Com crise, vale tudo para vender um imóvel

Empresas do setor imobiliário dão carros, eletrodomésticos e móveis; abatimento de impostos e descontos no valor do apartamento .

Portal EXAME Não está fácil vender imóvel nos grandes centros do país. Ainda há crédito disponível nos maiores bancos, mas a crise internacional alimenta o temor de crescimento do desemprego no Brasil daqui a alguns meses – e torna os potenciais compradores mais cautelosos. Até agora o setor imobiliário tem sido o mais afetado pela turbulência financeira. No terceiro trimestre, quando ainda não havia a percepção de que a crise seria tão grave, foi observada uma redução de 24% nas vendas contratadas pelas 21 empresas do setor com ações negociadas na Bovespa.

A inesperada redução de demanda pegou no contrapé as incorporadoras, que se prepararam para um boom imobiliário. Em 2007, enquanto o movimento era de queda das taxas de juros e de fartura do crédito, as empresas foram à bolsa e venderam papéis de dívida para viabilizar lançamentos futuros. Houve corrida para a compra dos melhores terrenos. Mas, agora, falta caixa para tornar realidade os empreendimentos planejados.

Muitas incorporadoras decidiram cortar despesas para tentar manter o fôlego financeiro. A Abyara, umas das empresas em situação mais delicada, suspendeu novos lançamentos e analisa formas de se desfazer de terrenos e ativos. Outra iniciativa, adotada pela Abyara e por várias outras incorporadoras, é demitir funcionários e adequar o quadro de pessoal ao cenário de crise. Muitas empresas, entretanto, apostaram no reforço do investimento em marketing e em promoções para aumentar as vendas. Hoje em dia o interessado em comprar um apartamento pode conseguir uma série de vantagens da imobiliária ou incorporadora. Ao assinar um contrato para a aquisição de um imóvel, o comprador pode levar de graça presentes como carros 0 km e eletrodomésticos, negociar o abatimento de impostos ou da taxa da escritura e também obter descontos no valor do bem. “Estamos vivendo a hora do comprador, e não a do vendedor. Quem tem dinheiro para adquirir, dita as regras da negociação”, diz o diretor da imobiliária carioca Basimóvel, Alexandre Fonseca.

É aconselhável, no entanto, não se deixar levar por promoções na hora de fechar um negócio. Comprar na planta só é vantajoso se houver expectativa de valorização do bem até a entrega das chaves. Antes de fechar o negócio, é imperativo pesquisar se a demanda por imóveis em determinada região segue firme. Caso a compra seja financiada, o mais importante é se certificar de que a prestação caberá no orçamento familiar, já que a legislação brasileira permite ao banco, em muitos casos, retomar o imóvel após apenas três meses de inadimplência do mutuário. Essa preocupação é compartilhada até pelas construtoras. “Temos uma postura mais conservadora porque queremos clientes bons, que fiquem conosco até o final de empreendimento”, afirma o diretor de incorporações da Brascan/Company, José de Albuquerque. “Não queremos atrair clientes a qualquer custo.”

Apesar de cuidados serem necessários, o mercado está recheado de boas oportunidades. O Portal EXAME procurou mais de uma dezena de construtoras e imobiliárias para saber quais são as melhores promoções. Abaixo seguem as respostas obtidas:

Goldfarb: dará um Renault Clio 0 km para os 150 primeiros clientes que comprarem um imóvel do empreendimento Alphaview, em Barueri (região metropolitana de São Paulo). Os apartamentos têm entre 72 e 80 metros quadrados, dois ou três dormitórios e custam em média 160 mil reais. O empreendimento está na fase de pré-venda e será lançado no início de dezembro. A entrega do carro será junto com a das chaves, prevista para o final de 2010. Para atrair compradores, a incorporadora promove passeios de balão, feijoada e shows musicais. Já para conquistar a confiança dos consumidores, a construtora dá ao comprador a garantia de recompra do imóvel em troca da devolução do dinheiro pago caso ele seja demitido. Além disso, o comprador pode suspender o pagamento de até quatro prestações mensais caso passe por alguma dificuldade financeira.

