EUA querem usar aviões não-tripulados na América Latina

WASHINGTON – Os EUA estão transferindo para a América Latina uma de suas principais inovações militares, aprimorada no Iraque e na fronteira entre Afeganistão e Paquistão: os aviões não-tripulados de combate (UAV, na sigla em inglês). Da guerra ao terror na Ásia, o armamento deve ser levado para a guerra às drogas nas Américas. Em vez de membros da Al-Qaeda e do Taleban, os alvos serão traficantes latinos.

Apesar de sua grande capacidade de ataque, os UAVs devem ser inicialmente empregados em operações de vigilância na região. Estima-se que os EUA tenham atualmente 7 mil dessas aeronaves espalhadas pelo mundo – em 2000, elas não chegavam a 100.

O Comando Sul do Pentágono (Sothcom), que atua na América do Sul, Central e Caribe, confirmou ter realizado em maio dez missões de “batismo de fogo” do armamento no continente. Em uma delas, um aparelho ultramoderno modelo Heron decolou da base aérea americana de Compala, em El Salvador, e permaneceu por 20 horas despercebido filmando um barco. Suspeitava-se que a embarcação transportava drogas pela costa do Pacífico.

Segundo militares, as informações detalhadas fornecidas pela aeronave provaram que se tratava de um transporte de narcóticos. Com o sinal verde, a polícia salvadorenha entrou em ação. “Foi um início histórico”, comemorou à revista Time o comandante da Marinha Kevin Quarder, responsável pela operação batizada de “Monitoreo”.

Discrição

Até agora, os EUA só confirmaram testes em El Salvador. Mas Vanda Felbab-Brown, especialista em narcotráfico da Universidade Georgetown, afirmou ao Estado que “inevitavelmente essa nova tecnologia será usada também na fronteira dos EUA com o México” – principal front da nova guerra de Washington às drogas.

Além de México e El Salvador, Vanda lista Guatemala, Colômbia e Peru como países que devem entrar na zona de ação dos UAVs. Discreto, o armamento deve evitar polêmicas como a causada pelo acordo entre Washington e Bogotá que autoriza a ampliação de militares dos EUA na Colômbia.

A opção pelos UAVs na América Latina começou a ganhar força em 2003 com a captura de quatro seguranças privados dos EUA pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Os americanos estavam em um avião Cessna abatido enquanto fazia uma operação de vigilância na selva colombiana. Eles passaram cinco anos em cativeiro e foram libertados em julho de 2008, juntamente com a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt.

Aviões não-tripulados seriam “ideais para trabalhos sujos, por isso essa é uma escolha inteligente”, afirma Peter Singer, da Brookings Institution. “Não podemos pedir a equipes antidrogas que mantenham os olhos abertos por 20 horas seguidas. Poupa-se muito dinheiro se você distingue rapidamente uma lancha rápida carregada com cocaína de um barco com uma festa de estudantes.”

Primeira força policial do mundo a usar aeronaves não-tripuladas, a Polícia Federal (PF) adquiriu em julho três Herons. O equipamento ainda está em fase de testes.
agencia estado

Rizzolo: Os EUA estão dispostos a enfrentar o narcotráfico na América Latina. Os aviões não tripulados se apresentam como um instrumento adequado na sua aplicação. De forma similar o avião pode combater grupos terroristas, detectando os focos, facilitando dessa forma a repressão. Acho a utilização deste instrumento muito bem-vindo na América Latina, aliás quem é democrata de verdade, sabe que o que vem dos EUA está diretamente ligado à democracia, ao contrário daqueles que Chavez e outros líderes tanto aplaudem, como Irã, Rússia, Coreia do Norte e outros bichos…

Vizinhos ‘têm receio de liderança de Lula, diz ‘La Nacion’

O presidente Luís Inácio Lula da Silva enfrenta receio de seus colegas sul-americanos quanto à busca do Brasil pela liderança regional, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo jornal argentino La Nacion, por ocasião da cúpula presidencial em Salvador.

