Caminhante solitário

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*por Fernando Rizzolo

Em firmes passos, naquela tarde caminhava com um vento frio que fazia
meu rosto arder, ao lado as águas gélidas do Rio Moika, em São
Petersburgo. Sei que existem várias formas de caminhar, mas ali, tão
longe do Brasil, numa cidade maravilhosa – o centro histórico da
civilização russa –, com frio de 4 graus no mês de outubro, pude,
enfim, colocar-me ao lado do famoso rio, e andar durante horas à
procura de uma antiga e famosa livraria. Esse trajeto me fez refletir
sobre a história, o Brasil, envolto em um doce cheiro de mar que
vinha, provavelmente, do porto, o qual eu não sabia identificar em que
direção se localizava.

Não posso dizer que não aprendi muito naqueles 30 dias que passei na
Rússia, conhecendo o povo russo, seu dia a dia, suas universidades,
seus hospitais, teatros… Enfim, obtive uma essencial matéria-prima
para, em paralelo, repensar o que o Brasil significa hoje em termos de
avanço social. Para pensar também sobre a nossa política interna e ter
uma melhor percepção sobre nossos políticos e a infeliz cultura
imposta pelos nossos meios de comunicação.

Alguns meses antes de partir para a Rússia, estive empenhado
pessoalmente na defesa do Programa Mais Médicos, do governo federal.
Esse meu empenho culminou com um depoimento em um vídeo amplamente
divulgado pelo site do Ministério da Saúde, em que, como advogado e
cidadão, eu fundamentava a importância do Programa. Nem preciso dizer
que fui duramente criticado e censurado, inclusive pela Ordem dos
Advogados do Brasil em São Paulo, que me solicitou a retirada das
informações sobre minhas atividades na OABSP do site federal. Isso
porque eu era membro efetivo da Comissão dos Direitos Humanos da
OAB-SP, exatamente na área da saúde. Esse episódio muito me
entristeceu, pois sempre honrei meu cargo, e de forma alguma falava em
nome da OAB-SP.

Agora, ao retornar, vejo com satisfação a notícia de que 85% da
população aprova o programa, e que milhares de médicos cubanos e de
outras nacionalidades, verdadeiros heróis, se dispuseram a ajudar o
pobre povo brasileiro a vencer o desafio de melhorar as condições da
saúde pública do nosso país, sob os aplausos até da oposição, que
antes hostilizou não só o conceito do programa como os próprios
médicos estrangeiros. Lá na Rússia, ao lado do Rio Moika, tão longe do
Brasil, eu me perguntava o porquê de tanta discriminação, por parte
das entidades brasileiras, e me questionava sobre até que ponto somos
realmente um país livre.

Sabemos hoje que só trazer médicos não é a solução, que devemos
aumentar substancialmente o número de vagas na graduação em Medicina
(no mínimo mais 20 mil) para que os estudantes tenham, enfim, a
possibilidade se formar e servir a população, algo que ainda não
aconteceu. Espero, portanto, que tais promessas sejam cumpridas pelo
governo federal. Em determinado ponto do trajeto ao lado do Rio Moika,
perguntei, enfrentando meu parco conhecimento da língua russa, onde
ficava a tal livraria. Já com muitas dores nas pernas, aproveitei e
perguntei se havia algum hospital por perto – apenas por curiosidade,
dando continuidade à minha retórica reflexiva sobre saúde pública. Um
velho russo, sentado numa loja que mais parecia um mercadinho, me
disse: “A livraria eu conheço, pois a frequento há 40 anos – e me
apontou a direção. Quanto aos hospitais, temos um em cada setor, sem
filas, todos públicos e de ótima qualidade”. Agradeci, continuei a
caminhar e sonhei com um Brasil com mais médicos e mais cultura, como
seguindo o trajeto de um rio permeando seus espaços e nos instigando a
pensar num país melhor, mais humano e bem mais solidário.