Basimóvel: a imobiliária vai mobiliar o apartamento de quem comprar uma unidade no Barra Mais, um conjunto residencial com dois prédios na Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O cliente vai ganhar geladeira, TV LCD, DVD, máquina de lavar, fogão, microondas e armário embutido. “No dia do lançamento, há um mês, vendemos 102 das 200 unidades”, afirma o diretor da imobiliária, Alexandre Fonseca. Os apartamentos oferecidos medem 68 e 83 metros quadrados, tem dois ou três quartos e preços que variam de 185 mil a 315 mil reais.

João Fortes Engenharia: os compradores ganham descontos de até 10% no preço de aquisição, armários de cozinha da marca Todeschini e a escritura gratuita. A empresa também vai premiar os corretores que venderem unidades com dinheiro ou carros.

MRV Engenharia: até o final de dezembro, a empresa oferece aos compradores zero de sinal, 100% do valor financiado pela Caixa Econômica Federal e parcelas fixas durante o período de obras. Para as unidades que serão entregues até março no Rio de Janeiro, a empresa também arca com o pagamento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e da escritura. O ITBI corresponde a 2% do valor do imóvel.

Del Forte & I.Price, imobiliária do grupo Brasil Brokers: oferece de três a seis prestações grátis, isenção de ITBI, assume o custo da escritura e sorteia prêmios em dinheiro aos compradores. Para os empreendimentos de baixo padrão, paga a cozinha planejada com armários embutidos. Já os empreendimentos de alto padrão terão descontos de até 12%, de acordo com o valor da entrada.

Brascan/Company: O cliente que indicar um comprador pode ganhar de eletrodomésticos a viagens ao exterior, dependendo do empreendimento. Os prêmios são pagos somente no momento da entrega do imóvel. Outra iniciativa são descontos em pagamentos à vista ou em caso de adiantamento de parcelas.

Tenda: a construtora oferece um notebook e um micro system aos compradores de imóveis.
Portal Exame

Rizzolo: De todos os investimentos, deixando a bolsa, é claro, os imóveis são os que tem menos liquidez. Como se pode inferir no artigo, o desespero do setor leva o investidor perder a confiabilidade; mormente sabendo que o segmento é um dos mais afetados pela crise. Hoje adquirir um imóvel, é uma “aventura financeira”, não preconizada a ninguém de bom senso. Fica patente que as construtoras, muitas com problemas de caixa, de tudo fazem para ” seduzir” o comprador. O conselho é: cuidado. A hora é de observar, não de comprar, até porque um “efeito Incol” poderá surgir, e aí, os dos brindes oferecidos pelo setor imobiliário, não compensarão os antidepressivos e ansiolíticos que os compradores irão ingerir, amargando o prejuízo. Sugestão: guarde seu dinheiro, cuidado com ” recheio de boas oportunidades ” !

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Confiança do consumidor cai 4,2%, para o menor nível da série

RIO – Após cair fortemente em outubro, a confiança do consumidor seguiu trajetória negativa em novembro e atingiu o menor nível da série histórica iniciada em setembro de 2005. É o que revelou o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) desse mês, que caiu 4,2%, em comparação com a retração de 10% em outubro. O dado foi anunciado nesta terça-feira, 25, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O índice é composto por cinco quesitos da “Sondagem das Expectativas do Consumidor”, apurada desde outubro de 2002 (com periodicidade trimestral, até julho de 2004, quando passou a ser mensal).

Na comparação com novembro do ano passado, o ICC caiu 15,2%. No mês passado, o ICC apresentou queda de 10,4% no mesmo tipo de comparação. Com o resultado, o desempenho do indicador, que é calculado com base em uma escala de pontuação entre 0 e 200 pontos (sendo que, quando mais próximo de 200, maior o nível de confiança do consumidor), passou de 101,1 pontos em outubro para 96,9 pontos em novembro – o menor nível da história do indicador.

