Síndrome de abstinência da gastança

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*por Fernando Rizzolo 

É realmente inacreditável como no Brasil a irresponsabilidade fiscal travestida de “visão desenvolvimentista” insiste em palpitar sobre ideias que vão na contramão da correta política fiscal num momento tão dramático pela qual a economia brasileira está passando. Documento divulgado pela Fundação Perseu Abramo, ligada ao Partido dos Trabalhadores, é claro em demonstrar os efeitos da “Síndrome de Abstinência da Gastança” ao apregoar o desejo de voltar ao modelo econômico do gasto desenfreado que nos levou a esta situação.

Observem que ainda há muito que se cortar antes de propostas de aumento tributário, como a volta da velha senhora CPMF. Para se ter um exemplo clássico, o Fies, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que financia cursos superiores em instituições privadas, tornou-se a “vaca sagrada”. Preservado, não terá cortes, é até recebeu investimentos. O programa, que teve restrições de verba no primeiro semestre deste ano, recebeu um crédito extra e viu seu orçamento subir de R$ 12,4 bilhões para R$ 16,6 bilhões. Ao todo, R$ 8,98 bilhões já foram pagos. Em 2016, estão previstos R$ 18,2 bilhões ao Fies. Ora, todos sabemos que este programa resulta em altos ganhos para as instituições de ensino particulares. Elas ampliam o número de alunos, sem risco de inadimplência, ou seja, o negócio mais seguro no mundo capitalista, que, além de lucros às instituições à custa do Tesouro Nacional, rende votos.

Não é à toa que o Ministro Levy já está se cansando e as agências de classificação inquietam o mercado financeiro. Além da instabilidade política existente, o país também assiste ao governo se debater e gastar bilhões na tentativa de segurar a desenfreada alta do dólar, utilizando os chamados “swap cambial”. Para se ter uma ideia, o Banco Central (BC) registrou prejuízo estimado em R$ 71,93 bilhões com os contratos de “swap cambial” – instrumentos que equivalem à venda futura de dólares – de janeiro até a última sexta-feira (28).

A grande verdade é que diante deste cenário, a síndrome da abstinência de certa ala petista, que convulsiona pelo consumo da droga chamada gastança, deve ser não apenas rechaçada, mas indicada a uma internação forçada numa clínica do bom senso supervisionada por um “economista psiquiatra”. Muitas internações são bem-sucedidas, além de urgentes, pois a droga chamada gastança passou a ser o crack da nossa economia. Acredito que até o sociólogo e jornalista Perseu Abramo, se estivesse vivo, passaria um pito nessa turma

Ajuste fiscal exige alto ritmo de investimento, diz Pochmann

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu que uma das melhores formas de realizar o ajuste fiscal da economia é manter o ritmo de investimentos no país. Pochmman participou, nesta sexta-feira (14), da aula inaugural do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na zona sul da cidade.

Segundo ele, se a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) for mantida, no ano que vem o Brasil conseguirá zerar o seu déficit nominal, que corresponde à diferença entre as receitas e as despesas do governo incluindo os juros.

“Nós estamos ajustando as finanças públicas com o crescimento da economia. Quanto mais o Brasil cresce, mais faz o ajuste fiscal, porque gera mais imposto e reduz a relação dívida sobre PIB, que vem caindo no país”, disse Pochmman. “Se esse crescimento econômico for mantido, no ano que vem teremos déficit zero nominal. Isso é uma coisa que não ocorria há muito tempo”.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país, cresceu 5,4% em 2007. O instituto apontou ainda que os investimentos no país subiram 13,4%, a maior alta desde 1996.

Olhar medíocre

O presidente do Ipea avaliou, no entanto, que o crescimento da economia de 5,4% no ano passado é considerado baixo na comparação com outros países. “Estamos imaginando que crescer um pouco mais de 5% é fantástico, mas isso só se olharmos para a mediocridade registrada nos anos anteriores. Essa taxa ainda é pequena frente à potencialidade brasileira e ao que está acontecendo nos outros países”.

A manutenção dos investimentos foi defendida por Pochmman como forma de garantir um crescimento sustentável. “O elemento que nos anima a dizer que temos condições de gerar um ciclo de expansão por um tempo maior é o comportamento do investimento, que está crescendo”, disse o economista. ” Nos anos de 84, 85, 86, 93, 94 e 95, o PIB também cresceu em torno de 5%. A questão é que não houve a sustentabilidade econômica, que é definida a partir do investimento”, avaliou.

Fonte: Agência Brasil

Rizzolo: O ajuste fiscal pode ser maximizado com um acelerado ritmo de crescimento, e isso, claro, só é alcançado com um mercado interno forte com a devida expansão do crédito. Para tanto, as taxas de juro deverão seguir uma trajetória descendente e não ascendente como apregoam aqueles que querem um Brasil com uma taxa de crescimento dos anos 80, como assinalou o ilustre economista Pochmann. O que o presidente Lula ainda não entendeu, é que as argumentações que legitimam o aumento dos juros são frágeis e sempre as mesmas, a ladainha o perigo da inflação, ou como diz ele o ” da doença desgraçada”, eu já prefiro dizer do ” pobre argumento desgraçado”. Leia também: A lógica da ” velha doença desgraçada