmo pela maioria dos brasileiros, mas infelizmente essa trajetória foi interrompida.

O que observamos hoje na aproximação entre o PT e o PSDB mineiro, nada mais é do que uma articulação bem do “tipo mineira”, discreta, de boca em boca, mas instrumentalmente eficaz. Na capital mineira, o prefeito petista Fernando Pimentel deu as mãos ao governador tucano Aécio Neves. Ambos anunciaram a intenção de apoiar a pré-candidatura de Márcio Lacerda, do PSB de Ciro Gomes (CE). O caso mineiro não é único. O petismo está próximo do tucanato também em capitais do relevo de Salvador e Sergipe. Por trás, Lula emite sinais de que é simpático à aproximação, sobretudo à que juntou Pimentel e Aécio.

Já maior parte do PT não aceita a aproximação. Prova disso é a reunião do diretório nacional na segunda-feira (24) sob a presidência de Ricardo Berzoini; no encontro, os dirigentes petistas vão fixar as balizas da política de alianças que o partido de Lula adotará nas eleições municipais de 2008. Sob o ponto de vista político, a aliança do PT com o PSDB é estratégica e visa os interesses de Aécio, que quer sim, de qualquer forma, resgatar a influência mineira na política brasileira dando continuidade ao legado de Tancredo Neves.

Não há dúvida que em termos de articulação, Aécio Neves tem uma flexibilidade e uma visão política aguçada, move-se da direta para a esquerda com facilidade, se despoja de princípios partidários ideológicos, e analisa a proposta eleitoral num prisma de correlação de forças que enaltece seu desiderato político.

A crise no PSDB paulista está se agravando. O que é ótimo para o discurso de conciliação nacional do governador de Minas. Para Serra, uma vitória de Alckmin seria inconveniente. Ela fortaleceria a eventual candidatura de Aécio. Mas uma derrota de Alckmin poderá se transformar num negócio ainda pior, a depender dos termos em que ela venha a ocorrer.

Talvez no fundo, no conflito entre Serra e Alckmin esteja o oculto desejo da volta de Minas no cenário político nacional, talvez muito embora suposição, e exercício de reflexão política, o alinhamento PT e PSDB seja o início de uma incursão política não ideológica, mas saudosista em dar a Minas Gerais a continuidade em ocupar o lugar que de mérito era de Tancredo Neves na antiga alternância de poder entre São Paulo e Minas Gerais. Quem sabe ?

Fernando Rizzolo

Azeredo diz que se cair leva junto FH, Aécio e todo o PSDB

Azeredo ameaça o PSDB: “campanha de 98 não era só minha, era de todo o partido”

Após a cúpula tucana dar sinais nos bastidores de que abandonará de vez Eduardo Azeredo no caso do tucanoduto de Marcos Valério, o senador disparou as baterias e ameaçou publicamente seus correligionários Fernando Henrique, Aécio Neves e “todo o partido”. A ameaça foi feita em entrevista ao jornal “O Globo”, na terça-feira. Ao ser questionado se estava surpreendido com a postura do partido, ainda não formalizada, de rifá-lo, Azeredo mandou seu recado nada discreto: “A campanha de 1998 não era só minha. Era de todo o partido, inclusive da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso no estado”.

Azeredo acrescentou que, por isso mesmo, “acredito que vou ter o apoio total do partido. Eu sou fundador do PSDB. A bancada já disse que dará apoio”. Em seguida, emendou: “O Aécio também está firme”.

Não precisa ser nenhum Sherlock Holmes para decifrar as ameaças de Azeredo. Como está claro no relatório da Polícia Federal, o caixa 2 de Azeredo, irrigado com recursos públicos, de empreiteiras e de bancos, beneficiou 159 políticos ligados à sua candidatura. Na lista elaborada por seu caixa de campanha, Cláudio Mourão, aparece o então candidato a deputado federal e atual governador do Estado, Aécio Neves, como receptor de R$ 110 mil.

O relatório aponta também que parte dos recursos públicos que sustentaram o esquema saiu da Fundacentro – órgão ligado ao Ministério do Trabalho -, no governo de Fernando Henrique Cardoso. “Marcos Valério também realizou em 1998 procedimentos ilícitos junto à Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho -Fundacentro, entidade integrante da administração pública federal vinculada ao Ministério do Trabalho, utilizando a mesma técnica de branqueamento de fundos (lavagem de dinheiro) desviados através da prestação de serviços publicitários inexistentes ou superfaturados”, afirma a Polícia Federal. Além disso, a PF identificou esquemas montados na Telesp, antes da privatização, para desviar recursos para o esquema.

Em 2005, período em que estourou o escândalo do tucanoduto, Azeredo foi afastado da presidência nacional do PSDB por seus colegas com a esperança de que o caso fosse abafado. Agora, o senador que pode enfrentar um processo no próprio Senado, mostra que não está disposto de cair sozinho, caso seja novamente abandonado.
Hora do Povo

Rizzolo:Ah! Mas agora a ética tucana se desespera, não há dúvida que o fato do caixa dois de Azeredo, irrigado com recursos públicos, de empreiteiras e de bancos, que beneficiou 159 políticos ligados à sua candidatura levará muita gente a reboque, na lista de Claudio Mourão o caixa da campanha, Aparece quem? Nada mais nada menos o então deputado federal e atual governador do Estado Aéco Neves, receptando R$ 110 mil, ora, Esses são os “guardiões da ética tucana?” Agora, cuidado com Azeredo, ele sabe muito, e todos irão como já a reboque. Esses são os que não gostam da democracia plena, gostam da “relativa”, da mídia golpista e também do dinheiro do caixa dois. A direita está muito bem representada não?