Ajuste cambial fará bem ao Brasil, diz Lula

Madri – Ignorando a bolha cambial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o “ajuste do dólar fará bem” para a economia brasileira. Com a crise tendo levado o dólar de R$ 1,56 para R$ 2,34 em uma semana, o próprio governo estima que 200 empresas sofrerão com a diferença em suas operações e há quem alerte que o câmbio possa ser o “subprime” brasileiro.

“O dólar vai achar seu ponto de equilíbrio conforme a economia encontre seu ponto certo. Essa é a vantagem de um câmbio flexível”, disse Lula. Ele, ainda assim, admite que a subida do dólar “foi positiva” para a economia de um modo geral, e principalmente para as exportações. Ele lembrou da época em que era oposição e que pedia que o dólar ficasse num patamar específico. “Isso eu sei que não dá mais”, afirmou.

“Vamos continuar com nossas previsões de que exportaremos mais de US$ 200 bilhões neste ano”, afirmou. A crise teria afetado a capacidade de crédito para as exportações. Ele ainda destacou que o aumento das importações não devem ser considerados como um problema. “Estamos importando máquinas. Isso significa que estamos comprando para produzir mais”, disse. Nos últimos meses, o superávit comercial do Brasil vem caindo e a Organizacao Mundial do Comércio (OMC) já estima que será dificil sua manutenção se os preços das commodities sofrer uma queda importante.

Fim do Dólar – Lula ainda afirmou que estava na hora de países emergentes pararem de usar o dólar como forma de garantir o intercâmbio entre suas economias. “POrque é que Brasil e Índia precisam usar o dólar? Porque é que não podemos converter as nossas moedas diretamente? Vamos começar a discutir essa possibilidade com vários governos”, disse.

Ele apontou para o exemplo do Brasil e Argentina, que abriram a possibilidade para que empresas possam usar as moedas dos dois países para pagar por exportaçoes e importações. “Levamos mais de um ano para chegar a isso. Mas vamos agora começar a discutir a possibilidade de levar isso também ao resto do Mercosul, primeiro. Depois, a idéia é de que seja usada em toda a América do Sul”, afirmou.

Ele não descarta que será um trabalho “difícil”. “Mas o nosso Banco Central vai ter de ser usado para ajudar nesse sentido”.
Agência Estado

Rizzolo: Contrariando o comentário do presidente, a desvalorização do dólar não é nada bom para a economia, é um componente inflacionário perigoso. Se por um lado existe um alívio da taxa a favor das exportações, isso é neutralizado pela falta de crédito, e pelo alto custo financeiro que será embutido nos preços. Hoje existe um problema de liquidez no País, e o dólar no patamar que está já preocupa os analistas. Outra questão, é saber se os bancos realmente irão emprestar o dinheiro do compulsório, porque queimar as reservas para preservá-los e até que patamar, é discutível.

Agora, a proposta do presidente em acabar com dólar nos emergentes, só pode ser uma brincadeira; o lastro da moeda americana é tão forte que o problema é exatamente tê-lo em suficiência, a visão latino americana de que os emergentes são autos suficientes faz parte da cartilha petista romântica. A trégua nos mercados veio da Inglaterra na disposição de resolver os problemas de forma mais simples. No Brasil o juro médio do empréstimo pessoal subiu para 6,04% ao mês em outubro, a maior taxa média desde junho de 2003 (6,22%). Na Europa, os ganhos também são menores: Londres, 0,65%; Alemanha, 1,04%; e França, 1,36%. Coincidentemente, as quedas aconteceram justamente após as falas de Bush, Bernanke e Paulson.

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Em novo dia de otimismo, Bovespa dispara e dólar tem forte queda

Os mercados de ações e câmbio continuam nesta terça-feira no clima de otimismo iniciado ontem, quando diferentes países europeus anunciaram planos bilionários de socorro ao setor financeiro.

Na segunda-feira, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deu um salto de mais de 14%, enquanto o dólar comercial tombou quase 8%.

Às 10h20, o Ibovespa, principal indicador do mercado brasileiro de ações, subia 5,12%, a 42.920,84 pontos (acompanhe gráfico da Bovespa com atualização constante).

