Serra responsabiliza Dilma por fabricação de dossiê contra ele

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, responsabilizou ontem a adversária Dilma Rousseff (PT) pela fabricação de suposto dossiê contendo denúncias que atingiriam o tucano.

tenho dúvida, assim como o principal responsável pelo dossiê dos aloprados foi o Aloizio Mercadante e como a principal responsabilidade por dossiês em 2002 foi do Ricardo Berzoini”, disse ontem o tucano.

Serra comentou o episódio publicamente pela primeira vez, durante visita à Associação Comercial de São Paulo. No final de semana, reportagem da revista Veja relatou que um grupo dentro da campanha petista teria ensaiado a produção de um dossiê para atingir Serra. O alvo principal da suposta ação petista seria a filha do tucano, Verônica.

Serra citou ainda casos de eleições passadas, quando houve guerra de dossiês nos bastidores. Falou especificamente de 2006, quando um grupo de petistas, alguns ligados a Mercadante, que disputava à época o governo paulista, tentou comprar um dossiê com supostas irregularidades envolvendo a administração tucana em São Paulo. Os envolvidos chegaram a ser chamados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “aloprados”.

O tucano também mencionou o pleito de 2002, quando teria sido formado um “bunker” com integrantes do PT com o objetivo de colher denúncias e informações contra os adversários. O ex-presidente petista Ricardo Berzoini faria parte desse grupo.

Contra-ataque. Em reunião no Instituto Fernando Henrique Cardoso ontem, os tucanos afirmaram ser necessário partir para o contra-ataque. Concluíram que o caso não deve ficar sem uma resposta contundente do PSDB . A ideia é relacionar diretamente o episódio à pré-candidata Dilma e à campanha petista.

“Vamos para a briga”, afirmou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, coordenador da campanha de Serra. Também presente ao encontro, o senador Tasso Jereissati (CE) disse que o caso, por ser grave, deveria ser tratado no âmbito do Senado Federal.

“Vamos ouvir Serra e ver se levamos adiante no Senado. Temos que ir a fundo, chamar Lanzetta, aloprados”, afirmou Jereissati, ao citar o jornalista Luiz Lanzetta, que teria montado o suposto grupo de inteligência para organizar o dossiê.

Os tucanos tentam colar em Dilma a autoria da produção do suposto documento relembrando o caso do dossiê com gastos do cartão corporativo do ex-presidente FHC e de sua mulher Ruth Cardoso. O documento, que mostraria gastos pessoais irregulares na administração anterior, teria sido elaborado pela Casa Civil, quando Dilma era ministra.

“O PT introduziu o crime na campanha. Já fizeram o dossiê dos aloprados em 2006, um dossiê contra Ruth Cardoso e agora vem mais um. E a dona Dilma? Ela tem que se pronunciar. Não pode ficar fazendo cara de paisagem”, disse Guerra em Brasília, pouco antes de embarcar para São Paulo para participar da reunião com FHC. O senador classificou a ação de “vergonhosa, indecente e coisa de gente safada”.

O DEM, principal aliado do PSDB em âmbito nacional, também condenou o fato de que um grupo dentro da campanha da petista estaria ensaiando a produção do documento contra Serra.

No plenário do Senado, o primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes, subiu à tribuna para cobrar o esclarecimento da denúncia. “A montagem desse escritório, dessa fortaleza na QI 5 em Brasília, precisa ser melhor esclarecida pelos que fazem o comitê de campanha da candidata. Vá lá que seja uma briga de grupos, não importa. O que está em questão é a metodologia usada, o que está em questão é a falta de ética, é a falta de escrúpulo e a maneira como começam a conduzir uma campanha que nem sequer começou”, disse o senador, em referência à casa onde se reuniria o grupo para coletar as informações contra os tucanos.

Fortes também disse ser “inaceitável” que a campanha petista esteja fazendo “espionagem” e “bisbilhotagem”. “É o jogo sujo, é o jogo sujo que começa quando nem sequer foi iniciado o primeiro tempo desse jogo”, afirmou. “Anotem o que digo hoje: o bunker da QI 5 é apenas o começo, é apenas o início de uma série de escândalos. É aguardar para ver.”
agencuia estado

Rizzolo: Essa acusação é típica daquilo que já mencionei em outros comentários : a falta de discurso. Imaginem se existe autorização da campanha ou de quem quer que seja uma orientação para “produção de dossiê”. É lamentável a utilização dessa tática conspiratória com intuito de desqualificar a pré – candidata. Olha fica até feio para o PSDB, se apegar a uma hipótese fantasiosa. Coisas do desespero político…e o final da fase Serrinha paz e amor…

Para FHC, enxame de denúncias mostra que Congresso está ‘bambo’

SÃO PAULO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta segunda-feira que o Congresso Nacional, cercado de inúmeras denúncias, está “bambo” e “não representa mais nada”. Para ele, apenas uma mudança no sistema eleitoral pode alterar essa situação.

“Nosso sistema de representação, está bambo, não representa mais nada. Isso é visível, provocando um efeito de desmoralização extraordinário”, disse o ex-presidente em palestra da Associação Comercial de São Paulo.

Mencionando a publicação constante de denúncias pela imprensa contra parlamentares, Fernando Henrique defendeu a criação de regras para a prestação de contas pelos congressistas.

“Nosso sistema eleitoral é ruim, se não mudarmos vamos ter a repetição de Congressos do mesmo tipo. A relação de quem vota e de quem é votado é tênue. Quem é votado se sente à vontade para não prestar contas”, acrescentou.

O ex-presidente, cercado de políticos da oposição, fez criticas ao governo Lula ao apontar a contratação de militantes de partidos aliados para os quadros da máquina do governo.

Ele apelidou esse processo de “cupinização” da estrutura pública.

“Não há capitalismo que funcione sem o Estado, mas estamos vendo a cupinização do Estado. O cupim destrói o Estado brasileiro”, declarou.

O combate a esta prática, segundo ele, é um desafio a ser enfrentado pelo próximo governo. Para FHC, a máquina precisa ser mais profissional evitando o fisiologismo que ele disse ter tentado combater.

agência estado

Rizzolo: A prática da corrupção, do desmando com o dinheiro público, a falta de prestação de contas, a utilização dos mandatos para fins pessoais e partidários faz com que tenhamos um Congresso nos termos em que FHC mencionou e uma estrutura pública infestada de ” cupins “. Não é Congresso que está bambo mas a qualidade da nossa democracia. Somente através da educação do povo brasileiro poderemos fortalecer a democracia, temos sim que ensinar o povo a ter discernimento entre quem é político e quem é aproveitador. Uma vergonha infelizmente.