Desigualdade social atrapalha o crescimento

O Brasil precisa resolver o problema da desigualdade social e melhorar a qualidade da educação pública para poder atingir um nível de desenvolvimento de país rico, na avaliação de acadêmicos consultados pela agência inglesa de notícias BBC como parte da série O Que Falta ao Brasil? que discute os desafios do país para se tornar uma nação desenvolvida.

– A desigualdade é o maior problema, porque ela enfraquece o crescimento econômico, leva a altos níveis de criminalidade e insegurança, e força o país a gastar seus escassos recursos com polícia e prisões – afirma o americano Barry Ames, diretor do departamento de ciência política da Universidade de Pittsburgh e especialista em Brasil no Centro de Estudos Latino-Americanos da instituição.

Para Ames, programas como o Bolsa Família não são suficientes para mudar a situação significativamente. Ele defende uma posição mais ativa do governo para resolver o problema.

– No atual clima econômico mundial, a organização sindical não é capaz de levar a aumentos significativos nos salários reais, e o Brasil ainda está muito atrasado nas melhorias na qualidade da educação de massa para fazer uma diferença verdadeira. O Brasil não pode resolver seus problemas de desigualdade pelas forças do mercado ou institucionais, então seu governo precisa aumentar sua capacidade burocrática ao mesmo tempo em que reduz a corrupção e o clientelismo – diz.

Educação

O espanhol Gonzálo Gómez Dacal, diretor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, a “melhoria substancial” da educação primária e secundária públicas é necessária para “colocar em produção os recursos intelectuais de toda a população”.

– Uma grande parte da população não chega, apesar do talento, à formação superior – comenta.

Para ele, se isso ocorresse, o país se beneficiaria “da capacidade de criação das pessoas inteligentes que formam parte das camadas mais desfavorecidas da população”.

Em sua avaliação, para conseguir enfrentar o desafio da melhoria da educação pública no país, é necessário também “tornar mais equitativa a distribuição da riqueza e as condições de bem-estar social e material dos cidadãos”.

Para Detlef Nolte, professor da Universidade de Hamburgo e diretor do Instituto de Estudos Latino-Americanos da German Institute of Global and Area Studies (GIGA), “reduzir a diferença entre os ricos e os pobres ainda é o maior desafio para o Brasil se tornar uma nação realmente desenvolvida”.

No campo político, Nolte diz que o Brasil já se tornou uma força importante no campo internacional, mas deveria no futuro ter uma posição mais ativa na mediação de conflitos na América do Sul e bancar uma maior parcela dos custos da integração regional.

– Com isso, o papel de líder da região se tornará mais aceitável para seus vizinhos – afirma.
correio do Brasil
Rizzolo: Não há dúvida que a desigualdade prejudica o crescimento, e uma das saídas é o fortalecimento do mercado interno assim como o investimento maciço na educação, o que na realidade balizam as minhas propostas como candidato. Interessante este artigo na reflexão sobre o Bolsa Família que entendo ser um mecanismo de intervenção que deve ser a médio prazo substituído por melhores condições de trabalho e profissionalização. O ganho do Bolsa Família não está só na erradicação urgente da miséria, mas na vinculação do benefício com a necessidade de manter as crianças na escola. Destinar de 8 a 10% do PIB na educação é o caminho para a real erradicação da miséria cultural, e para a significativa melhora da criminalidade no nosso país. Educação é o caminho para viver para amanhã não se perder !

Governar com a Razão e com o Coração

Pouco se poderia dizer do que constitui o emocional do povo da América Latina. Uma mistura de raças, em que o índio, o negro, o europeu se misturam e compartilham um espaço que durante décadas foi alvo de descaso por parte de seus governantes. A percepção dos pobres da nossa região sempre foi a do abandono, da desesperança, e da falta de oportunidade. Das ditaduras militares que açoitavam os menos favorecidos, emergia a tristeza em forma de lirismo, reflexo de uma vida imersa na injustiça social, sempre combatida sob inspiração da indignação.

