Fiesp demonstra falácia do BC na “inflação” dos preços industriais

Estudo mostra que dos 20 itens que compõem o IPA, 16 apresentam inflação de 3,2% no acumulado de 12 meses até maio de 2008

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) rebateu o alarmismo do Banco Central de que o maior risco da inflação “advém dos preços industriais”, como afirma o relatório de Inflação do BC divulgado no último dia 25 de junho, para justificar a elevação da taxa Selic a pretexto de combater a inflação. Além disso, a entidade considera que o ciclo de aumento das taxas de juros “é um remédio muito forte para o setor industrial brasileiro”.

“As altas taxas de juros praticadas no país geram efeitos colaterais fortes, principalmente em relação a uma maior valorização do Real. Isso traz dificuldades para a indústria brasileira pois torna o produto nacional menos competitivo nos mercados interno e internacional”, afirma a Fiesp.

O estudo “A Inflação no Brasil: Um Diagnóstico do Setor Industrial”, realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da entidade, mostra que dos 20 itens que compõem o Índice de Preços por Atacado (IPA) 16 “apresentam inflação de 3,2%, no acumulado de 12 meses até maio de 2008”.

Alguns setores inclusive apresentaram variação de preços abaixo do IPCA (5,58%), no período: equipamentos de informática (- 18,51%), artigos do vestuário (- 3,22%), artigos de borracha e matrial plástico (- 1,80%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicação (- 1,62%), máquinas e equipamentos (2,08%), entre outros.

Os quatro componentes que registraram variação de preços acima da média da indústria de transformação são: produtos alimentícios e bebidas, derivados de petróleo, químicos e metalurgia básica. Esses produtos tiveram uma variação, no período, de 14,8%. Neste caso, a Fiesp concorda com a análise do relatório de Inflação, mas afirma que o “BC erra ao afirmar que ‘o maior risco, porém, advém dos preços industriais’, pois a elevação dos preços da indústria está concentrada justamente nos setores citados acima”. De acordo com o estudo, “os aumentos localizados em alguns subitens industriais são conseqüência direta dos choques de preços ocorridos mundialmente”. Ou seja, “a inflação observada nos preços do atacado é muito mais advinda de uma alta mundial dos preços que do descompasso entre oferta e demanda”, diz a Federação das Indústrias.

EQUÍVOCO

Na visão da Fiesp, “o BC e alguns outros analistas se equivocam ao afirmar que há descompasso entre oferta e demanda, pois os dados de crescimento da produção e de investimentos produtivos continuam apresentando percentuais consideráveis ao longo do tempo”.

“Quando analisamos os preços ao consumidor”, diz o estudo, “novamente identificamos os preços industriais caminhando muito abaixo da média, isto é, a inflação em 12 meses é de 3,6%, ou seja, 0,9% abaixo da meta do IPCA. Os preços dos itens relacionados aos serviços também se encontram bem próximos à meta, com crescimento em 12 meses de 4,6%”.

A Fiesp aponta um “equívoco” do BC “porque não leva em conta a forte expansão da capacidade instalada da indústria”. “Na comparação do período de janeiro a maio de 2008, contra mesmo período do ano anterior, o crescimento do INA [Indicador de Nível de Atividade] foi de 8,3%. Quando ocorrem 8,3% de crescimento da atividade e menos de 1% de variação do NUCI [Nível de Utilização da Capacidade Instalada]/Fiesp, fica evidente o aumento da capacidade instalada ocorrido”.

O estudo mostra uma elevação de 20,5% na produção de bens de capital, de janeiro a abril deste ano, em relação ao mesmo período de 2007. O consumo aparente de máquinas e equipamentos – CAME (produção menos exportações, mais importações) cresceu 25% na mesma comparação. “Isso demonstra a resposta da indústria de pleno atendimento da demanda da economia brasileira pois o CAME tem crescido a taxas crescentes e, na sua esteira, a capacidade de produção da indústria também o faz”.

Ainda sobre a capacidade da oferta (produção) fazer frente à demanda, cabe registrar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Na comparação com trimestre imediatamente anterior, os investimentos tiveram uma variação de 1,3%, enquanto o consumo das famílias aumentou 0,3%. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, os investimentos tiveram uma expansão de 15,2% e o consumo familiar, 6,6%.
Hora do Povo

Rizzolo: Desta feita o BC pretende atribuir o aumento dos preços aos preços industriais, o que não é verdade, aliás, a indústria está acompanhando o nível de consumo. A Fiesp tem sido uma voz contrária a essa absurda escalada da alta dos juros, onde apenas quem lucra são os especuladores, ou aqueles que jamais investem na produção e sim no mercado financeiro. O pior nesse embate é que ninguém consegue deter essa política do BC e o Copom, nem a Fiesp, tampouco Lula que não tem correlação de forças para isso, ou seja ganhou mas não levou.