Dilma estuda mecanismo para repelir onda de mentiras na internet

Candidata ao Palácio do Planalto e campeã do primeiro turno das eleições, Dilma Rousseff afirmou, nesta terça-feira, em entrevista coletiva, que sua campanha não permitirá mais que ataques vis e de baixo nível do adversário fiquem sem resposta. Segundo ela, está em estudo uma forma de esclarecer as dúvidas estimuladas nos eleitores pelos boatos.

– Foi uma campanha tanto mais difícil porque quem me acusava não aparecia. Teve uma campanha insidiosa que não lança verdades. Nós estamos pensando em como nos comportar. Seguramente vamos fazer um movimento para esclarecer nossa posição sobre essas questões – explicou.

Ela lamentou que os adversários políticos tenham feito campanha negativa e espalhado boatos, calúnias e difamações.

Apoio maciço

Os governadores eleitos que fazem parte da base do governo, além de deputados e senadores deverão todos trabalhar em busca de votos para a candidata petista, Dilma Rousseff, no segundo turno. Os comitês de campanha deverão ser mantidos, para ajudar no trabalho.

– Vamos manter toda a estrutura do primeiro turno para continuar a campanha – disse o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, ao sair de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o assunto.

Padilha disse que o presidente Lula não irá se licenciar do cargo para ajudar na campanha, mas que continuará trabalhando para que Dilma seja eleita no dia 31 de outubro.

– Ele vai continuar cuidando do país, mas vai se envolver integralmente na campanha de sua candidata”, comentou. “E essa conversa de hoje foi para pedir o envolvimento de todos – afirmou.

A reunião no Palácio da Alvorada contou com a participação dos governadores da base eleitos, de parlamentares e de ministros para falar de balanço dos resultados nas urnas e também estratégias de campanha.

Em busca de votos para o segundo turno, a coordenação da campanha de Dilma pretende estabelecer um diálogo com os eleitores de Marina Silva, candidata que ficou em terceiro lugar.

– Vamos conversar sim com a Marina. E não só com ela, mas também com organizações e entidades que a apoiaram. E também queremos estabelecer um grande diálogo com o eleitor da Marina – afirmou.

Para o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSDB), o diálogo com Marina deve ser “respeitoso, respeitando o tempo dela, o tempo do PV”.

Segundo ele, o segundo turno é uma oportunidade de debater as propostas para o país “e não essas denúncias fachistas que fomos vítimas nos últimos dias e que lembram o século 19”.

União do país

Vice-presidente da República José Alencar (PRB) defendeu na manhã desta terça-feira, em Belo Horizonte, a “união de todo o país” em nome da candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff à presidência.

– Chegamos com um resultado vencedor no primeiro turno. A regra do jogo permite que a gente ganhe novamente – afirmou.

Durante toda a entrevista concedida à imprensa ao lado do candidato derrotado ao governo de Minas Gerais, Hélio Costa, Alencar fez questão de citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetidas vezes. Ele disse que a vitória de Dilma representará a gratidão não só dos mineiros, mas de todos os brasileiros ao trabalho desenvolvido por Lula ao longo dos últimos oito anos.

Tentando valorizar o protagonismo de Minas na disputa, ele criticou a suposta hegemonia de São Paulo.

– Me preocupa a hegemonia paulista. E é muito importante que as forças políticas estejam juntas – enfatizou.
correio do Brasil
Rizzolo: Esse é o grande problema do jogo sujo da oposição, a boataria contra a Dilma. Eu mesmo recebo inúmeros emails com matéria difamatória contra a candidata Dilma, agora de onde surgem esses boatos, nos podemos imaginar, não é ? De qualquer forma cabe ao cidadão de bem, perceber que uma eventual onde mentira na internet deve ser rechaçada pelo bem da democracia, agora o apoio de Ciro Gomes é uma ótima notícia, a campanha ganhará ainda mais musculatura política adequada.