Ciclistas fazem pedalada em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro

Cerca de 50 ciclistas participam, nesta manhã de quarta-feira (22/9), de uma pedalada em comemoração ao Dia Mundial Sem Carro, promovida pela ONG Rodas da Paz. O passeio, com início na Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG), segue pelo Eixo Monumental e vai até o Museu da República. O governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, a vice-governadora, Ivelise Longhi, e a primeira dama, Karina Rosso também participam do movimento pedalando.

Para iniciar a pedalada, os ciclistas se encontraram no Balão do Guará e seguiram pela EPTG. Em seguida, pegaram o Eixo Monumental, que tem duas faixas da esquerda interditadas para o movimento, no sentido Esplanada dos Ministérios. A Polícia Militar faz a segurança da área e a interdição não complicava o tráfego de veículos na pista até por volta de 11h.

Rogério Rosso, Ivelise Longhi e a primeira dama, Karina Rosso, se juntaram ao movimento depois que os ciclistas passaram na altura do Palácio do Buriti. Lá o governador anunciou a liberação de R$ 54,9 milhões para ciclovias em 10 regiões do DF. De acordo com o anúncio, as obras começam de imediato e devem desafogar o trânsito na Asa Norte, Asa Sul, Lago Sul, Ceilândia, Paranoá, Taguatinga, Gama, Riacho Fundo II, Guará e Park Way. A meta é concluir até o final de 2010, 300 km de ciclovias.

O movimento será encerrado no Museu da República, onde os integrantes da ONG Roda da Paz devem ler uma carta com reinvindicações que beneficiam os ciclistas. A instalação de uma malha cicloviária no Distrito Federal e o investimento em políticas de educação no trânsito estão entre os pedidos.

A pedalada faz parte das atividades da Semana da Mobilidade que tem o objetivo de incentivar o uso de transportes alternativos, durante a semana do Dia Mundial Sem Carro, lembrado nesta quarta-feira.
Correio Braziliense
Rizzolo: Pode parecer impossível, mas precisamos pensar em meios diversos de transporte, e as ciclovias parecem ser um meio ecológico, eficaz, e acima de tudo saudável. Há pouco tempo escrevi um artigos sobre a bicicleta como transporte do futuro, em São Paulo por exemplo há poucas ciclovias, e existe muito mais marketing em cima disso de que estrutura para esse meio eficaz de transporte. A grande verdade é que precisamos desenvolver a mentalidade do uso da bicicleta, principalmente nas cidades de grande e médio porte promovendo as ciclovias, e parar definitivamente de usar esse conceito como ferramenta de marketing político e partir para ação. Se eleito vou lutar para que isso se concretize. Veja meu artigo no A Notícia

Bicicleta e o Transporte do Futuro

O cheiro de tinta era forte; minhas mãos de menino apertavam o breque no guidão prateado da minha bicicleta nova. A sensação era de alegria incontida; a bicicleta era verde e vinha com uma bombinha para o caso de o pneu precisar ser enchido. Hoje, relembrando o dia em que ganhei aquele presente, a felicidade que senti me remete ao “sim” da minha primeira namorada, quando “a pedi em namoro”. Primeira bicicleta, primeira namorada… quanta emoção!

Mas por que aqui, parado no trânsito de São Paulo, num dia chuvoso, me lembrei da minha primeira bicicleta? Talvez por dois motivos: primeiro, lembrar um sonho de menino; segundo, saber que no futuro a bicicleta será o meio de locomoção mais comum. Em 2005, mais de 150 milhões de bicicletas foram vendidas no mundo, contra cerca de 60 milhões de carros. A venda de bicicletas tem aumentado porque estes veículos oferecem mobilidade fácil a milhares de pessoas, melhoram a saúde, aliviam os congestionamentos e não poluem o ar. Além disso, uma bicicleta custa 200 vezes menos que um carro e reduz a área que é preciso pavimentar. Em movimento, 6 bicicletas ocupam o espaço de 1 carro. Num estacionamento para carros cabem 20 bicicletas.

O maior desafio dos grandes centros urbanos como São Paulo é a falta de espaço nas ruas. Os dois principais corredores exclusivos para bicicletas na cidade estão hoje em terrenos do metrô – a ciclovia da marginal do Pinheiros, ou da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), e a ciclovia Caminho Verde, na Radial Leste. Em todo o município são apenas 35,5 quilômetros de ciclovias. Na região de maior trânsito da cidade, no limite das marginais, com raras exceções, não há lugares seguros para os ciclistas circularem.

Apesar de tudo, o número de deslocamentos diários de bicicletas* tem aumentando significativamente em São Paulo. Em 1997, equivalia a apenas 54% (54 mil viagens diárias) do número de viagens diárias de táxis (91 mil). Nos dez anos seguintes, houve um salto. Em 2007, já passava a ser 87% (148 mil), superior aos deslocamentos de táxis (79 mil).

Temos de implementar políticas de viabilidade a novos meios de transporte, como a bicicleta. Em países desenvolvidos como a Suécia, cerca de 10% das viagens são feitas de bicicleta e quase 40% a pé. Só em aproximadamente ⅓ dos percursos utiliza-se o automóvel, sem contar, é claro, com o viés de uma vida mais saudável, combatendo não só o trânsito, mas também o sedentarismo.

Trânsito, congestionamento, grandes centros e muita espera nas ruas durante a lenta caminhada dos automóveis nos fazem pensar nas soluções mais simples da vida, nos remete à saudade da antiga bicicleta, da primeira e descomplicada namorada e a tantas outras coisas. A imagem da antiga bicicleta verde, em função de tudo que é verde, acabará sendo a futura forma de se deslocar, talvez com mais poesia, diariamente, com o vento no rosto, nos unindo então aos sonhos do passado, à vontade de andar de bicicleta pelas ruas da cidade.

Fernando Rizzolo