Foi através da democracia participativa que a maioria dos países da América Latina acabou elegendo presidentes do povo, comprometidos em reagir contra o abandono social e que acima de tudo tinham as feições da população de seu país. No Brasil não foi diferente; nossa tradição política elitista sempre rechaçou candidatos à Presidência com pouca formação acadêmica. Incutiu-se no inconsciente coletivo que, para uma pessoa pretender ser presidente da República, deveria ter consubstanciado seu curriculum com títulos acadêmicos, e tal versão conceitual política foi propagada principalmente na população mais pobre desde os anos 1960.

Com efeito, esse falso juízo de admissibilidade política, visava a promover candidatos comprometidos com o capital, e que mantinham pouca relação com a imensa população pobre deste país. O governo Lula, de características mais humanas e com o olhar voltado para o combate à miséria, trouxe nova esperança e resgatou a autoestima do povo brasileiro. Esse governo fez com que o potencial humano do nosso povo aflorasse e desenhou-se assim uma nova forma de identidade do trabalhador brasileiro. Partiu-se da ideia conceptiva de que mesmo sem cultura se pode fazer, e se houver oportunidades de formação, pode-se mais ainda.

Não é à toa que os discursos conservadores, margeadores de uma visão elitista de governo segundo a qual a cultura de um presidente seria a condição da capacidade gestora de promover o desenvolvimento, sofreu uma grande mudança. O governo FHC e o esteio conservador tucano que permeiam os redutos ideológicos da pretensa social-democracia tornaram-se opacos diante da constatação da nova realidade política: governar com a razão e com o coração.

A proposta da candidata Dilma nada mais é do que a continuidade desse modelo que prima pela técnica, sem jamais se disponibilizar aos interesses daqueles que esqueceram do coração para, em lugar da justiça social, se entregar cegamente aos caprichos do capital sem o viés social.

Fernando Rizzolo

Marina diz que pode rever projeto do trem-bala

SÃO PAULO – A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, disse nesta quarta-feira, 1, que, caso eleita, o projeto de construção de um trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro pode ser revisto. Ela deu a declaração durante sabatina promovida nesta manhã pelo jornal O Estado de S. Paulo. A candidata argumentou que os recursos empregados no projeto poderiam ser revertidos para a educação, dobrando o orçamento do setor em um ano. Marina disse que o projeto do trem-bala só seria mantido se houvesse recursos sobrando.

“Com o (recurso do) trem-bala daria para dobrar os recursos do Ministério da Educação. É uma questão de prioridade, tem que ver se tem os recursos”, afirmou. “Entre o trem-bala e a educação de qualidade, eu vou ficar com a educação de qualidade.”

Embora defenda investimento em novas alternativas energéticas, Marina admitiu que, como presidente, não poderia abrir mão do uso do petróleo. Por isso, segundo ela, é importante que o governo federal invista na exploração da camada do pré-sal. Para a candidata, é preciso que o projeto de exploração seja viável e feito com tecnologia que “minimize ao máximo” os riscos ambientais.

Marina colocou em dúvida a viabilidade do projeto da usina de Belo Monte, já que, na opinião dela, ele não atenderia aos pré-requisitos ambientais e sociais. “Não dá para continuar fazendo como sempre fizemos, deixando as questões ambientais e sociais como externalidades ao empreendimento. O projeto tem que ter viabilidade técnica, econômica, social e ambiental. O questionamento a Belo Monte é porque falta a viabilidade social e ambiental”, declarou.

A candidata do PV questionou ainda a capacidade de planejamento estratégico do atual governo. “Estivemos sob ameaça de apagão nos oito anos de governo Lula (do presidente Luiz Inácio Lula da Silva). Será que é planejamento mesmo ficar com a espada no pescoço?”, criticou.
estadão

Rizzolo: Eu fico impressionado como a falta de discurso em época eleitoral leva as pessoas a dizer coisas que nem sequer levam à aprecição do bom senso. Todos sabemos que o Rio de Janeiro em termos educacionais é uma referência; o número de Universidades, a quantidade de pós graduação em nível de mestrado e doutorado, fazem da cidade maravilhosa um centro universitário de qualidade, assim como o Estado de São Paulo. A integração entre São Paulo e Rio de Janeiro em todos os aspectos é essencial, até para a oxigenação educacional em todos os níveis, a distância tem que ser vencida, e a aproximação intelectual deve ser cada vez mais intercambiada.

