Fidel Castro: Não creio que alguém tenha sido mais caluniado que os judeus

LA HAVANA (CJL) – “Não creio que alguém tenha sido mais caluniado que os judeus” refletiu Fidel Castro em uma entrevista concedida a um jornalista norte-americano, na qual falou, entre outras coisas, sobre Irã, Israel e Estados Unidos, sua percepção sobre os judeus e o antissemitismo.

“Castro iniciou nosso primeiro encontro contando-me que havia lido meu artigo e que este confirmava sua opinião de que Israel e Estados Unidos se dirigiam precipitada e gratuitamente a um enfrentamento com o Irã. Esta interpretação não é de se surpreeender: Castro é o ?avô? do anti-americanismo global e tem sido um duro crítico de Israel. Sua mensagem a Binyamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, disse, era simples: Israel somente terá segurança se renunciar o seu arsenal nuclear, e o resto das potências nucleares do mundo somente terão segurança se elas também renunciarem as suas armas.

Mas a mensagem de Castro a Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã, não foi tão abstrata. Ao largo desta primeira conversa de cinco horas, Castro repetidas vezes voltou a sua crítica ao antissemitismo. Criticou muito a Ahmadinejad por negar o Holocausto e explicou que para o governo iraniano seria mais útil à causa da paz se reconhecesse a história “única” do antissemitismo e tratasse de entender o porquê os israelenses temem por sua vida.

Começou seu discurso descrevendo seus primeiros encontros com o antissemitismo, mesmo sendo ainda um menino. “Recordo-me de quando era pequeno -há muito tempo-, quando tinha cinco ou seis anos, e vivia no campo”, disse, “e lembro da Sexta-Feira Santa. Que clima respirava um menino? ‘Silêncio, Deus foi morto’. Deus morria todos os anos entre a quinta-feira e o sábado da Semana Santa, e isso deixava uma profunda impressão em todos. O que aconteceu? E me diziam: ‘Os judeus mataram Deus’. Culpavam os judeus de matarem Deus! Você se dá conta disso?”

E prosseguiu: “Pois bem, eu não sabia o que era um judeu. Conhecia um pássaro que era chamado ?judeu? e então, para mim, os judeus eram esses pássaros. Essas aves tinham um grande nariz. Nem sequer sei por que os chamavam assim. Isso é o que me recordo. Assim, de ignorância, e o mesmo ocorria com toda população.”

Explicou que o governo iraniano devia entender as consequências do antissemitismo teológico. “Isso durou cerca de dois mil anos”, disse. “Não creio que alguém tenha sido mais caluniado que os judeus. Eu diria que muito mais que os muçulmanos, porque os culpam e os difamam por tudo. Aos muçulmanos de nada os culpam.” O governo iraniano deveria compreender que os judeus “foram expulsos de sua terra, perseguidos e maltratados em todo o mundo, por serem os que mataram a Deus. Ao meu ver, isso é o que aconteceu: seleção inversa. O que é seleção inversa? Ao longo de dois mil anos, foram submetidos a uma terrível perseguição, e logo, aos pogroms. Poderia haver quem supusesse que desapareceriam. Creio que sua cultura e sua religião os mantiveram unidos como nação.? Castro continuou: “Os judeus tem levado uma vida muito mais difícil que a nossa. Não há nada que possa se comparar ao Holocausto.” Perguntei-lhe se diria a Ahmadinejad o que estava me dizendo. “Digo isso para que você possa comunicá-lo”, respondeu.

Castro então, passou a analisar o conflito entre Israel e Irã. Disse entender os temores iranianos ante a uma agressão de Israel e Estados Unidos e agregou que, pelo seu modo de ver, as sanções estado-unidenses e as ameaças israelenses não dissuadiriam a dirigência iraniana de intentar possuir armas nucleares. “O problema não vai se resolver porque os iranianos não vão retroceder ante as ameaças. Essa é mina opinião”, assinalou. Logo destacou que, a diferença de Cuba, Irã é um “país profundamente religioso” e disse que os líderes religiosos estão menos dispostos a fazerem concessões.”

No final da entrevista, Fidel demostrou que realmente estava semi-retirado. O dia seguinte era segunda-feira, quando se supõe que os máximos líderes estejam ocupados trabalhando sem a ajuda de suas economias, prendendo dissidentes e coisas desse estilo. Mas, a agenda de Fidel estava aberta. Perguntou-nos: ?Gostariam de ir ao aquário comigo e assistir o espetáculo com golfinhos?”

