Príncipe Charles promove convescote em casa para “preservar” a floresta

Nos dias 29 e 30 de abril, o príncipe Charles, herdeiro do trono britânico, reuniu em sua residência em Londres autoridades e parlamentares de estados da região amazônica com representantes de instituições financeiras e Ongs internacionais para discutir, entre outras coisas, a “preservação” da floresta amazônica.

Entre os presentes estavam a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, Waldez Góes, do Amapá, José de Anchieta Júnior, de Roraima e os senadores Tião Viana e Arthur Virgílio. Dentre os outros participantes, destacam-se executivos de grandes empresas como RioTinto, Shell, Deutsche Bank, Goldmann Sachs, Morgan Stanley e MacDonald’s, além de dirigentes das Ongs WWF, Greenpeace, Friends of the Earth (Amigos da Terra) e o líder indígena Almir Suruí, da COIAB.

Segundo o empresário brasileiro Jorge Pinheiro Machado, um dos organizadores do encontro, o príncipe Charles quer se transformar numa espécie de interlocutor privilegiado nas questões amazônicas e promotor de uma espécie de “financeirização” das florestas nativas com remuneração dos “serviços ambientais” que elas prestam à humanidade, fazendo dos índios os “guardiões da floresta”.

Tudo bem que Sua Alteza não deve ter muito o que fazer na vida, mas seu interesse e suas ações em torno da Amazônia não são apenas passatempo de monarca entediado. Senão, vejamos algumas coincidências:

Quando a reserva Ianomâmi foi criada por Collor, em 1991 – segundo entrevista do coronel Gélio Fregapani publicada no HP, “etnia absolutamente forjada por uma manobra muito bem conduzida pela WWF” -, alguns dias antes o príncipe Charles havia promovido um seminário de dois dias a bordo do iate real Brittannia, ancorado no rio Amazonas, do qual participaram, além do próprio presidente; David Triper, ministro de Meio Ambiente da Inglaterra, William Reilly, diretor da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, Carlo Ripa di Meana, coordenador do Meio Ambiente da Comunidade Européia, e Robert Horton, presidente da British Petroleum.

Em 2000, quando aconteceu o primeiro conflito entre produtores rurais e índios na reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, outra “coincidência”. Charles estava exatamente na região fronteiriça à reserva, na Guiana, participando da inauguração da reserva ambiental Iwokrama. No ano passado, o governo da Guiana se transformou em “protetorado verde” sob administração britânica, tendo Iwokrama como modelo.

Agora, quando esquentam novamente as discussões sobre a permanência ou não de agricultores na região da Raposa Serra do Sol, uma das regiões mais ricas do país, não é que o príncipe aparece novamente, e já com um novo encontro com lideranças da região agendado para dentro de 60 dias, em Belém (PA)… É muita coincidência.
Hora do Povo

Rizzolo: É impressionante como o exterior se preocupa com a Amazônia e com os índios, aliás não só ele, também a Shell, Deutsche Bank, Goldmann Sachs, Morgan Stanley e MacDonald’s, além de dirigentes das Ongs WWF, Greenpeace, Friends of the Earth (Amigos da Terra) e o líder indígena Almir Suruí, da COIAB. Isso vem corroborar o que eu sempre digo, enquanto alguns intelectuais de Ipanema, e “patriotas” sonhadores apregoam a política turva indigenista no Brasil, fazendo dos índios os ” guardiões da floresta”, alguns países turbinam e aplaudem esses mesmos intelectuais que nada mais são do que braços e discípulos do príncipe.

Agora ao que parece, os freqüentadores de Ipanema tentaram esvaziar o discurso militar, se apropriando das idéias para manipula-las ao seu bel-prazer e manter suas diretrizes, ou seja , concordando para não ceder um milímetro, por sorte já desistiram. É reconfortante saber que não sou a única voz patriótica nesse imenso Brasil, mas pertenço à linha de frente daqueles que recebem os maiores ataques por entender que a política indigenista no Brasil está totalmente mal formulada, tem caráter divisionista, e é extremamente entreguista do ponto de vista estratégico na defesa da soberania .