Agora, dizer que o projeto do trem- bala é uma bobagem, um disperdício, e que investir na educação significa desistir da idéia de se aproveitar o parque educacional de ambas a s cidades é o “nonsense” do “nonsense”. Marina está aí para refrescar o desespero tucano, é a utlização do verde em prol da causa do PSDB. Quem defende o verde de verdade somos nós cidadãos, escritores, professores, ongs, os idealistas. Leiam meus artigos , minhas idéias sobre a Amazônia, sobre vegetarianismo, sobre especismo, sobre o amor aos animais, enfim seria melhor Marina pensar mais na ecologia e nas reflexões socio educacionais, do que apenas no discurso em defesa das aves tucanas. Trem-bala é sim também investir na educação e na integração !

Educação e Criminalidade

Muitos são fatores que contribuem para explicar a violência e a criminalidade, porém bem poucos se aproximam tanto de um consenso entre os especialistas como o fator educacional. Na raiz do problema da estrutura familiar, o acesso à educação como fator compensatório, minimiza a possibilidade de o jovem ingressar no universo do crime. Numa visão contratual entre a condição de pobreza instada no núcleo familiar, o componente educacional da modalidade em tempo integral, propõe ao jovem uma reflexão e a percepção das propostas de cidadania – e da falta dela –, vivenciada do outro lado dos muros da escola.

Toda mudança estrutural do universo emocional se faz entre a percepção dos conceitos educacionais com a materialidade das experiências de pobreza vivenciadas no núcleo da família e no convívio de inserção social, do meio subsistente, onde a lacuna da falta de cidadania impera e sujeita o jovem ao ingresso na criminalidade. Portanto, o grande desafio no papel da educação inclusiva dos jovens é fazê-los estar adiante dessa lacuna e transcender a realidade; e nortear uma sociedade que vive um processo de inclusão, sedimentando os efeitos da cidadania.

O jovem em uma condição educacional plena, de tempo integral, numa nova proposta, acabaria por se tornar um tutor no seio familiar, ou na comunidade, vez que estaria abstraído das condições e do meio de miséria. Tal proposta educacional, contudo, passa por outras vertentes que dariam sustentação ao ambiente interno (escola) e externo (comunidade). A primeira dessas vertentes seria a revitalização do papel dos professores, com salários dignos, e educação continuada promovida através da especialização no regime de tempo integral e suas particularidades; a segunda, a promoção de melhores condições de vida para profissionais da segurança pública, seja da polícia civil ou da polícia militar, por meio de salários condizentes com o grau de periculosidade a que eles estão submetidos.

Com efeito, qualquer tipo de intervenção educacional que vise a minimizar a exposição dos jovens ao meio hostil ou retirá-lo de lá, terá de contar com o viés repressivo constitucional atenuando a atuação do crime organizado. Será necessária também uma política sistemática na aplicação dos elementos básicos da proposta educacional de tempo integral. A composição dos três elementos, aluno, professores, e segurança pública, poderá trazer um significativo avanço na elaboração de um maciço programa da Escola de Tempo Integral direcionando os jovens à cidadania e a um referencial de inclusão.

Muito tenho me debatido nas reflexões sobre a relação entre o crime e os fatores que predispõem os jovens a ele. Percebo que qualquer tentativa de pensar o contexto educacional desprezando outros componentes dessa relação nos levará com certeza a um fracasso educacional logístico na fiel intenção da sua aplicação, que visa a combater a criminalidade que avança na nossa sociedade. Combater o crime organizado significa, portanto, “prima faccie”, compor os elementos de uma “educação organizada” para os jovens desse imenso Brasil.

Fernando Rizzolo

Controlando seu Adolescente

*Por Daniel Schonbuch

Controle

À medida que os filhos se movem da infância para a pré-adolescência, têm uma crescente necessidade de adquirir controle sobre seu ambiente. Para satisfazer essa necessidade, deve-se dar aos adolescentes um poder razoável de fazer opções sobre aquilo que comem, com quem brincam, e em quais atividades extra-curriculares desejam participar. Eles precisam ter a oportunidade de fazer escolhas que acham importantes em diferentes áreas de sua vida.

