Hillary: OEA enviará delegação a Honduras para negociar

WASHINGTON – A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou hoje que a situação em Honduras resultou “em um golpe”. Ela disse que os Estados Unidos estudam qual consequência terá a crise em Honduras para os programas de assistência ao país. Segundo ela, a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviará uma delegação à nação caribenha “para começar a trabalhar” com os setores em conflito na restauração do governo constitucional. “É importante que tomemos uma posição a favor do Estado de direito”, afirmou.

Governos de América Latina e Europa condenaram a derrubada do presidente Manuel Zelaya e pediram que o conflito seja resolvido pela via democrática. Brasil e Uruguai afirmaram que não reconhecerão nenhum governo hondurenho que não seja o de Zelaya, deposto e expulso do país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu programa de rádio semanal “Café com o Presidente” que não aceitará nem reconhecerá nenhum governo que não seja encabeçado por Zelaya “porque ele foi eleito diretamente pelo voto, cumprindo as regras da democracia”.

Honduras se arrisca a ficar isolada do resto da América Latina se o mandatário deposto não retornar à presidência, advertiu Lula, que afirmou ter conversado sobre a situação com os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e do Chile, Michelle Bachelet. “Não podemos aceitar mais na América Latina que alguém queira resolver seus problemas de poder pela via do golpe”, concluiu o brasileiro.

O governo uruguaio informou que não reconhecerá como presidente provisório de Honduras Roberto Micheletti, que foi designado ontem pelo Congresso hondurenho, após o golpe. “A chancelaria uruguaia ratifica o comunicado emitido pelo Mercosul, em apoio à institucionalidade democrática, e manifesta seu mais enérgico repúdio ao sequestro e expulsão do presidente Manuel Zelaya, em aberta violação da ordem constitucional”, afirmou um comunicado publicado hoje no site da presidência.

Condenação

O primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, também condenou a expulsão de Zelaya e pediu seu imediato retorno ao poder. “A solução para qualquer disputa deve se buscar sempre no diálogo e no respeito às normas democráticas”, afirmou ele, em comunicado. O presidente da Assembleia Geral da ONU, Miguel D”Escoto Brockmann, disse que havia convidado Zelaya a Nova York, para que informe diretamente sobre a situação do país. Segundo D”Escoto, a deposição do líder hondurenho foi um ataque indigno à democracia.

Em Londres, o porta-voz do Escritório de Relações Exteriores Chris Bryant informou que “o Reino Unido condena a expulsão do presidente Zelaya e a restauração do governo democrático e constitucional em Honduras”. Na Alemanha, o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, disse que a detenção de Zelaya e seu exílio forçoso na Costa Rica “violam a ordem constitucional”.

O secretário geral Iberoamericano, Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), afirmou que o golpe de Estado “é algo que não pode ser aceito”. Escolhido para o cargo pelos chefes de Estado e de governo dos países da América Latina, mais Portugal, Espanha e Andorra, Iglesias acredita que em Honduras “a vigência da Constituição” será retomada e Zelaya voltará ao poder. “Vamos ver as coisas no bom caminho.”

Iglesias considera que “a reação mundial foi impressionante”, pela rapidez e firmeza. Uruguaio, ele afirmou que “na América Latina temos superado essas etapas de golpes militares”, algo que “ninguém aceita” no continente. O secretário também elogiou o posicionamento do novo governo dos EUA, presidido por Barack Obama. “O governo Obama também teve posição firme e clara”, disse ele, que está no Brasil para um seminário no Rio, preparatório para a reunião de Cúpula Iberoamericana que será realizada em 30 de novembro, em Estoril, Portugal.
agência estado

Rizzolo: Já disse em um comentário anterior mas irei ratificar minha posição novamente. O presidente Manuel Zelaya agiu mal, provavelmente influenciado pelo seu ídolo Hugo Chavez. Tentou conduzir um plebiscito à revelia das normas legais. Com efeito não respeitou a Constituição – tanto que queria fazer um plebiscito inconstitucional – pouco se ateve ao Congresso e desprezou o Judiciário.

Bem, já vimos que Manuel Zelaya bonzinho não é, tampouco coitadinho e injustiçado. Se os países da América Latina entendem que conclamando o povo pobre, que se encanta com as palavras doces dos oportunistas, e com artifícios demogógicos podem golpear, rasgar, e queimar a Constituição de um país, estão eles enganados. Ninguém aqui está defendendo um golpe militar, até porque se os militares ficarem a coisa muda de figura. Agora uma coisa é certa, a democracia não pode subsistir ou ser suplantada com os artifícios da demagogia e do populismo. Isso não. Não é tão fácil, como Hugo Chavez, Morales e sua turma entender ser.

