Ipea mostra caminho para eliminar riscos de apagões no país

As obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o setor elétrico são insuficientes para eliminar o risco de apagão de energia nos próximos anos. Essa avaliação está no estudo dos economistas Bolivar Pêgo e Carlos Álvares da Silva Campos Neto, da área de planejamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Eles observaram dois cenários e em ambos constataram que a meta de geração do PAC não é suficiente para atender um aumento da demanda de 6,5% ao ano.

“Apesar da relevância dos investimentos do PAC, estes não são suficientes para eliminar um possível risco de insuficiência da oferta de energia elétrica no Brasil, ainda que se considere não haver atrasos no cronograma de suas obras”, afirma o texto. A conclusão do estudo “O PAC e o setor elétrico: Desafios para o abastecimento do mercado brasileiro (2007-2010)”, ressalta que a garantia de abastecimento do mercado, até 2013, “está correndo sério risco”.

Um dos cenários avaliados utiliza dados do Ministério de Minas e Energia. Os números mostram que o país chegará a 2010 com déficit de 9,3 mil MW (megawatts) – que poderá chegar a 13,5 mil MW no ano seguinte. “Tal cenário indica dificuldades crescentes de garantia de abastecimento do mercado de energia elétrica para os próximos anos”, aponta o estudo.

No segundo cenário, mesmo com a adição prevista de 12.386 MW de obras do PAC, os economistas indicam que não serão suficientes para atendimento do crescimento da demanda de 6,5% no período, calculada com base em incremento do PIB de 5% ao ano.

O estudo acrescenta que “algumas medidas devem ser tomadas para amenizar o risco de desabastecimento”. Entre elas, viabilizar dois ou três navios conversores de Gás Natural Liquefeito (GNL), aumento da capacidade das caldeiras das usinas térmicas movidas a bagaço de cana, além da entrada em operação das térmicas movidas a óleo combustível.

Fonte: Valor Econômico

Rizzolo: Não existe crescimento sem a demanda de energia, fica claro através deste estudo, que em 2010 a 2011 o cenário energético ficará crítico. Uma das medidas que não compõe o escopo técnico que é o essencial, é claro, é a diplomacia. Eu mesmo já havia dito e escrito um artigo na Agência Estado, analisando como foi providente a postura diplomática por parte do governo em relação à Bolívia quando da nacionalização dos hidrocarbonetos. A direita gritava até para uma invasão naquele País, o governo não os ouviu e agiu com prudência. Agora o que falta neste governo é planificação, competência em gestão, olhar adiante. O que se tem feito nessa área energética? O que eu tenho visto é muita conversa e pouca ação, até para não admitirem os erros.