Com Bolsa Família e saúde não se brinca

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*por Fernando Rizzolo

Soube que foi uma correria, gente por todos os lados, alvoroço nos bancos… andavam dizendo que o Bolsa Família iria terminar. Puro boato maldoso, mas para o povo, entre o boato e a verdade, melhor sacar o dinheiro. Afinal, como passar sem esse dinheiro líquido e certo, ou, já, como diz o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar“. Portanto, por que não aplicar essa premissa ao considerarmos mesmo um boato como o prenúncio do fim do “dinheiro líquido”.

A verdade é que o Bolsa Família não terminará nem se um dia a oposição governar esse país. Ninguém quer enfrentar a extinção de um recurso já enraizado na população e que garante, entre outras coisas, o voto; portanto, melhor enxergarmos os benefícios sociais em todos os seus aspectos e definitivamente não brincarmos com a chamada transferência de renda. Caso contrário, o povo se mobiliza até em fim de semana.

Aliás, já não é de hoje que observo a capacidade do povo brasileiro de indignar-se, mas apenas em relação a alguns temas, e isso é admirável. Poucas vezes vemos o povo insurgir-se em relação à falta de investimentos por parte do governo. Em relação à inflação o povo também não se assusta, vez que os sindicatos já sinalizam pela volta do velho “gatilho”. Infraestrutura, então, deixa para depois… E assim o Brasil torna-se, aos olhos do mundo, o conhecido país da alegria e do Carnaval, dias em que tudo se torna azul.

Já na área da saúde enfrentamos o “apagão médico”. Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na abertura de sua assembleia anual, em Genebra, revelam que, no Brasil, a proporção de médicos por habitante é menor que a dos demais países emergentes e corresponde a cerca da metade do índice europeu. No Norte e no Nordeste, as taxas se aproximam às de alguns dos países mais pobres do mundo. Não há solução em curto prazo, a não ser importar profissionais, até porque, com a escassez de médicos os salários chegam a quase US$ 4 mil, ou seja, R$ 8 mil reais – por apenas quatro horas de trabalho diário (20 horas semanais). A pergunta que salta aos olhos: que prefeitura desse país tem dinheiro para contratar tais profissionais, que não têm culpa dos efeitos da lei de oferta e procura pelos seus serviços?

E, já concluindo porque meu café está esfriando, ter dinheiro para o Bolsa Família leva o povo a se alimentar melhor e a exigir melhor saúde pública. Assim, pela lógica, podemos logo concluir que com saúde não se brinca, com Bolsa Família tampouco, e a melhor luz para o apagão médico é ouvir menos os setores corporativos e importar mais soluções – mesmo que as soluções sejam os próprios médicos. Já com o Bolsa Família, o melhor é perpetuarmos o programa, a não ser que um dia os investimentos e as propostas de crescimento tenham a mobilização popular oriunda de um simples boato.

Lula chama DEM de “donos de engenho”; Dilma vê desespero em Serra

Em comício na noite desta quarta-feira (22), no Parque do Semeador, em Curitiba (PR), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou as lideranças do DEM (o ex-PFL) de se comportarem como “donos do engenho”. Segundo Lula, “Agora estão inventando que nós ameaçamos a democracia. Eles são os ‘democratas’, os ‘donos do engenho’ — e os moradores da senzala são contra a democracia. É isso que eles estão querendo passar para a sociedade.”

Ao criticar o PSDB, Lula lembrou que estão em jogo nessa eleição presidencial dois projetos antagônicos. “Um é o de soberania nacional e o outro é o de entrega do país”. De acordo com o presidente, no dia 3 de outubro o povo vai decidir se prefere “a mudança definitiva neste País” ou o “projeto das privatizações”. E agregou: “Vocês estão lembrados que eles queriam privatizar a Petrobras e até mudar o nome para Petrobrax?”.

Para Lula, os tucanos só sabem chegar perto do povo em período eleitoral. “Em época de eleição, pobre é a melhor coisa do mundo. E rico é a pior coisa do mundo. Depois da eleição, eles nunca mais chegam perto dos pobres.”

Em tom de ironia, o presidente criticou promessas do presidenciável tucano José Serra sobre o pagamento de 13º salário para os beneficiados do Bolsa Família e aumento do salário mínimo. “Eles passaram a vida inteira arrochando salário mínimo, contra Bolsa Família. O que é mais triste é que eles pensam que a gente é tolo.”

