“Rolezinho”, uma nova estética social

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*por Fernando Rizzolo

Desde os primórdios da civilização um dos grandes desafios foi e tem sido entender as mudanças, sejam elas quais forem, tanto as interiores, do nosso ser, quanto as exteriores, com as quais convivemos. Conviver com uma nova situação que o destino nos impõe e nos adaptarmos exige um esforço racional que progride lentamente no interior da nossa alma, se assim podemos dizer.

É certo que uma vez constituído o hábito, essa convivência torna-se mais fácil – ou mais difícil, dependendo do teor da mudança. É notório que em todos os lugares podemos observar mudanças, transformações e movimentos dinâmicos. No meu caso, da mesa de café que ocupo neste momento em um shopping, onde desenho este texto, observo a grande maioria das pessoas a tentar se interiorizar através de seus celulares, fazendo da companhia ao seu lado algo secundário; até porque os casais, os amigos, cada um no seu silêncio, observa seu facebook, seu instagram, e os outros meios transformados rapidamente em prioridade pessoal.

Talvez essa falta de sociabilidade acabe explodindo através do uso desses mesmos meios e redes sociais, de modo que, de repente, todos se reúnam, num encontro desordenado, desajeitado. E mais, um encontro que carrega em si um conteúdo social de pouca autoestima, e que revela com cores bem nítidas que a juventude da periferia procura seu espaço no contexto de uma sociedade mais justa. Assim, nesse esteio de pensamento, o fenômeno do tal “rolezinho” é muito mais reivindicativo do que agressivo. É claro que me refiro aos jovens que querem apenas se reunir com os demais – e não vandalizar espaços públicos, o que é condenável.

Pensar sobre os “rolezinhos” leva à compreensão de que mesmo com toda a tecnologia, as redes sociais gigantescas e a inclusão educacional, os jovens da periferia ainda são por demais discriminados neste país. Acredito que num mundo conectado só podemos mudar uma sociedade se antes mudarmos nossos conceitos pessoais, e admitirmos que há, sim, a necessidade de coibir com energia atos de rebeldia e vandalismo, mas, acima de tudo, temos de respeitar esse jovem que vem de outra parte da cidade. Muitos desses participantes do “rolezinho” são universitários, muitos têm seu jeito típico de falar – a propósito, na periferia, os códigos de linguagem são ponto de honra do qual não se abre mão –, mas são meninos e meninas que querem, como qualquer jovem, conviver em grupo, seja em um shopping ou em qualquer outra praça moderna. Ao contrário de mim, que, sozinho, aqui, escrevo, observo e sou bem atendido, essa moçada talvez se sinta melhor, mais protegida, mais forte quando está em grupo. Talvez, entre iguais, seja mais fácil suportar o olhar enviesado do lojista, do segurança.

Mudar é difícil, mas se habituar a novidades faz bem e começa dentro do nosso coração. Talvez seja a hora de dar um “rolezinho” em nossa percepção e consciência, acostumada, talvez, a pessoas que, como eu, ainda têm o hábito de se vestir socialmente para ir ao shopping ou sair à rua. Faço parte de um tempo em que a aparência e o esmero eram quase sinônimos de boa educação. Não concebo sair de casa sem uma camisa bem passada, os cabelos bem penteados.
Mas é claro, tudo mudou; o mundo, as pessoas, as roupas, os códigos de conduta. Essa moçada dos “rolezinhos” talvez não se sente a uma mesa no shopping para escrever e tomar um café. Mas, certamente, esses jovens estão por aí, por aqui. E devem estar, porque, caso alguém não tenha percebido, é melhor dar um “rolezinho” reflexivo e perceber que o Brasil é deles também. Viva a nova estética social…

Kirchner repudia o muro que EUA constrói na fronteira com México

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“Esse indigno muro é uma afronta aos povos do mundo”, denunciou o presidente argentino ao discursar, dia 31, perante o Senado do México

Em visita oficial ao México, o presidente argentino, Néstor Kirchner, expressou na terça-feira, dia 31 de julho, seu repúdio à construção do “indigno muro” que o governo dos Estados Unidos decidiu construir na fronteira com o país, para impedir o ingresso de trabalhadores imigrantes.

