Lula sanciona lei que autoriza Caixa a comprar construtoras

BRASÍLIA – A Caixa Econômica Federal poderá comprar participação acionária em construtoras ou empresas de qualquer outro setor, segundo prevê o texto da Lei 11.908, publicada no Diário Oficial. A medida contava com forte oposição do setor privado. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) enviou carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo o veto do artigo que abre essa possibilidade. Mesmo às vésperas do lançamento do pacote da habitação, o pedido não foi atendido.

A lei, proposta pelo governo no final do ano passado, quando a crise se agravou, tem como objetivo principal permitir que a Caixa e o Banco do Brasil comprem outras instituições financeiras em dificuldades. Originalmente, ela era a Medida Provisória 443, chamada “MP anticrise”.

“A Caixa, como tal, não poderá comprar construtoras. Mas, se ela estruturar uma empresa chamada Caixa Participações, prevista na lei, ela poderá entrar em qualquer empresa”, disse o deputado João Paulo (PT-SP), relator do texto.

As empresas do setor de construção querem ajuda do governo, mas com outro formato. Em vez de comprar participação nas empresas, como está na lei, elas propunham que a Caixa comprasse apenas cotas de empreendimentos. De fato, a nova lei abre essa possibilidade para o banco. Mas, ao mesmo tempo, permite a criação do braço investidor da Caixa – e, este sim, poderá comprar ações de qualquer companhia. O formato desejado pelo setor privado chegou a figurar no projeto de lei, quando este tramitou pelo Senado. Porém, ao chegar à Câmara, a redação foi modificada.

As empresas do ramo são contra a possibilidade de a Caixa comprar todo ou parte de construtoras, porque temem o surgimento de concorrentes desproporcionalmente mais fortes no mercado. Elas argumentam que o banco detém hoje domínio quase total sobre a aplicação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), uma das principais fontes de recursos do setor. Além disso, estão concentrados na Caixa 30% do dinheiro aplicado em cadernetas de poupança, que também financiam as construtoras.

Uma construtora ligada à Caixa poderia ter vantagem na obtenção desse dinheiro. Outro risco seria essa empresa ser privilegiada com o acesso a informações estratégicas de suas concorrentes que solicitassem financiamento ao banco.

Lula vetou apenas um artigo da lei, o 8º. Ele autorizava a criação de uma comissão mista, no Congresso Nacional, para o acompanhamento da crise financeira internacional. Esta semana, o Senado criou uma comissão exclusiva para tratar do assunto. Segundo informações do gabinete do senador Francisco Dornelles, (PP-RJ), que preside a comissão do Senado, a comissão mista, incluída pelos parlamentares na época da votação da MP 443, foi vetada porque era “estranha” à lei.

agência estado

Rizzolo: Vejo com muito bons olhos essa iniciativa do governo através da Lei 11.908, publicada no Diário Oficial. Com efeito a possibilidade da Caixa comprar construtoras desde que estruture a Caixa Participações, prevista na lei – que na verdade seria o braço investidor do banco -, oferece ao povo brasileiro maior garantia na aquisição de um imóvel. O que ocorre hoje, é que com a crise financeira, as construtoras muitas com problemas de caixa continuam sendo uma ” caixa preta”, ao mesmo tempo em que lançam empreendimentos imobiliários muitos dos quais não oferecem a devida segurança ao comprador.

A grande verdade é que o mercado imobiliário é ” vaidoso” e não gosta de dar a transparência real da crise no setor, tampouco sua dimensão, deixando o investidor retraído e procurando outros ativos mais seguros. Já é hora do Estado assumir a responsabilidade na condução de alguns segmentos da economia, tendo maior participação e regulação, e esta lei vem de encontro a isso. É claro que o empresariado do setor não gosta, querem na verdade o recurso público ” correndo por fora”, e isso nós todos já aprendemos que não funciona e não vem de encontro aos interesses do povo brasileiro.