Lula também comparou a disputa pelo governo do Paraná a uma “final de campeonato”. O presidente é apontado como um dos responsáveis pela subida do aliado no estado, o senador Osmar Dias (PDT-PR). Dias assumiu a liderança na disputa — mas seu adversário Beto Richa (PSDB) está impedindo, na Justiça Eleitoral, que sejam divulgadas as mais recentes pesquisas do Ibope, do Datafolha e do Vox Populi.

No discurso, ao pedir votos para Osmar, Lula disse que “política a gente não vota pela cara. A gente vota pelo compromisso. E esse homem [apontando para Dias] tem história”. O presidente pediu aos eleitores que vistam a camisa do pedetista no trabalho, convençam vizinhos a votarem nele e exibam adesivos do candidato em seus carros.

Realizado no bairro Sítio Cercado — um dos mais populosos de Curitiba —, o comício também foi marcado por promessas de campanha da candidata à Presidência Dilma Rousseff e de Osmar Dias. Entre as principais garantias, sobressai a construção de 100 mil casas populares e ampliação da cobertura do Bolsa Família no estado das atuais 480 mil famílias para 550 mil já a partir de janeiro de 2011.

Dilma também afirmou que o desespero de seus opositores está levando-os a “levantar falsidades e mentiras. Usam, sobretudo, do desespero para criar um clima de ódio”. Mas, segundo ela, o povo brasileiro não se deixará levar. “Vamos combater o ódio que tentam destilar com uma esperança no Brasil e imenso amor ao povo brasileiro”, afirmou Dilma, evocando a campanha de Lula em 2002, quando o lema era “a esperança vencendo o medo”.

Novamente referindo-se a Lula, Dilma disse que o Brasil derrubou um preconceito quando o elegeu presidente. “Agora vai dar a possibilidade de acabar com novamente com o preconceito, mostrando que uma mulher é capaz de se eleger presidente da República”, acrescentou.

Da Redação, com agências
vermelho

Rizzolo: Apenas para fazermos uma análise no quadro político. É importante salientar que as afirmações de Lula e de Dilma em relação a o que é o DEM ou o PSDB, não são novidade nenhuma para segmentos da sociedade brasileira que lêem jornais, acompanham a postura política dos partidos, e votam conscientes. Todo mundo sabe que tanto DEM quanto PSDB são partidos de direita, conservadores, portanto estão no seu papel, agora o que se condena é a forma truculenta destes partidos de tentar ganhar uma eleição na base do denuncismo sem provas, em posarem de democratas , em se fazerem de preocupados com os pobres do país, numa atitude cabal eleitoreira ainda da época em que o povo era enganado facilmente. Isso mudou, e a direita precisa recompor seu discurso com sinceridade, os pobres sabem quem são aqueles que estão do seu lado.

Governar com a Razão e com o Coração

Pouco se poderia dizer do que constitui o emocional do povo da América Latina. Uma mistura de raças, em que o índio, o negro, o europeu se misturam e compartilham um espaço que durante décadas foi alvo de descaso por parte de seus governantes. A percepção dos pobres da nossa região sempre foi a do abandono, da desesperança, e da falta de oportunidade. Das ditaduras militares que açoitavam os menos favorecidos, emergia a tristeza em forma de lirismo, reflexo de uma vida imersa na injustiça social, sempre combatida sob inspiração da indignação.

Foi através da democracia participativa que a maioria dos países da América Latina acabou elegendo presidentes do povo, comprometidos em reagir contra o abandono social e que acima de tudo tinham as feições da população de seu país. No Brasil não foi diferente; nossa tradição política elitista sempre rechaçou candidatos à Presidência com pouca formação acadêmica. Incutiu-se no inconsciente coletivo que, para uma pessoa pretender ser presidente da República, deveria ter consubstanciado seu curriculum com títulos acadêmicos, e tal versão conceitual política foi propagada principalmente na população mais pobre desde os anos 1960.