Kirchner afirmou que a construção desse muro é “uma afronta contra todos os povos do mundo”, que fere “direitos essenciais do ser humano”. “Como militante político, não como presidente, e em nome da Nação Argentina, quero deixar claro o repúdio do meu povo, de quem vos fala e daqueles que me acompanham, à construção do indigno muro na fronteira entre a irmã nação mexicana e a nação dos Estados Unidos”, ressaltou.

Kirchner, em sua visita ao Senado, perante os parlamentares mexicanos, marcou, sob intensos aplausos, a sua posição de rejeição à construção de um muro de 1126 quilômetros, em vários trechos da fronteira com o México, idealizado pelo governo de George Bush. O projeto começou a tomar forma definitiva no final do ano passado, quando o Congresso norte-americano aprovou o financiamento da lei de segurança interna.

O governo de Felipe Calderón, já questionado pela fraude ocorrida na eleição presidencial, e com a sociedade mexicana revoltada com a barreira a ser instalada na sua fronteira exatamente por aqueles que se arvoram a dar aulas de ‘democracia’ para o mundo inteiro; foi forçado a se opor à medida.

CRISTINA

Nestor Kirchner, acompanhado pela sua esposa, Cristina Fernández, candidata à presidência do país, destacou que a Argentina condena a discriminação e o racismo e é “uma Nação comprometida com a integração”.

“Rogamos para que aqueles que estão construindo esse muro vergonhoso reconsiderem e entendam que o mundo tem que marchar por outros caminhos: o da paz, conciliação, convergência, o respeito à diversidade e às nações do mundo”, disse o mandatário argentino.

Advertiu que “por mais poder que se tenha, nunca se pode ir contra os direitos essenciais, próprios das Nações e dos seres humanos que as integram”.

INTEGRAÇÃO

O presidente Kirchner destacou que “somos uma nação e um governo comprometidos com a integração da nossa América do Sul. Acreditamos na Pátria grande. Trabalhamos forte para a aproximação do México, sua inserção na região latino-americana conjuntamente com todos os povos da América do Sul. Sei que vamos conseguí-lo e vamos escrever a etapa grande de nossa história com coragem, decisão e sem ter velhos preconceitos que tendem muitas vezes a castrar a possibilidade de construir alternativas que permitam materializar projetos progressistas, soberanos e libertários”

Kirchner agradeceu – como o tinha feito em seu primeiro dia de visita no encontro com Felipe Calderón – ao povo mexicano por ter “acolhido e aberto suas portas a milhares de exilados” durante o período da ditadura que infelicitou o país.

O presidente da Comissão Permanente do Senado, Manlio Beltrones, do PRI, disse que “sua presença no nosso país enaltece esta tradição libertária e progressista latino-americana. Acompanhamos e compreendemos o significado que para seu governo e para o povo argentino constitui o esforço pela recuperação econômica com independência e dignidade, sem prejuízo da democracia e a liberdade”.

“Nem a Argentina, nem o México podem aceitar que seu destino se decida fora de suas fronteiras. Por isso devemos avançar pelo caminho latino-americano, com visão progressista, nos libertando da dependência que retarda a nossa marcha”, concluiu.

SUSANA SANTOS
Hora do Povo
Rizzolo: Realmente esse muro é uma vergonha, na verdade denota o a essência do ” muro mental preconceituoso” enraizado na elite americana, esse mesmo muro mental é que tenta isolar os países da América Latina, é a superioridade econômica que procura de todas as formas não perder seu privilégio, utilizando-se de todos os meios. No caso em questão , o muro é uma forma emblemática de segregar o povo mexicano, não culpo o povo americano por isso até porque são vítimas da mídia controlada, e estão sob estado de dormência, são manipulados.

O piro muro é o muro que não se vê , que não se toca, mas está separando pessoas, gerando conflito, é o muro da indiferença, o muro que separa pessoas ricas e poderosas dos pobres e desvalidos e esse muro está sendo construído no Brasil por uma elite perversa , que de todo modo tenta derrubar um operário que sempre lutou para que não haja dois Brasis, o da opulência e da riqueza e outro da miséria, da falta de oportunidade, do abandono.