Os pais podem encontram muitas maneiras de habilitar os adolescentes com segurança, sem permitir que façam opções perigosas. Adolescentes podem fazer escolhas seguras quando compram roupas, planejam viagens em família, ou escolhem seus presentes de aniversário.

Na maior parte do tempo a importância das escolhas não importa; até pequenas decisões podem fazer diferença e permitir que sintam que podem satisfazer seu desejo de controle de forma saudável. Seja comer sorvete de chocolate ou baunilha, a que horas reunir-se com os amigos, ou quais dias são melhores para um passeio em família são igualmente importantes. Embora algumas opções pareçam inconsequentes, o que importa é a sensação que os adolescentes têm de que receberam o poder para optar.

Certa vez aconselhei uma família cujo filho mais velho tinha dificuldade em se sentar por um longo tempo na mesa do Shabat. Como primogênito, ele parecia ter um forte desejo de controle e se sentia velho demais para ficar sentado com seus irmãos e irmãs mais novos. Sugeri ao pai que ele fizesse do filho um parceiro administrando a refeição do Shabat e entregando a ele alguma responsabilidade, como dar presentes aos outros filhos pelo bom comportamento. Quase imediatamente, o adolescente se sentiu valorizado à mesa e ficou mais disposto a participar e apreciar a experiência familiar. Foi dada a ele uma maneira de preencher sua necessidade de controle de modo saudável, o que reduziu o conflito pelo poder à mesa que já durava algum tempo.

O controle também pode ser dado em retorno para um adolescente que aceita maior responsabilidade. Eis aqui algumas sugestões para níveis seguros de controle que os pais podem dar ao seu filho adolescente:

* Para adolescentes que desejam usar o carro: Faça uma lista das atividades de manutenção necessárias, como abastecer, trocar o óleo e checar a pressão dos pneus. Explique que quando você vir que eles são responsáveis pelos cuidados com o carro, você discutirá maneiras de deixá-los usar com maior frequência.

* Para adolescentes que desejam comprar suas próprias coisas: Abra uma conta bancária com eles e estabeleça datas limite para guardar o dinheiro para comprar os itens que eles desejam. Você pode também depositar uma semanada na conta, conforme o comportamento deles em casa.

* Para adolescentes que desejam se divertir mais fora de casa: Faça uma lista de deveres dentro de casa pelos quais eles são responsáveis. Recompense seu desempenho monetariamente ou levando-os para atividades divertidas.

* Para adolescentes que querem comprar muitas roupas: Fixe um valor mensal para roupas, um orçamento, e uma lista de preços das roupas que eles querem comprar.

* Para adolescentes que não gostam da escola e desejam trabalhar: Arrume um estágio após a escola num comércio local ou numa profissão.

*Para adolescentes que não gostam de comer junto com a família: Compre um livro de receitas fáceis e faça-os escrever um cardápio semanal das comidas que preferem. Eles também podem ajudar a preparar as comidas que escolheram.

Quando os pais dão aos adolescentes uma saudável quantidade de controle, estão dando a eles a força para entrar no mundo adulto e assumir responsabilidade pelas próprias ações.

Significado

O quinto pilar do mundo interior é aquilo que o eminente psiquiatra e sobrevivente do Holocausto Victor Frankl chamava de “Desejo por um Significado”. Este desejo por um significado implica querer conhecer os porquês da vida e não apenas os “comos”.

A maioria dos adolescentes tem um enorme desejo de saber por que os eventos estão acontecendo a eles. Na verdade, quando os adolescentes são habilitados com significado e entendem os porquês da vida, são mais capazes de negociar os comos e os muitos desafios que a vida apresenta.

Infelizmente, nosso sistema educacional com frequência nega a necessidade de significado a um adolescente. Nossas escolas tendem a dizer aos nossos filhos o que eles têm de fazer, mas não por que tem de fazê-lo. Quando recebem uma resposta do tipo: “porque eu disse que sim”, eles interpretam que o professor não está interessado naquilo que eles estão sentindo ou naquilo que têm para dizer.

