Serra está preocupado com arrecadação de campanha

O candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, disse estar preocupado com fato de ter tido a menor arrecadação entre os três principais presidenciáveis.

A campanha do tucano arrecadou até segunda-feira R$ 3,6 milhões, enquanto Dilma Rousseff (PT) obteve R$ 11,6 milhões e Marina Silva (PV), R$ 4,65 milhões. Os dados das campanhas fazem parte da primeira prestação de contas que será entregue ao Tribunal Superior Eleitoral.

– Preocupa. Mas espero que os recursos entrem. Às vezes tem muito atraso nisso –, disse Serra, referindo-se ao processo de arrecadação.

Em caminhada na favela de Heliópolis, zona sul da capital, onde visitou uma ETEC (Escola Técnica Estadual) e uma AME (Ambulatório Médico de Especialidades), Serra criticou o governo Lula após ser questionado sobre a crise nos aeroportos.

– Dos 20 principais aeroportos do país, 19 estão em colapso. Na prática, nos últimos anos, não se fez nada. O que é preciso é usar aqueles recursos da Infraero. Mesmo aqueles que estão no Orçamento não estão sendo usados –, afirmou.

A crise foi provocada pela empresa aérea Gol, que cancelou inúmeros voos e protagonizou uma onda de atrasos em aeroportos de todo o país.

Em Heliópolis, Serra teve a companhia do candidato ao governo do Rio de Janeiro e seu aliado, deputado Fernando Gabeira (PV).

Gabeira negou que sua presença ao lado do tucano signifique um constrangimento para a candidata à Presidência de seu partido, Marina Silva.

– Não fica mal. Ele (Serra) me convidou para ver a AME e eu estou vendo, não fica mal –, disse o deputado.

O Ambulatório Médico de Especialidades é uma iniciativa de Serra quando governou o Estado (2007-2010). Foram inauguradas 32. Funcionam para evitar que os paciente precisem procurar hospitais, em casos de baixa complexidade.
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Rizzolo: Na verdade ainda é cedo para preocupações, na medida em que a campanha se inicia pela TV as coisas mudam. É bem verdade que o candidato Serra está meio isolado, pode ser impressão pessoal minha, mas nos próprios sites dos candidatos do PSDB a figura de Serra não tem destaque, vide site do candidato Alckmin. Talvez no fundo Alckmin se vingue agora do passado em que foi preterido por Serra.

Dilma alfineta oposição e articula novas alianças

Na antevéspera de mais um jantar para fechar aliança de olho em 2010, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, voltou a se defender da acusação de que está antecipando sua campanha. Sem economizar alfinetadas na oposição, ela evitou bater de frente com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. Mas rebateu a tese de que promove um “vale-tudo” eleitoral.

“Não estamos fazendo um vale-tudo. Fizemos projetos e estamos inaugurando, lançando ou fiscalizando”, reagiu Dilma, após evento da Associação dos Dirigentes de Vendas e Empreendedores do Brasil (Adveb), em São Bernardo do Campo, berço político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela não quis confrontar o presidente do STF. “Não me sinto acusada de jeito nenhum pelo ministro Gilmar Mendes.”

Num recado à oposição, Dilma disse que o Brasil pode “se tranquilizar”, porque o governo Lula recuperou a capacidade de investimento no País. “Ah, isso incomoda. Incomoda mesmo. E não é sorte, não. É trabalho incansável.” Questionada sobre quem seriam os incomodados, continuou: “Todos aqueles que não têm o hábito de fazer investimento neste país.”

Dilma confirmou que terá um jantar com o PP, do deputado Paulo Maluf. “Será ótima oportunidade para discutir rumos do nosso governo e o que a gente espera do futuro.” O encontro, que terá como anfitrião o líder do PP, deputado Mário Negromonte (BA), estava marcado para hoje. Mas, como é o dia do aniversário de Lula , foi adiado para amanhã.

Ela já se reuniu com as bancadas do PMDB – de onde deve sair seu vice -, do PR, PDT, PRB e confirmou presença no dia 6 em congresso do PC do B. Falta marcar uma conversa com o PTB. Há resistência, porém, do presidente do partido, ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão em 2005.

Dilma declarou que é cedo para falar em candidatura. Mas não disfarçou a satisfação com o fato de Lula ter dito, no sábado, que gostaria de comemorar seu aniversário em 2010 com a eleição de sua ministra. “Acho o presidente comovente.”

Na sua agenda também estão previstas mais inaugurações, com prioridade para o Sudeste, maior colégio eleitoral do País. Amanhã, será um ginásio, no Rio. À tarde, irá com Lula ao novo complexo de estúdios da TV Record. Na quinta-feira, a ministra e o presidente virão a São Paulo para a 1ª Expocatador, um feirão dos catadores de lixo. No fim da tarde, viajarão à Venezuela, para encontro com o presidente Hugo Chávez.