A moeda americana caía 4,85%, a R$ 2,042 na venda (veja quadro com a cotação do dólar atualizada).

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o governo destinará até US$ 250 bilhões para comprar ações de bancos privados em dificuldade e garantirá a nova dívida emitida por essas instituições. A medida, assim com o valor, já era de conhecimento do mercado. O diário nova-iorquino “Wall Street Journal” havia antecipado a notícia.

Investidores têm esperança de que governos de todo o mundo, ao assumirem parte de bancos, estabilizem o sistema financeiro global e marquem o fim do pior da crise financeira.

“Parece que a maré virou e um derretimento completo dos mercados e uma depressão foram evitados. Investidores podem agora focar, novamente, em fundamentos mais que no grau de pânico do mercado”, escreveu Dariusz Kowalczyk, estrategista chefe de investimento do CFC Seymour em Hong Kong, em uma nota a clientes.

As Bolsas européias mantinham nesta terça-feira a recuperação iniciada na segunda-feira.

O Banco Central Europeu injetou quase US$ 100 bilhões no mercado nesta terça.

Na Ásia, a maior parte das Bolsas fechou em alta. A de Tóquio, que não havia operado ontem devido a um feriado local, bateu recorde ao subir mais de 14%.

O banco central japonês anunciou novas medidas de combate à crise financeira.

Recessão
O otimismo dos investidores não foi abalado por avaliações negativas sobre a economia européia. Institutos econômicos disseram que a Alemanha está à beira da recessão; o banco central da França disse que seu país já está em uma.

No Reino Unido, a inflação atingiu 5,6% em setembro na taxa anualizada, maior percentual em 16 anos.
Folha on line
Rizzolo: A reação do mercado se deve ao primeiro-ministro inglês, Gordon Brown. O plano de Brown é bem mais simples, parece que nesta confusão de planos a Inglaterra conseguiu acalmar os mercados. Já no Brasil, a manobra para conter a crise é usar uma ferramenta clássica de política monetária: liberar compulsório. Lá eles usam dinheiro do contribuinte, que sai dos cofres do Tesouro.

Com isso o BC quer que os bancos emprestem dinheiro, mas não bem assim. O fator confiança é essencial, até porque se os bancos não sentirem a devida confiança no mercado, poderão usar o dinheiro e comprar títulos do governo ” empoçando o mercado de liquidez” e isso é péssimo. O problema hoje é de liquidez, e o empresariado está receoso e aguarda como ficara a questão dos juros, que tem é claro, uma relação com um aumento da inflação que por sua vez está atrelada ao aumento do dólar e a queda das commodities.

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Boletim Focus aponta todos os indicadores de inflação em alta

Brasília – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de parâmetro para as correções oficiais, deve encerrar este ano em 4,66%, de acordo com expectativa média de uma centena de analistas de mercado e de instituições financeiras consultados pelo Banco Central na última sexta-feira (11).

Eles elevaram a perspectiva de inflação no varejo, que na semana anterior indicava IPCA de 4,50% – no centro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O aumento decorre da tendência de alta dos preços de alguns alimentos; em especial daqueles com cotação internacional, conhecidos como commodities.

Em razão da elevação dos preços de produtos como carne e leite, principalmente, os analistas calculam que o IPCA de abril, antes estimado em 0,34%, deve ficar em 0,43%. Eles também aumentaram de 0,26% para 0,30% a expectativa de inflação para o mês de maio. Ambos abaixo, portanto, do IPCA de 0,48% de março.

A projeção é de alta também para o Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) da Universidade de São Paulo (USP). O IPC-Fipe calculava inflação de 4% na semana anterior, e agora passa para 4,03%. Essa estimativa é só para a capital paulista.

A única indicação de baixa no varejo diz respeito aos preços administrados por contratos ou monitorados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, água, educação, saneamento, transporte urbano coletivo e outros). A inflação desses preços estava estimada em 3,55% em 2008, na pesquisa da semana anterior, e caiu para 3,53%.

Os dois indicadores de preços no atacado, pesquisados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) também são de alta. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que antes previa inflação de 5,64%, aumentou para 5,81% no ano; e o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) evoluiu de 5,81%, na semana passada, para os atuais 6,02%.

