Serra e FHC não podem voltar ao poder – Ciro Gomes

Uma entrevista com Ciro Gomes, do ano passado, foi reeditada com as principais respostas ao rival tucano, José Serra, e se transformou em um hit no Youtube.

PSB decide apoiar Dilma para “somar, unir e avançar”

O PSB oficializou nesta terça-feira (27) que Ciro Gomes não será candidato à Presidência da República. Após reunião da Executiva, o partido decidiu não indicar candidato próprio para a disputa. A legenda avaliou que se enfraqueceria nos Estados caso mantivesse a candidatura de Ciro Gomes. A tendência é que o PSB declare apoio à candidatura de Dilma Rousseff, do PT. Durante o anúncio, foi lida uma nota afirmando que Ciro é um “administrador vitorioso” que “engrandeceu o debate republicano”.

“Foi quase uma escolha de Sofia. Ou levar à degola vários candidatos ao governo e ao Senado ou ter a candidatura própria”, afirmou Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, para quem o apoio a Dilma é o caminho natural da legenda.

Em nota distribuída à imprensa, o partido afirma que “a Comissão Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É dever das forças populares contribuir para a continuidade desse projeto, a partir do qual o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento soberano”, diz o documento.

Eduardo Campos afirmou que ele e o vice-presidente do partido, Roberto Amaral, se reunirão com Ciro ainda nesta terça-feira ou amanhã no Rio de Janeiro, onde ele está, para discutir o futuro político do deputado. O presidente da legenda afirmou que falou com Ciro assim que a Executiva tomou a decisão e que o deputado recebeu a notícia com tranquilidade. O presidente do PSB disse ter certeza de que Ciro seguirá a orientação do partido.

Entre os diretórios regionais do PSB, apenas sete queriam que o partido apresentasse candidato próprio. Na reunião de hoje, apenas dois membros da Executiva votaram a favor de lançar um candidato.

Nos últimos dias, Ciro deu várias declarações polêmicas que refletem seu estilo pessoal mas que ao ganharem ampla repercussão contribuíram para sepultar suas chances de disputar o Palácio do Planalto pela terceira vez. Ciro já havia se candidatado à Presidência em 1998 e 2002, quando ainda era filiado ao PPS.

Tratamento igualitário

Eduardo Campos afirmou que o partido se reunirá na próxima terça-feira (4) com o PT para tratar do apoio da legenda à pré-candidata petista Dilma Rousseff. Campos marcou a reunião com presidente do PT após a decisão da Executiva.

Na internet, corre a versão de que o PSB irá cobrar uma “fatura alta” do PT em troca da desistência de disputar a Presidência. Mas o presidente do PSB negou que a decisão de não ter candidatura própria esteja vinculada a qualquer contrapartida do PT dentro dos Estados. Segundo Campos não há nenhum acordo sobre as disputas regionais. Campos afirmou que a única exigência será a não discriminação de candidatos do partido. “Não estamos condicionando a decisão daqui a qualquer acordo com relação aos candidatos a governador […]. O que não vamos aceitar é tratamento com discriminação com os candidatos do PSB. O que valer para o candidato do PT vai valer para os candidatos do PSB”, disse Campos.

O PSB quer o apoio do PT em quatro Estados, especialmente no Piauí, onde terá como candidato ao governo Wilson Martins, no Espírito Santo, onde Renato Casagrande será o candidato do partido ao governo, na Paraíba, onde a legenda lançará Ricardo Coutinho, e no Amapá, onde a disputa terá Camilo Capiberibe. O PSB também terá candidatos próprios ao governo em pelo menos outros seis Estados: Ceará (Cid Gomes), Rio Grande do Norte (Iberê Ferreira), Pernambuco (Eduardo Campos), Rio Grande do Sul (Beto Albuquerque), Mato Grosso (Mauro Mendes) e em São Paulo, com Paulo Skaf. Neste último, o PT ainda tenta atrair o apoio dos socialistas para a candidatura do senador Aloizio Mercadante ao governo estadual, oferecendo a vaga de vice a Paulo Skaf. Mas o PSB paulista tem dito que as chances de Skaf ser vice de Mercadante são, hoje, as mesmas de Mercadante ser vice de Skaf.

