Expulso, embaixador dos EUA fala em ‘conseqüências’

LA PAZ – O embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, disse hoje que a decisão do presidente Evo Morales de expulsá-lo teria “sérias conseqüências”. Segundo comunicado divulgado pela embaixada dos EUA em La Paz pouco antes da partida de Goldberg, aparentemente o governo boliviano “não avaliou corretamente” os possíveis desdobramentos do ato.

Evo acusou o diplomata de conspirar e promover a divisão boliviana. O funcionário e o governo norte-americano negam qualquer ação nesse sentido.

Goldberg mencionou o problema do comércio de cocaína na Bolívia. Segundo eles, esse é um problema possível de combater em conjunto. “Mas sem cooperação, nós fracassaremos.”

A Bolívia é o terceiro maior produtor de cocaína no mundo, atrás de Colômbia e Peru. Washington destina US$ 100 milhões anuais à Bolívia para a erradicação de cultivos de coca e fábricas de refino da droga.

Em retaliação ao ato de Evo, os EUA também expulsaram o embaixador boliviano. Além disso, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também expulsou o embaixador dos EUA, em solidariedade ao colega sul-americano. Também Honduras adiou o recebimento das credenciais de um novo embaixador americano, e o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, descartou ir a um evento no qual estaria o presidente dos EUA, George W. Bush. As informações são da Dow Jones.

Agência Estado

Rizzolo: Uma atitude deste tipo, de expulsão sem um motivo claro, concreto e óbvio, na leva a pensar que algo muito além da questão política em relação ao governo existe. Com efeito, Washington destina US$ 100 milhões anuais à Bolívia para a erradicação de cultivos de coca e fábricas de refino da droga. Esse tipo de operação dos EUA desagrada a muitos, que de certa forma, apóiam o governo de Evo Morales. Nada justifica uma atitude de expulsão, quer da Bolívia ou da Venezuela; se analisarmos os envolvimentos de forma velada desses países com as Farc, poderemos fazer uma análise até que ponto questões que não se referem à situação política real da Bolívia precipitaram essa absurda postura de expulsão. E a esquerda brasileira, qual a posição a respeito disso? Silêncio, apenas um profundo silêncio, afinal estamos falando de Evo Morales e Chavez os guardiões do ” socialismo bolivariano”. Bom mesmo é o presidente Lula ficar longe desta turma.

Lula diz que reunião deve respeitar interesses da Bolívia

PETRÓPOLIS – Em sua primeira manifestação pública sobre os conflitos na Bolívia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que aceita ir à reunião dos presidentes amigos da Bolívia, no Chile, mas ressalvou que este encontro será inócuo se ele não for feito com a concordância do governo e da oposição daquele país, que são os principais interessados e estão se enfrentando. “Nós não temos o direito de tomar nenhuma decisão, sem que haja concordância do governo boliviano e da oposição. São eles que têm de nos dar o paradigma da nossa participação, porque, senão, será ingerência de um país, na soberania de outro e isso o Brasil não fará em hipótese alguma”, afirmou Lula, após inaugurar o Centro de Ensino Tecnológico (Cefet) de Petrópolis (RJ).

Lula salientou que, desde quinta-feira tem conversado com os presidentes Evo Morales, da Bolívia, Cristina Kirchner, da Argentina, Hugo Chávez, da Venezuela, e Michelle Bachelet, do Chile, com quem ia falar novamente para discutir sobre esta reunião dos presidentes dos países amigos da Bolívia. O presidente Lula avisou que, se tiver a reunião no Chile, comparecerá, mas reiterou que é importante que todos os presidentes tenham em mente que a Bolívia precisa dizer se quer a interferência dos países.

“Nós vamos reunir um conjunto de presidentes, pra que? Nós não podemos tomar decisão pela Bolívia. É preciso que a Bolívia nos dê os parâmetros. Nós vamos nos reunir para decidir alguma coisa, desde que esta coisa interesse à Bolívia. Por isso a gente precisa saber o que a Bolívia deseja que a gente faça.”

Lula fez ainda um apelo a todos os setores da Bolívia para que se entendam. “A melhor solução para resolver um conflito é a negociação por isso eu queria fazer um apelo ao povo boliviano, aos empresários, aos trabalhadores, ao governo e à oposição, que permitam que a Bolívia encontre o seu próprio destino, fortalecendo a sua democracia, suas instituições, e se desenvolvendo porque a Bolívia precisa disso”, comentou o presidente.