Não estava seguro de haver entendido bem. E isso ocorreu varias vezes, durante mina visita. ?O espetáculo com golfinhos?”

“Os golfinhos são animais muito inteligentes”, disse Castro.

Disse-lhe que tínhamos uma reunião programada para a manhã seguinte, com Adela Dworin, presidente da comunidade judaica de Cuba.

“Que venha”, disse Fidel.

Alguém à mesa, mencionou que o aquário estava fechado às segundas. Fidel falou: “Amanhã estará aberto”.

E assim foi. Na manhã seguinte, bem cedo, depois de buscar Adela na sinagoga, nos encontramos com Fidel na escada do aquário. Ele deu um beijo em Dworin, não por acaso em frente a câmeras (outra mensagem para Ahmadinejad, talvez).

Fonte: Clarín – Pelo Jeffrey Goldberg. The Atlantic Monthly

Tenham um sábado de paz !

Fernando Rizzolo

Jungmann protocola carta de dissidentes cubanos a Lula

Depois de ler na imprensa que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alegou não ter recebido carta de dissidentes cubanos para prestar ajuda a condenados políticos, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) retirou cópia da correspondência de um site na internet e entregou pessoalmente ao gabinete da Presidência. “Agora, o presidente não poderá dizer que não recebeu a carta”, disse Jungmann. “Ele não poderá mais dizer que não sabia do problema dos prisioneiros de consciência de Cuba.”

A carta é assinada por 50 dissidentes cubanos que pedem a intermediação do governo brasileiro junto ao governo de Raúl Castro para revisão de penas. A soma do tempo de condenação dos que assinam a carta chega a 973 anos. Na carta, os dissidentes escrevem que foram injustamente condenados e muitos estão enfermos. Em cinco páginas, a mensagem cita casos de pessoas condenadas a 10 e até 30 anos de prisão.

Nas últimas semanas, Lula entrou em polêmica internacional por não se envolver com a questão dos dissidentes cubanos condenados por fazerem oposição ao governo castrista. Um grupo deles informou a agências internacionais que entregou a mesma carta, datada de 21 de fevereiro, à embaixada brasileira, mas o presidente disse que não recebeu a mensagem.

Em entrevista à Associated Press, Lula fez defesa da Justiça cubana e comparou presos políticos a criminosos de São Paulo. Após entregar a carta no gabinete de Lula no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência, Jungmann disse que Lula comete um equívoco ao fazer a comparação e lembrou que o próprio presidente foi um “preso político” durante o regime militar brasileiro. “Ele nivelou homens como Miguel Arraes, Luiz Carlos Prestes, ele Lula, e a ministra Dilma Rousseff, que foram prisioneiros políticos, a sequestradores, assassinos e estupradores que estão presos nas celas e nas unidades prisionais do Brasil”, afirmou o deputado. “Quem está preso em Cuba luta pela liberdade e pela democracia.”

Jungmann avaliou que o presidente deixou de lado a tradição brasileira de defender os direitos humanos para ganhar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. “O Brasil se aliou a tiranias do Sudão, do Irã e de Cuba”, afirmou. “O governo busca um assento que é um trono manchado de sangue”, completou.

A carta entregue pelo deputado ao gabinete de Lula é uma cópia retirada do site da Anistia Internacional na internet. “O senhor poderia ser um magnífico interlocutor para obter que o governo cubano se decida a fazer reformas econômicas, políticas e sociais urgentemente requeridas, avançar no respeito dos direitos humanos, conseguir a ansiada reconciliação nacional e tirar a nação da profunda crise em que se encontra”, escreveram os dissidentes.

A questão dos dissidentes voltou à tona no mês passado, quando o dissidente, Orlando Zapata, que estava em greve de fome, morreu na prisão. Zapata não está na lista dos que assinam a carta entregue ao gabinete da Presidência.

Rizzolo: Jungmann na realidade quer aproveitar um problema político interno de Cuba e explorá-lo politicamente, tentando com isso desqualificar o presidente Lula. O fato do presidente não querer participar ou intervir num problema interno de Cuba é um direito dele e acabou, alem disso concordo que greve de fome não é o melhor meio de se reivindicar direitos.