Dilma diz querer Ciro de volta e mais perto

Mais cedo, antes do PSB tomar a decisão de não ter candidatura própria, a pré-candidata Dilma Rousseff disse querer uma reaproximação com Ciro Gomes. Nos últimos dias, Ciro deu declarações que a imprensa repercutiu como sendo críticas à pré-candidata petista. “Não vou responder ao deputado Ciro Gomes. O deputado Ciro Gomes sempre esteve ao nosso lado, espero que ele volte a estar de uma forma mais próxima agora”, disse Dilma a jornalistas antes de participar de um evento promovido pelo sindicato dos caminhoneiros. “Para mim, o Ciro sempre foi um apoio”, resumiu.

O chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, seguiu na mesma linha e afirmou que Ciro foi um homem ‘leal’ ao presidente, por isso suas palavras não foram mal interpretadas pelo Palácio do Planalto. “Tudo o que ele falar não vai diminuir o nosso respeito e carinho por ele. Não há nenhum palanque que vai diminuir o carinho que temos por ele. Consideramos o Ciro muito mais aliado do que muitos que elogiam o governo apenas”, disse.

A adesão do PSB à pré-candidatura de Dilma Rousseff é uma grande reforço para a campanha da ex-ministra da Casa Civil. Além de aumentar ainda mais seu tempo de propaganda no rádio e na TV, o PSB oferecerá boa estrutura nos estados e colocará sua militância e dirigentes para pedirem votos para a candidata petista.

A saída de Ciro Gomes da corrida presidencial também reforça o caráter plebiscitário da disputa, tal como deseja o presidente Lula. Ainda que Marina Silva (PV) tente se apresentar como uma alternativa intermediária, a campanha deve mesmo se concentrar na comparação dos 8 anos de Fernando Henrique Cardoso no Planalto com os 8 anos do governo Lula.

Veja abaixo a íntegra da nota emitida pelo PSB logo após a reunião de sua direção executiva

“A Comissão Executiva Nacional do Partido Socialista Brasileiro reuniu-se nesta data em sua sede em Brasília para avaliar o quadro político-eleitoral do País e deliberar, depois de ouvidos os Diretórios Estaduais, sobre o papel a ser desempenhado pelo PSB na sucessão presidencial. Decidiu, por maioria de voto, não apresentar candidatura própria à Presidência da República.

A Comissão Executiva Nacional avalia como correta e consequente a participação do PSB no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É dever das forças populares contribuírem para a continuidade desse projeto, a partir do qual o Brasil retomou o caminho do desenvolvimento soberano, com maior repartição de renda e menor exclusão social.

As eleições de outubro não estão definidas. A aliança da oposição representa um desafio real aos socialistas e outras forças populares. O PSB está pronto para ampliar sua presença nos governos estaduais e no Senado, e duplicar sua representação na Câmara dos Deputados, reafirmando-se como um partido capaz de liderar, ao lado de outros, o avanço das mudanças há tanto tempo exigido pelo povo brasileiro. Sob tal perspectiva, para o PSB a disputa das eleições em outubro, em todos os seus níveis, é um projeto estratégico, condicionado, obrigatoriamente, pelos balizamentos da conjuntura.

Ao patrocinar a pré-candidatura presidencial do deputado federal Ciro Gomes, enxergou o PSB, associadamente a esse projeto estratégico, a possibilidade de contribuir para o aprofundamento das mudanças iniciadas pelo governo do presidente Lula.

De nenhuma forma foram em vão os esforços do PSB e do deputado Ciro Gomes nestes movimentos iniciais da campanha presidencial. Administrador vitorioso em diversos níveis de governo, homem de ideias e de atos em favor do País, Ciro Gomes engrandeceu o debate republicano. Com ele, expusemos nossas propostas aos brasileiros, mobilizando a nossa militância e abrimos novas e concretas vias de crescimento partidário. O PSB permanece firme e ativo no processo sucessório. Nele, queremos somar, unir e avançar, em favor da construção de uma nação à altura das mais legítimas esperanças socialistas.

Brasília, 27 de abril de 2010.

