Exército colombiano denuncia ataque das Farc a partir do Equador

BOGOTÁ, 26 Abr 2008 (AFP) – O comandante do Exército da Colômbia, general Mario Montoya, denunciou neste sábado que a guerrilha das Farc executou na sexta-feira, a partir do Equador, um ataque com explosivos que deixou um oficial ferido.

“Ontem (sexta-feira) às 11H15 locais (13H15 de Brasília) foram lançados cinco cilindros carregados de explosivos do território equatoriano para o território colombiano. O soldado Uriel Muñoz sofreu uma fratura e ferimentos no tórax”, disse à imprensa.

O general, que qualificou o ataque como um “atentado terrorista”, o atribuiu à frente 48 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

A denúncia militar colombiana acontece em meio à tensão diplomática com o Equador, após a ruptura de relações por parte de Quito depois do ataque do Exército colombiano a uma base das Farc situada em território equatoriano, perto da fronteira, no dia 1º março.
Folha online

Rizzolo: As Farc tem com certeza bases no Equador e conta com a complacência de Correa, um esquerdista de primeira linha. A Colômbia denuncia há vários anos que as Farc utilizam o território do Equador para preparar ataques contra as Forças Armadas e para fugir da perseguição militar, em meio ao conflito interno de mais de quatro décadas com milhares de mortos.

O grande problema dos governos neopopulistas é que na sua essência existe a cumplicidade ideológica que em nome dela tudo é permitido. A tentativa de se espalhar a guerrilha a partir de países da América Latina é grande, prova disso é a nova visão do governo americano em determinar comandos militares específicos para atuarem na América Latina, se preciso. É claro que o governo equatoriano vai negar essa incursão, no meu entender as acusações procedem. Todo cuidado é pouco.

Para o Brasil, Colômbia deve desculpas ao Equador

Lula saiu a campo para tentar auxiliar na obtenção de uma saída negociada do conflito diplomático que opõe Colômbia e Equador. Embora recuse a qualificação formal de “mediador”, o presidente conversou, nesta segunda-feira (3), com o colega colombiano Álvaro Uribe e com o equatoriano Rafael Correa. Deu-se depois de uma reunião com ministros, na qual Lula ouviu um relato do chanceler Celso Amorim.

A opinião do governo brasileiro foi explicitada, em entrevista, pelo chanceler Amorim. Segundo disse, a diminuição da temperatura depende de um pedido de desculpas da Colômbia ao Equador. Na conversa com Lula, Uribe dissera que, do seu ponto de vista, as escusas já foram manifestadas. Mas, a julgar pelo que disse Amorim, a manifestação deve ser mais enfática.

Segundo Amorim, o primeiro pedido de perdão de Uribe a Correa foi “acompanhado de outras condicionantes”. Por exemplo: a necessidade de combater eventuais ataques das Farc no território equatoriano. “Deve haver um pedido de desculpa não qualificado, que abaixaria a temperatura da crise. Algo que contribuiria e muito seria um pedido de desculpas não tão limitado”, sugeriu o ministro brasileiro.

A refrega diplomática, tonificada por manifestações em timbre belicista feitas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, será tema de uma reunião, nesta terça-feira (4), do conselho da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington. Para Amorim, vai à mesa um debate sobre a incursão militar da Colômbia em território equatoriano.

Uma incursão que o ministro condenou. Acha que houve “violação territorial é algo condenável. É uma infração que coloca em insegurança os Estados menores.” Amorim esquivou-se de jogar água na fervura representada pelo envolvimento de Hugo Chávez. “O incidente envolveu as forças colombianas e equatorianas”, desconversou.

De resto, o chanceler brasileiro manifestou-se confiante quanto às chances de que o encontro da OEA represente um primeiro passo rumo a uma solução negociada para o episódio que ele classifica assim: “É uma situação muito grave, que inspira muita preocupação.”