Cuba ‘celebrou’ dia dos Direitos Humanos com prisões, diz ONG

NOVA YORK – Autoridades cubanas prenderam mais de 30 pessoas nesta semana, quando foi comemorado o Dia Internacional os Direitos Humanos, disse na quinta-feira a entidade nova-iorquina Human Rights Watch, citando relatos da imprensa e de grupos cubanos.

A entidade afirmou que vários dos presos estavam se dirigindo a Havana para participar de passeatas na quarta-feira, quando foi comemorado o 60o aniversário da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“O governo cubano deveria libertar de forma imediata e incondicional os dissidentes que foram arbitrariamente detidos nos últimos dias”, disse a HRW em nota.

O governo cubano não se manifestou, mas costuma chamar os dissidentes de “mercenários” a soldo dos EUA.

A nota da HRW diz que alguns dos presos já foram liberados, mas não se sabe quantos permanecem detidos. Entidades do setor dizem que em outras ocasiões o regime cubano já deteve pessoas para impedir sua participação em protestos.

Cerca de 30 parentes e seguidores de dissidentes presos desde 2003 fizeram uma passeata em Havana na quarta-feira para marcar o Dia dos Direitos Humanos. Outro protesto marcado para a capital foi cancelado, por razões desconhecidas.

Recentemente, Cuba assinou dois acordos da ONU sobre direitos civis e políticos, e a União Européia em junho decidiu suspender as sanções que havia imposto a Cuba em 2003 por causa da prisão de 75 dissidentes — dos quais cerca de 50 permanecem encarcerados.

O chanceler Felipe Pérez Roque disse na quarta-feira que Cuba se submeterá no começo de 2009 a uma revisão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A Comissão Cubana para os Direitos Humanos, entidade ilegal mas tolerada pelo governo de Cuba, estima que haja cerca de 200 presos políticos na ilha. O grupo disse na quarta-feira que cerca de 50 pessoas foram detidas nesta semana para não participar de atividades em Havana.
Agência Estado

Rizzolo: A vocação pouco democrática do governo cubano é algo impressionante. Mais impressionante ainda, é como a esquerda da América Latina aplaude um governo como este. A verdade é que, Chavez, Morales, Correa, e outros, irmanados, aplaudem as atitudes de Cuba de forma silenciosa, ao mesmo tempo em que cortejam a política expansionista da Rússia e Irã. Cenário triste esse não?

Lula visita Cuba e se reúne com Raúl Castro

HAVANA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na noite de quinta-feira com o presidente cubano, Raúl Castro. Lula está em Cuba para assinar um acordo que possibilitará à Petrobras explorar petróleo em águas costeiras da ilha.

Lula chegou a Cuba no final da tarde. Pouco depois de sua chegada, a televisão estatal cubana mostrou imagens do encontro oficial entre Lula, Raúl Castro e suas respectivas delegações.

“Durante a visita (de Lula), será firmado um contrato de participação na produção de hidrocarbonetos entre a Cubapetroleos e a filial da Petrobras, Petrobras Middle East B.v”, disse o jornal oficial Granma.

Esta é a terceira visita de Lula a Cuba. Ele já esteve na ilha em setembro de 2003 e janeiro deste ano, quando assinou vários acordos de cooperação bilateral.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, acompanham Lula, que também vai comparecer à inauguração da sede local da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil, a Apex.

Na viagem de um dia, Lula convidará Raúl a participar da cúpula da América Latina e Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, nos dias 16 e 17 de dezembro no Brasil, disse uma fonte da delegação brasileira em Havana. Caso Raúl aceite o convite, será sua primeira viagem internacional desde que assumiu a Presidência, em fevereiro, substituindo o irmão doente, Fidel Castro.

A Petrobras já prospectou petróleo na ilha há cerca de 10 anos, mas não encontrou nada depois de investir 20 milhões de dólares na exploração.

A empresa brasileira deseja seguir os passos de outras seis petrolíferas, como a espanhola Repsol e a venezuelana PDVSA, que têm acordos de exploração com a estatal cubana para 28 dos 59 blocos disponíveis em águas profundas do setor cubano do Golfo do México.