Comissão Executiva Nacional (CEN)

Partido Socialista Brasileiro (PSB)”
vermelho

Rizzolo: Foi a melhor solução, predominou o bom senso por parte do PSB. Ciro não tinha a menor condições, ademais, depois das declarações destemperadas nada mais restava a fazer. Para a pré candidata Dilma Rousseff a decisão foi excelente, terá mais espaço, mais articulação; agora Ciro Gomes demonstrou seu ruim temperamento, que na política significa um grande erro e defeito. Se não disponibilizar logo sua boa vontade numa aproximação amigável com o PT e Dilma, muitos poderão entender que tudo se tratou de pura traição política.

PSB decide que Ciro não vai disputar Presidência

O PSB deve anunciar na próxima terça-feira que o deputado Ciro Gomes não será candidato a presidente da República, informa reportagem de Vera Magalhães, Fernando Rodrigues e Maria Clara Cabral (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Até lá, o partido cumprirá um ritual para dar uma saída honrosa a Ciro: consultará os diretórios sobre uma aliança com o PT.

Como a maioria dos diretórios opinará por uma aliança com o PT, caberá ao governador de Pernambuco e presidente da sigla, Eduardo Campos, anunciar a retirada de Ciro.

Ciro foi avisado ontem, em reunião com a cúpula partidária, de que as conversas com a campanha de Dilma Rousseff avançaram e que o PSB entregou ao PT uma lista de cinco Estados em que espera alguma contrapartida dos aliados.

Foram relatados vários casos regionais em que caciques que antes manifestavam apoio à candidatura própria já estão se acertando com o PT.

Em queda nas pesquisas, o deputado se comprometeu a aceitar a decisão. No cenário sem Ciro do mais recente levantamento do Datafolha, a diferença entre José Serra e Dilma Rousseff se amplia de 10 para 12 pontos. O tucano passa de 38% a 42%, enquanto a petista oscila de 28% a 30%. Marina Silva (PV) também sobe dois pontos e chega a 12%.

Ciro decidirá em quais campanhas estaduais do PSB pretende ajudar.

Isolamento

Em reunião realizada ontem, a cúpula do PSB informou a Ciro que o partido está isolado politicamente e que isso dificultará sua candidatura ao Palácio do Planalto.

O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, disse que a prioridade hoje é a de eleger uma bancada parlamentar maior e dar apoio aos candidatos ao governo. Durante o encontro, Ciro viu uma exposição sobre o cenário em todos os Estados, do cenário nacional e das pesquisas de intenções de votos.

“Hoje o partido tem condições de ter candidato próprio e de não ter. A questão é que vamos avaliar todos os fatores e chegar a uma decisão consensual. Não tem nenhuma chance de adiarmos nada, a decisão sai na terça-feira”, disse Amaral.

Outro lado

Em nota, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) diz que nunca desistirá de disputar a Presidência.

“Ciro afirma que continua candidato, que considera sua postulação importante para o PSB e para o País e que jamais desistirá de concorrer à Presidência. Se o seu partido decidir por não apresentar candidatura própria que assuma o ônus da decisão, a qual ele aceitará e respeitará como filiado”, diz nota divulgada por sua assessoria.

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Rizzolo: Sinceramente, o bom senso deve imperar nesse caso. É claro que Ciro Gomes não tem a menor chance, e se disputasse serviria aos anseios da oposição, por bem entendo que o PSB deve apoiar a pré candidata do PT, senão estará fazendo o jogo político errado. Agora Ciro tem que entender e colocar suas pretensões políticas pessoais não acima dos interesses da maioria progressista desse país.

Fernando Haddad articula candidatura para governo de SP

SÃO PAULO – Em meio à indefinição sobre o destino político do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), o ministro da Educação, Fernando Haddad, decidiu colocar em prática uma operação para tentar se lançar como candidato ao Palácio dos Bandeirantes no ano que vem. Apesar das resistências ao seu nome no PT paulista e da repercussão negativa do vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Haddad deu sinal verde para que aliados aproveitassem a eleição interna da legenda, no último fim de semana, e coletassem as assinaturas exigidas para registrar a pré-candidatura.

Nas últimas semanas, Haddad também começou a negociar com a cúpula do PT em São Paulo uma data para participar de um ciclo de sabatinas com potenciais candidatos. O partido vem prometendo uma conversa com cada um dos cotados. Até agora, somente o prefeito de Osasco, Emidio de Souza, participou desse processo.