Com isso em mente, os pais precisam gastar muito tempo tentando explicar aos adolescentes os porquês da vida. Por exemplo, quando os filhos se sentem negligenciados pela escola, os pais podem ajudar discutindo com eles como uma escola funciona, as pressões financeiras e de organização que enfrenta, e por que os professores nem sempre podem dar aos alunos a atenção que merecem.

Os adolescentes também se beneficiam ao saber o significado por trás do comportamento dos pais. Se você quer que seu filho adolescente vá cedo para a cama, por exemplo, o motivo que pode dar é que ele trabalhou muito o dia inteiro e precisa dormir cedo. E isso é o suficiente. Pelo menos o seu adolescente sabe o que você espera dele, ou dela: que vá dormir e não pense que simplesmente você não o quer por perto.

Lembro-me de ter chegado em casa após um dia duro de trabalho, encontrando uma casa animada cheia de crianças. Eu disse a eles que precisava de uma folga e que ficaria contente em brincar mais tarde com eles. No passado – antes de eu ter aprendido sobre o desejo interior de meus filhos por um significado – eu teria passado muito tempo explicando a eles como eu me sentia. Após aprender mais sobre o mundo interior deles, eu pude me sentar com meus dois filhos mais velhos e dizer: “Quero que saibam que eu os amo muito, e tive um dia de muita pressão no trabalho. Estou com dor de cabeça e preciso de algum tempo para ler um livro e relaxar. Se vocês me derem um pouco de tempo agora, poderei dar mais tempo a vocês depois. Por favor, brinquem entre vocês por mais meia hora. Então eu vou ajudá-los com a lição de casa e poderemos brincar.” Quando expliquei a eles por que não poderiam ter minha atenção imediata, eles ficaram muito menos ofendidos por eu não passar tempo com eles.

Os pais não deveriam se preocupar por terem de dar a resposta perfeita a cada pergunta ou saber o significado por trás de tudo que acontece na vida. Também as respostas não têm de ser uma prova absoluta no sentido filosófico. Se os pais não sentem que têm as respostas corretas, podem sempre dizer aos adolescentes que gostariam de conversar com um expecialista naquela área ou ler mais sobre o assunto. O elemento chave é conscientizar os adolescentes de que você está interessado no mundo deles e disposto a discutir ideias que estão próximas de seus corações.

Quando se concentram no mundo interior de seus filhos adolescentes, os pais podem criar uma conexão mais profunda e facilitar um maior senso de proximidade. Os benefícios desse novo relacionamento incluem:

*Respeito e confiança mútuos
*Empatia – compreensão de um pelo outro
*Ênfase nas conquistas em vez de nas falhas
*Troca de pensamentos e sensações, em vez de escondê-los e guardar ressentimento

Passar tempo qualitativo juntos
Como parte do seu processo de conectar-se com seu adolescente, um passo importante é passar tempo juntos. Sei que, para muitas famílias, passar tempo com uma criança ou adolescente parece uma tarefa assustadora. Porém, esforçar-se por fazê-lo pode ser importante no sentido de construir o seu relacionamento.

Uma das questões que os pais têm é sobre o que acontecerá se eles passarem tempo sozinhos com um adolescente com quem eles brigam. A resposta com frequência é surpreendente. A maioria dos adolescentes aprecia a ocasião especial de passar tempo sozinho com os pais, especialmente fora de casa. Aconselho muitas famílias que têm gritarias diárias com seus adolescentes, mas quando os tiram de casa, o ambiente emocional pode mudar muito rapidamente.

Durante esse tempo com seu filho, os pais deveriam tentar imaginar que estão saindo para um encontro pela primeira vez. Todos sabem que a primeira vez que as pessoas encontram alguém são cuidadosas com suas emoções. Sabem que têm de ser calmas e prestar atenção especial para não se intrometer nos assuntos privados da pessoa. Há uma espécie de distância saudável que protege as pessoas quando elas se encontram pela primeira vez e as ajuda a manter um senso de respeito e reverência.