Na avaliação da FGV, houve piora tanto na avaliação atual do consumidor sobre o cenário de hoje, como em suas projeções para o futuro.O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual (ISA), que apresentou queda de 5,7% em novembro, após registrar taxa negativa de 12,7% em outubro, e o Índice de Expectativas (IE), que apurou taxa negativa de 3,3% esse mês, em comparação com a queda de 8,5% em outubro.

No caso do ISA, em termos de pontuação, o índice passou de 104 pontos em outubro para 98,1 pontos em novembro. Já o IE caiu de 99,5 pontos para 96,2 pontos de outubro para novembro. Ainda segundo a FGV, na comparação com novembro do ano passado, os dois índices componentes do ICC também apresentaram quedas, de 11,9% para o indicador de situação atual; e de 17% para o de expectativas.

O levantamento abrange amostra de mais de 2.000 domicílios, em sete capitais, com entrevistas entre os dias 31 de outubro a 19 de novembro. Às 11h a FGV concede coletiva de imprensa sobre o indicador.
Agência Estado

Rizzolo: O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), é um dado importante. Observem que em relação a novembro do ano passado, o ICC caiu 15,2%. É natural que num ciclo de crise mundial o consumidor se retraia. Fica patente contudo, que alguns setores ou segmentos são mais afetados pela confiança do consumidor. Com o crédito escasso e as taxas de juros altas, bem como a vulnerabilidade financeira de alguns segmentos como o imobiliário, o consumidor não contrai dívidas nem compromissos.

As montadoras e o setor da construção civil já sentem isso; é bem verdade que todas as iniciativas para vascularizar a economia seus efeitos só surgem após um período. A preocupação é o primeiro trimestre de 2009, de qualquer forma é um dado preocupante mas que está dentro da perspectiva da crise.

Por outro lado o governo brasileiro está anunciando que vai fazer uma campanha de publicidade para combater a crise econômica mundial. O principal objetivo é estimular o consumo na véspera do Natal. Para o governo que insiste em não falar em crise face à sua preocupação em perder a popularidade, se lançar numa campanha de consumo é no mínimo uma inconsequência, até porque incitar o consumidor a gastar diante dessa turbulência financeira, é constituir inadimplentes logo à frente. Coisas do PT.

Ganho de empresas de capital aberto cai 60% no 3º trimestre

SÃO PAULO – Os lucros recordes das empresas de capital aberto nos últimos anos deram lugar a uma seqüência de resultados negativos no terceiro trimestre por causa da crise financeira. Levantamento feito pela Economática mostra que o ganho médio dessas companhias despencou 60,2% entre julho e setembro comparado a igual período de 2007. Do total de 254 empresas analisadas, 85 delas registraram prejuízo no trimestre e 44 inverteram resultado (de lucro para prejuízo). As empresas que conseguiram se manter em terreno positivo tiveram ganhos menores.

A deterioração do resultado trimestral é reflexo da valorização de quase 20% do dólar ante o real, explica o presidente da Economática, Fernando Exel. No início de julho, o dólar estava cotado em R$ 1,597 e saltou para R$ 1,902, em 30 de setembro. Isso teve impacto direto na dívida das empresas em moeda estrangeira e elevou a despesa financeira de R$ 1,3 bilhão, em setembro de 2007, para R$ 19,5 bilhões este ano.

Na Braskem, por exemplo, essas despesas subiram de R$ 39,5 milhões para R$ 1,9 bilhão, segundo dados da Economática. A empresa teve prejuízo de 849,2 milhões no período. “Essas companhias precisam marcar a dívida a mercado a cada período fechado para balanço”, afirma o analista da Spinelli Corretora, Jaime Alves. Ele lembra ainda que o dólar provocou perdas milionárias para empresas, como Sadia e Aracruz, que apostaram nos chamados derivativos “tóxicos”.