“Se sentem em torno de uma mesa e vão perceber que é muito mais fácil encontrar uma solução negociada do que permitir que o povo fique se enfrentando nas ruas”, prosseguiu Lula citando que já há mais de dez mortos. E emendou: “Eu apelo aos meus amigos bolivianos, pelo amor de Deus, se com paz já é difícil a gente desenvolver e crescer, com conflito é muito pior.”

Crítica

Ao mesmo tempo em que chama todos para o diálogo, Lula criticou a oposição boliviana, que disse estar prejudicando o maior bem do país: a produção de gás. “Entendo que a oposição precisa fazer as manifestações que quiserem fazer. Mas, não é possível aceitar a violência, não é possível aceitar práticas de quebrar o gasoduto, prejudicando os seus parceiros como Brasil e Argentina”, desabafou.

“O que eu acho é que é um equívoco tremendo (os ataques aos gasodutos) porque é uma das grandes fontes de riqueza da Bolívia e, portanto, a Bolívia precisa vender o gás para melhorar a vida do seu povo”. Lula reiterou que Evo Morales foi eleito democraticamente pelo povo e referendado recentemente. “A oposição tem direito de fazer oposição, mas tudo tem limite, porque se extrapolar o limite, todo mundo perde”.

O presidente Lula advertiu que os contratos de fornecimento de gás precisam ser respeitados e que entende que Morales está mandando o Exército garantir o funcionamento das usinas. “Temos contratos, que precisam ser respeitados e eu já ouvi pronunciamentos do presidente Evo dizendo que colocou o Exército lá porque não vai permitir que o patrimônio público seja danificado”, disse. Para Lula, “não é prudente destruir o pouco que você tem que permite desenvolver o país, você danificar o seu patrimônio”.

Agência Estado

Rizzolo: Lula está coberto de razão, o maior interessado é o governo Boliviano. Ora, se não há de forma expressa a intenção deste governo, em reunir todos os países membros no sentido de avançar no diálogo com a oposição, se reunir para que? Tenho observado sempre que a postura do presidente Lula em questões de política externa, quando não possuem conteúdo ideológico partidário, geralmente são muito boas, haja vista quando surgiu a crise em relação à estatizações por parte de Morales. O que existe no governo Lula é claro, os petistas do mal estão sempre tentando atrapalhar a gestão, vez que as propostas estão sempre recheadas de conteúdo ideológico; já os petistas do bem lutam internamente para dar coerência ao partido, às posturas de Lula. O melhor para Lula, como sempre digo, é distância destes petistas do mal. Quem são? Um dia lhes direi.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que vai participar na segunda-feira, 15, da reunião emergencial da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), convocada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, para discutir a situação na Bolívia. A decisão do presidente foi comunicada por assessores do Palácio do Planalto aos demais países que integram o grupo. Só acho que os abraços e afagos a Chavez devem ser comedidos, manter distância deste cidadão é bom para o Brasil e aos brasileiros, o problema é que Chavez é grudendo e cobra ” coisas”..

Hugo Chávez expulsa embaixador americano da Venezuela

CARACAS – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu 72 horas para o embaixador americano em Caracas deixar o país, em um ato que disse ser em solidariedade ao governo da Bolívia, cujo representante foi expulso de Washington nesta quinta-feira, 11. “Já basta de tanta merda de vocês, ianques de merda”, declarou o líder venezuelano, em um ato político no Estado de Carabobo.

“Na Venezuela, os povos do mundo têm um país solidário. Há milhões de nós dispostos a lutar pela Bolívia”, continuou. Mais cedo, Chávez disse que se presidente boliviano, Evo Morales, fosse “derrubado” ou “morto” durante os protestos da oposição que agitam a Bolívia, haveria “sinal verde para apoiar qualquer movimento armado” no país.

O líder venezuelano destacou que seu governo “quer a paz”, mas está disposto a “exigir respeito” para os governos e líderes legítimos da América Latina. Na quarta-feira, Evo pediu a expulsão do embaixador americano em La Paz, Philip Goldberg, acusando-o de incentivar o separatismo em seu país.