Quando esiver sozinho com seu adolescente é importante não repisar os mesmos assuntos pelos quais discutiu em casa. Fale sobre ideias gerais sobre assuntos da atualidade, música, esportes ou sobre os sentimentos de seu filho sobre a vida e os relacionamentos; isso é mais produtivo. A ideia principal é passarem juntos um tempo agradável. Desenvolva a conversa da mesmo maneira que faria com um amigo.

Muitos pais pensam que a única maneira de conseguir que seu filho adolescente passe tempo com eles é comendo fora ou fazendo compras. Porém isso não é totalmente verdade. Sugiro aos pais que se conectem com seus filhos encontrando hobbies e atividades de interesse comum. Por exemplo, minha mulher e eu encontramos um estúdio de cerâmica aqui perto onde pais e filhos podem pintar itens de cozinha como canecas de café e bules de chá que são então produzidos profissionalmente num forno. Pintar cerâmica é uma maneira simples e divertida de passar tempo juntos. Você também pode partilhar aquilo que pintou com o restante da família, algo simbólico da natureza produtiva de passar tempo junto com seus filhos.

Rabino Daniel Schonbuch, MA, é Diretor Executivo da Shalom Task Force e autor de um livro intitulado “First Aid for Jewish Marriages”. Ele tem um consultório particular para Terapia em Casamento e Família e reside em Crown Heights, NY, com sua mulher e filhos.

Fonte: site Beit Chabad

Tenham um sábado de paz !!

Fernando Rizzolo

Dilma propõe acabar com a aprovação automática na Educação, que faz o aluno passar sem aprender

“Nós temos de romper com aquela prática da progressão automática do aluno, que vigorou em alguns estados do Brasil e que é responsável por colocar o professor num sistema sem saber se o aluno tinha aprendido ou não”, afirmou a candidata Dilma Rousseff, na terça-feira (3), ao analisar parte de seu programa na área da Educação. Um dos Estados em que a aprovação automática de aluno está mais difundida é em São Paulo.

Segundo Dilma, ponto fundamental do programa será a qualidade do ensino. E isso, ressaltou, não pode ser feito sem a valorização do professor. “A questão que nos preocupa fundamentalmente é a qualidade da educação. Do ensino básico, passando pelo ensino fundamental, até a pós-graduação. E essa questão está focada no pagamento e na valorização adequada do professor ou professora”, disse.

A candidata frisou que em seu governo “o professor vai ter acesso a uma formação universitária e a um diploma universitário”.

Dilma informou que já há um consenso entre os partidos coligados sobre a expansão da universidade pública e a interiorização dos campi pelo país; a construção de escolas técnicas nos municípios com mais de 50 mil habitantes e a ampliação do Programa Universidade para Todos (ProUni). “Tivemos um processo muito bem sucedido de interiorização [da universidade]. E eu vou continuar de forma acelerada nas cidades pólos das diferentes regiões. Nas cidades menores, vamos continuar expandindo a Universidade Aberta do Brasil”, informou, durante entrevista coletiva no escritório político da campanha, em Brasília. “Estamos falando numa expansão cujo objetivo é uma cobertura bastante grande todo país, especializando os cursos de acordo com as vocações de cada local ou de cada economia. Além disso, vamos aperfeiçoar e expandir o Prouni”.

A ex-ministra voltou a falar sobre o investimento que tem que ser feito para a formação de atletas para as Olimpíadas de 2016. Seu programa, destacou, envolve 10 mil quadras poliesportivas: 4 mil delas receberão cobertura e serão construídas 6 mil nas escolas de ensino básico no Brasil.

Dilma falou um pouco mais sobre seu programa de governo, na quarta-feira, quando visitou uma das unidades da Rede Sarah de Hospitais, em Brasília.

