Ex-refém norte-americano acusa as Farc de “terrorismo”

Marc Gonsalves, um dos três reféns norte-americanos em poder das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) libertados semana passada, depois de operação militar na Colômbia, afirmou que os membros da guerrilha não são revolucionários como se fazem crer, mas “terroristas”.

“Não se trata de um grupo revolucionário. São terroristas”, afirmou ontem, nas primeiras declarações públicas desde sua libertação na quarta-feira passada (2) pelo Exército colombiano junto com outros 14 reféns, entre eles dois outros americanos e a franco-colombiana Ingrid Betancourt.

“Eles dizem que querem a igualdade e que querem fazer da Colômbia um lugar melhor. Mas tudo é mentira”, acrescentou Gonsalves durante entrevista à imprensa transmitida pela televisão no Texas (sul).

“Eles utilizam isso para justificar suas atividades criminosas (…) Seus interesses se limitam ao tráfico de droga, à extorsão, aos seqüestros. Recusam-se a reconhecer os direitos do homem. Rejeitam a democracia”, prosseguiu.

Os três ex-reféns americanos Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell, haviam sido capturados pelos rebeldes quando realizavam missão contra as drogas para o ministério da Defesa americano na Colômbia em fevereiro de 2003.

Os três homens estão numa base americana no Texas desde a manhã de quinta-feira (3), para fazer exames médicos e reencontrar as famílias. Cercados por familiares e segurando bandeiras dos Estados Unidos, os ex-reféns agradeceram aos governos colombiano e americano por sua libertação.

Howes aplaudiu o Exército colombiano por “nosso espetacular resgate”, enquanto Gonsalves qualificou de “heróis” os militares que participaram da operação de resgate. “Não adianta dizer que não são terroristas, devem prová-lo. Deixem que os demais reféns voltem para casa”, disse Gonsalves.

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Rizzolo: Bem, mas não precisa nem ter sido refém para afirmar isso, é lógico que as Farc utilizaram um discurso revolucionário para atingir seus objetivos, e ganhar a simpatia de alguns grupos dentro e fora da Colômbia. Agora o que eu não entendo, é como não há uma enérgica resposta por parte do Brasil contra a presença desse grupo guerrilheiro. O que se pode inferir são declarações tímidas, o próprio assessor e ideólogo do presidente Alvaro Uribe na Colômbia, apesar das origens de esquerda, o advogado José Obdulio Gaviria, 56, não desmente o certo mal-estar com a posição considerada dúbia do Brasil em relação às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que praticam seqüestro e mortes e são combatidas ferozmente pelo governo.

Na realidade, como eu sempre afirmo, existe uma percepção da esquerda brasileira e do governo em relação as Farc, como um movimento de esquerda, e isso gera certa condescendência. As Farc promovem o terrorismo, e isso deve ser rechaçado de forma franca, direta, e objetiva. O resto é conversa mole…

Exército colombiano denuncia ataque das Farc a partir do Equador

BOGOTÁ, 26 Abr 2008 (AFP) – O comandante do Exército da Colômbia, general Mario Montoya, denunciou neste sábado que a guerrilha das Farc executou na sexta-feira, a partir do Equador, um ataque com explosivos que deixou um oficial ferido.

“Ontem (sexta-feira) às 11H15 locais (13H15 de Brasília) foram lançados cinco cilindros carregados de explosivos do território equatoriano para o território colombiano. O soldado Uriel Muñoz sofreu uma fratura e ferimentos no tórax”, disse à imprensa.

O general, que qualificou o ataque como um “atentado terrorista”, o atribuiu à frente 48 das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

A denúncia militar colombiana acontece em meio à tensão diplomática com o Equador, após a ruptura de relações por parte de Quito depois do ataque do Exército colombiano a uma base das Farc situada em território equatoriano, perto da fronteira, no dia 1º março.
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Rizzolo: As Farc tem com certeza bases no Equador e conta com a complacência de Correa, um esquerdista de primeira linha. A Colômbia denuncia há vários anos que as Farc utilizam o território do Equador para preparar ataques contra as Forças Armadas e para fugir da perseguição militar, em meio ao conflito interno de mais de quatro décadas com milhares de mortos.

O grande problema dos governos neopopulistas é que na sua essência existe a cumplicidade ideológica que em nome dela tudo é permitido. A tentativa de se espalhar a guerrilha a partir de países da América Latina é grande, prova disso é a nova visão do governo americano em determinar comandos militares específicos para atuarem na América Latina, se preciso. É claro que o governo equatoriano vai negar essa incursão, no meu entender as acusações procedem. Todo cuidado é pouco.