O encontro vai reunir 29 presidentes latino-americanos. “Alguns analistas avaliam que o país anfitrião vai mostrar sua liderança regional nesta cúpula quádrupla – a do Mercosul, da Unasul, a primeira da América Latina e do Caribe e a do Grupo do Rio – mas outros analistas advertem que nem todos os líderes estão contentes com o presidente Luís Inácio Lula da Silva, inclusive a Argentina”, diz o jornal.

“Há mal estar da Argentina, Equador, Bolívia e Paraguai com o Brasil”, diz o jornal, que diz que estes países “questionam a orientação que (o Brasil) quer impor na economia”.

Segundo o La Nacion, as diferenças começaram durante as negociações da Rodada Doha de comércio global em julho, em Genebra, quando o Brasil, que negociava em nome dos países em desenvolvimento, aceitou a proposta dos países ricos apesar da oposição argentina.

“O Brasil usa os países em desenvolvimento para se posicionar como jogador global e depois faz com eles o mesmo que os países desenvolvidos”, disseram analistas do governo de Cristina Kirchner ao jornal. Segundo esses analistas, a Índia e a África do Sul também teriam ficado descontentes com a mudança de posição brasileira em Doha.

Já o Equador, segundo o jornal, está envolvido em duas disputas com o Brasil, um por conta da expulsão da Odebrecht por conta de uma represa e outra por um empréstimo do BNDES para a construção dessa empresa.

“Os países reunidos no bloco Alternativa Bolivariana para a América (ALBA), liderados pela Venezuela de Hugo Chávez, se solidarizaram com o Equador neste caso. Diferentemente da petro-diplomacia de Chávez, Lula não saiu pela região apoiando candidatos presidenciais nem assegurando o abastecimento energético.”

O La Nacion afirma que Bolívia e Paraguai também mantêm tensas negociações com o Brasil, a Bolívia por conta do preço do gás vendido ao vizinho, e o Paraguai por conta do preço da eletricidade gerada por Itaipu.

Em editorial sobre as cúpulas paralelas em Salvador, o La Nacion afirma que no encontro, os presidentes Lula e Chávez vão continuar disputando dissimuladamente a liderança regional, mas que, provavelmente, será difícil que os líderes regionais cheguem a um acordo sobre uma política comum e como colocá-la em prática. BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Agência estado

Rizzolo:Muito embora a política internacional brasileira tem sido desastrosa em muitas questões, realmente pode-se observar um mal-estar entre os vizinhos na medida em que o governo brasileiro não chancela todas as posições adotados pela maioria dos países da América Latina.

E isso o faz com muito bom senso, vez que a contaminação ideológica nas tomadas de decisões desses países, atrapalham o desenrolar e os avanços com os demais países como os EUA e a Europa. A visão ainda antiamericana desses países, é retrógrada e o Brasil jamais deve compactuar com esses ideais bobos. Lula muito embora alguns não concordem, é um grande estadista, e acredito que a melhor forma de manter-se nos limites de sua popularidade atual, é se afastar daqueles que internamente bradam o grito petista de radicalismo.

Aliás, a nova pesquisa sobre a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu a 80,3% em dezembro e bateu novo recorde, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira, 15. Em setembro, a aprovação pessoal do presidente estava em 77,7%.

Os Tentáculos das Farc na América Latina

Uma das características mais perigosas dos regimes sejam eles quais forem, é a arbitrariedade legitimada em nome de um bem maior. Assim sucedeu-se em várias ditaduras no planeta, desde os regimes comunistas até as ditaduras de direita muitas delas oriundas de movimentos militares. A legitimação das atrocidades em nome de um bem maior, ou um ideal, faz com que os agentes se despojem do sentido da culpa, tornando-os mais perigosos e mais cruéis

A condescendência da esquerda na América Latina com as Farc, é passiva desta análise, o discurso fácil da luta de classes serviu de esteio para que a guerrilha tornasse simpática as esquerdas que imperam na América Latina, trajadas de diferentes formas muitas delas travestidas de um discurso democrata e populista.

