Crianças e o Holocausto

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crianças judias de uma escola dutch portando suas estrelas amarelas

* por Rabino Chefe da Inglaterra, Professor Jonathan Sacks

Depoimento

A morte de uma criança é difícil de entender. O assassinato de uma criança é ainda mais difícil. O assassinato de um milhão e meio de crianças é impossível de compreender. E mesmo assim os líderes nazistas decretaram que, juntamente com todos os judeus adultos, as crianças judias também deveriam ser exterminadas.

A aniquilação foi quase completa: menos de dez por cento das crianças judias sobreviveram na Europa ocupada pelos nazistas. Os filhos não foram poupados do sofrimento e tortura imposto aos pais. Pelo contrário, como não podiam obedecer ordens e trabalhar, eram tratados ainda mais duramente.

Por exemplo, quando eram feitas as rondas, as crianças eram atiradas pelas janelas ou arrastadas pelos cabelos para serem jogadas nos caminhões. As crianças não foram poupadas da segregação, estigmatização, uso da estrela, superlotação, esconderijo, rondas, fuzilamento, deportação, trabalho escravo, campos de concentração, tortura, experimentos médicos, humilhação e assassinato. Muitas morreram através de inanição deliberadamente induzida, frio e doenças.

As experiências com crianças judias (menores de 13 anos) na Europa durante o Holocausto foram variadas. O mais comum, no entanto, era a constante e avassaladora sensação de medo que aquelas crianças enfrentavam diariamente. Nos primeiros anos, enfrentavam as mesmas humilhações pelas quais seus pais passavam; discriminação racial e abuso por parte dos colegas (e adultos, com o apoio do Estado), segregação da sociedade, expulsão das escolas e de toda a vida pública.

Algumas crianças judias eram escondidas dos nazistas. Eram dadas para amigos ou vizinhos não-judeus que fingiam ser os verdadeiros pais. Algumas vezes esses não-judeus escondiam as crianças por consciência ou caridade; outras vezes (com freqüência) exigiam pagamento para fazer isso. Alguns abusavam das crianças judias aos seus cuidados, verbal, física ou sexualmente.

Algumas das crianças escondidas dessa maneira tinham permissão de se misturar na sociedade não-judaica, embora naturalmente disfarçadas de cristãos. Como os meninos judeus eram circuncidados, estavam sempre em perigo porque era fácil conferir sua identidade religiosa. Para proteger seus filhos, algumas mães judias disfarçavam os filhos de meninas, ensinando-os a sentar para usar o toilete em caso de alguém suspeitar que eram meninos.

Nestes casos, porém, a criança tinha de manter a fachada de não-judeu, adotar um novo nome, aprender preces cristãs, e assim por diante. Ao final da guerra, algumas dessas crianças tinham esquecido quem eram suas famílias originais e até seus verdadeiros nomes.

Outras crianças foram escondidas durante toda a guerra. Sobreviveram em sótãos, porões, celeiros e outros esconderijos, às vezes com o conhecimento dos donos daqueles locais, outras sem que os proprietários soubessem. Algumas crianças não viram a luz nem tiveram refeições adequadas, e tiveram de procurar ou mendigar bocados de comida durante anos.

“Como crianças podem lidar com algo tão horrível?” perguntei a minha prima israelense anos depois enquanto tomávamos um café num terraço ensolarado com vista para o Mediterrâneo. “Naqueles tempos, as crianças não eram crianças,” disse ela baixinho. “Deixamos de ser crianças para enfrentar a morte.”

Fonte: site do Beit Chabad

Tenha um sábado feliz e uma semana de paz !

Fernando Rizzolo

Quando Papai Noel chora…

Hoje, enquanto a maioria dos lares cristãos do Brasil reúnem seus familiares num almoço já tradicional, vasculhei os jornais para saber e avaliar o que é um Natal no Brasil na era Lula. Com todo o avanço, que sem dúvida houve, em relação à população pobre, uma notícia salta aos olhos de quem de forma desprevenida como eu, no meu Natal solitário, se depara com a triste constatação: Papai Noel chora.

Uma reportagem do jornal francês Le Fígaro, afirma que comida – e não os tradicionais brinquedos – ocupam o topo da lista de desejos das crianças brasileiras neste Natal. O artigo, publicado nesta terça-feira, relata a experiência da chamada Operação Papai Noel, em que os Correios expuseram em suas agências uma parte das dezenas de milhares de cartas enviadas todos os anos por crianças e endereçadas ao ‘bom velhinho’.

“A abertura das cartas revelou uma realidade bem mais triste: a maioria (das crianças) não pede brinquedos ao Papai Noel, mas alimentos. No Estado de Pernambuco, este é o caso de 60% das 11 mil cartas recebidas. As crianças desejam receber bolos, queijo, peru. Geralmente, querem apenas uma cesta básica.”

Num Brasil em que a elite política de forma egoísta, vira as costas e nega R$ 40 bilhões de reais à saúde, educação, e dignidade, existem crianças com fome, e que pedem não brinquedos, mas imaginem vocês, querem comida. Num Brasil injusto, onde a financeirização da economia é coroada com os lucros amorais dos bancos, banqueiros contam ainda com o apoio integral de um presidente eleito com os 58 milhões de votos, na sua maioria de excluídos, que nele acreditaram e depositaram suas esperanças. O mesmo presidente, que afirma também, estar ” pouco preocupado com a perda dos R$ 40 bilhões”, evitando confronto com os donos do capital.

De que adianta a explosão do consumo, de que serve um crescimento que deverá superar 5% neste ano, se ainda o sonho das crianças pobres é se alimentar ? Isso é justo? Enquanto Lula alerta D. Cappio a ter juízo, e insiste em beneficiar grandes empreiteiras, o sonho de um Brasil melhor se foi. Hoje Lula e o PT vergonhosamente contam com o apoio da esquerda brasileira, essa esquerda que eu abandonei, e que muitos abandonarão, a preferirem nada ser do que estar do lado daqueles que desprezam os pobres a custa de seus interesses. Não é ético um alinhamento nem com direita nem com essa esquerda, que infelizmente é oportunista.

Os poderosos contam com Lula e o PT e a esquerda brsaileira, que disputam o filão da elite dos banqueiros e das empreiteiras com o PSDB e o DEM. Não se fazem mais pessoas da estirpe de Dom Aluísio, hoje o grito de D. Cappio é calado por Lula, o dedo em riste do Dr. Jateno é vencido pela Fiesp, vivemos um momento ambíguo, de desenvolvimento e miséria, de disputa política e ética, de oportunistas e aproveitadores. Sabatella chora, e o Papai Noel não se conforma com os pedidos nas cartinhas. Tomo mais um gole de vinho no meu Natal solitário, olho o texto mais uma vez, e penso: Lula não acredita em Papai Noel.

Fernando Rizzolo