Ontem, Dilma teria mais um compromisso em São Bernardo, cidade governada por seu ex-colega de Esplanada Luiz Marinho (PT). Mas foi substituída pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Segundo ele, a agenda de Dilma com partidos da base aliada é fundamental na pavimentação de acordos para 2010. “Tem sido muito importante deputados e senadores conhecerem o outro lado da ministra.”

Sobre a aliança com o PMDB, Padilha destacou que, agora, o plano é equacionar problemas nos Estados. “Podem existir situações em que tenhamos dois palanques”, disse. “Isso não vai comprometer a aliança nacional.” COLABOROU TÂNIA MONTEIRO
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Rizzolo: Um dos argumentos da oposição para o ciclo virtuoso de governo de Lula é alegar ” a sorte”. A oposição costuma dizer que todo desenvolvimento dependeu da sorte e não da capacidade do governo, o que é uma tremenda idiotice. O viés desenvolvimentista, muito embora dotado de altas taxas de juros, contribuiu para o desenvolvimento do mercado interno, que por su a vez, deu sustentabilidade para vencermos a crise. Isso não é sorte, é planejamento macroeconômico, maior regulamentação do setor financeiro e segurança política. Agora, concordo com a ministra quando se refere aos ” incomodados”. Ora, durante décadas nunca fizeram absolutamente nada para os pobres, os esquecidos, agora com os projetos de inclusão temos uma nova classe média que consome, e provocando um aumento da produção e mais empregos. Infelizmente fui convidado ontem para participar do evento em São Bernardo, mas em função de outro compromisso não pude comparecer. Uma pena.

Crítica a viagens é preconceito contra mulher, diz Dilma

SÃO PAULO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, rebateu neste domingo, 25, as acusações de que estaria antecipando a campanha eleitoral de 2010. A petista, que há algumas semanas iniciou uma maratona de viagens ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comparou-se a uma dona de casa para devolver as críticas. “É preconceito contra a mulher. Eu posso ir para a cozinha, cozinhar os projetos. Agora, na hora de servir, não posso nem ver?”, indagou.

Em um sinal de que trabalha para se aproximar do eleitorado tradicional de Lula, Dilma esteve hoje em São Paulo para um colóquio do PT com movimentos sociais. Questionada pelos jornalistas, a ministra destacou que coordena vários projetos do governo e que não vê sentido na tese de que não deveria rodar o País para as inaugurações. “Eu não caí do céu e apareci na Casa Civil. Estou lá desde julho de 2005”, continuou.

Dilma evitou mais uma vez se colocar abertamente como candidata. Não se aprofundou, por exemplo, ao comentar a tese de que teria se decidido a permanecer no cargo até o final do prazo legal. “A impressão que tenho é que essa é uma discussão que está antecipadíssma.” Dilma, que na avaliação da cúpula petista deveria sair do posto em fevereiro, disse que não discutiu o assunto com o PT, nem com o governo.

A ministra aproveitou para elogiar o acordo entre PT e PMDB pavimentando a aliança para o ano que vem. “Quanto mais cedo os partidos conseguirem fazer acordos de maneira programada, melhor para o País”, afirmou a ministra, que em seguida passou a palavra ao presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Na mesma linha, ele procurou negar que a negociação antecipe o início da campanha. “Não é ninguém tentando antecipar nada, é simplesmente um protocolo, com termos claros, divulgado para toda a opinião publica.”

MST

Tanto Dilma quanto Berzoini empenharam-se em afastar as tensões com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Num esforço para defender o governo de críticas sobre a condução da reforma agrária, a ministra disse que a administração de Lula desapropriou 43 milhões de hectares de 2003 a 2008. “Os movimentos sociais e a população vão saber, na hora importante, na hora H, quem está a favor deles e quem não está”, argumentou.

Berzoini, por sua vez, condenou a CPI do MST. “A gente sabe que a CPI quase sempre CPI vira um palco de disputa política em ano pré-eleitoral, nesse caso com vistas à eleição de 2010.”
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Rizzolo: Não há como Dilma não acompanhar as obras, inaugurá-las, e ter contato com o povo. É claro que tudo isso empresta visibilidade, e por conseqüência popularidade visando 2010. Eu não diria que as críticas em relação as viagens é um tipo de preconceito contra a mulher, é na verdade o inconformismo daqueles que não aceitam a essência dos programas sociais, e demonstram receio de que um governo voltado para o social seja imbatível nas urnas, portanto, como forma de não associá-los a Dilma, passam a criticá-la para que com isso ganhem oxigênio eleitoral. Preconceito não receio puro.