CNI/Ibope: doença supera candidatura na citação a Dilma

BRASÍLIA – A doença da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, é mais conhecida entre os entrevistados ouvidos pela pesquisa CNI/Ibope que sua pré-candidatura à Presidência da República. Segundo o levantamento, divulgado hoje, o linfoma da ministra é a terceira notícia mais lembrada espontaneamente pelos entrevistados, com 10% das citações, enquanto a pré-candidatura teve 4% das menções.

A primeira notícia, com 15% das menções, é sobre a crise financeira internacional e seus efeitos no Brasil, seguida do lançamento do programa do governo de construção de casas populares, o Minha Casa Minha Vida, com 11% das citações. Os entrevistados eram questionados sobre quais foram as duas principais notícias sobre o governo que saíram na imprensa.

Também estão entre as mais citadas as viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China e à Turquia; os casos de gripe suína no Brasil; a criação da CPI da Petrobras; a redução do IPI para produtos como geladeira, fogão e máquina de lavar roupas; a doença do vice-presidente, José Alencar; e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A pesquisa foi feita entre os dias 29 de maio e 1º de junho, em 143 municípios.
agencia estado

Rizzolo: Realmente a doença da ministra ficou muito relacionada com a sua imagem. E isso é natural, como já mencionei em outro comentário, a ministra a ainda é uma desconhecida pelo povo brasileiro, e logo após suas aparições ao lado de Lula, surgiu a sua doença. Nada desmerecedor, ou que implique no avanço de sua candidatura, apenas uma anotação normal do ponto de vista midiático. O problema é que aqueles que torcem pela sua derrocada, aplaudem notícias como esta que pouco significam do ponto de vista eleitoral, pelo menos por hora.

Taxa de rejeição de Dilma é maior que a de Serra, diz pesquisa CNI/Ibope

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira mostra que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é o pré-candidato ao Palácio do Planalto com menor rejeição entre os eleitores. No total, 25% dos eleitores responderam que não votariam no tucano “de jeito nenhum” para a presidência, enquanto a rejeição à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) chega a 34%.

O governador Aécio Neves aparece com 35% de rejeição, enquanto o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), com 32%. A candidata com maior rejeição entre os eleitores é a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), com 40% dos eleitores que responderam que não votariam na pré-candidata do PSOL “de jeito nenhum”.

Para o diretor de relações institucionais da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Marco Antonio Guarita, a alta rejeição a Dilma e a outros pré-candidatos é consequência do desconhecimento da população a esses nomes.

“Há uma diferença muito grande de conhecimento dos pré-candidatos, o que aponta a rejeição. Candidatos menos conhecidos têm a probabilidade de ter uma rejeição maior, já que a rejeição ocorre em razão do desconhecimento”, afirmou.

Além de ter a menor rejeição entre os candidatos, Serra também aparece como o pré-candidato com maior aceitação junto à população brasileira. Segundo a pesquisa, 27% dos eleitores responderam que votariam “com certeza” no candidato tucano. Dilma aparece em segundo lugar, com 13% de aceitação, seguida pelo deputado Ciro Gomes, com 10%, o governador Aécio, com 8% e a ex-senadora Heloísa Helena, com 6%.

Entre os eleitores que poderiam votar nos pré-candidatos, sem ter a certeza, Serra e Ciro lideram empatados com 38%. Heloísa Helena aparece em segundo lugar, com 27%, seguida por Dilma, com 26%. Aécio aparece em último lugar com 21% dos eleitores que “poderiam votar” no tucano para o Palácio do Planalto.

Conhecimento

Segundo a pesquisa, o pré-candidato mais conhecido entre a população brasileira é Serra. No total, 31% dos eleitores responderam que “conhecem bem ou sabem muito” sobre o governador, enquanto a ministra Dilma é bem conhecida por somente 9 % dos eleitores.

Ciro Gomes, apontado como pré-candidato do PSB à presidência, aparece em segundo lugar sendo bastante conhecido por 13% dos eleitores, enquanto Aécio Neves é muito conhecido por somente 9% dos eleitores –empatado com Dilma e com a ex-senadora Heloísa Helena.

Serra também lidera quando a pesquisa questiona os eleitores se conhecem “mais ou menos” ou sabem alguma coisa sobre o pré-candidato. O tucano aparece com 45% das respostas, seguido por Ciro com 39%, Dilma e Heloísa Helena empatadas com 27% e Aécio com 20% das respostas.