Líder indígena de Ong estrangeira CIR diz que quer vender riquezas minerais da Amazônia para o Brasil

“Queremos que seja aprovado um Estatuto Indígena que regulamenta a exploração das nossas riquezas minerais, dos nossos recursos hídricos e que contempla outras áreas como educação e saúde. Não queremos ganhar migalhas de royalties, queremos vender o nosso produto ao Brasil. Também não queremos ganhar migalhas de royalties com a construção da hidrelétrica de Cotingo. Temos condição de construí-la e de vender energia ao estado”, afirmou em entrevista coletiva no dia 29 de abril, o líder indígena Júlio Macuxi, um dos diretores da Ong estrangeira CIR (Conselho Indígena de Roraima).

A entrevista foi concedida durante a apresentação de uma carta que foi entregue ao Supremo Tribunal Federal com informações para, segundo Júlio Macuxi, “subsidiar o STF” no julgamento das ações sobre a demarcação da reserva Raposa Serra do Sol.

A declaração foi dada no momento em que o índio reclamou da demora na aprovação do projeto sobre mineração em terra indígena que tramita na Câmara dos Deputados.

Macuxi e mais quatro tuxaias do CIR, também afirmaram: “Não aceitamos reduzir nem negociar a nossa terra. O que tinha de ser feito já foi feito e negociado, nem um palmo de terra mais”.

Na ocasião, Jacir de Souza Macuxi, outro tuxaua, anunciou que, “desde ontem” (dia 28, logo após os conflitos com arrozeiros do mês passado), a entrada na terra indígena se fará por meio de autorização das lideranças indígenas.

“Estamos exigindo o cumprimento do artigo 5º da Portaria do MJ nº 534 de 13 de abril de 2005, que proíbe o ingresso, trânsito e a permanência de pessoas ou grupos de não-índios dentro da nossa terra sem nossa autorização”, afirmou.

Os tuxauas do CIR também falaram sobre a decisão de iniciarem o controle dos casamentos entre índios e ‘não-índios’, uma espécie de purificação étnica. Segundo Jacir Macuxi, a união civil envolvendo índios passará pela análise de um comitê de tuxauas, que dará, ou não, a autorização. Para ele, é necessário haver um controle sobre os casamentos inter-raciais para que a comunidade indígena não seja obrigada a conviver com “maus elementos”.

Quando são esses os líderes da invasão à fazenda onde índios foram baleados, no momento em que o STF está prestes a votar sobre a situação da reserva indígena, a observação do governador de Roraima, Anchieta Júnior, é mais do que pertinente: “Essa atitude, neste momento, não me cheira bem. Há algo estranho por trás dessa invasão, já que havia uma promessa de ambas as partes de esperar pela decisão do Supremo. Qual seria a intenção de alguém invadir uma fazenda?”.

Hora do Povo

Rizzolo: Quando eu me debato tentando defender a Amazônia, me tornando repetitivo há mais de um ano neste Blog, quando recebo recados de petistas defensores dos ” indígenas”, quase que me insultando, ao ler um texto deste, me sinto reconfortado; podemos inferir que não estamos de todo errados. É impressionante como o Brasil quer na questão da Amazônia, quer em relação à questão indígenista, o governo está se tornando assustadoramente entreguista. Não é à toa que homens como o general Heleno se recusam a não falar, se recusam a não dar a sua opinião, tudo dentro da legalidade e do respeito. E os entreguistas gritam, porque talvez lhes faltam um sentido maior de patriotismo dentro do peito. Está aí, o texto claro e cristalino, não vê quem não quer. Leia artigo meu: Treze de Maio, Raposa Serra do Sol e os brasileiros
Veja também : Amazon in danger, environment Minister Marina Silva resigned