O ex-ministro Antonio Palocci continua sendo apontado como favorito caso Ciro desista de disputar o governo de São Paulo. Ainda assim, Haddad avisou ao comando da legenda que está à disposição para a tarefa. Outros petistas, como o senador Eduardo Suplicy e o ex-presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, além de Emidio, também se ofereceram para o posto. Palocci, entretanto, tem optado pela discrição e deixa a articulação a cargo de aliados.

Nas conversas com dirigentes do PT, Haddad costuma ressalvar que não quer se lançar numa disputa interna. Ele diz ainda que não vai impor nenhum obstáculo aos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a corrida estadual. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Rizzolo: Realmente é uma escassez de nomes impressionante. É claro que Fernando Haddad não tem a menor chance aqui em São Paulo, até porque seu nome é completamente desconhecido, não é popular, e o partido teria que investir muito para faze-lo conhecido. A grande maioria pobre do nosso Estado, assim como nos demais, nem sequer lêem jornais, portanto é uma empreita quase impossível. Cuidado porque São Paulo não é como o nordeste.

Dilma defende candidatura única na base governista

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira (6) que a base do governo deve ter apenas uma candidatura para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010. É a primeira vez que ela defende uma coalizão de governo em torno de apenas um nome.

“Nós achamos que o governo tem que ter uma continuidade. Não são dois candidatos [que representarão a base], vai ser um candidato que vai representar o governo”, salientou a ministra, ao ser questionada sobre o tema.

A posição contraria o movimento de um dos principais aliados políticos do governo Lula, o PSB, que tem defendido a tese de que Lula terá mais facilidade de eleger um sucessor com mais de uma candidatura dentro da base aliada. O PSB defende que o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) também seja lançado, com apoio de Lula.

Dillma se reuniu na noite desta terça-feira com a cúpula do PDT para negociar o apoio do partido para o ano que vem. Pouco antes do início do jantar, o presidente licenciado da sigla, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ao lado de Dilma que também defende que o governo tenha apenas um candidato 2010 e que ministra é o nome mais adequado para a disputa.

“Isso é uma questão que estamos discutindo [o apoio à ministra Dilma] internamente. Eu não escondo nunca minhas manifestações pessoais, eu penso que o governo tem que ter uma candidatura única, inclusive para dar oportunidade à população de saber que de um lado tem oposição, representada pelo [José] Serra [governador de São Paulo] e o Aécio [Neves, governador de Minas Gerais], e do outro lado penso que tem que ter candidatura única. Para que a população possa avaliar e julgar se deve ter continuidade o governo Lula ou não”, analisou o ministro.

Segundo ele, neste momento a ministra representa a melhor candidatura do governo para as próximas eleições. Dilma foi filiada ao PDT até 2000, quando deixou a sigla para se filiar ao PT.

Dilma disse que já tem se reunido com outros partidos da base aliada. “Eu já encontrei com vários partidos ao longo desse processo todo, já falei com o PCdoB, com o PRB. Inclusive com o PMDB eu tive também ótimas reuniões recentes e com o PTB também, que integra a base do governo”, disse.

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Rizzolo: Ainda é muito cedo para conjecturar. Por hora não dá para apostar na sucessão a Lula apenas com um nome. É bem verdade que o nome de Dilma pode deslanchar, porem opinar por hora sobre uma única candidatura não é conveniente. Para que esta afirmação de Dilma prosperasse, ela deveria estar com mais densidade eleitoral e ainda não é o que inferimos nas pesquisas.

Ciro diz ter mudado de domicílio eleitoral contra sua vontade

O deputado federal e possível candidato à Presidência da República pelo PSB, Ciro Gomes, afirmou, na manhã deste sábado, que transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo “contra a sua vontade” e para livrar-se de um possível pedido de impugnação de candidatura oriundo dos adversários. As declarações do parlamentar foram dadas em entrevista coletiva concedida na Assembleia Legislativa do Estado especialmente para tratar do assunto.

Ciro disse que estava em Fortaleza (CE) quando foi informado da decisão pela Executiva Nacional na última quinta-feira, dia 30. Segundo ele, três motivos impulsionaram a mudança.