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Paulo Skaf: ”Bancos estão ganhando com a crise”

Empresário quer medidas mais duras do BC para impedir que os grandes bancos retenham dinheiro que deve ir para o crédito

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), diz que a sua “paciência está esgotada”. Durante as inúmeras reuniões com os dirigentes do Banco Central (BC) nas últimas semanas, ele ouviu insistentemente que era preciso paciência para que as medidas adotadas pela autoridade monetária surtissem efeito no restabelecimento do fluxo de crédito para as empresas. “Só que a paciência agora se esgotou, porque a situação está se agravando.” O que falta, na opinião de Skaf, para que a crise de crédito seja debelada é o BC punir os grandes bancos privados e públicos que estão “dormindo em cima do dinheiro e estão ganhando com a crise”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como o sr. avalia o impacto da crise financeira na indústria?

Até setembro a atividade da indústria foi absolutamente normal, com setores batendo recordes de faturamento e de rentabilidade. Mas, a partir da primeira quinzena de outubro, começamos a sentir a falta de crédito, primeiro nos setores dependentes de financiamento. Na segunda quinzena, notamos que outros setores não dependentes diretamente de crédito começaram a se ressentir.

A crise atual de crédito é a pior dos últimos tempos?

O crédito no Brasil nunca foi farto. O que assistimos agora foi a redução repentina e um aumento de custo muito grande. Não me lembro que tenho ocorrido algo parecido nos últimos 20 anos.

Por que ninguém quer emprestar?

É uma boa pergunta para ser feita aos bancos. Certamente eles devem estar numa situação cômoda porque têm como aplicar em títulos do Tesouro com taxa Selic, obviamente uma taxa mais baixa do que pegariam no mercado, mas com segurança absoluta.

O que falta para irrigar o mercado de crédito?

O que está faltando é o Banco Central pressionar o setor financeiro, principalmente os grandes bancos. Não posso culpar os pequenos bancos porque eles não estão com recursos disponíveis. Por isso, uma saída seria uma forte redução na taxa Selic, não a manutenção da taxa em 13,75% ao ano, como ocorreu na reunião da semana passada. Com isso, a remuneração ficaria pouco atrativa. Outra alternativa seria o governo penalizar o banco que não estiver emprestando no mercado. Vai custar caro essa atitude de o setor financeiro não emprestar e continuar nessa situação cômoda, dormindo em cima do dinheiro, emprestando dinheiro para o governo e o governo aceitando essa situação. É hora de o BC reagir fortemente, pressionando os grandes bancos. Quando falo em grandes bancos incluo o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a emprestarem a custos razoáveis. O Banco do Brasil está cheio de dinheiro, a Caixa Econômica Federal está cheia de dinheiro, grandes bancos particulares estão cheios de dinheiro e o mercado, não só a indústria, está com muita dificuldade de obter crédito, sejam empresas grandes ou pequenas.

Os bancos estão em situação melhor na crise?

Nesse momento eu diria que os grandes bancos só estão ganhando.

O BC acaba de editar uma medida que pune os bancos que não comprarem a carteira de instituições menores. Isso resolve?

Isso não irriga o mercado, só ajuda o banco pequeno. É uma medida para preservar o sistema financeiro e algum banco pequeno que esteja desencaixado. Os recursos não chegam à indústria, ao comércio e ao consumidor. Esse mesmo espírito de penalidade deveria ser usado pelo BC para obrigar os grandes bancos a emprestarem. É hora de o BC reagir fortemente. Faz três semanas que tivemos várias reuniões com o BC e inúmeras vezes eu disse que não adiantava somente as medidas serem tomadas se os recursos não fossem repassados às empresas. O que eu ouvi nessas reuniões era que tivéssemos paciência, porque as medidas eram muito novas e havia necessidade de alguns dias para que elas fossem efetivadas e virassem realidade. Só que a paciência agora se esgotou porque a situação está se agravando.

Como o sr. avalia a intenção de 57% da indústria de cortar investimento em 2009?