Nesta quinta, Washington respondeu que a medida foi um “erro grave”, e também expulsou o representante boliviano do país.

A Bolívia vive nesta quinta o terceiro dia consecutivo de violência em várias regiões do país, todas controladas por opositores autonomistas que exigem a restituição de um imposto sobre o gás e o petróleo que antes era repassado para os governos dos departamentos bolivianos e são contra a nova proposta constitucional do governo.

Até agora, o Exército boliviano não interveio na crise, mas Evo alertou que sua “paciência tem limite.”

Agência Estado

Rizzolo:Bem agora eu pergunto: Até quando a esquerda brasileira, muito bem representada no governo do presidente Lula, pode continuar apoiando Chavez nos seus destemperos? Como o Brasil pode se igualar a esse tipo de conduta política marginal, ao embarcar nas propostas de Chavez, no falso conceito de ” solidariedade latino americana “. O Brasil precisa se diferenciar destas posturas, não podemos compactuar e chancelar essa violência ideológica gratuita contra os EUA. Observem o nível de discussão política argumentativa de Chavez para legitimar a expulsão do embaixador. Observem também o silêncio da esquerda, com certeza no fundo estão aplaudindo esse teatro de baixo nível do “socialismo do século 21″. Eu conheço a Venezuela, estive nas favelas de lá, sei que o povo não aprova isso. Ah! Mas o Rizzolo é mal agradecido, foi para lá de graça, a convite e ainda reclama, malha.

Fui, agradeci o convite, tive a oportunidade de conhecer ministros do governo Chavez, apoiei até certo ponto. Mas soube ter bom senso e parar, tive dignidade e reconheci que o caminho estava errado, e acertei, está aí a prova. Pior são aqueles que nunca foram, se consideram da esquerda, e apóiam o que nem sequer conhecem. Terão que pagar a passagem, para reconhecerem que estão errados, porque uma coisa Chavez sabe fazer, não gasta vela boa com defuntos ruins. – obs. o pessoal da esquerda deve estar falando ” que judeu pretencioso, hein ! “…(risos..)

Governo Morales diz que Bolívia está no limite de um golpe de Estado

O Governo de Evo Morales advertiu hoje que a Bolívia está no “limite de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional” para derrubá-lo, e atribuiu o plano aos governadores regionais opositores de regiões autonomista.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, se referiu ao suposto complô em declarações realizadas à rádio estatal “Patria Nueva”, na cidade de amazônica de Trinidad, no departamento de Beni.

Quintana, o braço direito de Morales no Governo, disse que esta ação está sendo gerida “ao típico estilo das ditaduras que antecederam a recuperação da democracia em 1982”.

Segundo o ministro, a ação dos chefes regionais é um ato “de sedição, de desacato e organização de forças ilegais, paramilitares para atentar contra todas as liberdades públicas”.

A denúncia de Quintana ocorre a quatro dias do referendo que será realizado no próximo domingo para que os cidadãos se pronunciem sobre a revogação ou continuidade dos mandatos de Morales, seu vice-presidente e oito governadores regionais do país.

Morales, em um ato em Cochabamba para celebrar o aniversário das Forças Armadas, lamentou hoje que alguns grupos “faltem o respeito ao povo boliviano e apliquem uma espécie de ditadura civil, atentando contra a democracia”.

Segundo o presidente, na Bolívia, as ditaduras dos anos 60 e 70 foram substituídas pela ação de grupos que “tomam aeroportos, tomam cortes departamentais eleitorais e baleiam carros de ministros”.

Nos últimos dias, se intensificaram em diversos pontos do país os protestos contra Morales e seu Governo, como o caso da região de Tarija na terça-feira passada, onde uma manifestação de opositores provocou a suspensão da visita dos presidentes da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez.

Folha online

Rizzolo: Morales não é o tipo de sujeito que gosta de oposição. Bem ao estilo chavista, só gosta da democracia quando esta ganhando ou quando tem o poder nas mãos. As alegações de golpe por parte dos opositores, são superficiais, evidentemente a oposição vê com certa desconfiança e não aprovação dos governos populistas de Chavez, Kirchner, e principalmente o dele. Morales como Chavez, vê o desprestígio tomar conta do seu governo e ataca grupos da oposição de golpe. É o velho discurso de sempre, daqui a pouco começará a culpar os EUA.