O primeiro foi um pedido pessoal feito pelo presidente Lula. “Num encontro que tivemos, ele me disse: ‘peço apenas que você examine e deixe todas as portas abertas. Não custa nada você fazer esse gesto e esperar até fevereiro/março, quando tudo estiver melhor definido'”, disse o deputado, referindo-se às especulações de uma possível candidatura dele ao governo paulista, que só seria viabilizada com a mudança de domicílio.

Outro motivo foi um entendimento da direção do PSB de que, para se lançar candidato, Ciro precisava aprofundar a relação com São Paulo. O maior estado brasileiro concentra, sozinho, 22,5% de todo o eleitorado do País e aproximadamente 40% do Produto Interno Bruto (PIB), índices que poderiam mudar os rumos da disputa do próximo ano.

A terceira causa listada pelo parlamentar foi um parecer da assessoria jurídica da legenda elaborada em cima de informações não confirmadas de que uma possível candidatura do PSB à Presidência estaria ameaçada de sofrer um pedido de impugnação.

Ciro atribuiu essa ameaça aos “nossos adversários”. Entretanto, não citou nomes. Revelou apenas que eles embasariam o pedido no fato do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), ser seu irmão. “Depois de fazer uma consulta a toda a Direção, o PSB me determinou isso anteontem. É um gesto contra a minha vontade, embora eu considerasse ¿ e considero ¿ uma decisão correta. Foi uma decisão amadurecida que tomei depois de muito debate”, afirmou.

“Logo após mudar de domicílio ainda na quinta-feira, ele disse ter voltado para Fortaleza com o que classificou de “sensação de dever moral cumprido”. E pontuou: “me senti no dever de dar essa explicação direta, pessoal, humilde e franca aos cearenses, a quem tudo devo e a quem quero renovar o meu compromisso, esteja onde eu estiver. Peço aos cearenses que confiem em mim. Eu sei o que estou fazendo”.

Ontem, Ciro afirmou, em São Paulo, que transferiu seu título para ter “intimidade” com o Estado. “São Paulo é o maior Estado brasileiro e, para ser candidato a presidente da República, tem que ter intimidade com a expressão que São Paulo tem na economia, na cultura e entre os trabalhadores”, argumentou.

Ou Presidência ou nada
Apesar de atender ao pedido do presidente Lula de “deixar todas as portas abertas”, o ex-ministro da Integração Nacional rechaçou qualquer chance de concorrer em São Paulo. A alegativa foi de não ter qualquer intimidade com a rotina da maior capital brasileira. E adiantou: caso o PSB não libere sua candidatura ao Palácio do Planalto, não participará das eleições 2010 de jeito nenhum. “Quem pode mais, pode menos”, emendou, descartando também ser vice da ministra Dilma Rousseff (PT).

Ele previu ainda que, por conta da sua mudança de domicílio, inicia-se agora uma estratégia oposicionista de minar o PSB para mostrá-lo como um partido cheio de fragilidades. Ciro até admitiu que a legenda tem pontos fracos. Contudo, disparou: “somos um partido médio e a festa de branco que marcaram para o Brasil determina um confronto entre PT e PSDB de São Paulo projetado para o País. Nós achamos que essa festa não é de branco. É uma festa do povo e queremos o nosso lugar nela”.

O presidenciável assinalou que discussões estão sendo travadas dentro do chamado “bloquinho”, formado na Câmara Federal por PSB, PDT, PCdoB, PMN e PRB para sua candidatura ser viabilizada. Porém, assumiu não saber como a aliança será firmada, visto a resistência dos pedetistas de só aceitarem caso Lula dê o aval.

No tocante às declarações de Dilma de que, em breve, deve ultrapassá-lo nas pesquisas de intenção de voto, Ciro brincou: “vou me esforçar para crescer mais até chegar aos 80% de aceitação”. Em seguida, consentiu que a candidata oficial do presidente Lula tem condições de superá-lo “com muita tranquilidade”.

“Serra é a força do atraso”
Por fim, não poupou críticas ao maior opositor: o governador de São Paulo e também possível concorrente à Presidência, José Serra (PSDB). O deputado tipificou o tucano como “força do atraso” e disse que Serra representa uma ameaça ao Brasil, pois retomará o projeto neoliberal do governo Fernando Henrique Cardoso.