Agência Brasil

Rizzolo: Não há dúvida que o aumento de forma brusca do dólar, mesmo num patamar menor como o de hoje, terá como conseqüência um aumento da inflação, até porque os preços dos importados chegarão aqui mais caros, ao mesmo tempo, poderá haver redução da oferta interna de produtos, com aumento de exportação em função do real mais desvalorizado. A grande questão será o comportamento dos juros; quem apostava numa diminuição agora com uma maior definição no quadro inflacionário poderá se desiludir. “Juros altos e escassez de crédito são misturas explosivas legitimadas pela inflação”, ainda mais por quem adora procurar ” motivos para justificar juros altos “( BC). Fique atento, não é hora de contrair dívidas.

Bolsas de NY seguem tendência mundial e abrem em forte alta

SÃO PAULO – As bolsas de Nova York abriram em forte alta nesta segunda-feira, 13, seguindo a tendência de recuperação dos mercados em comemoração ao plano coordenado de combate à crise definido no final de semana por mais de uma dezena de governos europeus. Às 10h30, o Dow Jones subia 4,27%, o Nasdaq avançava 5,19% e o S&P 500 subia 3,72%. Por aqui, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também abriu em forte valorização, e, às 10h45, subia 6,91%, aos 38.071 pontos. Só na semana passada, o Ibovespa teve uma desvalorização de 20%.

“Vamos matar a saudade da Bolsa em alta”, festejou um operador após ver o Ibovespa fechar em baixa os últimos sete pregões, elevando para 28% a perda acumulada no mês de outubro. Mesmo avaliando que uma alta dessa magnitude repõe só parte das perdas, analistas avaliam que o movimento pode estar sendo exacerbado. É a outra face da volatilidade.

Seria preciso pelo menos uma semana mais calma na Bolsa, de recuperação, para dizer que o mercado está tentando retornar à normalidade, de acordo com um analista. Mas os investidores amanheceram querendo acreditar que o plano de resgate europeu para deter a sangria dos mercados financeiros vai dar certo. Na Europa, a Bolsa de Londres avançava 4,58% e a de Paris 6,41%.

Mais de uma dezena de governos da Europa devem anunciar entre hoje e quarta-feira a criação de fundos nacionais de recapitalização e de garantias do sistema financeiro, nos mesmos moldes do plano anunciado pelo Reino Unido há cinco dias. A decisão foi tomada ontem em Paris, após três horas e meia de reunião entre chefes de Estado e de governo do Eurogrupo, o conjunto de países com moeda única. A ação será ao mesmo tempo nacional, já que os recursos virão do orçamento de cada país, e continental, na medida em que todos os governos obedecerão a regras unificadas para a intervenção. O valor dos planos deve se aproximar dos 300 bilhões de euro inicialmente previstos na idéia do fracassado fundo europeu contra a crise.

Para completar, o governo britânico confirmou a injeção de US$ 63,37 bilhões no Royal Bank of Scotland (RBS) e na instituição que resultará da fusão entre o Lloyds TSB e o HBOS (Halifax). E o Fed anunciou nesta segunda que proverá o que for necessário de recursos em dólar por meio de suas linhas de swap com os três principais bancos europeus.

Os sinais de que a confiança pode estar voltando e o recuo do dólar frente ao euro animam também os mercados de commodities. O petróleo se recupera do tombo da semana passada, após ter fechado a sexta-feira no menor nível em 13 meses, abaixo de US$ 78 o barril. Por volta das 10h, o barril na Nymex era negociado em alta de quase 5%, acima de US$ 82. Os metais vão pelo mesmo caminho. O contrato de cobre para três meses negociado em Londres subia 3,3% mais cedo, para US$ 4.940 a tonelada, enquanto o de alumínio avançava 2,3%, para US$ 2.266 a tonelada.

Outra boa notícia da manhã veio do pelo BC brasileiro, que anunciou um programa de liberação integral dos recolhimentos compulsórios a partir de hoje. A medida atinge os depósitos a prazo e interfinanceiros de empresas de arrendamento mercantil (leasing) e também a exigibilidade adicional, que atualmente recai sobre os depósitos à vista e a prazo. Segundo o BC, serão liberados até R$ 100 bilhões.