Contra fatos, não há argumentos

A intenção do Brasil de investir até U$ 1 bilhão na Bolívia, em acordos celebrados entre os dois países, vem de encontro a uma política honesta de integração entre os demais membros da América Latina. Na verdade, existe uma ressaca das diretrizes neoliberais que foram implementadas durante muitos anos nesses países, patrocinadas pelos governos dos EUA. Nada existe de mágico, ou de conspiratório, como muitos alegam a solidariedade latina ao povo Boliviano, e ao governo de Evo Morales, por conseqüencia. Se tomarmos como exemplo a Bolívia, em 1996, os 20% mais ricos ficavam com 56% da renda nacional; em 2001, ficavam com 58%. Nas mesmas datas a porção da renda destinada aos 20 % mais pobres caiu de 4,2% para somente 3,2 %.

Com todas as diferenças, que são significativas, Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Nicarágua, Uruguai e Venezuela tomam rumos que os distanciam das diretrizes norte-americanas e criam vínculos de integração, de relações comerciais, energéticos, e financeiros como o Banco do Sul. O que ocorreu na Bolívia, foi que a imensa população indígena sempre fora esquecida, discriminada, viviam numa exclusão social e política imensurável; o que Evo Morales trouxe ao povo boliviano, foi a auto estima, e a interpretação real de que as riquezas minerais, os hidrocarbonetos, riqueza esta existente na terra boliviana, pertence aos bolivianos. Ora, num país paupérrimo, onde a exploração das riquezas sempre foram feitas e costuradas nas relações sombrias entre a elite e o capital internacional, nada mais natural, que, ao ressurgir com força a democracia participativa, os povos indígenas encontrassem o direito justo e nobre de serem os protagonistas dos desígnios de seu país e de suas riquezas. Costumo dizer que antes tudo ia bem, mas esqueceram os neoliberais do mais importante, da maioria indígena, e este foi o grande erro.

Muito embora a direita raivosa brasileira, que fala muito, mas absolutamente sem base, sem conhecimento, sem dados, abomine a idéia de uma integração entre os países latino americanos, ela caminha com vigor, da direção da inclusão das 230 milhões de pessoas que vivem na linha da pobreza. Os enfrentamentos com as elites quer no Brasil, como nos demais países acontecerão, mas numa visão otimista, faltará, como sempre, na contra argumentação destes separatistas, a cultura, o estudo, o aprofundamento, e o senso crítico discernitivo, e isso a direita no Brasil não tem, haja vista, os blogs de direita financiados pela elite, desprovidos de conteúdo argumentativo, de dados, confusos , aproximando-os mais a um formato das revistas “Caras” e “Quem”. E aqui, não estou acusando ninguem, contudo, contra fatos , não há argumentos, como se diz em bom Direito.

Fernando Rizzolo

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“Não vai faltar nem gás nem energia”

Lula: “vamos garantir toda a energia que for necessária”

Presidente repeliu aqueles que alardeiam uma suposta crise energética e disse que “estamos investindo muito na produção de energia”

O presidente Lula repeliu na quarta-feira, em discurso na cerimônia de abertura do 5º Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – Prominp, as previsões dos apologistas da crise no setor energético. “Este país hoje está sólido e não vai ter crise energética nenhuma”. “As indústrias podem crescer que nós garantimos toda a energia que for necessária”, frisou.

Sobre a “iminência da suposta crise”, alardeada diariamente por parte da mídia, ávida por atingir seu governo, Lula respondeu que “não falta, na verdade, é gente para botar defeito, o que não falta é gente para dizer: ‘não vai dar certo’”. “Mas podem ficar tranquilos, não vai faltar gás e nem energia neste país”, reafirmou.

GÁS

Sobre o fornecimento de gás para as distribuidoras do Rio de Janeiro e São Paulo, reduzidas na semana passada, Lula ironizou os alarmistas de plantão: “Aconteceu um probleminha de gás no Rio de Janeiro: ‘Ah, acabou a energia do mundo’”. “Não acabou, não. Este país já tem energia garantida até 2012”. “Vamos descobrir os gases que precisamos descobrir ou vamos comprar o gás que precisar comprar”, enfatizou.