Blog do Josias

Rizzolo: Uribe se porta de forma a não colaborar no ” resfriamento” das relações com o Equador, muito menos aos ataques da Venezuela. O governo brasileiro age de forma sensata, e conduz da melhor forma diplomática o incidente, levando a Uribe a um mais explícito pedido de desculpas ao Equador. Tem-se a impressão que existe uma tentativa de enfrentamento e provocação tanto por parte de Uribe quanto de Chavez, que como disse anteriormente, se aproveita da situação para capitalizar simpatizantes da esquerda que ainda se impressionam com a voz alta e a roupa vermelha. Agora, não há a menor dúvida face aos documentos que surgem a cada dia provenientes dos computadores das Farc, que tanto Chavez como Correa sempre foram coniventes com a organização, o que é uma vergonha.

Não há que se falar no momento em eventual conflito armado, contudo, ao que parece, Uribe demonstra mais ânimo e preparo para uma eventual ação armada. Gosta de se portar como o representante dos EUA na América Latina. Uribe e Chavez são perigosos e ambos representam interesses opostos, a essência de um radicalismo que ainda sobrevive na pobre América Latina.

Chávez envia tanques à fronteira com Colômbia e fecha embaixada

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, enviou tanques para a fronteira com a Colômbia neste domingo (2), depois que tropas colombianas invadiram o Equador na véspera em uma ofensiva contra rebeldes das Farc.

Chávez também pediu o fechamento da embaixada da Venezuela em Bogotá e a retirada da equipe diplomática, alertando que as ações da Colômbia podem dar início a uma guerra da América do Sul.

“Senhor ministro da Defesa, mova 10 batalhões até a fronteira com a Colômbia, de imediato, batalhões de tanques”, disse Chávez durante seu programa semanal de rádio e TV.

O presidente venezuelano disse que falou na manhã desse domingo com o mandatário equatoriano, Rafael Correa. O Equador está “mobilizando tropas para o norte. Correa conta com a Venezuela para o que quer que seja, em qualquer circunstância”, assinalou Chávez.

“Não queremos guerra, mas não vamos permitir que o império nem o seu filhote nos venha debilitar”, acrescentou.

Equador
O Equador também retirou neste domingo seu embaixador em Bogotá, ao considerar como “transgressão” a operação colombiana que matou, em território equatoriano, 17 guerrilheiros das Farc, incluindo o número dois do grupo, Raúl Reyes, informou a chancelaria.

“O Equador resolver retirar, de imediato, seu embaixador em Bogotá frente aos graves fatos ocorridos na zona fronteiriça, que constituem uma transgressão dos princípios de soberania e integridade territorial”, afirmou o ministério em um comunicado.

Farc
As afirmações do governo colombiano de que o chefe rebelde Raúl Reyes foi morto no Equador “são pouco menos que uma infâmia”, disse nesse domingo a revista ‘Resistencia’, órgão de difusão das Farc, na primeira reação do grupo rebelde.

“Por agora, podemos assegurar que as afirmações do governo que dizem que nossos camaradas estavam na república irmã do Equador são pouco menos que uma infâmia”, assinalou ‘Resistencia’ em sua página na internet. Na mensagem, os autores pedem ainda que não se abale “o esforço em favor da troca humanitária e que continua o nosso processo de paz”.

Com agências internacionais
Folha online

Rizzolo: O presidente Hugo Chavez infelizmente está se perdendo numa “teia de aranha”. Depois da queda de sua popularidade, com a derrota nas urnas, se tornou um ” garoto propaganda das Farc “; Chavez se distancia cada vez mais do seu propósito inicial, que era estabelecer um socialismo democrático de mercado, se indispõe com vizinhos, se alia a grupos paramilitares, assusta a população venezuelana com seu radicalismo, e agora desta feita, numa manobra diversionista, emana gritos de guerra para demonstrar ainda mais sua incompetência na condução e no desenvolvimento de uma sociedade justa como outrora propunha.

Aqueles que ainda permanecem ao seu lado, o fazem constrangidos e desnorteados; a fantasia do socialismo do século vinte um, só não virou realidade por pura incompetência daqueles que como Chavez um dia, entenderam que o isolacionismo é uma virtude. O Brasil precisa saber avançar e recuar no âmbito diplomático, e nesse momento, entre a briga de Uribe e Correa, o melhor ” ad cautela” é se afastar de Chavez, e tentar acalmar os ânimos contenciosos entre os dois presidentes envolvidos.