Acompanhada da primeira-dama Marisa Letícia, Dilma afirmou que seu programa de governo para a área da Saúde dará atenção especial para as gestantes, as mães e as crianças. Ela defendeu ainda o fortalecimento e ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS) e a criação de mais clínicas especializadas em algumas áreas, como o tratamento do câncer.
HP – hora do povo

Rizzolo: Concordo plenamente com Dilma, se temos avanços que levam ao desenvolvimento econômico, e que se tal desenvolvimento tem como objetivo a melhoria na educação, antes de pensarmos num novo modelo necessitamos, forçosamente, avaliar as condições de ensino que estão sendo ofertadas aos professores da rede pública, cujos baixos salários, a desmotivação e a pouca oportunidade oferecida pelo Estado no tocante ao aprimoramento profissional os fazem se sentir totalmente desprestigiados.

Uma revolução na concepção de um novo ambiente educacional passaria obrigatoriamente por uma remodelagem profissional dos professores, porque a proposta de ensino que se vê hoje nas escolas é completamente diferente da realidade vivenciada pelos alunos no dia a dia, principalmente no caso das crianças mais pobres, que faz dessa forma o aluno passar sem aprender como a tal aprovação automática instituida em alguns Estados do Brasil.

Por um novo ambiente educacional

Na evolução dos projetos de desenvolvimento e inclusão social que visam à projeção da melhoria das condições de vida e da dignidade humana, encontramos a questão da educação como fator atrelado à percepção de desenvolvimento, mas, na essência, pouco explorado do ponto de vista da aplicação pedagógica. Várias são as propostas de ascender a metodologia educacional a ser implementada no contexto de transferência de renda e de melhores condições de vida da população mais carente.

É verdade que a ideia da contraprestação educacional nos projetos de inclusão representam um grande avanço, porém o maior desafio é remodelarmos o conceito educacional atual, tornando-o adequado a esse quadro evolutivo, fazendo com que o ambiente escolar se torne cada vez mais atraente ao aluno. Para tanto, para desenvolvermos essa ideia ambiental do conhecimento, precisamos antes de tudo investir numa remodelação ideológico-pedagógica dos professores. É bem verdade que, se temos avanços que levam ao desenvolvimento econômico, e que se tal desenvolvimento tem como objetivo a melhoria na educação, antes de pensarmos num novo modelo necessitamos, forçosamente, avaliar as condições de ensino que estão sendo ofertadas aos professores da rede pública, cujos baixos salários, a desmotivação e a pouca oportunidade oferecida pelo Estado no tocante ao aprimoramento profissional os fazem se sentir totalmente desprestigiados.

Uma revolução na concepção de um novo ambiente educacional passaria obrigatoriamente por uma remodelagem profissional dos professores, porque a proposta de ensino que se vê hoje nas escolas é completamente diferente da realidade vivenciada pelos alunos no dia a dia, principalmente no caso das crianças mais pobres. Essa mudança de concepção poderia ter início, por exemplo, na proposta de incluir na pauta de ensino algo que discuta a questão do saneamento básico e da valorização da internet, coisas ainda muito distantes da realidade de boa parte da população carente.

Com essas mudanças, estaríamos dando alguns passos adiante no que diz respeito à inclusão social, construindo ali, dentro da escola, um ambiente avançado e ao mesmo tempo dissociado do que ocorre na sociedade atual, que ainda traz em si as mazelas da violência, das drogas e da miséria. A visão de escola de tempo integral vem consubstanciar essa visão entre tempo educacional futurista e realidade social, para que isso possa servir de paradigma aos alunos no que se refere a uma visão crítica da realidade lá de fora, ainda a ser construída pelos projetos desenvolvimentistas.

Ter os professores a tarefa de construir um ambiente educacional agradável, num contexto de escola de tempo integral, numa nova perspectiva de formação ideológica dos educadores, com novas opções de disciplinas e formação cultural geral, trará ao ambiente escolar a possibilidade de as escolas se tornarem células vivas da formação cívica, levando muito mais que informação disciplinar e dando a possibilidade de o aluno se tornar um difusor crítico daquilo que ainda está se construindo na sociedade, que, além dos muros da escola, se expressa no abandono do Estado, na desagregação familiar e na miséria. A escola a um passo à frente significa reconhecer os avanços e, acima de tudo, criar um ambiente de luta na perpetuação dos ideais de cidadania.

Fernando Rizzolo