O medo de acordar mais pessimista

Dizem que todo otimista é um mal informado, pelo menos o ditado serviu para confirmar as previsões do economista Nouriel Roubini que hoje comanda um dos portais econômico econômico-financeiros mais prestigiados do mundo, e Stephen Roach, presidente para a Ásia do banco de investimentos americano Morgan Stanley.

Há um ano, no mesmo painel de abertura de Davos, ele ficou isolado ao prever, no momento em que se começava a falar em problemas no mercado hipotecário americano “subprime”, que os Estados Unidos entrariam em recessão, afetando toda a economia global. Roubini se contrapôs a visões bem mais otimistas de economistas de altíssima reputação como Laura Tyson, da Universidade de Berkeley, e ex-conselheira da Casa Branca, e Jacob Frenkel, vice-presidente do grupo segurador AIG.

Ontem ao ser questionado por um jornalista brasileiro se concorda com a tranqüilidade demonstrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da crise financeira internacional, Roubini afirmou, “O Brasil e outros países da América Latina fizeram muitas coisas certas”, disse Roubini. “Acumulou superávits em conta corrente, regime cambial flutuante, fortaleceu suas reservas, implementou maior austeridade fiscal. A situação hoje é muito diferente do que vimos nas crises de 1999 ou 2002, não existe o mesmo risco.” Afirma também o economista que o Brasil teve boa sorte face aos preços das matérias-primas que fortaleceu a balança comercial, contudo acredita que com uma recessão nos Estados Unidos e uma desaceleração do PIB mundial causará uma queda nos preços das commodities, e disso dificilmente escaparemos.

Tenho dito que o Brasil não pode ter como meta ser só um exportador de matérias-primas, o que vemos hoje são os manufaturados estarem relacionados à existência de contratos de longo prazo, que podem não ser renovados caso o câmbio permaneça no nível atual, e isso tem muito a ver com as taxas de juros estratosféricas que só servem aos especuladores e dificulta, face ao dólar valorizado, as exportações principalmente dos manufaturados. E ao que parece, as taxas básicas não vão ceder, ontem o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu manter a Selic (taxa básica de juros) em 11,25% ao ano, percentual que está em vigor desde setembro. Só para terminar, o que esta ocorrendo no Brasil, faz com que até o otimista durma com medo de acordar pessimista.

Fernando Rizzolo