Fontes brasileiras disseram que o acordo, que deve ser assinado na manhã desta sexta-feira, prevê a prospecção de petróleo em um bloco localizado próximo ao balneário de Varadero, a cerca de 140km a leste de Havana.

Cuba consome 150 mil barris diários de petróleo e derivados. Cerca de 92 mil são importados a preços preferenciais pela Venezuela, principal aliada política e econômica de Cuba.

O Brasil é o segundo maior sócio comercial da ilha, segundo dados oficiais. As trocas comerciais somaram 412 milhões de dólares em 2007, cerca de 10 por cento a mais que em 2006. O Brasil tem dito que quer se tornar o primeiro parceiro comercial de Cuba.

Durante a visita à ilha, Lula pode voltar a encontrar-se com Fidel Castro, que não aparece em público desde julho de 2006.
Agência Estado

Rizzolo: Pessoalmente não vejo problema algum na visita do presidente Lula à Cuba e seu encontro com Raul Castro. O encontro e a visita visam acordos comerciais, e isso não significa que o Brasil chancele a política retrógrada de Cuba em relação aos direitos humanos, e a conotação ditatorial do regime comunista na ilha. Agora, quando além das questões comerciais, se observa afagos, como o convite a Cuba participar da cúpula da América Latina e Caribe sobre Integração e Desenvolvimento, nos dias 16 e 17 de dezembro no Brasil, entendo que já é demais.

Integração e Desenvolvimento com um País que não respeita a democracia, os direitos humanos, é um absurdo; todos sabem da quantidade de presos políticos na ilha. O problema nessa seara diplomática, é a influência comunista petista que insiste na postura do presidente em afagar Chavez, Raul Castro, Morales, Correa e essa turma amantes de Mercedes Sosa.

Rússia pode posicionar bombardeiros em Cuba, diz jornal

SÃO PAULO – Bombardeiros russos com capacidade para levar armas nucleares pode ser posicionados em Cuba em resposta ao plano dos Estados Unidos de construir um sistema de defesa antimísseis no Leste Europeu, segundo afirmou o jornal russo Izvestia, citando fontes militares do país. Em resposta, um alto funcionário da Força Aérea americana, o general Norton Schwartz, afirmou nesta terça-feira, 22, que Moscou estaria cruzando “uma linha vermelha” se usar a ilha cubana para abastecimento de combustível de seus aviões.

Segundo o jornal americano The Washington Post, a reportagem relembra a crise do mísseis de Cuba em 1962, que quase desencadeou um conflito nuclear entre os Estados Unidos e a ex-União Soviética. Segundo a BBC, o incidente teve início quando aviões de espionagem americanos descobriram bases de mísseis soviéticos em Cuba, a pouca distância dos Estados Unidos. A decisão do governo soviético de enviar os mísseis a Cuba foi, na época, vista como uma resposta à expansão dos mísseis americanos na Europa.

Oficiais do Ministério da Defesa russo tentaram jogar água fria na notícia, afirmando que a história foi escrita por sob um nome falso e cita uma fonte em uma organização que não existe. O Izvestia, segundo aponta o Post, costuma ser usado como fórum para vazar estratégias do Kremlin. “Enquanto eles estão posicionando o escudo antimísseis na Polônia e na República Checa, nossos bombardeiros estratégicos estarão aterrissando em Cuba”, diz a fonte anônima citada pelo jornal.

O general Schwartz, cujo nome é considerado para ocupar o cargo mais alto da Força Aérea americana, afirmou ao Comitê de Armas do Senado que se a Rússia chegar a concretizar a instalação em Cuba, o país deve estar forte e indicar que isso é algo que cruza um ponto inicial, a linha vermelha dos EUA”. Ainda não está claro, segundo o Post, se a fonte sugeriu que a Rússia poderia reabrir a base em Cuba ou usar o espaço aéreo para escalas de seus bombardeios Tu-160 e Tu-95, que são capazes de atingir os EUA a partir de bases da Rússia.

