Mulheres representam 51,8% do eleitorado, revela TSE

BRASÍLIA – As mulheres não apenas mantêm a maioria do eleitorado no país, como vêm aumentando sua participação: eram 51,3% em 2004, passaram a 51,6% no pleito de 2006 e este ano, nas eleições municipais de outubro próximo, a participação feminina no colégio eleitoral será de 51,8%. Os dados foram divulgados hoje pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o TSE, o total de eleitores aptos a votar em outubro é de 128.805.829, excluindo-se os eleitores do Distrito Federal, que não tem eleições municipais. Se fosse computado o eleitorado do DF, o número global do eleitorado brasileiro seria de 130.469.549.

O colégio eleitoral de 128,8 milhões irá escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores entre 371.030 candidatos em 5.565 municípios, dos quais 15.094 candidatos a prefeitos e 340.831 a vereadores. Por faixa etária, o maior número de eleitores se concentra entre 25 e 34 anos, representando 24,2% do total do eleitorado apto a votar.

O TSE revelou ainda que 6,2% dos eleitores são analfabetos, a maior parte deles de Alagoas. Em oposição, Santa Catarina possui o menor número de eleitores sem alfabetização.
Agência Estado

Rizzolo: O eleitorado feminino é importantíssimo, o voto da mulher no meu entender é mais aprimorado face a sua maior sensibilidade. A mulher conhece melhor os problemas no município do que o homem, as mulheres tem maior capacidade de organizar os movimentos populares até porque vivenciam os problemas cruciais do município como falta de creches, saúde, transporte e acima de tudo são mais valentes na defesa de seus interesses. Viva as mulheres do Brasil, que já ultrapassaram os homens em muitos segmentos do mercado.

Quando a política vale mais que a água

Muito se fala na inclusão social, e no desenvolvimento sócio econômico das camadas mais pobres da população. Apregoadores da sustentabilidade do meio ambiente, através dos anos, vem alertando o mundo da necessidade da qualidade da água como fator não só do ponto de vista ecológico, mas como um viés político preponderante no tocante à questão da saúde pública, como bem alerta os médicos sanitaristas no Brasil e no exterior.

A própria CNBB na sua Campanha da Fraternidade de 2004 insistiu no tema sobre água “FRATERNIDADE E ÁGUA” e o lema era: “ÁGUA, FONTE DE VIDA”. A água é um bem de destinação universal. A primazia da vida se estabelece sobre todos os outros possíveis usos da água. Nenhum outro uso da água, nenhuma decisão de ordem política, de mercado ou de poder, pode se sobrepor às leis básicas da vida.

Não são apenas os seres humanos os destinatários da água, mas também todos os outros seres vivos. Todas as formas de vida dependem da água e não existe vida onde não há água. É nesse esteio de pensamento que vale uma reflexão sobre o comportamento político aético do ponto de vista ecológico e de saúde pública que impregna algumas prefeituras no desrespeito a o bem maior, que é água que bebemos.

O exemplo clássico do pouco caso ecológico, é o lixão de Itapecerica da Serra, situado está em área de manancial comprometendo as águas subterrâneas da bacia onde fica a Represa de Guarapiranga, responsável pelo abastecimento de 3,8 milhões de moradores da cidade de São Paulo. No Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares, divulgado há um ano pela Cetesb, o município obteve conceito de “Inadequado” culminando com a interdição do ” lixão” do município, que alguns apreciadores de eufemismos, prefere classifica-lo como ” aterro sanitário”.

Não é possível compactuar com o descaso com um bem maior que é a água, mormente em se tratando em área de manancial como é o caso do município em questão. Coibir essa postura apolítica e de desrespeito à população paulista, se faz necessária vez que atinge a qualidade da água de 3,8 milhões de pessoas tornando-as vulneráveis às questões de saúde pública.

Infelizmente no Brasil ainda convivemos com os interesses políticos acima do gosto pela integração ecológica, pela formatação de uma política municipal visando acima de tudo a saúde pública, do município e dos demais municípios que da água dela depende. A interdição dos municípios infratores pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), é uma demonstração de que ainda vivemos numa época em que a fiscalização preenche a lacuna na respeitabilidade pública, nas questões ambientais, representada pelas águas que permeiam nossos mananciais, e que acabam saciando nossa sede, nossa sede de respeito.

Fernando Rizzolo