Lula falou sobre a viagem à Bolívia do presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli, para discutir a ampliação do fornecimento de gás para o Brasil. Ele mostrou também outras iniciativas do governo para garantir a energia que será “mais do que suficiente para o desenvolvimento do país”. “Estamos investindo muito na produção de energia. Estamos construindo Madeira. Estamos discutindo o projeto do gasoduto com a Venezuela”. “Estamos fazendo aquilo que precisa ser feito para garantir que o Brasil tenha tranqüilidade energética num futuro, eu diria, bastante longo”.

Reforçando as palavras do presidente da República, Sérgio Gabrielli, de volta da viagem à Bolívia onde acertou com as autoridades locais a ampliação dos investimentos na produção de gás, disse que a Petrobrás “não deixou e não vai vai deixar de fornecer o gás necessário para o país”. “A Petrobrás em nenhum momento deixou de abastecer as distribuidoras nos níveis contratuais”, declarou (ver matéria ampliada na página 2). A estatal vinha fornecendo gás para as distribuidoras numa quantidade acima do contratado. No momento em que foi necessário ampliar a produção das usinas termoelétricas, a Petrobrás reduziu o fornecimento, mas sempre mantendo uma quantidade de gás acima do contratado com as distribuidoras.

O presidente Lula convocou os empresários a ampliarem os seus investimentos e criticou os que só criticam sem “nada contribuir” para o desenvolvimento. “Parece que introjetaram na nossa cabeça uma doutrina de que é pecado confiarmos em nós, acreditarmos em nós”, destacou. “Os descrentes pareciam ser maioria no Brasil, porque houve um período no Brasil que, não sei porque cargas d’água, desde o final dos anos 80 começou um processo de se desacreditar no Brasil”. “Eu não acredito que seja possível, nenhum clube de futebol, nenhuma associação de bairro e muito menos um país ir para a frente se as pessoas daquele país não acreditam em si próprias”, disse.

“Ainda em 2002, quando falávamos da necessidade de revitalizar as indústrias brasileiras, sobretudo a indústria naval e a indústria de petróleo, com a construção de plataformas aqui, nós fomos achincalhados”, lembrou. “Hoje eu estou vendo a economia brasileira consolidada, a indústria brasileira se consolidando, se fortalecendo. É por isso que nós estamos hoje, eu pelo menos, com muita alegria, alguns com tristeza, porque eles torcem para que as coisas dêem errado”, ressaltou.

Ele aproveitou para rebater os que defendem que a Petrobrás deva pensar apenas nos lucros. “Se imaginarmos apenas o lucro entre a Petrobrás e outra empresa de petróleo do porte da Petrobrás, que pode comprar uma plataforma, em algum país, algumas centenas de dólares mais barata que a que nós fazemos aqui, se pensar assim, estaremos matematicamente pensando certo e politicamente pensando equivocadamente”, disse. “Temos que ver que a recuperação da indústria brasileira, para a indústria do petróleo, significa uma distribuição de riqueza a que a gente estava desacostumado, significa geração de milhares de empregos”, frisou.

“A Petrobrás”, disse Lula, “já poderia ter se transformado numa das maiores ou na maior empresa de petróleo do mundo. Ela não se transformou e não aproveitou outras décadas porque os seus dirigentes possivelmente pensaram pequeno”.

“A Petrobrás agora está descobrindo que ela pode competir, ela está descobrindo que os trabalhadores brasileiros podem produzir, até porque ninguém melhor do que a Petrobrás pode descobrir isso pela qualidade de excelência que é a sua mão-de-obra”.

DESCRENÇA

Continuando a crítica aos propagandistas do caos e do apagão, Lula disse que “não há espaço neste país para descrença”. “O Brasil vai muito bem. O Brasil não estaria nessa situação se não fosse bem gerenciado”, argumentou o presidente. “Este país não exportava porque asfixiava o mercado interno. Não crescia o mercado interno porque asfixiava as exportações. Hoje, tudo isso nós desmentimos. Pode crescer o mercado interno e pode crescer o mercado externo”, avaliou.

“Imagine”, disse Lula, “algum tempo atrás, se tivesse havido a crise imobiliária que teve nos Estados Unidos, quantas vezes o ministro da Fazenda e o ministro do Planejamento já teriam viajado para Nova Iorque ou para Washington para pedir dinheiro para o FMI?”.