Agência Estado

Rizzolo: Essa notícia já era por se esperar, face à valorização de quase 20% do dólar ante o real, já em relação ao mercado acionário, existe agora um componente maior: à confiabilidade. A aversão ao risco com os países emergentes está jogando abaixo as ações de Vale do Rio Doce, Petrobras, siderurgia e bancos. O que está levando à aversão ao risco dessa vez é a situação de Equador e Argentina. Neste cenário sombrio da queda dos ganhos de empresas de capital aberto, há a possibilidade de que o Brasil possa entrar em recessão no 1º trimestre de 2009. Não restam dúvidas que há riscos de retração no último trimestre deste ano e no primeiro do ano que vem, o que configuraria uma recessão clássica também no país, a exemplo do que já aconteceu com Alemanha, Japão, Itália e Zona do Euro. Ou seja, um cenário ruim para 2009, principalmente para alguns setores como o da construção e o imobiliário cujos investidores desapareceram no último trimestre.

Crise já mexe com mercado de emprego no mundo todo

São Paulo – A crise, que começou no mercado imobiliário norte-americano, atingiu o mercado financeiro e reduziu a oferta de crédito no mundo, chegou de vez à economia real. As empresas já anunciam corte de vagas de trabalho e investimentos. Em breve, haverá queda da renda. Com este cenário, não há mais dúvidas de que o mundo passará por um período de recessão.

No Brasil, o consenso é que a economia vai desacelerar. Para muitos setores, esta realidade já começou. O mercado automotivo e imobiliário dão os primeiros sinais. A Cyrela Brazil Realty, por exemplo, admitiu nesta sexta-feira que fará demissões no quarto trimestre para reduzir despesas administrativas.

“Assim que fizermos (as demissões) vamos informar a magnitude ao mercado”, disse hoje o diretor de Relações com Investidores da companhia, Luis Largman, em teleconferência com analistas e investidores. No terceiro trimestre, as despesas gerais e administrativas da Cyrela cresceram 96,2%, para R$ 58,8 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado.

As novas demissões vão abranger a Seller, empresa de vendas da Cyrela. “A Seller é um pilar importante para a Cyrela, mas se vai vender menos, também vai reduzir pessoal”, disse o presidente da Cyrela, Elie Horn. A Cyrela reduziu sua previsão de Valor Global de Vendas (VGV) de lançamentos para 2008 para a faixa de R$ 5,25 bilhões a R$ 5,6 bilhões, ante estimativa anterior de R$ 7 bilhões. A meta de vendas caiu de R$ 5,5 bilhões para entre R$ 4,675 bilhões e R$ 4,95 bilhões. Para 2009, as projeções estão sendo revistas.

As mudanças na Cyrela abrangem também a redução do prazo de pagamento dos imóveis aos compradores. “Estamos oferecendo menos prazo ao mercado em razão da crise, até que isso passe”, disse o presidente da companhia. No caso da Living, braço da Cyrela para a baixa renda, o valor a ser pago até a entrega das chaves aumentou de 20% para 25%, de acordo com Horn. Nas unidades com preço até R$ 350 mil a empresa está buscando mais repasses dos clientes para os bancos. “Acima da faixa do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) nada mudou”, acrescentou Largman.

Vale já sente crise

Outra empresa que já sente efetivamente o cenário pessimista que há vários meses impera no exterior é a Vale. O diretor-executivo de Finanças da mineradora, Fábio Barbosa, na primeira apresentação da companhia para investidores em Londres, admitiu que a empresa não esperava um ajuste tão rápido na demanda por aço na China, o que afeta diretamente o mercado da Vale.

“Não antecipamos a gravidade da crise.” Segundo o diretor, até setembro o mercado chinês operava dentro da normalidade, tanto que os embarques foram recordes nesse mês e a companhia ainda tentava conseguir novo reajuste de preços, confiando na força da demanda.

A Vale começou a perceber que a situação tinha se alterado em outubro, conforme Barbosa. A estratégia de nova elevação dos valores na China foi abandonada e, além disso, a empresa retirou o acréscimo de 12% que já havia sido acertado com japoneses e coreanos, como revelou recentemente. Barbosa lembrou que 51% do consumo de aço na China vem do setor de construção, muito abalado atualmente pela escassez de crédito. “O cenário de curto prazo não é bonito, para dizer o mínimo.”