ONU condena prisão e pede a volta do presidente de Honduras

NAÇÕES UNIDAS – O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou neste domingo, 28, que está “profundamente preocupado com os últimos acontecimentos em Honduras”. Ele condenou a prisão de Manuel Zelaya, presidente do país, que foi destituído do comando do país à força por militares na madrugada deste domingo e foi expulso para Costa Rica. Em seu lugar, foi nomeado o presidente do Legislativo, Roberto Micheletti.

Ban Ki-moon pede a volta do presidente democraticamente eleito ao país e pede respeito aos direitos humanos. Ele pediu ainda que o empenho dos hondurenhos para dirimir as diferenças e buscarem a reconciliação. A ONU reconhece ainda os esforços da Organização dos Estados Americanos, que marcou uma reunião nesta segunda para discutir o caso.

Congresso de Honduras lê carta de renúncia; presidente nega

O governo do presidente norte-americano, Barack Obama, reconhece apenas Manuel Zelaya, presidente de Honduras vítima de um golpe de Estado neste domingo, 28, como único governante constitucional do país, informam altos funcionários de Washington à Reuters: “Nós reconhecemos Zelaya como o presidente constitucional e devidamente eleito de Honduras. Não vemos outro”.

Do país vizinho, o presidente negou que tenha desistido do cargo e afirmou ser vítima de um golpe de Estado orquestrado pela oposição civil e militar. Hoje os hondurenhos decidiriam se junto com as eleições presidenciais de novembro, votariam também uma reforma constitucional.

Os legisladores destituíram Zelaya pouco antes, com base em um relatório de uma comissão parlamentar que estabeleceu que este violou o ordenamento jurídico do país no processo para realizar hoje uma consulta popular para a eventual instalação de uma Assembleia Constituinte, o que não ocorreu.

Deputados governistas e opositores asseguraram durante o debate prévio à escolha de Micheletti que o ocorrido hoje “não foi um golpe de Estado, mas uma substituição constitucional” e a aplicação “dos
princípios do Estado de direito”.
agencia estado

Rizzolo: Olha, sempre fui um defensor da democracia, agora é mister admitir, que está surgindo um novo tipo de “democracia plebiscitária” que, ao revés de representar o povo, as instituições, os poderes estabelecidos, se utilizam da receita manipulatória de Chavez e Morales, atropelando a Constituição, pisoteando as instituições do país, e se aproveitando da boa-fé e do populismo para permanecerem no poder. O fator pouca cultura, ignorância, assistencialismo, despreparo para a democracia, faz do povo uma presa fácil para as táticas Chavistas de permanência no poder e de se sobrepor ao poderes como assim tentou fazer Zelaya que decidiu fazer um referendo que foi declarado ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pelo Poder Judiciário. Não havia consenso nem no seu própio partido.

Resultado, substituir a Constituição por consultas populares é uma tremenda inversão de valores, e que sinto muito, alguém tem que deter este “maluco”. Isso pode servir de paradigma para que governos autoritários inspirados pelo Chavismo tenham mais cuidado ao desrespeitar a Constituição. Essa é a verdade. Para mim o que se sucedeu em Honduras não foi bem golpe não. Foi colocar a casa em ordem. Falo mesmo, quando a Constituição de um país tende a se surrupiada, alguém tem que tomar uma medida. É ou não é? Eu sou um democrata e respeito a Constituição. Agora em relação a ONU, não deve se levar a sério, aliás a organização sempre condena veementemente Israel e EUA, mas jamais condenou o Sudão (ao contrário, elogiou o governo) ou o Zimbabwe (ao contrário, colocou o país na presidência de um Painel Econômico – talvez para ensinar aos outros como conseguir uma inflação de 15 mil por cento ao mês). É isso aí.

Governo Morales diz que Bolívia está no limite de um golpe de Estado

O Governo de Evo Morales advertiu hoje que a Bolívia está no “limite de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional” para derrubá-lo, e atribuiu o plano aos governadores regionais opositores de regiões autonomista.

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, se referiu ao suposto complô em declarações realizadas à rádio estatal “Patria Nueva”, na cidade de amazônica de Trinidad, no departamento de Beni.

Quintana, o braço direito de Morales no Governo, disse que esta ação está sendo gerida “ao típico estilo das ditaduras que antecederam a recuperação da democracia em 1982”.