Com efeito, esse falso juízo de admissibilidade política, visava a promover candidatos comprometidos com o capital, e que mantinham pouca relação com a imensa população pobre deste país. O governo Lula, de características mais humanas e com o olhar voltado para o combate à miséria, trouxe nova esperança e resgatou a autoestima do povo brasileiro. Esse governo fez com que o potencial humano do nosso povo aflorasse e desenhou-se assim uma nova forma de identidade do trabalhador brasileiro. Partiu-se da ideia conceptiva de que mesmo sem cultura se pode fazer, e se houver oportunidades de formação, pode-se mais ainda.

Não é à toa que os discursos conservadores, margeadores de uma visão elitista de governo segundo a qual a cultura de um presidente seria a condição da capacidade gestora de promover o desenvolvimento, sofreu uma grande mudança. O governo FHC e o esteio conservador tucano que permeiam os redutos ideológicos da pretensa social-democracia tornaram-se opacos diante da constatação da nova realidade política: governar com a razão e com o coração.

A proposta da candidata Dilma nada mais é do que a continuidade desse modelo que prima pela técnica, sem jamais se disponibilizar aos interesses daqueles que esqueceram do coração para, em lugar da justiça social, se entregar cegamente aos caprichos do capital sem o viés social.

Fernando Rizzolo

O dia em que Lula se despediu

Toda manhã, como se isso já fosse rotina, ele voltava para casa com uma sacola contendo alguns produtos embrulhados num papel-jornal. Caminhava daquele seu jeito de menino pobre, meio se esforçando para andar com o peso daquele saco, pisando firme na estrada de terra de mais ou menos dois quilômetros, a distância entre sua casa e a venda. De olhar franzino, pernas finas, rosto moreno e cabelo mal cortado, ele fazia aquele trajeto todos os dias.

De vez em quando passava um caminhão pela estrada empoeirada, e lá já não se via mais ele, até a poeira assentar. Mateusinho era seu nome, e assim ele era conhecido em Potuverá, um bairro da periferia de Itapecerica da Serra, município da região metropolitana de São Paulo. Era filho de dona Eunice, desempregada, costureira, mãe solteira, que vivia do Bolsa-Família, o que, segundo ela, “ajudava a criar Mateusinho”. Vez ou outra eu levava algumas roupas à sua casa para ajustar, fazer barra, reforçar os botões, essas coisas que costureiras de bairro costumam fazer. Sua casa era humilde, de móveis pobres, e havia uma mesa simples, com toalha de plástico, que cheirava a café feito na hora. Num canto da sala, perto da TV, havia uma imagem do presidente Lula, dessas que se recortam em revistas.

Ainda me lembro da última vez em que lá estive. Mateusinho estava se preparando para ir à escola, e num gesto amistoso, ainda segurando minhas roupas nas mãos, a serem entregues a dona Eunice para o devido reparo, eu disse a ele: “Tudo bem, Mateusinho? Te vejo sempre pela manhã, na estrada, a caminho da venda”. Num gesto tímido de criança, ele me olhou e balançou a cabeça, como se dissesse “sim”. Com olhar de mãe orgulhosa, rindo, dona Eunice completou minha frase e disse a Mateusinho: “Diz bom-dia pro moço”. Então, desajeitado, ele sorriu e disse “Bom dia”, com voz baixinha.

Quando já estava de saída, eu disse a dona Eunice: “A senhora gosta do Lula, não é? Vi a foto dele lá perto da TV”. Tão logo concluí a pergunta, percebi que Mateusinho olhou para mim e num sorriso se antecipou e disse: “Ela gosta do Lula e eu também”. Dona Eunice balançou a cabeça, como quem agradecesse ao presidente, e completou: “Adoramos o Lula”. Foi naquele momento que percebi que aquela fotografia, meio perdida ao lado da TV, para aquela família simples, pobre e sem recursos, significava mais que uma foto – Lula ali era um pai, um pai que naquela casa nunca existira. Dei-me conta também de que o trajeto diário de Mateusinho entre sua casa e a venda, como se cumprisse uma oração, era a possibilidade daquela família pobre, através do Bolsa-Família, de comprar uma manteiga, um pão e um leite que alimentavam mãe e filho e davam o mínimo de dignidade e segurança àquela união familiar destroçada pelo destino, como tantas por este Brasil.