Se houver crédito, será possível atenuar a redução dos investimentos.
Agência Estado

Rizzolo: Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), está coberto de razão. A relação do governo petista com os Bancos, privilegiando-os sob todos os aspectos, é algo que este Blog há muito vem afirmando. O que não podíamos esperar, é que num momento de crise, a passividade e a submissão aos interesses dos banqueiros fosse atingir este patamar.

É evidente que os bancos mais uma vez estão muito mais interessados em preservar sua liquidez, do que irrigar o crédito principalmente à pequena ou a média indústria, preferem eles como afirma Skaf, aplicar em títulos do Tesouro com taxa Selic – muito embora a uma taxa mais baixa – e passar pela crise tranquilos e incólumes.

Não podemos esquecer que o BC e Meirelles sempre estiveram comprometidos com o sistema financeiro, com os Bancos, e nada mais óbvio que manter a política macroeconômica de juros altos, tornando as aplicações financeiras mais atraentes do que os investimentos na produção. Falta coragem para o governo petista, face ao seu comprometimento político com os bancos, em punir e agir com severidade com o setor, para que os recursos cheguem ao comércio à indústria e ao consumidor.

As alegações dos bancos, de que ” temos que ter paciência”, são contempladas com a passividade do governo, que nada faz no sentido de punir os banqueiros, que por interesses próprios, não emprestam os recursos e estrangulam o pobre empresariado já em dificuldades, dado à retração do mercado internacional. São vozes como de as de Paulo Skaf que fazem a diferença em momentos de crise.

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Abyara vende ativos para fazer caixa

Em um ano, ações da empresa já caíram 95% na Bovespa

PATRÍCIA CANÇADO e CHIARA QUINTÃO

A Abyara Planejamento Imobiliário anunciou ontem que vai se desfazer de alguns terrenos e sair de parte dos empreendimentos em que atuava em parceria com outras incorporadoras, como a Agra e a Bueno Netto. A empresa, que até agosto acumulava uma dívida de R$ 378,5 milhões, enfrenta dificuldades financeiras. Sem crédito disponível, ela tem pressa em levantar capital para continuar tocando seus projetos. Em nota, a Abyara informou que a decisão foi tomada para “recompor sua situação de caixa e, dessa forma, preservar a saúde financeira da companhia”.

Em meados de agosto, a Abyara divulgou que sua necessidade de caixa até 2009 era de R$ 231 milhões. A maior parte refere-se está relacionada a vencimentos de dívidas.

Essa não é a primeira empresa imobiliária com ações listadas na Bovespa a tomar essa atitude. Em agosto, a InPar decidiu vender parte de seus ativos para fazer caixa para comprar terrenos. As duas empresas são consideradas por analistas as mais fragilizadas do setor. Elas estabeleceram metas arrojadas para seu tamanho e não conseguiram cumprir os planos por falta de crédito.

Na sexta-feira, as ações da Abyara estavam cotadas a R$ 1,55. Em um ano, a desvalorização já chegou a 95%, o pior desempenho entre as empresas imobiliárias. “Todo o mercado está precificando que elas estão quebradas. O erro delas foi acreditar num cenário de muito otimismo”, afirma o analista do Fator, Eduardo Silveira. “No caso da Abyara, vejo um erro de planejamento. Ela fez um IPO pequeno porque era apenas uma corretora. Mas, no meio do caminho, decidiu incorporar, o que exige muito mais capital.”

Em agosto, a Abyara vendeu sua corretora para a BR Brokers por R$ 250 milhões. Na ocasião, o Morgan Stanley, principal acionista da companhia, mostrou-se disposto a colocar mais dinheiro no negócio, caso fosse necessário. Fontes próximas à companhia não acreditam que isso ocorra, já que o fundo imobiliário do banco, um dos maiores do mundo dedicado ao setor, já perdeu muito dinheiro com a crise financeira internacional.
Agência Estado

Rizzolo: A crise imobiliária no mercado brasileiro é um fato irrefutável, a notícia de que empresas do setor já estão de desfazendo de seus ativos, vem corroborar o que este Blog vem afirmando desde o início: o momento é de extrema cautela. A situação se complica quando este segmento, que é movido por publicidade cara, e está diretamente interligado ao fator confiança, começa a enfrentar problemas de caixa como o caso descrito.