A essência da democracia é o desejo popular da maioria, contudo ainda persiste na América Latina a personificação dos caudilhos, que de uma forma ou de outra, tentam através do populismo, manobras de perpetuação no poder invalidando e interferindo nas discussões de cunho democrático, onde por princípio deveria se abster o conteúdo argumentativo manipulatório, principalmente aquelas baseadas na luta de classes, onde sua aplicabilidade do ponto de vista político, é mais impactante e absorvível pelas camadas mais pobres.

Os EUA se distanciaram da América Latina face ao foco no Oriente Médio; as interferências do governo americano pouco se fizeram presentes na América do Sul, até porque as anteriores foram baseadas na implementação de regimes ditatoriais militares que ganharam a antipatia do povo em função da posição e da propaganda da esquerda que sabiamente soube aproveitar o conceito de democracia, mesclando-o com o populismo; mistura essa perfeita e explosiva para o aflorar inclusive mobilizações políticas até do ponto de vista paramilitar, como a atuação das Farc.

Com efeito é preocupante a atuação da guerrilha mais propriamente das Farc e seus eventuais tentáculos na América Latina, prova disso é a afirmação do “czar” da segurança nacional dos Estados Unidos, Michael Chertoff, que condenou na semana passada o apoio recebido pelo grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) por parte de governos sul-americanos e defendeu que todos os países da região se preocupem com a possível transferência de bases da guerrilha para seus territórios.

Em conversas com os ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, na segunda-feira, Chertoff também deixou clara a preocupação dos Estados Unidos com a sofisticação dos recursos do narcotráfico para alcançar os principais mercados consumidores – como o uso de pequenos submarinos – e pediu a colaboração do governo brasileiro na intensificação de seus controles sobre portos e aeroportos. Alem disso, as revelações do ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos sobre as conexões das Farc no Brasil, corroboram a suspeita de seus tentáculos inclusive no nosso território nacional.

Na verdade o conceito de democracia de uma forma geral nunca esteve tão distorcido como nos dias de hoje na América Latina, a legitimação da democracia populista tenta esvaziar as discussões democráticas e nos conduzem a uma visão distorcida do poder popular chancelado pela luta de classes. Há hoje uma necessidade imperiosa de se restabelecer a verdadeira democracia não populista, mas através da difusão de meios educativos e elucidativos das técnicas impregnadas por esta nova modalidade de governar, para que possamos restabelecer uma convivência mais harmoniosa do ponto de vista ideológico inclusive em relação aos nossos vizinhos. Leia também : Quarta Frota; um bem necessário ?

Fernando Rizzolo

Rússia pode posicionar bombardeiros em Cuba, diz jornal

SÃO PAULO – Bombardeiros russos com capacidade para levar armas nucleares pode ser posicionados em Cuba em resposta ao plano dos Estados Unidos de construir um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu, segundo afirmou o jornal russo Izvestia, citando fontes militares do país. Em resposta, um alto funcionário da Força Aérea americana, o general Norton Schwartz, afirmou nesta terça-feira, 22, que Moscou estaria cruzando “uma linha vermelha” se usar a ilha cubana para abastecimento de combustível de seus aviões.

Segundo o jornal americano The Washington Post, a reportagem relembra a crise do mísseis de Cuba em 1962, que quase desencadeou um conflito nuclear entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética. Segundo a BBC, o incidente teve início quando aviões de espionagem americanos descobriram bases de mísseis soviéticos em Cuba, a pouca distância dos Estados Unidos. A decisão do governo soviético de enviar os mísseis a Cuba foi, na época, vista como uma resposta à expansão dos mísseis americanos na Europa.

Oficiais do Ministério da Defesa russo tentaram jogar água fria na notícia, afirmando que a história foi escrita por sob um nome falso e cita uma fonte em uma organização que não existe. O Izvestia, segundo aponta o Post, costuma ser usado como fórum para vazar estratégias do Kremlin. “Enquanto eles estão posicionando o escudo antimísseis na Polônia e na República Checa, nossos bombardeiros estratégicos estarão aterrissando em Cuba”, diz a fonte anônima citada pelo jornal.

