Brasil rebate críticas de relator da ONU sobre homicídios

GENEBRA – O governo brasileiro rebateu nesta segunda-feira, 8, as críticas feitas pelo relator da ONU em torno dos números de homicídios no País. Para o Itamaraty, o relator da ONU contra Assassinatos Sumários, Phillip Alston, violou normas do Conselho de Direitos Humanos da ONU, ao colocar em dúvida, na semana passada, a redução de mortes apresentadas pelo governo. A atitude do relator foi classificada como “irresponsável”.

A polêmica ocorre a uma semana da primeira visita de um presidente brasileiro ao Conselho de Direitos Humanos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falará no dia 15 de junho em Genebra perante o Conselho. ONGs internacionais e brasileiras também vêm criticando as posições do País em relação a crises no Sri Lanka e na Coreia do Norte.

A reação do Itamaraty acontece após as declarações de Alston em uma conferência de imprensa. O relator havia estado no Brasil em 2007 e preparou uma avaliação sobre a violência que foi colocada à disposição dos países na semana passada. Na quinta-feira, o governo brasileiro tomou a palavra para comentar a situação e afirmou que, entre 2002 e 2007, o número de homicídios no País havia caído em 20%.

Alston discordou dos números apresentados pelo governo brasileiro e disse ter dúvidas sobre a credibilidade dos dados. Já a Anistia Internacional denunciou o fato de que a polícia continua matando no Brasil e que não há qualquer mudanças para lidar com a impunidade.

O Itamaraty, em uma dura resposta, garantiu que Alston “está errado” e que existem estudos da USP que mostram essa queda. “Queremos convidar o relator a revisitar seus preconceitos e aposentar seus estereótipos que prejudicam sua avaliação objetiva sobre a realidade”, afirmou a embaixadora do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevedo.
agencia estado

Rizzolo: Direitos Humanos engloba uma série de fatores, e na verdade, o exterior está mais bem preparado para avaliar estas questões do que os órgão do Brasil. É claro que houveram avanços no país, mas afirmar que o número de homicídios no por aqui caiu em 20%, acho um exagero. A violência no Brasil é cabal, assustadora, e apesar dos esforços não acredito nestes números do governo.

Agora o relator como qualquer cidadão brasileiro, tem o direito de duvidar dos números, e daí. Isso é motivo para se ofender? Poucas são as críticas por parte do governo brasileiro em relação aos direitos humanos no Irã, aos direitos humanos na Coréia do Norte, enfim divergir dos números não é questão para tanto barulho; pior é o silêncio em relação à situação das mulheres no Irã e as prisões arbitrárias na Coréia do Norte.