Na realidade o mês de outubro dá uma idéia do que vem pela frente: o Ibovespa parou os negócios nos dias 6 (duas paralisações), 10, 15 e 22. O índice caiu 24,8%, saindo de 49.541 pontos do fechamento do dia 30 de setembro, para 37.256 pontos, no fechamento de hoje. E chegou a operar abaixo dos 30 mil pontos esta semana.

Várias economias importantes divulgaram retração no PIB, entre eles EUA (-0,3%); Inglaterra (-0,5%). O petróleo teve a maior queda mensal da história: mais de 35%. Cotado a US$ 100,64 no dia 30 de setembro, operava hoje em torno de US$ 67,00.

A mesma coisa aconteceu com a cesta de commodities medida pelo índice CRB, que despencou quase 25%. O dólar disparou frente outras moedas, e a valorização sobre o real chegou a 30%, com a moeda passando de R$ 2,50. O BC brasileiro foi obrigado a intervir no mercado, trazendo a cotação para R$ 2,16, hoje, o que significa uma alta do dólar de 13,6% para a cotação de R$ 1,90 do dia 30 de setembro. O risco-país também subiu, 35%, passando dos 305 pontos ao fim de setembro para 412 hoje. Face a este cenário, é claro que o setor imobiliário cujo investimento é de baixa liquidez, e nesta fase crítica enfrenta os juros altos e escassos, sofre um forte impacto. Como sempre tenho afirmado, o momento é de apenas observar, não de comprar ou assumir compromissos, e o investidor cauteloso sabe disso.

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Crise financeira mundial ‘esfria’ a febre da casa própria no Brasil

Grandes bancos elevaram taxas de juros para financiamento.
Crise de crédito também afeta a capitalização de construtoras

Ainda não é o fim da festa, mas os brigadeiros em cima da mesa podem estar escasseando. Em 2007, o financiamento imobiliário com recursos da poupança cresceu quase 100% frente ao ano anterior, levando o setor à sua maior expansão em décadas. Agora, a crise financeira mundial ameaça transformar esses bons ventos em brisa.

O responsável pela piora no cenário é o aperto no crédito que o país tem começado a sentir: com o dinheiro em falta lá fora, os bancos tendem a proteger mais seus próprios recursos.

Nessa tendência, três grandes bancos brasileiros aumentaram no início do mês a taxa de juros para o financiamento da casa própria. O Bradesco mudou a taxa de 9% para 10,5% ao ano para imóveis até R$ 120 mil. O Itaú reajustou o teto dos juros cobrados para 12%. No Unibanco, a taxa passou de 11% para 12%.

“Isso é o teto. Se o banco fazia (o financiamento) a 9%, não quer dizer que vai fazer a 12%, mas que se sente livre para variar mais as taxas. Agora eles vão estudar muito bem quem são os tomadores de crédito e dar taxas melhores àqueles clientes em que têm mais confiança”, diz João Crestana, Secovi-SP, sindicato do setor imobiliário.

No bolso do consumidor

Para o consumidor, a mudança se traduz em mais gastos. Em um financiamento em 20 anos, o preço final do imóvel pode ficar até 29% mais caro, segundo um levantamento da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Segundo o autor do estudo, Miguel de Oliveira, antes da alta dos juros o consumidor pagava por um imóvel de R$ 120 mil, em média, 240 prestações de R$ 966,74, em um total de R$ 232.017,60. Agora, o valor final soma R$ 299.455,20.

“Com o aumento dos juros, você afeta a prestação. E a prestação aumentando, começa a criar problemas no bolso de uma fatia dos potenciais compradores. Em determinado segmento, pode até inviabilizar a compra”, avalia Luiz Paulo Pompéia, presidente da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp).