Bancos internacionais

No cenário internacional, a crise já provoca estragos maiores. O Citigroup começou uma nova rodada de demissões e está aumentando as taxas de juros para os clientes de cartões de crédito, numa tentativa de melhorar a rentabilidade da companhia, de acordo com o Wall Street Journal.

Nesta semana, o Citigroup cortará pelo menos 10 mil funcionários de seu banco de investimentos e de outros setores da companhia em todo o mundo, segundo fontes. Pandit, instruiu os executivos da empresa a diminuir em pelo menos 25% os gastos com salários.

Nos últimos quatro trimestres, o Citigroup demitiu 23 mil pessoas, enxugando o quadro de funcionários para 352 mil até 30 de setembro. O corte anunciado recentemente foi o maior até o momento. De acordo com uma fonte, o objetivo é reduzir o número de empregados do Citigroup para 290 mil até o ano que vem.

Na Europa, o Royal Bank of Scotland (RBS) planeja cortar três mil empregos em seus segmentos de mercados e atividades bancárias globais, informou a BBC, nesta sexta-feira. O banco, que emprega cerca de 170 mil pessoas, das quais 100 mil no Reino Unido, não falou diretamente sobre os cortes. “Nós constantemente revemos nosso modelo operacional para ter certeza de que ele é apropriado para as condições do mercado” De acordo com a BBC, os cortes ocorrerão durante as próxima semanas.

Carros e tecnologia

A Nissan Motor informou nesta sexta que estenderá os planos de cortar a produção de automóveis em meio à desaceleração dos gastos do consumidor, reduzindo a produção no Japão em 72 mil veículos a partir de dezembro. A terceira maior montadora japonesa em vendas disse que o corte significará a perda de 500 empregos de curto prazo nas operações japonesas em 2009.

Na área da informática, a Sun Microsystems informou nesta sexta que cortará entre 5 mil e 6 mil empregos. A crise econômica aumentou os problemas enfrentados pela companhia devido à fraca demanda por computadores sofisticados. A Sun informou que o corte de empregos representa de 15 a 18 por cento de sua força de trabalho e faz parte de um plano mais amplo de reestruturação, que pretende economizar entre 700 milhões e 800 milhões de dólares.

A empresa espera registrar um total de gastos em uma faixa entre 500 milhões e 600 milhões de dólares nos próximos 12 meses, em linha com o plano de reestruturação, que também inclui o realinhamento de sua divisão de software.

A Nokia também se pronunciou nesta sexta e afirmou que prevê queda nos volumes da indústria em 2009. As possíveis demissões não foram citadas diretamente, mas a empresa comentou a desaceleração das principais economias do mundo. A maior fabricante de celulares do mundo afirmou que o mercado de telefonia móvel deve ser mais fraco do que o esperado no quarto trimestre por causa da crise econômica e que deve recuar mais em 2009.

Agência Estado

Rizzolo:
Tenho observado que a realidade no enfrentamento da crise é unanimidade em todo o mundo. Observo também aqui na Europa, um realismo maduro, apolítico, pró ativo. Contudo no Brasil, seguindo o raciocínio folclórico entusiasta do governo, poucas são as empresas que assumem publicamente como a Cyrela a situação real do mercado. Por vezes podemos inferir que o empresário brasileiro pouco aculturado, não assume a tremenda crise financeira brasileira, por receio de piorar a situação, è o tipo do raciocínio pequeno e que tem por objetivo encorajar o consumidor a entrar ” numa fria”.

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje ” que a recessão no mundo já está dada, mas não no Brasil”. Ora, todos sabem que já vivemos um período recessivo, os dados acima não mentem, o índice de inadimplência do consumidor brasileiro avançou 7,5% de janeiro a outubro na comparação com o mesmo período de 2007, informou hoje a Serasa. A alta do Indicador de Inadimplência Pessoa Física em outubro alcançou 6,9% na comparação com mês equivalente de 2007, enquanto em relação a setembro o avanço representou 4,9%. A crise atingiu em cheio alguns segmentos, principalmente o imobiliário, investimento de pouca liquidez e altíssimo risco no momento.