A Rússia é contra a instalação do sistema de defesa americano no Leste Europeu, afirmando que este plano é uma ameaça à sua segurança. Recentemente, a Rússia disse que usará meios militares contra a instalação do escudo antimísseis perto de suas fronteiras. A chancelaria russa disse que o Kremlin seria forçado a usar “métodostécnico-militares”. O primeiro-ministro Vladimir Putin disse em 2007, quando era presidente, que o país poderia voltar seus mísseis contra países europeus caso o sistema fosse instalado.
Agência Estado

Rizzolo: É como eu sempre digo, existe sim uma mobilização da Rússia e da China no território da América Latina, nada é por acaso. Essa ” união” de Chavez com a Rússia, esse ” embalo” em não ser tão enérgico com as Farc, esse Conselho de Defesa Sul-Americano, essas fronteiras brasileiras abertas; para tudo isso existe um único contraponto real, firmes, em nome da democracia que podemos confiar, que é a Quarta Frota americana. Ah! Mas o Rizzolo agora entende que os EUA “são bonzinhos”, antes era um simpatizante de Chavez. Sim, antes, mas “antes de tudo” sou um democrata que sabe pular da barca na hora certa.

Não há dúvida que a democracia está em perigo na América Latina, só não vê quem não quer. Chavez se armando até os dentes- 4 bilhões de dólares em equipamento russo -, a possibilidade da Rússia posicionar bombardeiros em Cuba, a aquiescência dos governos de esquerda na América Latina em relação a Chavez e as Farc, tudo isso nos leva a um só caminho, darmos boas vindas à Fourth Fleet, e nos armarmos também. Ou estou errado?

Cuba elimina limitações salariais em nova reforma econômica

Pela primeira vez em décadas, governo anuncia que não haverá limite nos ganhos dos funcionários estatais

HAVANA – Cuba está reformando o sistema de salários estatais para criar mais incentivos e permitir que os trabalhadores ganhem de acordo com o que produzem, na última mudança do novo presidente, Raúl Castro, para melhorar os resultados do país, informou o governo nesta quinta-feira, 10. Pela primeira vez em décadas, Cuba anunciou que não haverá limite nos ganhos dos funcionários estatais, segundo a rede de televisão estatal da ilha.

“Pela primeira vez fala-se com clareza e precisão que os salários não terão limites. O teto do salário será a produtividade”, disse Ariel Terrero, um comentarista econômico, em entrevista à TV local. O Estado controla cerca de 90% da atividade econômica do país e emprega a maioria da força de trabalho, fixando os salários.

“Uma das razões da baixa produtividade é que há pouco incentivo salarial. Isto freia a produtividade, por isso os salários não aumentam”, afirmou Terrero. O comentarista apontou que a resolução foi firmada em fevereiro, mas ainda não havia sido divulgada no jornal oficial da ilha. Terreno indicou que a medida corresponde ao princípio socialista de que “cada qual (recebe) segundo seu trabalho e capacidade.”

Raúl Castro, que assumiu a presidência em fevereiro após a enfermidade de seu irmão, Fidel, disse que trabalharia para fazer os salários refletirem melhor o trabalho, uma das principais queixas da população cubana. “Constituiu hoje um objetivo estratégico de avançar de maneira coerente, sólida e bem pensada, para que os salários recuperem seu papel e o nível de vida de cada um tenha uma relação direta com suas receitas”, disse o novo líder cubano, em seu discurso de posse, em 24 de fevereiro.

O novo presidente também já começou a por em prática uma importante reforma no setor agrícola para criar melhor condições aos trabalhadores de empresas estatais e privadas. Além disso, revogou a proibição da venda de vários eletrodomésticos, entre eles computadores e DVDs, e liberou o uso de celulares. Raúl ainda aprovou uma medida que autoriza a hospedagem de cubanos nos hotéis da ilha, antes reservados somente a turistas estrangeiros.
Agência Estado

Rizzolo: Na realidade essa reforma econômica já devia ter sido anunciada ainda quando Fidel estava no poder, é claro, que só não foi por inviabilidade ideológica. Numa linguagem popular, poderíamos dizer que Fidel já tinha plena consciência do fator produtividade, todavia não ” tinha clima” para implementá-la. A fez por intermédio de seu irmão. A demora nas decisões baseada no receio de ” trair uma cartilha” ultrapassada, fez com que não só em relação a essa questão, mas em muitas, Cuba perdesse o ” bonde da história” e do desenvolvimento.