Brasil X EUA

Embora seja reflexo da crise no exterior, a restrição do crédito no Brasil tem natureza diferente da que ocorre lá fora. Nos Estados Unidos e na Europa, os bancos vêm sofrendo prejuízos enormes, que têm origem no não pagamento de hipotecas imobiliárias. Sem recursos, o crédito some.

Já os bancos brasileiros estão em situação diferente: sem créditos podres em carteira, gozam de boa saúde financeira. Ocorre que muitos deles se financiam com recursos do exterior – e com o dinheiro lá fora escasso, evitam correr riscos, já que não teriam a quem recorrer em caso de problemas.

Efeitos para as construtoras

Essa restrição de crédito também afeta as construtoras. “Os bancos estão pedindo mais garantias e vão injetar menos dinheiro no setor. Alguns segmentos podem sentir, por não conseguirem produzir com um custo tão elevado. O reflexo é que alguns empreendedores vão reduzir seu ritmo de lançamentos. Não há uma suspensão, mas uma redução do ritmo alucinado de montagem de estandes de venda que era no passado”, diz Pompéia, da Embraesp.

“É a hora da seletividade. Em vez de fazer 20 empreendimentos, (a empresa) vai fazer 16, e quatro vai deixar na gaveta para 2010, 2011”, acrescenta Crestana, do Secovi.

As construtoras e incorporadoras também estão entre as que mais sofrem com o “tombo” das bolsas de valores nas últimas semanas. De olho nos problemas do setor, o governo federal autorizou, nesta semana, a Caixa Econômica Federal a comprar participação acionária em construtoras.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o objetivo é evitar que haja uma interrupção dos projetos por falta de recursos. “É uma resposta para dar continuidade aos projetos de construção habitacional”, disse ele.

Cuidados na hora da compra

Para o consumidor, a recomendação dos especialistas é redobrar a prudência na hora da compra. Embora alguns bancos tenham elevado as taxas de juros, outros ainda mantêm a cobrança no mesmo patamar.

“Quem pretende financiar um imóvel pode procurar um dos bancos em que é cliente e negociar para manter a taxa. Para quem é bom cliente, o banco pode manter (a taxa antiga)”, diz Crestana. “Mas o comprador vai ser um pouco mais cauteloso agora, vai selecionar os melhores juros, não vai querer comprometer tanto da renda.”

“A recomendação é prudência, paciência e pechinchar muito. E, se puder esperar, para evitar riscos desnecessários. Eu acredito que em três ou quatro meses já vamos estar com uma situação mais estável, mais clara”, afirma Pompéia.

Para uma fatia dos compradores, no entanto, a recomendação do presidente da Embraesp é diferente: “Quem tem aqueles contratos já prontos, com a situação de antes da crise, é bom aproveitar. Porque dificilmente voltaremos a uma situação tão privilegiada quanto a de seis meses atrás.”
G1 Globo

Rizzolo: A crise que atingiu o mercado imobiliário brasileiro, mais precisamente as construtoras, é sério e podemos estar vivenciando no futuro um “efeito Incol”. O pacote do governo muda um pouca a participação da Caixa Econômica Federal que sempre financiou a construção imobiliária. Para salvar o mercado, agora a construtora poderá pegar adiantadamente na caixa as prestações que os compradores vão pagar no futuro, os chamados recebíveis.

Se houver calote quem paga é o Tesouro. Mas é claro, se a quebradeira for grande, será isso acontecerá? Hoje o mercado imobiliário, como todos os outros segmentos, vive um problema de confiança, e especificamente, o imobiliário, pela pouca liquidez que oferece, e pelas taxas exorbitantes de financiamento, é um investimento não aconselhável, por hora. Para se ter um idéia do problema, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira que o governo federal editará uma medida provisória (MP) para socorrer o setor da construção civil.

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), ele afirmou que a MP tem o objetivo de viabilizar parte das medidas divulgadas na quarta-feira, as quais, por sua vez, visam fornecer capital de giro às empresas do setor. Ou seja, aquele que pretende comprar um imóvel deve pensar muito antes da decisão, e em momentos de crise o melhor é apenas observar, não comprar.