Já no portão, despedindo-me, comentei: “Logo o presidente Lula vai nos deixar, não é? Vai acabar seu mandato”. E complementando ainda fiz uma observação: “Acho que o dia em que a gente acordar e souber que o Brasil não mais terá o Lula a gente vai sentir, não é?”. Foi quando os olhos de dona Eunice marejaram, e de mãos dadas com o seu Mateusinho ambos me olharam com cara de quem queria chorar. Naquelas mãos dadas entre mãe e filho, vi mais que tristeza nos olhos dos dois – vi receio, saudade e gratidão de gente que nunca teve nada por um presidente que serviu de pai e supriu a lacuna da miséria e da desesperança, com inúmeros projetos de inclusão social. Ao abrir o portão, dona Eunice me olhou e, apertando mais ainda a mãozinha de Mateusinho e a minha, me disse, com os olhos cheios de lágrimas: “Não quero nem pensar nesse dia, doutor. Pra mim vai ser igual à despedida de um pai, vou me acabar de chorar.”

Fernando Rizzolo

Lula defende Programa Próximo Passo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (7) que o Programa Próximo Passo do governo federal funciona como uma porta de saída para beneficiários do Bolsa Família. “Estamos formando as pessoas do Bolsa Família e arrumando emprego para elas”, disse, em seu programa semanal Café com o Presidente.

Na semana passada, Lula participou da cerimônia de formatura de 1.200 alunos do Próximo Passo na área de construção civil. O objetivo, segundo ele, é que esses trabalhadores sejam empregados em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e no Minha Casa, Minha Vida.

De acordo com o presidente, o país soma 146.574 vagas em construção civil, sobretudo nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, do Rio de Janeiro, de Manaus, de Belém, de Fortaleza, de Recife, de Salvador, do Distrito Federal, de São Paulo, de Campinas, de Curitiba e de Porto Alegre

“Se nós conseguirmos formar toda essa gente nos próximos meses, eu penso que nós estaremos dando um passo extraordinário para a conquista da cidadania pelas mulheres e pelos homens deste país”.
agencia Brasil
Rizzolo: Não há dúvida que o Programa Bolsa Família sempre foi um programa da transição. O grande desafio é após termos incluído do ponto de vista da dignidade, do combate à fome, transpormos os partícipes do programa, para um projeto maior, dando à população do Bolsa Família uma formação profissional com intuito de serem absorvidos pelo mercado. É toda uma trajetória de inclusão social que passa pela família, e avança ao Programa Próximo Passo como bem diz o nome do projeto. Aqueles que outrora acusavam o Bolsa Família como “coisa para sustentar vagabundo” por certeza é porque jamais passaram fome, jamais conviveram com a miséria e sempre foram egóicos no seu individualismo.

Novos números do Bolsa Família mostram melhorias para as crianças

As crianças e jovens de 0 a 17 anos são os principais beneficiários do Programa Bolsa Família, representando 50,6% deles. A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Márcia Lopes, apresentou os dados que fazem parte da nova pesquisa sobre o perfil dos beneficiários do Bolsa Família, nesta segunda-feira (31), em entrevista coletiva. A secretária nacional de Renda e Cidadania, Lúcia Modesto, também participou da entrevista.
Esta é a terceira vez que o Ministério elabora o retrato da população beneficiada pelo programa de transferência de renda do governo federal. O perfil traz informações como escolaridade, cor, condições de habitação e impacto do benefício na renda familiar.

A síntese dos dados é que o Programa conseguiu alterar significativamente o perfil dessas famílias e projeta uma melhoria geracional. Segundo Lúcia Modesto, o impacto maior é nas regiões Norte e Nordeste, onde se concentra o maior número de famílias nas faixa de pobreza e extrema pobreza, mas ela destaca que o retrato da família pobre no Brasil é muito parecido, esteja ela no interior do Nordeste ou na periferia de São Paulo, em termos de insuficiências. “A insuficiência de serviços é muito parecida em todas as regiões”, disse.

Ela admite que apesar das melhorias, o governo ainda tem um grande desafio pela frente. Destaca como avanços a ampliação nas áreas de atendimento à saúde e educação para as crianças e jovens, que são condicionantes do Programa. Os desafios residem nas melhorias na infraestrutura que avançam lentamente.