Com efeito, a ajuda da Venezuela supriu em parte as demandas econômicas, contudo agora existe um revisionismo e acredito ser um grande avanço. É lógico que alguns stalinistas no Brasil, antigos companheiros de partido, da época em que eu ainda acreditava no “romantismo socialista”, condenarão de forma velada essa atitude de Raul. Mas contra a natureza humana não há como lutar, a produtividade vinculada a salários sem limitações, poderá salvar Cuba e direcioná-la ao desenvolvimento. O socialismo tem que ser revisto através de nova ótica, a desenvolvimentista e a de mercado.

Pelo menos, o que se observa, é o fato de que a medida que o tempo passa, entendo que minhas idéias críticas em relação ao stalinismo não estavam erradas. O importante a salientar é que rompi com as idéias socialistas, sigo meu próprio caminho, mas tenho um carinho, admiração e respeito por todos os meu antigos companheiros comunistas, que hoje nem ao menos me procuram, nem para tomar um whiskey. Talvez entendam que me aburguesei. Ah! mas lembrem-se o Raul Castro também, viu !

Ao assumir lugar de Fidel, Raul acena com mudanças

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A Assembléia Nacional de Cuba reuniu-se, neste domingo (24), para “eleger” o “novo” presidente da ilha. Eleição, como sempre, sui generis. Nada de novo no front cubano. O candidato era único e conhecido. Confirmou-se no comando o general Raul Castro, 76, que já respondia pelos negócios de Cuba há nove meses, desde que Fidel, seu irmão mais velho, recolhera-se ao estaleiro.

De novo, apenas uma promessa. Ou, por outra, dois acenos. Raul prometeu “eliminar proibições” e rever o tamanho da máquina estatal cubana, tornando-a “mais eficiente.” Que proibições serão revogadas? Ele não disse. Qual será, doravante, o tamanho do Estado? Tampouco informou.

Sabe-se, por meios de vagas impressões e sentimentos dispersos, que a Cuba de Raul Castro caminha para uma transição de modelo. O que não se sabe é para onde transitará a ilha.

Diz-se que o irmão de Fidel é fã do modelo chinês, que mistura abertura econômica e fechamento político. A dissidência exilada em Miami espera pouco, mas pede muito: “Raul governa Cuba junto a Fidel há 49 anos. Não vemos nada de novo, somente a continuidade do regime”, diz, por exemplo, Janisset Rivero, do Diretório Democrático Cubano.

“As mudanças em Cuba somente vamos ver quando liberarem os presos políticos, quando forem legalizados os partidos políticos e forem convocadas eleições livres, não esta farsa eleitoral que fazem, e quando forem democratizados os meios de comunicação”, acrescenta Rivero.

O primeiro mandatário estrangeiro a felicitar o “novo” presidente cubano foi Hugo Chávez. Se depender do presidente venezuelano, Raul Castro deslizará rumo à mesmice: “Raúl sempre esteve ali, praticamente invisível, mas trabalhando o mais possível, fiel à revolução, ao povo cubano e fiel até a medula ao seu irmão mais velho, Fidel Castro.”

Blog do Josias/ Folha online

Rizzolo: Na verdade a mudança vai ocorrer mais do ponto de vista formal, não no conteúdo político; a idéia de uma dinamização do Estado, tornando-o menor e mais produtivo é essencial, até porque isso nunca foi feito. Num primeiro passo, acredito que Cuba seguirá um tipo de socialismo de mercado nos moldes da China, onde o poder centralizador continuará durante um bom tempo determinando as condutas econômicas. Chavez tem contribuído com petróleo barato, mas pouco pode interferir em questões primordiais como a suspensão do embargo americano.

Fica patente que se um governo democrático for eleito nos EUA, e quando digo democrático, neste caso me refiro a Barak Obama, que em suas declarações se diz a favor da suspensão desse imbecil embargo, a situação irá melhorara; os EUA tem interesse nos 11 milhões de consumidores cubanos.

O regime cubano, no meu entender, terá um dia uma democracia participativa, até por influência de outros países parceiros como a Venezuela. Contudo, na essência do pensamento político cubano ainda existem elementos pouco ambientados a liberdade de expressão, ao exercício do pensar, efeitos do anacronismo stalinista que imperou na ilha ceifando as idéias da intelectualidade. Talvez aquilo que os apreciadores da Lei de Imprensa pretendam um dia aqui impor, a mão pesada da Justiça para aqueles que se expressam contrários aos seus interesses.