‘Andar na linha’ é única maneira de se livrar da PF, diz Lula

HANÓI – A única maneira de alguém evitar uma investigação da Polícia Federal (PF) é “andar na linha”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista coletiva no Vietnã nesta quinta-feira, 10. “Quem acha que pode viver de picaretagem, pode viver, mas um dia cai. Aí, vai ter que arcar com as conseqüências. Nós vamos continuar investigando toda e qualquer denúncia contra toda e qualquer pessoa.” A declaração de Lula foi feita antes da nova prisão do banqueiro Daniel Dantas na tarde desta quinta.

Apesar de defender as investigações da PF, o presidente afirmou que a instituição deve ter cuidado para não expor nomes de pessoas suspeitas que depois venham a ser declaradas inocentes. “Não queremos nem punir nem absolver antecipadamente”, observou.

Lula foi irônico quando um repórter perguntou sobre a ação da PF contra pessoas “importantes” no Brasil. “Importante para quem, cara pálida?”, perguntou.

Na avaliação do presidente, a operação que levou à prisão dos banqueiros Daniel Dantas, o mega-investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta não terá nenhuma influência sobre as eleições municipais deste ano. “Do que vi até agora, nenhuma pessoa envolvida tem qualquer importância político-eleitoral.”

O presidente lembrou ainda que todas as ações da PF são amparadas por decisões judiciais. “Se é certo ou errado, só vamos saber quando houver o veredicto final”, observou.

Lula não quis comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de libertar Dantas e outros acusados de envolvimento na Operação Satiagraha. “Não é correto nem prudente dar palpite sobre o Poder Judiciário”, afirmou. Mas o presidente afirmou que a sociedade brasileira está “muito esperta” e cada vez mais é capaz de fazer julgamentos com base em sua observação dos fatos.

Agência Estado

Rizzolo: ” Andar na Linha” é obrigação de todos, e a obrigação da Polícia Federal ligada ao Executivo, é apurar denúncias e investiga-las dentro da legalidade, assim como de costume sempre a faz. Quanto a questão polêmica das prisões temporárias e preventivas, não há nenhuma novidade; sempre quando o Judiciário decreta uma prisão antes do trânsito em julgado, antese de exaurida todas as instâncias, a polêmica vem a tona, até porque são questões de cunho interpretativo. Agora, como sempre digo, uma coisa é fazermos um exercício jurídico interpretativo em relação às prisões temporárias e preventivas, outra é desqualificarmos o trabalho da Polícia Judiciária Federal pelo fato dos agentes delituosos pertencerem a elite. No Brasil não há mais espaço para privilégios, a “malandros de colarinho branco”, é muito simples, como diz Lula, é só “andar na linha”.