Construção: criatividade para acalmar a crise

A hora do aperto é o momento das estratégias de venda criativas. O blog recebeu hoje e-mail da assessoria de imprensa de uma construtora que está oferecendo um notebook e um aparelho de som para quem comprar um imóvel até o dia 16 deste mês. Para isso, basta dar uma entrada de R$ 5 mil e ter o crédito aprovado para o financiamento bancário. Os clientes receberão os aparelhos, garante a construtora, após a entrega das chaves.

O setor da construção civil está sentindo os efeitos da crise. Com a falta de crédito para empresas e consumidores, as construtoras e entidades do setor estão prevendo já menos lançamentos para este ano e números ainda menores em 2009. Aí, usam a criatividade para vender.

E você, já viu alguma promoção criativa, não só na construção civil, mas em outros setores, desde que se instalou a crise?

do blog Miriam Leitão

Rizzolo: Imagine a que ponto chegou a crise imobiliária, uma assessoria de imprensa enviou uma proposta ao blog da Miriam Leitão para informar sua promoção ! Como venho afirmando desde o início da crise, o setor imobiliário brasileiro será um dos mais atingidos. Na verdade não precisa ser economista para saber que várias construtoras podem sofrer o ” efeito Incol”. Ademais, da forma em que está o mercado, ninguém de bom senso irá investir em imóveis com esta crise, ativo este cuja liquidez é baixíssima. Por mais que os ” marqueteiros” tentem induzir o investidor a comprar um imóvel, o crédito escasso, e as taxas de juros nas alturas, de pronto fazem o investidor incauto e entusiasmado a não cometer este engano, por hora. O momento como já disse anteriormente, é de apenas observar, não de comprar. Está aí a Miriam Leitão que não me deixa omitir.

Abyara vende ativos para fazer caixa

Em um ano, ações da empresa já caíram 95% na Bovespa

PATRÍCIA CANÇADO e CHIARA QUINTÃO

A Abyara Planejamento Imobiliário anunciou ontem que vai se desfazer de alguns terrenos e sair de parte dos empreendimentos em que atuava em parceria com outras incorporadoras, como a Agra e a Bueno Netto. A empresa, que até agosto acumulava uma dívida de R$ 378,5 milhões, enfrenta dificuldades financeiras. Sem crédito disponível, ela tem pressa em levantar capital para continuar tocando seus projetos. Em nota, a Abyara informou que a decisão foi tomada para “recompor sua situação de caixa e, dessa forma, preservar a saúde financeira da companhia”.

Em meados de agosto, a Abyara divulgou que sua necessidade de caixa até 2009 era de R$ 231 milhões. A maior parte refere-se está relacionada a vencimentos de dívidas.

Essa não é a primeira empresa imobiliária com ações listadas na Bovespa a tomar essa atitude. Em agosto, a InPar decidiu vender parte de seus ativos para fazer caixa para comprar terrenos. As duas empresas são consideradas por analistas as mais fragilizadas do setor. Elas estabeleceram metas arrojadas para seu tamanho e não conseguiram cumprir os planos por falta de crédito.

Na sexta-feira, as ações da Abyara estavam cotadas a R$ 1,55. Em um ano, a desvalorização já chegou a 95%, o pior desempenho entre as empresas imobiliárias. “Todo o mercado está precificando que elas estão quebradas. O erro delas foi acreditar num cenário de muito otimismo”, afirma o analista do Fator, Eduardo Silveira. “No caso da Abyara, vejo um erro de planejamento. Ela fez um IPO pequeno porque era apenas uma corretora. Mas, no meio do caminho, decidiu incorporar, o que exige muito mais capital.”

Em agosto, a Abyara vendeu sua corretora para a BR Brokers por R$ 250 milhões. Na ocasião, o Morgan Stanley, principal acionista da companhia, mostrou-se disposto a colocar mais dinheiro no negócio, caso fosse necessário. Fontes próximas à companhia não acreditam que isso ocorra, já que o fundo imobiliário do banco, um dos maiores do mundo dedicado ao setor, já perdeu muito dinheiro com a crise financeira internacional.
Agência Estado

Rizzolo: A crise imobiliária no mercado brasileiro é um fato irrefutável, a notícia de que empresas do setor já estão de desfazendo de seus ativos, vem corroborar o que este Blog vem afirmando desde o início: o momento é de extrema cautela. A situação se complica quando este segmento, que é movido por publicidade cara, e está diretamente interligado ao fator confiança, começa a enfrentar problemas de caixa como o caso descrito.