Ásia

Na Ásia, o principal índice de bolsa de valores subiu 5% depois de ter caído ao pior patamar em quatro anos nesta segunda-feira. Entretanto, o iene permaneceu firme ante o dólar e o ouro também se valorizou, ressaltando a precaução do investidor e pouca disposição para fazer investimentos arriscados no momento, especialmente com mercados de crédito funcionando de forma fraca.

O mercado acionário do Japão registrou queda de 24% na última semana, duas vezes mais o que perdeu na semana da crise de 1987, enquanto as bolsas dos Estados Unidos tiveram queda de 18%, o maior declínio em uma mesma semana da história.

“Os mercados estão enormemente vendidos e todos estão sedentos por boas notícias, então não irá demorar muito para começar um rali de alívio. Mas isso está longe de ser o fim da história”, disse Geoff Lewis, chefe de serviços de investimentos do JF Asset Management em Hong Kong.

“Até podermos reconhecer um retorno do apetite pelo risco, é difícil de perceber como a Ásia pode se sobressair em linha com seus fundamentos relativamente superiores”, disse Lewis, que antecipou mais pressões sobre bancos sendo gerados por unidades de empréstimos comerciais e de financiamento ao consumidor.

O índice MSCI que reúne os principais da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão disparou 7,41%, depois de chegar a cair mais de um quinto na última semana, para o nível mais baixo desde dezembro de 2004. A bolsa de Sydney teve salto de 5,5%, revertendo parte do declínio de 16% da última semana, depois que o governo australiano garantiu cobertura de todos os depósitos bancários.
O índice Hang Seng, de Hong Kong, disparou 10,24%, depois de ter perdido 16,2% na última semana. As ações da China Mobile eram as que mais se valorizaram no índice e papéis de grandes bancos tiveram rali depois de registrarem queda mais cedo na sessão.

O mercado de ações do Japão e de Treasuries dos Estados Unidos não operaram em virtude de feriados nesta segunda-feira. O mercado de Seul subiu 3,79%. Xangai avançou 3,65%, Taiwan recuou 2,15% e Cingapura disparou 6,57%.

Agência Estado

Rizzolo: A ação coordenada dos países, em direção à superação da crise, parece de início ter surtido algum efeito. Contudo ainda é muito cedo para afirmar que a crise acabou; no Brasil há empresas com sérios problemas em operações no mercado cambial, as que já amarguram o prejuízo terão problemas, outras ainda irão enfrentar essa questão.. O grande desafio é por parte do governo, que terá que cortar gastos, a previsão super otimista de receita terá que ser revista.

Outro setor que enfrentará problemas é o imobiliário, não o popular referente aos SFH, até por que pagam TR mais a taxa de juros bancária, mas me refiro aos novos projetos que não começarão tão cedo. O que assusta os empresários, são os financiamentos mais caros, aqueles feitos diretamente com o incorporador, estes financiados por IGPM mais 12%, e como o IGPM subiu muito fala-se em 25% ano, e isso irá trazer problemas.

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Zona do Euro decide recapitalizar bancos para evitar quebras

Paris, 12 out (EFE).- Líderes dos países da Zona do Euro reunidos neste domingo em Paris decidiram permitir um refinanciamento bancário “limitado” até o final de 2009 e de acordo com as “condições do mercado”, disse hoje o presidente francês, Nicolas Sarkozy.

“Não será um presente para os bancos”, declarou o presidente francês, que disse ainda que na cúpula realizada hoje em Paris foi decidido que os Estados-membros da eurozona “poderão reforçar o capital dos bancos de seus respectivos países”.

“O plano que aprovamos tem a vocação de ser aplicado em cada um de nossos Estados-membros com a flexibilidade que se necessite em função da diversidade de nossos sistemas financeiros e de nossas regras nacionais”, advertiu Sarkozy.

O presidente francês assegurou que “é preciso devolver aos bancos a liquidez que precisam, que possam obter financiamento a médio prazo e reforçar seus fundos próprios”.

