Para Alencar, “juro é o gasto que mais pesa no Orçamento da União”

O vice-presidente da República, José Alencar, criticou na quarta-feira, no programa 3 a 1, da TV Brasil, a insistência do Banco Central em manter a política de juros elevados. Para ele, o governo gastou mais de R$ 1 trilhão nos primeiros sete anos do governo Lula na rubrica representada pelos juros. “É a rubrica mais pesada no Orçamento da União”, disse. O vice-presidente disse que se o governo tivesse usado uma taxa nominal de juros que representasse a metade da adotada atualmente, o país teria economizado R$ 600 bilhões.

Depois de afirmar que tem uma grande ojeriza a juros, ele lembrou que se a política do BC fosse outra, “nós teríamos aplicado esses recursos em alguma coisa que representasse desenvolvimento, mas estamos transferindo para especulação financeira”. “É jogar dinheiro pela janela”, disse. “O Brasil não registra inflação de demanda, uma vez que se mantém como país de “subconsumo”. “A inflação é inócua e desnecessária, porque não há expectativa de demanda”, afirmou.

Para o vice-presidente, a política do Banco Central vai contra as orientações do próprio presidente da República. “O presidente prega que as pessoas comprem e invistam para que haja emprego. Mas se ele prega para que as pessoas comprem, e a política monetária adota uma posição que inibe o consumo, algo está errado”, disse.

Sobre a necessidade de tomar decisões na ausência do presidente, Alencar disse que “se preciso tomar uma decisão inusitada, entro em contato com ele antes de fazê-la”. “Faria isso naturalmente, sem nenhum demérito ao meu mandato”, acrescentou.
Hora do Povo

Rizzolo: O problema das altas taxas de juros reais no Brasil já foi exaurido devidamente neste Blog por centenas de comentários. Com efeito nunca é demais ressaltar que cada vez mais, pessoas do próprio governo não entendem essa postura macroeconômicamente perversa, ao forçar a valorização do real impedindo as exportações, ao mesmo tempo em que premia os especuladores.

E que tudo mais vá pro inverno – Coluna Carlos Brickmann

Coluna de quarta-feira, 15 de julho

Os trabalhos do Congresso estão se encerrando. A partir de amanhã, nem os assessores caxias que têm o estranho hábito de trabalhar estarão por lá. Faz frio em julho. Como pedir que Suas Excelências fiquem tiritando?

CPI da Petrobras? Pode gerar crises. Mas quem sabe como estará a situação a partir de agosto? Até agosto, com o frio que faz, o clima político também deve estar menos quente. Anulação de mais de 600 atos secretos? Já foi assinada, mas fica para depois, que ninguém é de ferro.

A anulação dos atos secretos, a propósito, tem tudo para gerar enorme confusão. As pessoas que trabalharam, mas cuja nomeação não vale (porque não foi publicada), serão afastadas sem indenização? Mas como indenizá-las, se não foram legalmente nomeadas? Esquecer o passado, vá lá; mas, no caso, é um problema presente, que pode terminar na Justiça.

E a CPI da Petrobras? Pode transformar-se numa bomba: uma empresa deste tamanho dificilmente deixará de ter segredos que funcionários descontentes terão prazer em revelar – e isso na melhor das hipóteses. Mas pode ser apenas um traque: uma empresa deste tamanho opera no Brasil inteiro, interfere em múltiplas atividades, é útil a políticos de todos os partidos. E uma oposição como a nossa, que teve suas chances no Mensalão, na CPI dos Correios, no caso VarigLog, e não aproveitou nenhuma, não chega a ser nenhum centro-avante rompedor. É esperar para ver. E esperar sentado.

Quando setembro chegar

O projeto que concede aos aposentados reajuste igual ao do salário mínimo (apresentado pelo senador gaúcho Paulo Paim, do PT), também ficou para mais tarde. O Governo quer evitar este gasto. Comenta-se que a votação ocorrerá em agosto, mas setembro é uma data bem mais provável.

Força, Alencar!

O vice-presidente José Alencar, se tudo correr normalmente, deve deixar o hospital nesta semana. Mas, por ordem médica, só irá a Brasília alguns dias depois, quando tirar os pontos. Alencar foi operado em São Paulo, no Hospital Sírio-Libanês, para extrair um tumor que lhe obstruía o intestino.

Gente, que garra tem este homem! E ele nunca é visto sem um sorriso.

Serra em campanha

O silêncio do governador paulista José Serra sobre sua candidatura à Presidência terminou ontem. Em resposta a críticas sobre o que se considerou supervalorização do prêmio que recebeu de uma ONG associada à ONU, disse em seu nome a assessora Júnia Nogueira de Sá: “(…) não é prática do governador ostentar títulos que não tem. Primeiro, porque não seria ético. Segundo, porque seu currículo dispensa maquiagens.” Foi um ataque direto à ministra Dilma Rousseff, sua possível adversária em 2010, cujo currículo tinha sido enriquecido com títulos de que não dispunha.

Dilma em campanha

A ministra Dilma Rousseff, candidata do PT, também está em plena campanha. Ainda ontem, em Palmeira dos Índios, Alagoas, o presidente Lula disse que “vai trabalhar para fazer sua sucessora”. Dilma estava no palanque, ao lado de Lula e de outros aliados, como o senador Fernando Collor de Mello, do PTB de Alagoas, e do ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB baiano. Houve gritos de apoio a Dilma e Lula corrigiu rapidamente, para não parecer que violava a lei eleitoral: “Sucessora ou sucessor”.

Boa notícia

O juiz federal Jatir Pietroforte Lopes Vargas, da 1º Vara Federal de Jales, SP, condenou André Luís Ferreira a um ano e oito meses de prisão, em regime semi-aberto, por roubar senhas bancárias. Ele instalava um equipamento especial (o “chupacabras”) em caixas automáticas, e gravava as senhas dos clientes. Mas a boa notícia não é a sentença: é a rapidez com que foi dada. Saiu pouco mais de três meses após a prisão, dois meses depois da apresentação da denúncia. Juiz e promotor se esforçaram para que a Justiça, em sua área de atuação, seja rápida – e provaram que isso é possível.

Moça imoral

A jornalista Lubna Ahmed Al-Hussein está presa no Sudão por usar “roupas indecentes” – ou seja, calças compridas. Se condenada, Lubna estará sujeita à pena, executada em praça pública, de 40 chibatadas. Não seria o primeiro caso: a lei islâmica é imposta mesmo aos cristãos, que formam boa parte da população. Uma jovem cristã, Cecília Holland, por não usar um lenço na cabeça, levou 40 chibatadas. No caso de Lubna, o desafio é maior: ela convidou a imprensa internacional para assistir ao julgamento.

Só daqui a mil anos

Atenção: às quatro horas, cinco minutos e seis segundos do dia 7 de agosto, hora e data serão 04:05:06 – 07/08/09. Outra sequência igual só ocorrerá no inverno de 3009 – até lá, espera-se, aqueles problemas que o Congresso vem empurrando com a barriga poderão estar resolvidos.

Carlos Brickmann