O general Schwartz, cujo nome é considerado para ocupar o cargo mais alto da Força Aérea americana, afirmou ao Comitê de Armas do Senado que se a Rússia chegar a concretizar a instalação em Cuba, o país deve estar forte e indicar que isso é algo que cruza um ponto inicial, a linha vermelha dos EUA”. Ainda não está claro, segundo o Post, se a fonte sugeriu que a Rússia poderia reabrir a base em Cuba ou usar o espaço aéreo para escalas de seus bombardeios Tu-160 e Tu-95, que são capazes de atingir os EUA a partir de bases da Rússia.

A Rússia é contra a instalação do sistema de defesa americano no Leste Europeu, afirmando que este plano é uma ameaça à sua segurança. Recentemente, a Rússia disse que usará meios militares contra a instalação do escudo antimísseis perto de suas fronteiras. A chancelaria russa disse que o Kremlin seria forçado a usar “métodostécnico-militares”. O primeiro-ministro Vladimir Putin disse em 2007, quando era presidente, que o país poderia voltar seus mísseis contra países europeus caso o sistema fosse instalado.
Agência Estado

Rizzolo: É como eu sempre digo, existe sim uma mobilização da Rússia e da China no território da América Latina, nada é por acaso. Essa ” união” de Chavez com a Rússia, esse ” embalo” em não ser tão enérgico com as Farc, esse Conselho de Defesa Sul-Americano, essas fronteiras brasileiras abertas; para tudo isso existe um único contraponto real, firmes, em nome da democracia que podemos confiar, que é a Quarta Frota americana. Ah! Mas o Rizzolo agora entende que os EUA “são bonzinhos”, antes era um simpatizante de Chavez. Sim, antes, mas “antes de tudo” sou um democrata que sabe pular da barca na hora certa.

Não há dúvida que a democracia está em perigo na América Latina, só não vê quem não quer. Chavez se armando até os dentes- 4 bilhões de dólares em equipamento russo -, a possibilidade da Rússia posicionar bombardeiros em Cuba, a aquiescência dos governos de esquerda na América Latina em relação a Chavez e as Farc, tudo isso nos leva a um só caminho, darmos boas vindas à Fourth Fleet, e nos armarmos também. Ou estou errado?

FMI prevê diminuição de crescimento de Brasil e América Latina

Washington, 9 abr (EFE).- O esfriamento econômico dos Estados Unidos debilitará, mas não estrangulará, a economia do Brasil, que crescerá 4,8% este ano, frente aos 5,4% do ano passado, seguindo assim a tendência prevista para a América Latina, segundo divulgou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O organismo financeiro aponta em seu último relatório semestral “Perspectivas Econômicas Mundiais” uma previsão de crescimento de 3,7% para a maior economia da América Latina em 2009.

Por trás do ímpeto da economia brasileira está, segundo os analistas do FMI, o dinamismo registrado no mercado de trabalho, com o aumento da geração de empregos e a redução da taxa de juros real.

O FMI adverte, no entanto, que a alta dos custos da energia e dos alimentos fez aumentar os preços em toda a região, fazendo com que o Banco Central brasileiro encerrasse seus cortes da taxa básica de juros.

As previsões do Fundo para a América Latina seguem a mesma linha, e apontam um crescimento de 4,4% em 2008, frente aos 5,6% de 2007, e prevê uma expansão de 3,6% em 2009.

O dado de crescimento para 2008 é levemente superior ao antecipado em outubro passado, quando o Fundo previu que a região cresceria 4,3%.
Folha online

Rizzolo: A velha desculpa da inflação que pelos números não assusta ninguém, serve de esteio e argumentação para que o Sr. Meirelles aumente ainda mais as taxas de juros. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – que serve de referência para a meta de inflação – mostrou nesta quarta-feira, 9, alta de 0,48% no mês passado, registrando o maior março desde 2005. O dado ficou similar à leitura de 0,49% de fevereiro e superou o teto das previsões de 33 analistas ouvidos pela Reuters, de 0,46%. Ora, estamos falando de um número baixíssimo que não justifica frear a economia. Ademais as opiniões desses “analistas”, são sempre as jogar o Brasil para baixo.