Quando os eleitores foram questionados se “nunca ouviram falar” nos pré-candidatos, Aécio aparece em primeiro lugar com 21% das respostas, seguido por Dilma, com 15%. Em terceiro lugar aparece Heloísa Helena, com 11%, depois Ciro, com 4% e Serra com apenas 1% das respostas.
folha online

Rizzolo: Ainda é muito cedo para uma avaliação. É bem verdade que Dilma ainda é uma desconhecida para o povo brasileiro, mas o avanço da pré candidata, demonstra que sua popularidade pode crescer muito. Esta questão da transferência de votos de Lula, ainda é por demais controversa. Serra por sua vez, já foi ministro da saúde, e fez uma gestão impecável. Serra é um administrador, aliás mais administrador do que político, e isso, por vezes atrapalha. Só o fato de não estar no centro da mídia já o faz diferente.

Dilma Rousseff é mais afinada com um projeto de Brasil inclusivo, de uma presença mais forte do Estado, mas este componente pode facilmente se tornar nulo, se Serra em sua campanha abarcar os programas de Lula, neutralizando os possíveis receios da população pobre, que viu suas vidas melhorarem. O governador Serra precisa falar mais, aparecer mais, colocar suas idéias ao povo, e se tornar mais popular, como Aécio Neves, afinal, como diz o povo, quem não aparece não é lembrado.

Copom aumenta juro mesmo com a inflação sob controle

Selic sobe de 11,75% para 12,25 e juro real no Brasil é o maior do mundo: 6,9%

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) aumentou outra vez os juros básicos. A taxa com a qual bancos e outros especuladores sangram o Tesouro, ancorando nela as suas próprias taxas de juros, passou de 11,75% para 12,25% ao ano. A taxa real (isto é, descontada a inflação) passou a ser 6,9%, outra vez a maior do mundo.

Dentre os países que adotam o sistema de metas de inflação, o Brasil ficou abaixo do limite da meta

O pretexto foi a inflação, que, segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, está ameaçando a economia. Porém, como ela está perfeitamente dentro da “meta” (uma banda que vai de 2,5% a 6,5%), a tese agora é a de que a inflação tem que estar no “centro” da meta (4,5%). Senão, provavelmente, um tsunami vai transportar Brasília para Bora-Bora, ou alguma outra desgraça, tão real quanto esta. Resta saber porque o próprio Meirelles propôs uma banda como meta, se somente o centro dela é que importa.

Ao lado, o leitor poderá ver um dos gráficos apresentados pelo ministro Guido Mantega no balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), também na quarta-feira. Percebe-se, pelo gráfico, que a inflação em quase todos os países que usam o sistema de metas ficou acima da banda anteriormente definida como meta. No entanto, o céu não desabou sobre os habitantes desses países, nem os juros foram catapultados para a órbita de Plutão porque a inflação ficou acima da meta.

Já o Brasil, considerando-se a inflação de 12 meses até abril, ficou 1,5% abaixo do limite máximo da meta. Entretanto, Meirelles e o BC aumentaram os juros – e com a perspectiva de continuar aumentando-os até, dizem os asseclas de Meirelles, atingir 14,25% em dezembro (cf. o site da famigerada “Veja”). Como notou o ministro Mantega, outro dos três países que ficaram com a inflação abaixo do limite da meta, o Canadá, encontra-se com a economia paralisada – e, poderia acrescentar, os juros canadenses também são quase insignificantes diante dos brasileiros.

ALARDE

Na verdade, quase todos esses países têm taxas básicas de juros imensamente menores do que as do nosso. Os que mais se aproximam do Brasil são a Austrália (5,5%) e a Turquia (5,3%). O quarto lugar do mundo, a Colômbia, tem uma taxa de 3,7% e o quinto, o México, 2,6%. Todos os outros países têm taxas inferiores, mesmo a maioria deles ultrapassando a meta de inflação.

Porém, apesar disso, o México não aumentou sua taxa de juros porque a inflação excedeu a meta em 0,7%, nem a Colômbia – apesar de toda a subserviência aos EUA do seu governo atual – aumentou-a porque a inflação ficou 1,4% além do teto da meta. Nem o Chile, cuja inflação ultrapassou em 4,5% a meta, ou a Islândia (4,7% a mais) ou a África do Sul (3,8% além da meta) pensaram em fazê-lo, apesar dos juros nesses países, se comparados aos do Brasil, parecerem quase microscópicos.

No entanto, se acreditássemos na conversa de Meirelles, qualquer desses países teria mais razão do que o Brasil para aumentar os juros – sob pena, supõe-se, de desaparecer do mapa se não o fizesse. Mas nenhum deles desapareceu, nem aumentou os juros.

Certamente, é inútil procurar alguma coerência em Meirelles, exceto se considerarmos seu verdadeiro objetivo: frear o crescimento, alcançado pela política do presidente Lula, em especial pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não existe, a rigor, razão econômica para aumentar os juros agora e bloquear o crescimento. A ação do BC é, cada vez mais abertamente, política.