Segundo o ministro, a ação dos chefes regionais é um ato “de sedição, de desacato e organização de forças ilegais, paramilitares para atentar contra todas as liberdades públicas”.

A denúncia de Quintana ocorre a quatro dias do referendo que será realizado no próximo domingo para que os cidadãos se pronunciem sobre a revogação ou continuidade dos mandatos de Morales, seu vice-presidente e oito governadores regionais do país.

Morales, em um ato em Cochabamba para celebrar o aniversário das Forças Armadas, lamentou hoje que alguns grupos “faltem o respeito ao povo boliviano e apliquem uma espécie de ditadura civil, atentando contra a democracia”.

Segundo o presidente, na Bolívia, as ditaduras dos anos 60 e 70 foram substituídas pela ação de grupos que “tomam aeroportos, tomam cortes departamentais eleitorais e baleiam carros de ministros”.

Nos últimos dias, se intensificaram em diversos pontos do país os protestos contra Morales e seu Governo, como o caso da região de Tarija na terça-feira passada, onde uma manifestação de opositores provocou a suspensão da visita dos presidentes da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, e da Venezuela, Hugo Chávez.

Folha online

Rizzolo: Morales não é o tipo de sujeito que gosta de oposição. Bem ao estilo chavista, só gosta da democracia quando esta ganhando ou quando tem o poder nas mãos. As alegações de golpe por parte dos opositores, são superficiais, evidentemente a oposição vê com certa desconfiança e não aprovação dos governos populistas de Chavez, Kirchner, e principalmente o dele. Morales como Chavez, vê o desprestígio tomar conta do seu governo e ataca grupos da oposição de golpe. É o velho discurso de sempre, daqui a pouco começará a culpar os EUA.

Família de João Goulart processa os Estados Unidos pelo golpe de 64

Os familiares do ex-presidente João Goulart estão com ação na Justiça brasileira para que seja reconhecida a responsabilidade do governo dos EUA no golpe de Estado que o derrubou da Presidência em 1964. A família cobra do governo americano uma indenização por danos morais e materiais numa ação que corre na Justiça desde 2003.

Maria Thereza Goulart, viúva do ex-presidente, e seus dois filhos, João Vicente e Denise decidiram pela ação quando Lincoln Gordon, embaixador dos EUA no Brasil naquele período, admitiu no seu livro lançado em 2002 que a Agência Central de Inteligência (CIA) financiou, nas eleições parlamentares de 1962, opositores de Jango como preparação do golpe. “O valor (R$3,496 bilhões) foi uma solicitação do próprio juiz, sob pena do não prosseguimento da ação, e nós contratamos uma perita de São Paulo. Nosso objetivo é apurar a imoralidade que esse indivíduo, Lincoln Gordon, reconheceu. Houve a quebra da soberania brasileira”, declarou João Vicente, que veio a público, em entrevista a “O Globo”, esclarecer a ação.

Eles querem provar que a participação americana na ação golpista foi um ato secreto e ilegal. Para ele, em 64 foi um ato de gestão dos agentes da CIA. “É com base nisso que estamos pedindo à Justiça brasileira que cite os Estados Unidos, para que eles se pronunciem a respeito”, concluiu.
Hora do Povo

Rizzolo: A interferência dos EUA em golpes já faz parte da política americana, e por aqui ainda os lacaios dessa prática transitam em todos os níveis quer na mídia, quer nos partidos de direita, uma vergonha , esse Lincoln Gordon, embaixador dos EUA no Brasil naquele período, admitiu no seu livro lançado em 2002 que a Agência Central de Inteligência (CIA) financiou, nas eleições parlamentares de 1962, opositores de Jango como preparação do golpe. Pra você ter uma idéia da estirpe de embaixadores que império enviava para satisfazer seu desiderato; o golpe.

Segundo o embaixador Gordon, na época foram usados cinco milhões de dólares de verba secreta para derrubar Jango. Quando (o presidente do Senado) Aldo Moura de Andrade decreta vaga a Presidência da República, num golpe branco, o presidente João Goulart se encontrava em Porto Alegre. Estava lá o líder do PTB com uma carta do chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro, dizendo que o presidente estava em Porto Alegre, tentando resistir. E o senador declara vaga a Presidência e dá por encerrada a sessão. Isso foi um golpe branco, financiado pelos Estados Unidos. E os militares brasileiros na época ainda se diziam patriotas.