Ao invés de estarmos focando no desenvolvimento e no aumento da produção visando o combate à inflação, como faz a China, até porque precisamos gerar empregos, insiste-se em focar o combate de uma inflação que nem sequer ameaça a economia, com mais aumento das taxas de juros, para que mais dólares acabem adentrando no País via especuladores, para que menos consigamos exportar nossos produtos o que, naturalmente, afeta a nossa balança comercial. Já estou ficando monótono de tanto falar nisso, mas não dá para calar. Não querem o País cresça. Porque que será, hein?

Neopopulismo e a Estratégia Política

Por trás da questão do mal uso dos cartões corporativos, e da estratégia do governo em acobertar sua investigação fazendo uso da sua maioria no Congresso, e de outros meios de caráter duvidosos do ponto de vista ético, existe uma linguagem comum para não dizer corriqueira utilizada como instrumentação política por aqueles novos modelos de líderes que surgem na América Latina. A nova instrumentação política, envolve estratégias de acessibilidade às massas via discurso com dialética de fácil entendimento regionalizada, e que passa por cima dos meios tradicionais e convencionais de comunicação.

É de se notar, que quando Lula fala aos trabalhadores em inaugurações de obras, existe mais do que a notoriedade midiática do evento, mas sim, um interesse em jogar palavras populares que repetidas são na sua essência, e de fácil concepção diante à grande massa que pouco tem acesso ou compreensão devida da intensidade dos atos de improbidade administrativa do governo. Assim quando se coloca uma questão de relevância, como o caso do dossiê, em que esbarra e se questiona a ética de membros da Casa Civil, pouca receptividade de cunho indignatório se obtém por parte da grande massa que não lê jornais, e pouco se interessa ou compreende de forma devida o que está ocorrendo.

Dessa forma, o circunspecto populacional participativo da questão nacional, se perde face a pouca cultura e ao baixo nível intelectual da grande maioria da população. Segmento este, que acaba servindo de esteio para num golpe estratégico, dar legitimidade aos líderes populares na manipulação das situações políticas de enfrentamento, sem ao menos saírem com a perda do apoio popular e seu devido prestígio.

Pude observar isso não só no Brasil como na Venezuela, quando lá estive o ano passado a convite para participar de um Congresso em Caracas. Chavez em seu programa de domingo à tarde, fala a linguagem do povo, através de parábolas de fácil entendimento e de palavras populares do dia-a-dia. Os jornais, por sua vez, inserem comentários cuja conceituação interpretativa exige certa reflexão sobre uma seqüencia de fatos, que com certeza o trabalhador Venezuelano não tem como acompanhar face ao nível de compreensão mais apurado dos textos, e muito, em função da digestibilidade mais fácil da versão popular chavista dos fatos, delineada de forma popular. Estaríamos então diante de uma questão crucial, onde a relevância dos escândalos e das questões éticas estão represadas apenas diante de certo contingente populacional, que por tradição, já de plano não aceitam o populismo na sua essência, e já possuem capacidade reflexiva.

O fim das concessões de TV na Venezuelana, a retaliação com as elites, por muitas vezes não são bem compreendidas pelas massas, que apenas acabam se apropriando da argumentação elaborativa revelada através do discurso popular. Tal explicação poderia ser dada ao fato de que, mais vale ao trabalhador pobre brasileiro entender que existe um complô contra Lula, do que entender o mecanismo dos cartões corporativos, e quem seria o culpado pela questão da confecção do dossiê contra FHC; esses problemas, na verdade, não mergulham na análise daquele que ganha um salário mínimo, contudo, um bom discurso agressivo, com um linguajar nordestino, onde se insinua uma luta entre os ricos e pobres, entre os poderosos e aqueles que como Lula lutam em favor dos desvalidos, acaba sim prosperando, em função da capacidade comunicativa identificatória.

Numa análise perfunctória, poderíamos dizer que uma insinuação sobre os evangélicos inserido na novela das oito, tem maior profundidade contestatória nas massas do que um comentário sobre a negativa de Dilma em assumir sua culpa na confecção do dossiê, ou na eventual possibilidade da Polícia Federal entrar no caso, para dar início a uma investigação.

