Começa a disputa pelo controle da CPI dos cartões

Governo reivindica presidência e relatoria da comissão

Planalto tenta impingir petista Luiz Sérgio como relator

Oposição rejeita nome e reivindica assento na direção

Garibaldi convoca líderes partidários para uma reunião

Nas pegadas do acordo que pôs de pé a CPI mista dos Cartões, com a participação de deputados e senadores, governo e oposição começaram a medir forças nova disputa. Envolve a definição dos congressistas que vão comandar a investigação. São duas as funções mais relevantes: presidente e relator da CPI.

O governo trama para controlar os dois postos. Quer acomodar um senador do PMDB na presidência e um deputado do PT na relatoria. A oposição torce o nariz. Invocando a praxe legislativa, PSDB e DEM reivindicam um dos dois assentos. Em meio à nova queda-de-braço, o presidente do Congresso, Garibaldi Alves (PMDB-RN), convocou para as 11h desta terça-feira (12) uma reunião dos líderes partidários. Fará um apelo à concórdia.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), diz que agora é que vai ficar claro se o governo deseja ou não investigar a encrenca dos cartões. “Vamos ver logo se a cosia é pra valer ou não se é brincadeira quando forem anunciados os nomes”, diz ele. O blog apurou que o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ, na foto), líder do PT na Câmara, é o nome preferido do Planalto para exercer as atribuições de relator da CPI.

“Se isso se confirmar, será um péssimo começo”, diz Sérgio Guerra. Mais cedo, Arthur Virgílio (AM), líder tucano no Senado, aplaudira o nome de um outro petista: “Me dizem que querem entregar a relatoria ao deputado José Eduardo Cardozo [PT-SP]. É um ótimo nome.” O problema é que, embora tenha sido mencionado nos subterrâneos do Congresso, a “opção” José Eduardo foi logo suplantada pela “alternativa” Luiz Sérgio, considerada mais “confiável” aos olhos do governo.

No encontro agendado por Garibaldi Alves, PSDB e DEM exigirão presença na mesa diretora da CPI. Embora exista, a praxe da divisão já foi rompida sob Lula e também sob FHC. No limite, o presidente do Congresso terá de recorrer à matemática, aferindo a representatividade de cada bancada. “Na mão grande, ninguém vai levar”, antecipa-se Arthur Virgílio.

Blog do Josias / Folha
Escrito por Josias de Souza às 20h16

Rizzolo: As falcatruas são de tal monte, que existe já uma briga por parte do governo em direcionar a base aliada para blindar a CPI. Ora, o Partido dos Trabalhadores, o governo, deveria ter o mínimo de dignidade e deixar a condução equilibrada com a oposição. O desgaste político, já ocorreu, os problemas do PT de ordem ética, de probidade administrativa, de gestão, já são por demais conhecidos pelo povo brasileiro; Lula tenta se isolar do partido, dos ministérios, mas enganar duas vezes é impossível. Já o PSDB no governo de São Paulo, se perde nas explicações, alegam uma ” natureza diversa” dos saques, do tipo de cartão, enfim, tentam justificar o injustificável. Merece, sim, uma investigação rigorosa. No frigir dos ovos, ao que parece, é que estamos vivendo uma falta de novos valores, do rigor, da probidade administrativa, e isso é muito perigoso. Quando uma sociedade se desilude, abrem as portas para que aventureiros com vocação fascista surjam, assim foi na Alemanha de Hitler, e aqui estamos caminhando para um sentimento político de desilusão. Isso é grave, isso é preocupante.