“Os Governos da eurozona darão garantias públicas para operações de refinanciamento bancário. Este dispositivo temporário, até 31 de dezembro de 2009, será naturalmente devolvido em condições de mercado. Não se trata de dar um presente aos bancos, mas de permitir seu funcionamento”, frisou Sarkozy.

O francês, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, explicou que “os Estados que quiserem poderão reforçar o capital dos bancos mediante a subscrição de ações preferenciais ou com títulos similares”.

“Com uma estrutura financeira dos bancos que seja mais forte eliminaremos a pressão que pesa sobre o crédito”, afirmou Sarkozy, que disse que os governantes dos 15 Estados do Eurogrupo manifestaram sua satisfação com as decisões tomadas pelo Banco Central Europeu (BCE).

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, “nos comunicou sua determinação absoluta para pôr tudo que for necessário em andamento para permitir o retorno à normalidade”, assinalou Sarkozy.

Encontro dos poderosos

Os chefes de Estado e de Governo dos países do Eurogrupo, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, e do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, se reuniram neste domingo em Paris para discutir medidas que tirem o sistema financeiro mundial da crise.

Entre os assuntos, discutiu-se a nacionalização parcial dos bancos, coordenação das intervenções de cada Estado, garantia de depósitos dos poupadores e controle das remunerações dos dirigentes, segundo diversos meios de imprensa.

Folha online

Rizzolo: A postura da europa é sempre diversa da forma de enfrentar as questões econômicas como os tomadas pelos EUA. A Comunidade Européia, ou os países que constituem a europa, tem uma resposta mais lenta a tudo. As discussões são mais elaboradas e colocá-las em prática. se torna mais difícil ainda em função da complexidade de cada País. De qualquer formam, tudo o que é feito na direção da solução dos problemas no tocante à crise é bem-vindo. Os EUA possuem mais comando, mais firmeza, e a confiabilidade é maior, haja vista os investimentos em T- Bonds (Treasury Bond ) e dólar, nos momentos de crise.

A pressão sobre o crédito passa pela confiança dos mercados, não só da europa, mas dos EUA, da Ásia, e dos emergentes, que terão um real esfriamento de suas economias, com inflação, escassez de crédito, e queda nos preços das commodities, o pacote da europa pode amenizar a crise num contexto geral. No Brasil o problema envolve principalmente o câmbio, que está totalmente “out of control”, reflexo da lógica das causas acima mencionadas . Por hora, pelo fato dos bancos brasileiros terem pouca alavancagem, a crise ainda não atingiu os atingiu; principalmente os grandes bancos. Até quando não sei.

A verdade, é que a especulação do dólar, ou a aposta num real valorizado, obtido nas operações pelas empresas, deu-se muito em função das altas taxas de juros, e isso ninguem fala, mas eu falo, e sempre falei, quem acompanha este Blog sabe. O cenário não é nada bom para os emergentes, enquanto as medidas não surtirem efeito real na economia americana. O resto é pura perfumaria.

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Votorantim admite perdas de R$ 2,2 bi com operações de câmbio

O grupo Votorantim admitiu nesta sexta-feira que vai arcar com um custo de R$ 2,2 bilhões para eliminar a exposição financeira da empresa às oscilações do câmbio. Anteriormente, Sadia e Aracruz já admitiram prejuízos milionários (de R$ 750 milhões e R$ 1,95 bilhão, respectivamente) com sua exposição à moeda americana devido a operações no mercado futuro.

Entre o final de agosto e de setembro, a cotação da moeda americana oscilou de R$ 1,63 para R$ 1,90, afetando as operações financeiras de muitas empresas brasileiras. E somente nos primeiros dias de outubro, o preço do dólar já bateu R$ 2,48, no pior momento da crise.

Em seu comunicado ao mercado, o Votorantim enfatiza que a geração de caixa do grupo foi de R$ 8,1 bilhões no ano passado, com projeção de R$ 8,4 bilhões para este ano. No entanto, não dá detalhes de como esse custo deve ser contabilizado nos próximos balanços da empresa.

Uma das empresas do grupo, o Banco Votorantim, comunicou à parte que “não teve participação na formação das operações de “swap'” realizados pela Votorantim e que “não registrou qualquer prejuízo com a eliminação das referidas operações”.