Poderia finalizar afirmando que muito das estratégias neopopulistas contemporâneas observadas nos governos da América Latina, estão enraizadas numa tentativa de sobrevivência em função de que acreditam elas que as oposições, contam muitas vezes com informações estratégicas internacionais, e que, os governos populistas, apenas podem se valer em desqualificar a oposição, e fazer uso de uma dialética popular de empatia, para poderem a todo custo permanecer no poder atráves de novos mandatos com o apoio popular, e ter a necessária governabilidade. Aliás do ponto de vista política estratégico, isso tudo não é novidade, advém de uma velha lição leninista, e da antiga estratégia revolucionaria de Trotsky, nada mais do que isso, apenas implementada e apresentada com uma nova roupagem, e de forma velada.

Fernando Rizzolo

A alta das commodities e da devastação

Um dos grandes desafios da atualidade, é como manter um nível de desenvolvimento e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente. Essa questão atinge em maior impacto países como o Brasil, que possuem extensa área de cultivo e florestas que necessitam ser preservadas a todo custo.

Seria um excesso de ingenuidade, acreditarmos que o governo tem possibilidade de controlar a evolução do agronegócio, aquecido e impulsionado por financiamentos, e pela demanda internacional expressada nos altos preços das commodities agrícolas, minerais, e ambientais, cujos valores se sustentam em bons índices no mercado internacional. Com efeito, a elevação dos preços de pelo menos duas commodities, soja e carne, tiveram sim, participação no crescimento da derrubada ilegal de árvores; corroborando este fato, observarmos que um dos fatores que foram apontados para a diminuição do desmatamento, foi a queda nos preços internacionais. Mas só esses fatos não justificariam o problema ambiental.

As medidas de contenção como o bloqueio de financiamento público para atividades que desmatem, atingirá os créditos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), um dos mais propalados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de financiamentos do Banco do Brasil, do BNDES e do Basa (Banco da Amazônia). Contudo, grande parte dessa devastação não e promovida pela pobre agricultura familiar, e sim, pela recuperação financeira do agronegócio, vez que, para se fazer devastação é necessário estar capitalizado.

Agora a grande questão, é saber de que forma poderemos ser grandes fornecedores de desses produtos em alta no mercado, e, ao mesmo, atuarmos numa “fina dosemetria” para que os excessos não sejam cometidos; esse é o grande desafio. Não há dúvida, muito embora românticos insistam em afirmar ao contrário, que o agronegócio vai cada vez mais prevalecer no Brasil, até porque, no ano passado o setor absorveu R$ 40 bilhões de reais em créditos. Apesar do governo tutelar com incentivos à agricultura familiar, ela é difusa, não organizada, e os recursos acabam não chegando de forma devida aos trabalhadores, face à burocracia.

A estrutura conceitual do agronegócio, passa mais por volume, produção e eficiência, e não há como negar que em razão disso, a balança comercial do agronegócio fechou o ano de 2007 com um saldo recorde: US$ 49,7 bilhões. Este valor foi alcançado graças ao desempenho das exportações do setor que atingiram a cifra de US$ 58,4 bilhões – 18,2% superior ao ano de 2006, contra US$ 8,7 bilhões das importações – resultado tanto do aumento dos volumes (5,6%) quanto dos preços (12%).

Um dos fatores de desenvolvimento não só do Brasil, mas de toda a América Latina é, sem dúvida, exclusivamente graças a fatores externos, como a expansão da economia mundial e os altos preços das commodities, e isso a meu ver é preocupante. Não podemos resumir nossa economia, e ficar de todo dependente das commodities, que impulsionam o valor das nossas exportações em virtude das demandas por estes produtos, principalmente pelos países asiáticos; surtos externos de crescimento, não vão durar para sempre.

De forma racional e sincera, o governo deve admitir suas falhas quando impõe totalmente as causas da devastação aos valores atribuídos internacionalmente às commodities, isso, na verdade, não justifica a intempestividade em aferir os danos causados ao meio ambiente. O que falta na realidade, é menos eufemismos e bravatas por parte da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, e mais competência no monitoramento das áreas, para prever a tempo os danos não só causados pelo mercado internacional de commodities, mas face a problemas de ordem “técnica”.

Fernando Rizzolo