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Mantega: crise é sistêmica, ninguém escapa dessa crise

BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que a atual crise financeira internacional, diferentemente das vivenciadas na década de 90, tem caráter sistêmico, porque atinge os países desenvolvidos. “Esta é uma crise sistêmica. Ninguém escapa desta crise. Mas os países avançados são mais atingidos”, afirmou Mantega, na audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

O ministro voltou a dizer que essa crise é, provavelmente, a maior que sua geração já assistiu e destacou que envolve trilhões de dólares, ao contrário das vivenciadas na década de 90, em que as perdas eram de dezenas de bilhões de dólares.

Mantega destacou que os países avançados estão com mais problemas, “porque não têm fundamentos tão sólidos quanto os nossos”. Ele citou os Estados Unidos, especificamente, que têm déficits fiscal e comercial e ainda convivem com inflação. “É verdade que eles têm a maquininha de fazer dinheiro, mas eles têm a fragilidade fiscal e a inflação em alta”, disse Mantega, lembrando ainda que as instituições financeiras mais atingidas pela crise são as dos países desenvolvidos.

De outro lado, Mantega destacou que os emergentes dinâmicos, ou seja, que têm maior crescimento econômico, são menos atingidos pela crise, porque têm fundamentos mais sólidos, como reservas internacionais elevadas e o sistema financeiro foi pouco atingido. No caso do Brasil, ele disse que o mercado financeiro não tem problemas com os ativos tóxicos americanos. Ele destacou que é importante ter um crescimento maior para enfrentar a atual crise internacional.

Pacto

O presidente da CAE do Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), defendeu o entendimento maduro e um pacto do Congresso Nacional para minimizar os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira.

Ao abrir a audiência pública da CAE, o senador disse que a crise é sem precedentes e, por isso, vai exigir também respostas sem precedentes. “Não podemos esconder nada. Temos que ter transparência”, disse.

Mercadante destacou que a crise está levando à maior coordenação internacional já vista na história entre os países.

Ufanismo

A oposição vai pedir mais cautela ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que pedirá as duas autoridades para “conterem o ufanismo” quando falarem da crise financeira. “Vamos pedir para parar com o ufanismo, com as declarações exageradas”, disse o senador, ao chegar à CAE, onde é realizada audiência pública com Mantega e Meirelles.

Virgílio também adiantou que outro tema que deverá pautar as discussões na audiência é a Medida Provisória (MP) 443, aprovada esta semana na Câmara, que abre à Caixa Econômica Federal e ao Banco do Brasil a possibilidade de adquirir o controle acionário de outras instituições financeiras.

Agência Estado

Rizzolo: A crise é de fato sistêmica, e a grande diferença desta em relação às outras, é que dessa feita ele ocorre no coração da maior potência econômica, os EUA. Os 30 bilhões de dólares que estarão à disposição do Brasil ofertados pelo FED, são na verdade um empréstimo, e denota o interesse dos EUA em controlar a economia de alguns países emergentes com boa estrutura e pouco atingidos pelos derivativos tóxicos.

Uma reportagem publicada hoje no jornal Valor Econômico mostra a confusão que a crise está provocando na bolsa de valores. Um levantamento feito pela Valor Data com 282 empresas mostra que 31 delas estão com valor de mercado mais barato do que os recursos em caixa e estoques que possuem. A verdade contudo, é que o Brasil não escapa da crise, não com uma depressão mas com uma retração ou recessão, e o que aponta para isso é o comportamento do mercado americano. A prévia do terceiro trimestre do PIB americano apontou uma retração de 0,30%, menor que os 0,50% esperados com projeções de até 1,9% de queda.

O consumo retraiu mais do que o esperado. Assim sendo, podemos imaginar os reflexos por aqui, o consumidor deverá tomar todo o cuidado, principalmente em relação às altas taxas dos financiamentos. Como já alertei não é hora de se contrair nenhum compromisso, muito menos carros, ou imóveis.