Ontem, a agência de classificação de risco Fitch Ratings colocou sob “observação negativa” o “rating” da VCP (Votorantim Celulose e Papel). A “observação negativa” significa que a nota dessa empresa está sob ameaça de rebaixamento, a exemplo do que já ocorreu com a Aracruz.

Reportagem da Folha de hoje, assinada pelo colunista Guilherme Barros e por Sheila D’amorim, informa que aumentou a preocupação dentro do governo com a dimensão dos estragos das operações de alto risco feitas por empresas que apostaram no dólar desvalorizado até o final do ano.

A equipe econômica ainda não sabe bem o tamanho das perdas, mas avalia que podem ter um potencial significativo de estrago.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) afirmou à Folha que o Banco Central está levantando quais foram as empresas que fizeram as operações de alto risco no mercado de derivativos de dólar para saber a dimensão dos prejuízos. O número que circula no mercado é de R$ 40 bilhões.
Folha online

Rizzolo: As perdas com as operações de câmbio por parte das empresas são enormes a brusca oscilação provocou prejuízos enormes a várias empresas, e isso de certa forma vai repercutir na composição dos preços, assim como o novo custo do crédito já escasso. De fato a alta do dólar, o custo financeiro, a queda das commodities, e a insegurança bancária, principalmente em relação aos pequenos bancos, nos levará a uma recessão, e a um provável custo inflacionário.

O problema é exatamente dimensionarmos se temos um ” estoque” (reservas cambiais) de soro suficiente para a jornada, aparentemente sim, mas isso tem um limite. Já no tocante ao “rating” ou a nota de risco, significa uma consideração sobre a capacidade de uma empresa ou País, saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem “notas”, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um “default”, ou seja, de uma eventual suspensão de pagamentos.

Observem que as empresas brasileiras estão sendo reavaliadas; ao que tudo indica a crise atingiu numa proporção não imaginável os emergentes, no Brasil a brecha para o ” buraco negro” é a disparada do dólar, que infelizmente poucos sabem a quantas vai, e se o remédio do BC ( queimar reservas cambiais sistematicamente) é o aconselhável, ou até que nível podemos fazer uso deste instrumento.

Queda em Wall Street causa sexta-feira negra nas Bolsas da Ásia

Em meio a pior semana para o mercado financeiro desde o início da crise, as Bolsas da Ásia acabaram a semana com fortes perdas em uma verdadeira sexta-feira negra para os investidores. Em Tóquio, o maior mercado da região, a Bolsa caiu ao seu mais baixo nível em 21 anos seguindo a derrocada em Wall Street nesta quinta (9).

O índice Nikkei, que mede os negócios da Bolsa japonesa, desceu 11,3% nas primeiras horas da manhã, aos 8,115.41 pontos; no fim do dia, o indicador fechou em 9,62% negativo, aos 8.276,43. De acordo com a agência de notícias Reuters, os negócios foram os piores desde o crash de 1987. Tóquio fecha no vermelho há sete pregões consecutivos e vê uma queda acumulada de quase 20% só nesta semana.

Os mercados na Austrália, na Tailândia e nas Filipinas operavam todos com quedas superiores a 7%. A Coréia do Sul fechou o pregão com recuo de 4,13%. Xangai (China) encerrou o dia em baixa de 3,57%. Hong Kong terminou a sexta-feira em baixa de 7,19%, aos 14.796,87 pontos.

Na região, a crise provocou a primeira queda de uma seguradora. Em meio a uma dívida de 269,5 bilhões de ienes (US$ 2,7 bilhões), a japonesa Yamato Life Insurance pediu falência. Além disso, o BoJ (Banco do Japão, o Banco Central do país) foi obrigado a realizar sua 18ª injeção seguida de dinheiro para aliviar a situação econômica no Japão.

Hoje foram mais 4,5 trilhões de ienes (US$ 45,367 bilhões), o que soma mais de 334 trilhões de ienes (cerca de US$ 332 bilhões) colocados no mercado desde a derrocada do banco de investimento americano Lehman Brothers.