Meirelles & sequazes passaram semanas alardeando que a demanda (ou seja, o consumo da população) estava demasiadamente aquecida, ou, até mesmo, “superaquecida”; que havia um desequilíbrio entre oferta (produção) e demanda; que esse suposto desequilíbrio já estava levando a um surto inflacionário, que exigia aumentos de juros consecutivos para refrear o consumo.

FREIO

Na segunda-feira, véspera do primeiro dia da reunião do Copom, o IBGE divulgou que a indústria havia crescido, no mês de abril, 10,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. Esse resultado significativo indicava que a oferta, a produção, estava avançando mais do que o consumo – portanto, era impossível o “superaquecimento” da demanda e o “desequilíbrio” propalado por Meirelles.

Mais ainda quando esse resultado da indústria foi obtido sem que a sua capacidade ocupada (isto é, a parcela da capacidade do maquinário efetivamente usada na produção) sofresse alteração. Como revelou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a utilização da capacidade instalada ficou em 83,2% em abril, contra 83,1% em março. Portanto, quase 20% da capacidade instalada permaneceram sem utilização, mesmo com o aumento na produção – o que significa que os investimentos estão aumentando a capacidade da indústria a tempo de suprir o aumento de consumo, e que a folga da indústria para continuar aumentando a produção é, no momento, de quase um quinto da sua capacidade.

Pois bem, leitores, em 24 horas apareceram asseclas de Meirelles argumentando que o aumento da produção tornava ainda mais urgente o aumento dos juros. Porque, desse jeito, o povo ia se entusiasmar com a fartura de produtos à sua disposição (ainda por cima, mais baratos, ou seja, com possível inflação em queda) e ia começar a comprar, comprar, comprar, até que a indústria não tivesse capacidade de suprir a demanda desses tresloucados, sempre querendo comprar alguma coisa, aumentando, assim, a inflação. Logo, aumento de oferta só serve para aquecer a demanda, inflação em queda só serve para aumentar a inflação e crescimento da indústria só serve para aumentar juros.

Pelo jeito, o ideal de Meirelles é uma indústria que não venda os seus produtos e consumidores que não os comprem. Portanto, uma indústria que não produza, por falta de compradores, e consumidores que não consumam, por falta de dinheiro. Se a indústria cresce em relação ao consumo, é preciso aumentar os juros. Se o consumo cresce em relação à produção, também é preciso aumentar os juros. Sempre é preciso aumentar os juros para que o país não cresça.

Mas, voltemos ao gráfico: os EUA não constam dele, porque não usam metas de inflação – eles inventaram o sistema para os outros usarem, não para eles usarem. Veja-se o que diz o grande sacerdote da religião, quer dizer, do sistema de metas, Edwin Truman, ex-secretário-assistente do Tesouro dos EUA e ex-diretor do banco central americano. Em resumo, junto com o sistema de metas de inflação, eles inventaram uma classificação de países que os livra de usar o vomitório que receitam para os demais (cf., Edwin Truman, “Inflation Targeting in the World Economy”, 2003).

Porém, pela classificação de Truman, nós também não precisaríamos mais desse estrupício, uma vez que já atingimos inflação baixa, portanto estaríamos dispensados de, como ele diz, “sacrificar” a economia. Mas como tudo é encenação para roubar os outros países, basta um Meirelles no Banco Central que esses problemas de coerência estão automaticamente resolvidos. Afinal, nunca se ouviu falar de um ladrão que deixasse de roubar por considerações teóricas. Nessas horas, a teoria é enviada para o lixo sem precisar de substitutas, pois o negócio é roubar. E o resto que se dane.

CARLOS LOPES
Hora do Povo

Rizzolo: Como sempre a política daqueles que querem frear o desenvolvimento do Brasil, acaba prosperando. Exatamente aqueles que não querem um Brasil com desenvolvimento acabam utilizando-se de argumentações vazias para justificar sua política econômica perversa. No texto acima de Carlos Lopes, podemos inferir no quadro apresentado por Mantega, a posição em relação à questão inflacionária no que diz respeito ao desvio das metas dos demais países. Não é possível que num País como o Brasil em que precisamos gerar por ano 5 milhões de novos empregos, insiste-se nessa política retrógrada que visa apenas prestigiar especuladores de plantão.

O foco para combater a inflação deve ser o desenvolvimento, visando um aumento da produção, um aumento do mercado interno, só assim poderemos como a China, diminuir a ” ameaça” da inflação, que diga-se de passagem nem existe. Vamos crescer e aumentar a oferta, mas isso o Meirelles, o Copom, e os especuladores não querem, querem a inflação agora no “centro da meta”. Com isso querem transformar a inflação numa pauta política e pouco técnica.