Na realidade o mês de outubro dá uma idéia do que vem pela frente: o Ibovespa parou os negócios nos dias 6 (duas paralisações), 10, 15 e 22. O índice caiu 24,8%, saindo de 49.541 pontos do fechamento do dia 30 de setembro, para 37.256 pontos, no fechamento de hoje. E chegou a operar abaixo dos 30 mil pontos esta semana.

Várias economias importantes divulgaram retração no PIB, entre eles EUA (-0,3%); Inglaterra (-0,5%). O petróleo teve a maior queda mensal da história: mais de 35%. Cotado a US$ 100,64 no dia 30 de setembro, operava hoje em torno de US$ 67,00.

A mesma coisa aconteceu com a cesta de commodities medida pelo índice CRB, que despencou quase 25%. O dólar disparou frente outras moedas, e a valorização sobre o real chegou a 30%, com a moeda passando de R$ 2,50. O BC brasileiro foi obrigado a intervir no mercado, trazendo a cotação para R$ 2,16, hoje, o que significa uma alta do dólar de 13,6% para a cotação de R$ 1,90 do dia 30 de setembro. O risco-país também subiu, 35%, passando dos 305 pontos ao fim de setembro para 412 hoje. Face a este cenário, é claro que o setor imobiliário cujo investimento é de baixa liquidez, e nesta fase crítica enfrenta os juros altos e escassos, sofre um forte impacto. Como sempre tenho afirmado, o momento é de apenas observar, não de comprar ou assumir compromissos, e o investidor cauteloso sabe disso.

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Crise financeira mundial ‘esfria’ a febre da casa própria no Brasil

Grandes bancos elevaram taxas de juros para financiamento.
Crise de crédito também afeta a capitalização de construtoras

Ainda não é o fim da festa, mas os brigadeiros em cima da mesa podem estar escasseando. Em 2007, o financiamento imobiliário com recursos da poupança cresceu quase 100% frente ao ano anterior, levando o setor à sua maior expansão em décadas. Agora, a crise financeira mundial ameaça transformar esses bons ventos em brisa.

O responsável pela piora no cenário é o aperto no crédito que o país tem começado a sentir: com o dinheiro em falta lá fora, os bancos tendem a proteger mais seus próprios recursos.

Nessa tendência, três grandes bancos brasileiros aumentaram no início do mês a taxa de juros para o financiamento da casa própria. O Bradesco mudou a taxa de 9% para 10,5% ao ano para imóveis até R$ 120 mil. O Itaú reajustou o teto dos juros cobrados para 12%. No Unibanco, a taxa passou de 11% para 12%.

“Isso é o teto. Se o banco fazia (o financiamento) a 9%, não quer dizer que vai fazer a 12%, mas que se sente livre para variar mais as taxas. Agora eles vão estudar muito bem quem são os tomadores de crédito e dar taxas melhores àqueles clientes em que têm mais confiança”, diz João Crestana, Secovi-SP, sindicato do setor imobiliário.

No bolso do consumidor

Para o consumidor, a mudança se traduz em mais gastos. Em um financiamento em 20 anos, o preço final do imóvel pode ficar até 29% mais caro, segundo um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Segundo o autor do estudo, Miguel de Oliveira, antes da alta dos juros o consumidor pagava por um imóvel de R$ 120 mil, em média, 240 prestações de R$ 966,74, em um total de R$ 232.017,60. Agora, o valor final soma R$ 299.455,20.

“Com o aumento dos juros, você afeta a prestação. E a prestação aumentando, começa a criar problemas no bolso de uma fatia dos potenciais compradores. Em determinado segmento, pode até inviabilizar a compra”, avalia Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).

