Quando a financeirização da economia derrete as exportações

O bom senso econômico e as medidas adotadas no momento adequado, fazem com a economia seja uma ciência da ponderação. É claro, que nas melhores explicações econômicas, as demonstrações numérica fazem sucesso, contudo, nada mais pragmático do que uma análise por vezes perfunctória dos mecanismos mais simples e mais lógicos de uma economia.

O governo Lula deixou-se seduzir pela política econômica traçada pelo Banco Central, até porque, a autonomia do Banco assim o permite fazer, optou-se por uma pseudo blindagem perversa baseada numa antiga premissa do FMI, que já não é mais preconizada pelo órgão, ou seja, de que aumentar as taxas de juros é a melhor forma de conter um surto de inflação e prevenir turbulências externas.

Talvez por entender, ou pouco entender a essência desse conjunto de medidas apregoado pelo Banco Central, o governo no seu papel de executivo foi deixando nas mãos do Copom e do presidente do Banco a prevalência pela financeirização da economia brasileira, mantendo uma taxa de juro absurda cujo diferencial das taxas reais entre Brasil e EUA chegam a estar por volta de 8,5% ao ano.

As três deliberações anunciadas pelo governo no sentido de conter a desvalorização do dólar em relação ao real, são na verdade, inócuas, até porque, a medida não será utilizada nas especulações com renda variável, como ações da Bolsa de Valores, lançamento de ações (IPOs), investimento estrangeiro direto, fundos de investimentos de derivativos com renda variável (CDI e índice de ações) e empréstimos estrangeiros.

Ora, se por um lado temos uma turbulência externa relacionada a um temor de recessão nos EUA, e um cenário internacional duvidoso, temos por aqui, um elenco de atrativos ao capital especulador maior que qualquer argumentação que possa surgir: a altíssima rentabilidade em função dos juros. A percepção dos investidores de que de certa forma, o Brasil passa imune à instabilidade da economia internacional, e proporciona aos mega especuladores, a maior taxa de juros do planeta, acabam intensificando a entrada de capitais.

O que não sequer mencionar, ou atribuir à questão da valorização do real, é manutenção da alta taxa de juros aplicada no País, fundamentada por velhos conhecidos pretextos, como a volta da inflação, e outros argumentos frágeis que sevem para legitimar os interesses na permanência da financeirização da economia brasileira, onde quem perde é o mercado interno, os exportadores, as contas externas e o desenvolvimento do País.

Está já exaustivamente comprovado, que somente com um mercado interno forte, e dinâmico, podemos blindar a nossa economia face as intempéries externas; contudo, ao que parece, o governo mais uma vez não vai ao cerne da questão dos juros e pretende com mecanismos inócuos, prevalecer por maior tempo possível a rentabilidade do capital especulativo, não por bom senso, ou entendimento econômico de cunho técnico, mas talvez a pedido daqueles que gostam de um Cassino chamado Brasil.

Fernando Rizzolo