“Isto é pânico. Em Nova York não há nada mais em que confiarmos”, disse Takashi Ushio, do Marusan Securities. “Os investidores estão loucos atrás de recuperar algum dinheiro. Um fio de confiança se transformou em pânico.”

O investidor Kenji Akasaka afirmou que nunca viu nada igual na Bolsa de Tóquio em mais de 40 anos. “Eu rezei antes de ir dormir [na quinta-feira] para que o Dow Jones se recuperasse”, disse. “Perdi o sono, pensando nas perdas.”

Recessão

Fato é que o Dow Jones, principal indicador da Bolsa de Nova York, afundou 7,33%, aos 8.579,19 pontos, ontem. A retração arrastou os mercados (no Brasil, inclusive) e deve provocar efeitos ainda maiores nesta sexta, segundo analistas.

O acumulado de sete dias do Dow Jones, cujas quedas somam 20,9%, são os maiores desde 1987 –quando a queda foi de 23,8%, em 20 de outubro.

“Não há chão para os mercados atualmente”, disse Francis Lun, da Fulbright Securities em Hong Kong. “E não há qualquer indicação quando isso vai parar.”

A última notícia que pesou foi a revisão dos “ratings” (notas dadas por agências especializadas) das montadoras GM (General Motors) e Ford. A Standard & Poor’s rebaixou o da GM e colocou a nota da Ford em perspectiva negativa.

Além disso, os operadores citaram o pessimismo com o início da temporada de divulgação dos balanços de grandes bancos americanos. Temem-se os novos rombos com os créditos “subprimes” (dado a pessoas com histórico de inadimplência, a raiz da crise nos EUA).

Outra fonte de preocupação entre os analistas americanos veio dos números dos pedidos semanais de seguro-desemprego no país. O volume caiu em 20 mil na semana passada, mas o total está em níveis que, segundo analistas, indicam que a economia ou está perto da recessão ou já se encontra em uma.

As novas quedas ocorrem mesmo após a ação coordenada inédita, o Federal Reserve (banco central dos EUA), o BCE (Banco Central Europeu), entre outros bancos centrais, decidiram um corte extraordinário e conjunto de juros, para animar as respectivas economias. A decisão, embora tenha recebido elogios de analistas que pediam um ação global para deter a crise financeira, teve efeitos restritos sobre o dia dos mercados financeiros.

Folha online

Rizzolo: É uma satisfação estar ao lado de vocês novamente depois de um jejum por mais de 24 horas. Porém, ao que parece, a situação no mercado financeiro mundial não aponta ter cedido em nada, muito pelo contrário, a reação das Bolsas da Ásia denotam a profundidade da crise. As novas medidas de regulamentação baixada ontem em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), são boas, segundo elas, a autoridade monetária poderá impor, caso julgue necessário, medidas como: proibir novas linhas de negócios, obrigar o banco a vender ativos, suspender a distribuição de dividendos e proibir a concessão de aumentos salariais para os administradores. As normas também deixam claro que não serão aceitos créditos “podres”dos bancos. Na verdade, essas exigências estão em linha com as práticas já adotadas na Europa e nos Estados Unidos, que por sinal pouco efeito até agora surtiram.

Contudo, uma questão preocupante, é o efeito da desvalorização do real como componente inflacionário e sua inter – relação nas taxas de juros, bem como o custo financeiro repassado, e neste caso existem duas variantes: uma de aumento outra de corte das taxas; pode ser que a queda nas commodities, supra um efeito de alta dos juros. Não acredito que o governo terá sucesso a médio prazo em conter a alta do dólar, e questiono até que ponto é valido as maciças e sistemáticas intervenções no mercado de câmbio, disponibilizando as reservas cambiais, sem ter uma noção da profundidade da crise.

De qualquer forma, governo nestes últimos dias tem reagido bem, mas vale lembrar que os 208 bilhões de dólares, de reservas, podem não ser suficientes para o buraco que hoje desespera até a Ásia. Economia é antes de tudo sensibilidade, e nas crises saem melhor aqueles que exergam longe, e hoje no Brasil a questão cambial é o principal problema, e poderá se tornar, a porta de entrada para os maiores desafios a serem enfrentados.