População de rua

A secretária nacional, responsável em apresentar e analisar os dados, disse que até o próximo mês o Programa deve alcançar o número de 12,7 famílias atendidas, 200 mil a menos do que a meta estabelecida. Ela diz que esse número restante é composto de populações indígenas, quilombolas, ribeirinhos e população de rua, que são de mais difícil acesso. Mas que já tem projetos pilotos de atendimento a população de rua em Belo Horizonte.

Para uma família de rua ser incluída no Programa, explica a secretária nacional, ela precisa ser referenciada em um centro de atendimento social e deve atender as condicionantes de matricular as crianças na escola.

Nesse ponto, ela destaca as três dimensões do Bolsa Família: a transferência de renda, que é a mais conhecida, mas também a de contribuição para a geração futura com o acompanhamento de condicionalidades e ainda a de trazer ações e mecanismos de acompanhamento das famílias atendidas em suas inúmeras insuficiências – ou seja abastecimento de água, esgoto e coleta de lixo.

E cita o exemplo da baixa escolaridade dos responsáveis pelas famílias, com 25 anos ou mais. Eles são público preferencial nos programas de alfabetização de adultos do Ministério da Educação (MEC). Os números já comprovam o êxito dessas ações. De 2007 a 2009, a proporção de analfabetos nesse universo caiu de 17,3% para 13,1%.

Ela desmentiu, com números, a informação fornecida por uma jornalista de que as famílias estavam tendo mais filhos como meios de receber maiores valores do Programa. Em 2005, o número médio de membros da família beneficiária era de 4,3; em 2009, esse número caiu para 3,9 pessoas por família.

Instrumento de gestão

A ministra faz uma avaliação positiva da elaboração de dados não apenas para a execução do Programa Bolsa Família, mas de todos os programas sociais do governo. “Nosso esforço é para que as políticas cada vez mais se integrem, não só a nível federal, mas também nas esferas estaduais e municipais”, diz, destacando a importância de planejamento, estabelecimento de metas e conhecimento da população como fundamental em todos os segmentos.

Ela também lembrou que o sentido do Programa é de “complementação de renda” e que 77% das famílias beneficiárias trabalham. Disse ainda que 80% dos recursos são gastos principalmente com alimento, por isso é também importante contribuição para o combate à desnutrição.

Ao encerrar a entrevista, a ministra enfatizou que desde o início, em 2004, quando houve a criação do Ministério, integrando, entre outras ações a execução do Programa Bolsa Família, que ela faz questão de destacar como “o maior programa de transferência de renda do mundo”, houve preocupação com o sistema de monitoramento e construção de indicadores como instrumento de gestão de várias políticas públicos.

O MDS hoje conta com o Cadastro Único de Programa Sociais – um banco de dados com 19 milhões de família, tendo em vista que o recorte foi ampliado, incluindo famílias com renda de até três salários mínimos.

Família típica

A família típica do Programa Bolsa Família tem por responsável legal uma mulher de 37 anos, parda, com a 4a série do ensino fundamental completa, sendo esta família composta por quatro pessoas e tendo renda per capita de R$48,82. Com a complementação do Bolsa Família, essa renda sobe para R$72,42 por pessoa.

Uma família beneficiária no Ceará, por exemplo, é composta de um casal com dois filhos. A família mora em casa própria de tijolos, com quatro cômodos, localizada em área urbana. A casa conta com abastecimento de água e escoamento sanitário via rede pública, coleta de lixo e iluminação pública. Essa família recebeu o primeiro benefício em agosto de 2005 e hoje, com os filhos na idade de 10 e 15 anos, recebe dois benefícios variáveis e, dependendo da renda, o Benefício Básico.

O Benefício Básico, que é pago a quem tem renda familiar per capita de até R$70,00 (extrema pobreza) e de R$120,00 (pobreza), é de R$68,00; mais o benefício variável (gestantes, nutrizes e crianças de 0 a 12 anos e jovens até 15 anos) de R$22,00 e o benefício variável jovem (adolescente de 16 e a7 anos) de R$33,00. O valor máximo pago a uma família é de R$200,00.