“É fato histórico e notório que gostaria que o povo esquecesse que o Serra foi ministro do FHC por oito anos. Eu, quando percebi que esse projeto estava fazendo mau ao povo, rompi. Eu fui pro deserto; o Serra continuou no poder”, pontuou.

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Rizzolo: Ciro é um excelente nome. Político de personalidade forte, sabe falar a língua do povo, é sincero e tem uma visão desenvolvimentista. O fato de se ” ambientar” com o eleitorado paulista não entendo como sendo um problema; muito pelo contrário, sua forma nordestina de falar aliada à sua cultura, pode fazê-lo subir num curto espaço de tempo. Agora, esta afirmativa de que a mudança de domicílio eleitoral foi contra sua vontade não passa de jogo político. Ciro que é Advogado, deve ter todo o apoio da classe jurídica em São Paulo, pois precisamos voltar a ter políticos de peso advogados, não se trata de um apoio político pessoal meu, mas entendo que deve haver um compromisso maior por parte da classe, em relação aos políticos advogados. É isso aí.

Com discurso afinado ao de Ciro, Chalita se filia ao PSB

Em um evento para 400 pessoas, com direito a fogos de artifício e bateria de escola de samba, o PSB recebeu seu mais novo filiado, o vereador de São Paulo Gabriel Chalita.

Chalita deixou na semana passada o PSDB, disparando críticas ao governador do Estado, o tucano José Serra, que deve concorrer ao Planalto no ano que vem, e se disse admirador do deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), que já declarou querer concorrer á Presidência.

Ao lado de Chalita, Ciro foi ovacionado durante toda a cerimônia com o refrão: “Brasil para frente. Ciro Presidente”. Um painel com as cores do partido, amarelo e vermelho, ocupava toda a parede, atrás do palco, com imagens do ex-governador Miguel Arraes, do governador de Pernambuco Eduardo Campos, Ciro Gomes e Chalita.

Marcaram presença na cerimônia de filiação líderes do PT. Apesar de trabalhar por uma candidatura própria, o PSB compõe a base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o PSDB, legenda de Chalita até a semana passada, faz oposição a Lula.

Troca de elogios

A ida de Chalita ao PSB tem por objetivo a disputa ao Senado Federal nas eleições de 2010. Contudo, líderes do PSB deixaram antever a possibilidade de lançar o ex-tucano ao cargo de governador de São Paulo.

Chalita disse preferir o Senado, mas Ciro elogiou a possibilidade do novo correligionário concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. O deputado federal chegou a dizer que Chalita seria um candidato a governador melhor do que ele próprio.

“Tenho mais experiência que ele, mas ele tem mais intimidade com São Paulo e representa muito mais o novo do que eu.” Chalita retribuiu o elogio ao seu companheiro de partido: “Meu candidato (para a Presidência) é Ciro Gomes”, afirmou.
globo

Rizzolo: Chalita é um bom nome. E olha sinceramente acho que para ele a troca foi boa, vez que no PSDB não havia espaço. Contudo do ponto de vista ideológico, Chalita nunca foi de esquerda, com certeza vai ter que se desdobrar ideologicamente e mudar o discurso. Esse é o problema do Brasil, os políticos não seguem uma linha lógica ideológica partidária. Por exemplo, sempre tive um discurso de esquerda sem ser de esquerda. Me considero muito mais defensor dos pobres, na minha retórica em meus escritos, do que aqueles que pendurados num partido pululam – e isso nada tem a ver com Lula – de partido a partido porque no Brasil o que importa é o candidato e não a agremiação partidária, e então assistimos a estas confusões.

Com isso posso me considerar respeitado tanto pela direita quanto pela esquerda, jamais traí minhas idéias e jamais me amoldarei a qualquer partido, o partido sim é que terá que se amoldar a minhas idéias, por isso me aproximaria apenas de um partido que se afinasse com minhas idéias. Pretensão? Não, fidelidade a minha visão c=política,, aos meus leitores, ao meu amor pelo Brasil. Sucesso a Chalita, ele merece.