Hora do Povo

Rizzolo: Uma das características da diplomacia brasileira no atual governo foi, sem dúvida, não ter dado “ouvidos” aqueles que queriam “medidas duras” contra Evo Morales quando da nacionalização dos hidrocarbonetos, em maio de 2006. Quantas bravatas foram proferidas, por aqueles que na ânsia de amaldiçoar as medidas protecionistas e justas em nome da soberania do povo boliviano, apregoavam que Lula deveria se indispor e ser “duro”. Ora, todos sabemos que não há como desrespeitar decisões de países vizinhos, e a via diplomática é a melhor opção. Não resta dúvida, que a crise energética, esta sendo exagerada, e justamente pela boa diplomacia, é que estamos reativando os investimentos na Bolívia, no sentido de nos precavermos em termo de energia no futuro. O que mais falta, na elite brasileira, é inteligência política emocional, o resto é besteira.

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Lula nega risco, mas articula “flerte” com a Bolívia para evitar falta de gás

Depois do racionamento temporário na distribuição de gás nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo na semana passada para garantir a não interrupção da produção de energia em usinas termoelétricas, a Petrobras e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelaram para a Bolívia para tentar evitar novos cortes e também a falta do combustível no Brasil.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, Lula admitiu que o país não tem condições de atender à demanda com a produção interna e agendou dois encontros com o presidente boliviano Evo Morales para tentar solucionar o problema e fechar acordos para incentivar o processo de industrialização do gás boliviano. A primeira reunião entre os dois presidentes está agendada para acontecer no Chile, sexta ou sábado desta semana, durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana.

O presidente brasileiro pretende ainda viajar para a Bolívia no dia 12 de dezembro com uma comitiva de empresários. Lula telefonou para Morales nesta segunda. O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, já viajou para a Bolívia para tratar do assunto. Há a possibilidade de a Petrobras ampliar os investimentos no país vizinho, que foram afetados depois que Morales decretou a nacionalização do gás boliviano.

Apesar da aparente preocupação com a falta de gás, Lula descartou a possibilidade de desabastecimento.

“Não corre risco [de desabastecimento]. Obviamente temos que ter prioridade para alguma coisa. À medida que o Brasil não tem gás dentro de seu território, nós temos de importar. O Brasil vai ter que garantir o funcionamento das termelétricas para produzir energia para sociedade brasileira”, disse.

“Eu marquei com Evo Morales uma viagem no dia 12 e vai acontecer aquilo que nós queremos que aconteça. Que o Brasil fique tranqüilo em sua relação com a Bolívia, e a Bolívia fique tranqüila com o Brasil”, afirmou o presidente.

Lula lembrou ainda que o país negocia a construção de um gasoduto com a Venezuela para buscar medidas de abastecimento a longo prazo.

“Ninguém colocou um tamborzinho de gás no seu carro porque quis. Houve um incentivo para que se fizesse aquilo. Portanto, para as pessoas que já têm, nós vamos garantir a tranqüilidade. Vamos ter que trabalhar para importar mais gás. É preciso encontrar navios, e a Petrobras vem investindo muito”.

(com informações da Folha Online)

Rizzolo: O fato de Lula recorrer a Bolívia para dar prosseguimento as negociações com intuito de incentivar o processo de industrialização do gás boliviano, é muito proveitoso. Na verdade, a importância do dialogo visando o comercio bilateral entre os dois países é fundamental, respeitando, evidentemente, a condução política e ideológica de cada um. Não há duvida que diante de Morales, o presidente Lula é um neoliberal com “embalagem de socialista”, e isso todo mundo sabe, apenas o “coitadinho” que lhe confiou o voto e que não lê jornal, ainda não descobriu. O empresário nacional, esse esquecido e tímido na própria casa, sente na pele o descaso, e a todos saltam aos olhos os privilégios que as transnacionais aqui possuem. Não é o caso da Bolívia de Morales, é claro, e a partir do momento que Morales e Chavez sabem que Lula é apenas uma “embalagem socialista” muito embora a simpatia entre eles reine, no fundo pensam que “todo cuidado é pouco”. A esquerda da América Latina tem Lula como sendo aquele que fala com os pobres e defende os banqueiros, Bolsa Família só não é o suficiente, hein! Temos que fazer o Brasil crescer e a indústria nacional ser prestigiada.

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