De Brasília
Márcia Xavier
Rizzolo:Não é possível que ainda existam pessoas contrárias ao Bolsa Família. Só mesmo quem nunca sentiu fome, ou sabe o que a miséria, desfecha argumentações contrárias ao maior programa de inclusão sócial já visto neste país, e que serve de exemplo ao mundo. Contudo, como já comentei em alguns artigos meus anteriormente, não basta apenas a inclusão social do ponto de vista financeiro, temos que implementar o atendimento à saúde e a educação. O conceito de inclusão social é abrangente e envolve os demais atendimentos.

Dilma ironiza ‘novo estilo da oposição’

A pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, ironizou os elogios que seu adversário na campanha política deste ano, José Serra (PSDB), fez ao Bolsa-Família. “Não quero polemizar com ele, mas acho interessante esse novo estilo da oposição, de tentar passar por aquilo que não foi nos últimos sete anos e meio”, reagiu a ex-ministra-chefe da Casa Civil neste sábado, em Porto Alegre, ao ser provocada pelos repórteres a comentar as sucessivas declarações do tucano, que promete manter e ampliar o programa de transferência de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “Se apoiassem tanto o nosso governo, por que não apoiaram antes?”, questionou a petista. “É só isso que eu pergunto”.

Em seu terceiro dia no Rio Grande do Sul, Dilma participou de uma plenária que lideranças do movimento sindical e social organizaram como ato de pré-campanha. À vontade, à frente de cerca de mil apoiadores que lotaram o salão de atos do Colégio Rosário para aplaudi-la e cantar seu nome, Dilma voltou a acusar a oposição de ser “lobo em pelo de cordeiro” dando a entender que desconfia das intenções da mudança de postura dos adversários. “Até ontem eram a oposição mais feroz, mais destrutiva, que foi contra o Bolsa-Família dizendo que era Bolsa-Esmola”.

Na comparação com gestões anteriores, Dilma chegou a afirmar que “aquele País triste, da estagnação, da desigualdade, do desemprego, aquele País triste nós enterramos no governo do presidente Lula”. Sempre citando o crescimento econômico com avanços sociais que entende que a gestão petista conseguiu, Dilma fez críticas indiretas à gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Vocês jamais me verão dizendo ”esqueçam o que eu disse””, garantiu. “Eu não entrego o meu País, vocês jamais me verão tomando posições, assumindo decisões que levam à perda das riquezas do País ou levem à venda de seu patrimônio, das suas empresas públicas”.

Ao gosto da plateia, a pré-candidata assegurou que não compactua com Estado omisso, diminuto, que não use do planejamento e não distribua renda. “Vocês jamais me verão transformar o Estado em marionete, mas sim valorizar o Estado sempre e torná-lo instrumento do interesse público e do interesse do povo brasileiro”, prometeu.

No discurso, Dilma também afagou grande parte do público ao dizer uma democracia como a nossa tem que ter movimentos sociais fortes. “É inadmissível que um democrata persiga, bata ou reprima o movimento social jogando cães sobre ele”. Ao sair, na breve entrevista coletiva que deu, respondeu a uma pergunta sobre as invasões promovidas pelos sem-terra citando os assentamentos que o governo fez e programas como o Mais Alimentos e Luz Para Todos. “Nosso governo foi o que mais contribuiu para a paz no campo”, reiterou. “Agora, vocês não esperem de mim uma declaração do tipo prende e arrebenta porque vocês não vão ter”.

Pesquisa

Dilma não quis comentar a pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha, na qual aparece com 28% das intenções de voto, dez pontos porcentuais atrás de José Serra, que tem 38%. “Pesquisa é retrato do momento”, repetiu. “Ela sendo o que seja, eu não comento pesquisa”.
agencia estado

Rizzolo: A observação de Dilma é válida.Todos sabem que o PSDB vendeu o “chavão” de que o Bolsa Família, era coisa para “ sustentar vagabundo”, ou “ esmola para comprar votos “, é diziam isso sem o menor constrangimento. Quem nunca presenciou adeptos do neoliberalismo afirmarem essas palavras em voz alta e bom som. Agora, que inferiram a impossibilidade política de afirmarem o que pensam, promovem a aceitação do Bolsa Família, dos projetos, tudo para angariar votos e golpear de forma traiçoeira o eleitor. A grande verdade é que Serra assim como a maior parte dos conservadores, odeiam o Bolsa Família, e os demais projetos, e vão com certeza, se eleitos , encontrar formulas para liquidar com as transferências de renda. Pura falta de discurso….