Brasil X EUA

Embora seja reflexo da crise no exterior, a restrição do crédito no Brasil tem natureza diferente da que ocorre lá fora. Nos Estados Unidos e na Europa, os bancos vêm sofrendo prejuízos enormes, que têm origem no não pagamento de hipotecas imobiliárias. Sem recursos, o crédito some.

Já os bancos brasileiros estão em situação diferente: sem créditos podres em carteira, gozam de boa saúde financeira. Ocorre que muitos deles se financiam com recursos do exterior – e com o dinheiro lá fora escasso, evitam correr riscos, já que não teriam a quem recorrer em caso de problemas.

Efeitos para as construtoras

Essa restrição de crédito também afeta as construtoras. “Os bancos estão pedindo mais garantias e vão injetar menos dinheiro no setor. Alguns segmentos podem sentir, por não conseguirem produzir com um custo tão elevado. O reflexo é que alguns empreendedores vão reduzir seu ritmo de lançamentos. Não há uma suspensão, mas uma redução do ritmo alucinado de montagem de estandes de venda que era no passado”, diz Pompéia, da Embraesp.

“É a hora da seletividade. Em vez de fazer 20 empreendimentos, (a empresa) vai fazer 16, e quatro vai deixar na gaveta para 2010, 2011”, acrescenta Crestana, do Secovi.

As construtoras e incorporadoras também estão entre as que mais sofrem com o “tombo” das bolsas de valores nas últimas semanas. De olho nos problemas do setor, o governo federal autorizou, nesta semana, a Caixa Econômica Federal a comprar participação acionária em construtoras.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo é evitar que haja uma interrupção dos projetos por falta de recursos. “É uma resposta para dar continuidade aos projetos de construção habitacional”, disse ele.

Cuidados na hora da compra

Para o consumidor, a recomendação dos especialistas é redobrar a prudência na hora da compra. Embora alguns bancos tenham elevado as taxas de juros, outros ainda mantêm a cobrança no mesmo patamar.

“Quem pretende financiar um imóvel pode procurar um dos bancos em que é cliente e negociar para manter a taxa. Para quem é bom cliente, o banco pode manter (a taxa antiga)”, diz Crestana. “Mas o comprador vai ser um pouco mais cauteloso agora, vai selecionar os melhores juros, não vai querer comprometer tanto da renda.”

“A recomendação é prudência, paciência e pechinchar muito. E, se puder esperar, para evitar riscos desnecessários. Eu acredito que em três ou quatro meses já vamos estar com uma situação mais estável, mais clara”, afirma Pompéia.

Para uma fatia dos compradores, no entanto, a recomendação do presidente da Embraesp é diferente: “Quem tem aqueles contratos já prontos, com a situação de antes da crise, é bom aproveitar. Porque dificilmente voltaremos a uma situação tão privilegiada quanto a de seis meses atrás.”
G1 Globo

Rizzolo: A crise que atingiu o mercado imobiliário brasileiro, mais precisamente as construtoras, é sério e podemos estar vivenciando no futuro um “efeito Incol”. O pacote do governo muda um pouca a participação da Caixa Econômica Federal que sempre financiou a construção imobiliária. Para salvar o mercado, agora a construtora poderá pegar adiantadamente na caixa as prestações que os compradores vão pagar no futuro, os chamados recebíveis.

Se houver calote quem paga é o Tesouro. Mas é claro, se a quebradeira for grande, será isso acontecerá? Hoje o mercado imobiliário, como todos os outros segmentos, vive um problema de confiança, e especificamente, o imobiliário, pela pouca liquidez que oferece, e pelas taxas exorbitantes de financiamento, é um investimento não aconselhável, por hora. Para se ter um idéia do problema, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira que o governo federal editará uma medida provisória (MP) para socorrer o setor da construção civil.

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ele afirmou que a MP tem o objetivo de viabilizar parte das medidas divulgadas na quarta-feira, as quais, por sua vez, visam fornecer capital de giro às empresas do setor. Ou seja, aquele que pretende comprar um imóvel deve pensar muito antes da decisão, e em momentos de crise o melhor é apenas observar, não comprar.

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