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Copom decide manter taxa selic em 13,75% ao ano sem viés

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu nesta quarta-feira, 29, manter a taxa Selic estável em 13,75% ao ano. A justificativa para a decisão foi o ambiente de maior incerteza. “Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação em ambiente de maior incerteza, o Copom decidiu por unanimidade neste momento manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés”, afirma a nota à imprensa do Banco Central.

Entre os analistas, prevalecia a aposta de que a Selic permaneceria no atual patamar. Entre as instituições financeiras consultadas pelo AE Projeções, a expectativa majoritária é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deveria manter a Selic nos atuais 13,75% ao ano. De um total de 63 casas consultadas, 39 esperavam a manutenção da taxa, 21 com uma elevação de 0,50 ponto porcentual e apenas três aguardam acréscimo de 0,25 ponto porcentual.

A ata da reunião será divulgada em 6 de novembro, próxima quinta-feira, às 8h30.

A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 9 e 10 de dezembro.
Agência estado

Rizzolo: No momento atual em que os efeitos da alta do dólar no componente inflacionário já esta menorizado, face à escassez de crédito, a medida no meu entender foi de bom tamanho. Na verdade um eventual aumento das taxas de juros no Brasil, caberia num cenário onde não houvesse um aperto no crédito. Todos sabem que a própria situação de falta de liquidez, por si só já produziu o efeito de retração econômica do aumento das taxas de juros . Melhor assim.

O que também pode ter contribuído para a manutenção da taxa foi o fato do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) cortar a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,50 ponto porcentual nesta quarta-feira, 29, para 1% ao ano, o nível mais baixo desde entre junho de 2003 e junho de 2004. A dosagem ou o ajuste fino da economia brasileira, corre pelas tomadas de decisão do Fed, e em cenário de recessão o melhor é tentar reaquecer a economia.

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Fluxo cambial caminha para pior mês desde janeiro/1999

SÃO PAULO – O fluxo cambial no Brasil está negativo em 4,397 bilhões de dólares em outubro, até o dia 24. Se o mês já estivesse fechado, este seria o pior resultado mensal desde janeiro de 1999 –quando a saída líquida do país foi de 8,59 bilhões de dólares em meio à maxidesvalorização do real.

A cifra dos 18 primeiros dias úteis deste mês, segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira, resulta de déficit de 6,131 bilhões de dólares nas transações financeiras. As operações comerciais tiveram saldo positivo de 1,734 bilhão de dólares no período.

A crise global de crédito atingiu com mais força o país a partir da segunda quinzena de setembro, derrubando a Bolsa de Valores de São Paulo e fazendo o dólar atingir 2,50 reais depois de ter caído, em meados do ano, para a faixa de 1,50 real.

Em setembro, o fluxo cambial ainda ficou positivo em 2,803 bilhões de dólares.

No ano, o país acumula entrada líquida de 12,791 bilhões de dólares. De janeiro a outubro de 2007, o fluxo estava positivo em 73,62 bilhões de dólares, segundo o BC.

Agência Estado

Rizzolo: O fluxo cambial reflete não só as exportações e importações do País mas também as operações financeiras em investimentos, em bolsas, em títulos, em empréstimos, inclusive empréstimos no mercado bancário. O que está ocorrendo, é que as exportações continuam sendo maiores que as importações, até porque as importações tendem a cair em função do que se espera que aconteça no Brasil, que é um crescimento menor. Provavelmente, vamos importar menos, para não deixar crescer os estoques na mão das empresas.

O problema é que o fluxo cambial fica negativo porque o que sai muito dinheiro e o que entra é muito pouco. Está saindo muito dinheiro do investidor, que tinha dinheiro na Bolsa, em títulos do governo. Os investidores estão deixando o País, por dois motivos: primeiro, pelo medo do Risco País, que está se apreciando, passou de 500 pontos; segundo porque eles precisam desse dinheiro para se socorrer lá fora, e socorrer prejuízos que eles tiveram em operações no exterior. Sem contar é claro, que o Investimento Estrangeiro Direto, também reduziu-se, em função da própria crise.

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